sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 25/05/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

25.05.2010 Jornal "Folha de S. Paulo" Opinião O bicentenário da Argentina A Argentina faz 200 anos hoje. Entendemos a comemoração do bicentenário como um processo em que a celebração se une à reflexão. JORGE TAIANA No dia em que a Argentina faz 200 anos, queremos compartilhar aspectos de nossa realidade e expor prioridades e objetivos Queremos compartilhar aspectos da nossa realidade para analisar a Argentina do presente, expondo nossas prioridades e objetivos. Retrocedamos até aquele 25 de maio de 1810. Em Buenos Aires, os patriotas decidiam não reconhecer a legitimidade das autoridades espanholas e constituir a primeira junta autônoma de governo. Esse desafio à ordem colonial foi o ato inicial que colocou em andamento a declaração de independência, e atingiu a vitória definitiva quando as tropas espanholas foram derrotadas, após dez anos de combates em meio continente americano. É a esses heróis que fundaram a nossa nação que estamos prestando homenagem. Qual a situação da Argentina no bicentenário, e que prioridades integram suas perspectivas? O sistema político democrático, após quase três décadas, é realidade que dá provas de amadurecimento. O compromisso com os direitos humanos ganhou novo impulso após a anulação das leis do perdão e a reabertura dos processos contra os responsáveis civis e militares por crimes de lesa-humanidade. Desde 2003, a economia vem crescendo como nunca desde 1810. A excepcional taxa anual de crescimento e os saldos positivos da balança comercial facilitaram o cumprimento de compromissos externos com recursos genuínos. Nos últimos sete anos, a educação e a saúde públicas voltaram a ser valorizadas, com orçamentos que triplicarão sua participação em dotações orçamentárias estatais. O Estado recuperou o seu papel principal na promoção da pesquisa nas áreas de ciência e tecnologia, assim como em dotações orçamentárias significativas para o pagamento a professores e pesquisadores do sistema universitário público. Esse sistema formou os cinco argentinos que ganharam o Nobel. Reverter a situação de pobreza também é prioridade do governo de Cristina Fernández de Kirchner. Para isso, estão sendo implementadas políticas de apoio a empresas que contratem mais funcionários, promovendo assim o trabalho decente, e aplicadas medidas de políticas sociais universais a favor das crianças. A convivência e a integração de imigrantes do mundo todo é uma particularidade histórica que continuamos reafirmando. Implementamos o Pátria Grande, legislação moderna para regularizar a situação dos trabalhadores estrangeiros. Lutamos pela vigência plena do direito internacional. O multilateralismo é o instrumento para a luta por paz e segurança, bem como para vencer a pobreza, as doenças, o tráfico e a degradação ambiental. A promoção e a proteção dos direitos humanos são políticas de Estado que fortalecem a nossa identidade como nação e a nossa liderança na comunidade internacional. Nós nos integramos ativamente ao comércio dentro do Mercosul e defendemos a necessidade de uma maior institucionalidade. Impulsionamos a Unasul como âmbito de participação exclusiva dos países da região para a manutenção da paz e da democracia e também temos participação ativa no G20. Nossa reclamação ao governo britânico, apoiada formalmente pela ONU, para discutir a soberania das ilhas Malvinas está no espírito da população argentina e é um dos eixos da nossa política externa. Nosso país tem dívidas pendentes. Estas remontam ao passado distante e representam um reconhecimento dos direitos adiados de amplos setores da nossa sociedade. Os compromissos externos também são prioridade para o governo. Nosso país faz 200 anos e nós convidamos outros povos a se unir à celebração para compartilhar o que nossa gente tem de melhor, a nossa cultura e a nossa história. JORGE TAIANA é ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da República da Argentina. Caderno: Mundo Argentina faz 200 anos mais pobre e dividida País ainda tenta se reerguer da crise de 2001 em meio a guerra política Presidente Cristina Kirchner se nega a ir a evento organizado por prefeito de Buenos Aires e exclui vice de festejo GUSTAVO HENNEMANN DE BUENOS AIRES Sem grandes motivos para celebrar, a Argentina comemora hoje o Bicentenário do início de seu processo de independência da Espanha. O céu cinzento que cobriu Buenos Aires ontem, feriado antecipado para comemorar a independência, deixou ainda mais opacos os festejos, marcados por graves conflitos políticos internos e pelo retrocesso social do país nas últimas décadas. O cenário é de contraste com a Argentina de cem anos atrás, que enriquecia com a exportação de trigo, lã e carne, alcançando renda per capita superior à de países como Suíça, Espanha e Itália. Hoje, a meta é mais modesta: reverter os efeitos da crise de 2001, que pôs metade da população abaixo da linha de pobreza e obrigou o governo a suspender o pagamento da dívida externa. Desde 2003, a economia cresce a uma média de 7,4% ao ano, mas isso não significa que o país tenha voltado para o caminho da prosperidade, segundo o economista da UBA (Universidade de Buenos Aires) Ricardo Aronskind. APENAS SOJA "Voltamos simplesmente a ter políticas a favor da produção, depois de décadas privilegiando o sistema financeiro. Mas ainda não há um projeto estratégico de país, para os próximos 20 anos. Não podemos sustentar o crescimento só vendendo soja para a China e a União Europeia." Segundo o economista, o Estado tem baixa capacidade de gestão -por falta de especialistas- e fica sem força para induzir o fortalecimento e a diversificação da economia. E o setor privado "não sabe para onde ir". O clima político da Argentina tampouco ajuda o país a superar os problemas. O governo da presidente Cristina Kirchner e a oposição promovem guerra declarada e não conseguem dialogar. Neste ano, o Congresso ainda não conseguiu aprovar nenhum projeto de lei dos que compõem a pauta legislativa do primeiro semestre. Tanto a Câmara dos Deputados como o Senado têm dificuldades para realizar sessões, que sofrem boicotes do governo e da oposição. "É uma briga entre o casal Kirchner e um mosaico sem coesão alguma. Não há nenhuma possibilidade de que eles logrem outro objetivo além de derrotar o atual governo. Ocorreu o mesmo com [o ex- presidente Carlos] Menem [1989-1999]. Todos se juntaram para derrubá-lo, mas, no dia seguinte à vitória, a aliança explodiu", diz Luis Fanlo, professor de sociologia da UBA. VICE EXCLUÍDO O conflito político invadiu até as comemorações do Bicentenário. Os espaços públicos para realizar eventos e o protagonismo durante cinco dias de festa foram disputados pelo governo nacional e pela Prefeitura de Buenos Aires, administrada por Mauricio Macri, pré-candidato à Presidência em 2011. Ontem à noite, Cristina Kirchner faltou à reinauguração do histórico teatro Colón devido à briga com o prefeito. Na semana passada, enviou carta ao prefeito dizendo que não participaria de situação "cínica" e "hipócrita". Hoje, a presidente encerra as comemorações do Bicentenário com um jantar de gala na Casa Rosada, onde recebe 200 convidados, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os atritos internos, no entanto, deixarão de fora da festa o vice-presidente argentino, Julio Cobos, que está rompido com o casal Kirchner desde 2008. O governo disse não ver motivos para convidá-lo. Para diplomata, laço com Brasil vive seu ápice DE BUENOS AIRES A política externa argentina de longo prazo não tem coerência e alterna interesses nacionais de acordo com o governo. É a opinião do diplomata brasileiro Alessandro Candeas, autor de "Integração Brasil-Argentina: História de uma Ideia", a ser lançado em junho. Folha - A posição argentina no mundo mudou do primeiro centenário para cá? Alessandro Candeas - Em 1910, o país estava em plena trajetória ascendente. Sem dúvida, tinha muito mais prestígio do que o Brasil. Hoje, o país tem menos força, porque não apostou num processo forte de industrialização. A Argentina tem uma estratégia de inserção no cenário internacional, um perfil de política externa? Não há coerência na política de longo prazo. Há muitas variações também em relação ao Brasil. A política externa do país é refém da política interna. A relação com o Brasil está no melhor momento? Os países não discutem mais se devem ou não dar um tratamento privilegiado recíproco, porque isso já está consolidado. É um cenário bem positivo se considerarmos que, no século 20, houve possibilidade de agressão armada. Jornal "O Estado de S.Paulo" Notas & Informações Malandragem no Mercosul Não haverá limites ao protecionismo argentino enquanto o governo brasileiro for omisso ou tolerante em relação aos desmandos praticados pelas autoridades de Buenos Aires. O Brasil é o maior comprador de produtos exportados pela Argentina. Se Brasília resolver agir em defesa não só dos exportadores nacionais, mas também do estropiado Mercosul, poderá restabelecer o mínimo indispensável de ordem e de respeito no funcionamento do bloco. Respeito é a palavra correta: a nova iniciativa da presidente Cristina Kirchner e de seu secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, é um indisfarçável deboche. Moreno simplesmente proibiu importadores e dirigentes de supermercados de comprar alimentos similares aos da produção local. Nenhuma ordem escrita foi emitida, mas houve ameaça de pressões da Receita contra os desobedientes. A presidente da República negou publicamente qualquer nova ação protecionista. O presidente Lula engoliu o desmentido, passivamente, durante encontro na recente cúpula América Latina-União Europeia, em Madri. Só na semana passada, segundo informação levantada pela Agência Estado, empresários argentinos cancelaram 25% das encomendas a exportadores brasileiros. Produtos enviados do Brasil, do Uruguai, do Paraguai e do Chile continuavam barrados nas fronteiras e nos portos argentinos. O México também não escapou e os governos dos países afetados têm reagido, exceto, naturalmente, o brasileiro. A Fiesp já expressou sua preocupação diante da escalada protecionista do maior parceiro do Brasil no Mercosul, mas sem resultado perceptível até agora. Os empresários brasileiros conhecem bem o protecionismo informal. Durante anos, a Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil, a Cacex, controlou o ingresso de produtos estrangeiros com a emissão de licenças. Quando o interesse era restringir, os papéis eram simplesmente engavetados. Processos desse tipo abrem espaço a arbitrariedades e à distribuição de vantagens setoriais e até individuais. Dificilmente se encontrará um empresário brasileiro disposto a defender esse controle sem regras e sem segurança, mesmo entre os menos favoráveis ao livre comércio. Ao adotar esse recurso, o governo argentino dá um grande passo para trás em termos institucionais. Isso deveria ser suficiente para inquietar os empresários e, de modo geral, os cidadãos interessados na segurança legal e no aperfeiçoamento da democracia. Mas essa política é também um retrocesso no campo diplomático. Até agora, o governo da presidente Cristina Kirchner vinha recorrendo, embora de forma abusiva, a meios de proteção formalmente previstos em acordos internacionais. Esse foi o caso das licenças não automáticas de importação, adotadas a partir de 2008. O recurso a esse instrumento ampliou as barreiras a produtos estrangeiros, com prejuízos especialmente para o Brasil. Além de impor uma restrição comercial incompatível com os objetivos do Mercosul, o governo de Buenos Aires acabou violando normas da Organização Mundial do Comércio, ao demorar mais de 60 dias ? de fato, até mais de 180 ? para emitir as licenças. Mas pelo menos era explícita a exigência de licenciamento, ainda em vigor graças à passividade do governo brasileiro. As novas barreiras foram justificadas por fontes do governo argentino, há algumas semanas, como defesa contra a desvalorização do euro. Ao mesmo tempo há ações contra a concorrência chinesa, classificada como desleal por industriais e autoridades da Argentina. Mas a maior parte das barreiras criadas pelo governo de Buenos Aires acaba afetando o Brasil, mesmo quando o objetivo alegado é a defesa contra competidores de fora do Mercosul ou da América Latina. Nada pode justificar a tolerância do governo brasileiro ao protecionismo do governo argentino. Se a ideia é colaborar com o vizinho e sócio no Mercosul, há maneiras de agir mais eficientes e mais leais. A nova barreira imposta vai além da violação das boas normas de comércio e de integração econômica e resvala para a mais barata malandragem. É o Mercosul levado a seu nível mais baixo. Caderno: Internacional Acaba estado de exceção no Paraguai AFP, EFE e Reuters / Assunção O estado de exceção promulgado pelo governo paraguaio em cinco províncias do país foi levantado ontem, sem que os guerrilheiros do Exército do Povo Paraguaio (EPP) tenham sido capturados. A medida entrou em vigor um mês atrás nos departamentos de Concepção, Amambay, San Pedro, Alto Paraguai e Presidente Hayes, depois que quatro pessoas foram mortas no ataque do EPP a uma fazenda. "Buscaremos a figura legal para que os militares continuem apoiando a segurança nestes departamentos de forma permanente", disse o presidente paraguaio, Fernando Lugo. Lugo anunciou que não pretendia pedir a prorrogação da medida no domingo - e a falta de resultados desatou uma série de críticas. O objetivo da decretação de estado de exceção era dar às forças de segurança paraguaias mais liberdade para perseguir os guerrilheiros e outros criminosos que atuam na região. "(Os militares) não fizeram nada que não podiam fazer (sem o estado de exceção). Estavam na região parados, como observadores", criticou o parlamentar opositor Óscar Tuma, segundo o jornal La Nación. As Forças Armadas paraguaias informaram em comunicado que o presidente Lugo falará hoje sobre os resultados da operação militar. Segundo uma nota oficial, foram detidas 167 pessoas no período - 74 sem ordem de prisão. Caderno: Economia & Negócios Não é qualquer acordo que vale a pena SANDRA POLÓNIA RIOS & PEDRO DA M. VEIGA* Em meio ao agravamento da crise econômica na zona do euro e a um ambiente internacional pouco propício a movimentos de liberalização, o anúncio do relançamento das negociações para um Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia (UE) não deixa de ser surpreendente. Após seis anos de paralisia, as autoridades máximas dos dois blocos anunciaram, em 17 de maio, o objetivo de concluir, sem demora, um acordo ambicioso e equilibrado entre as duas regiões. O objetivo é louvável, mas será factível? Embora a possibilidade de retomar as negociações comerciais entre as duas regiões viesse sendo discutida desde o 2.º semestre de 2009 e houvesse forte expectativa de que o anúncio seria concretizado na Reunião de Cúpula UE-Mercosul em Madri, a conjuntura internacional não autorizava otimismo. Essa percepção foi reforçada pela divulgação de uma carta, no início de maio, assinada por dez países-membros da UE, liderados pela França, opondo-se ao relançamento das negociações com o argumento de que "esse movimento enviaria um sinal muito negativo para a agricultura europeia, que já enfrenta grandes desafios". Ainda antes do agravamento da crise econômica na Europa, havia um crescente pessimismo na comunidade internacional em relação ao ambiente para negociações de acordos comerciais. O último número, ainda não divulgado, do Barômetro de Relações Comerciais Internacionais (Intrarel) - uma pesquisa de opinião periódica e de alcance global, que compila respostas de negociadores, representantes governamentais, empresários, jornalistas, acadêmicos e consultores (os três números já divulgados estão disponíveis em www.cindesbrasil.org) - mostra uma deterioração no ambiente para negociações comerciais internacionais. A pesquisa, conduzida nos meses de março e abril, revela que mais de 73% dos respondentes acreditam que a persistência de enormes desequilíbrios nas balanças comerciais e em conta corrente na economia mundial cria um ambiente desfavorável às negociações comerciais. Só 22% compartilham a visão de que a Rodada Doha será concluída até 2012 e o pessimismo é maior entre os participantes da Europa. Mas chama a atenção o fato de que 71% dos participantes esperam que a UE se torne crescentemente interessada em negociar acordos comerciais preferenciais com países emergentes de grande porte. Apesar das resistências dos países europeus com maior sensibilidade política para a questão agrícola, as exportações europeias para os países do Mercosul vinham crescendo a 15% ao ano no período anterior à eclosão da crise de 2008. Os investimentos europeus na região somam 165 bilhões e superam os investimentos europeus na China, Índia e Rússia juntos. Essa argumentação foi utilizada pela própria Comissão Europeia quando anunciou, no início de maio, sua disposição de retomar os entendimentos com o Mercosul. Num contexto de agravamento da situação econômica na Europa com crescente desvalorização do euro, a perspectiva de ganhar preferências comerciais nos mercados dos países do Mercosul, especialmente no brasileiro, é bastante atraente para a indústria europeia. Além disso, o bom retorno que os investimentos diretos europeus no Brasil vêm produzindo contribui, em muitos casos, para contrabalançar perdas no mercado europeu. Isso ajuda a explicar o movimento feito pelo presidente da Comissão Europeia, apoiado em grande medida pelo primeiro-ministro da Espanha, para empurrar o relançamento das negociações entre as regiões, enfrentando a resistência do grupo dos dez países produtores agrícolas para impulsionar o acordo com o Mercosul. E do lado de cá? O que explica a retomada? Uma explicação pode ser a maior disposição da presidência da Argentina, que parece estar em busca de melhorar sua imagem ante a comunidade econômica internacional, após uma série de medidas protecionistas - que não foram estancadas. Do lado brasileiro as motivações não são muito visíveis. Não há, no ambiente atual, atores privados que estejam empurrando o acordo com grande entusiasmo. O próprio governo tratou o anúncio da retomada das negociações com cautela. Nesses seis anos em que as negociações estiveram paralisadas o mundo mudou muito. Um acordo comercial ambicioso, com uma agenda atualizada, que contribua para a liberalização do comércio e a criação de um ambiente com previsibilidade de regras para o desenvolvimento do negócio entre dois blocos da dimensão econômica e grau de complementaridade do Mercosul e da UE seria uma boa notícia, independentemente da conjuntura. Mas a conjuntura econômica pode impedir que se alcance um acordo ambicioso. E não é qualquer acordo que vale a pena. *SÃO DIRETORES DO CENTRO DE ESTUDOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CINDES). SITE: WWW.CINDESBRASIL.ORG Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "La Nación" Sección: Exterior El traspié de Brasil en Irán MIAMI.- La autoproclamada victoria diplomática de Brasil en Irán ha llevado a muchos comentaristas a especular con que el gigante sudamericano se ha convertido en el nuevo protagonista clave de la diplomacia mundial. Pero probablemente se equivocaron, o hablaron demasiado pronto. En lugar de un triunfo diplomático, el anuncio hecho por el presidente brasileño, Luiz Inacio Lula da Silva, el 17 del actual, de que Brasil y Turquía habían sellado un acuerdo con Irán para resolver el conflicto mundial sobre el programa nuclear iraní podría pasar a la historia como un caso típico de megalomanía diplomática. También podría plantear cada vez más preguntas sobre por qué Lula está tratando de resolver los mayores problemas del mundo -como el del programa nuclear de Irán o, semanas antes, el conflicto palestino-israelí- mientras no levanta un dedo para mediar en disputas que están mucho más cerca de casa, en América latina. Según el pacto, Irán accedió a enviar a Turquía 1200 kilos de uranio con bajo nivel de enriquecimiento y recibir a cambio, alrededor de un año más tarde, cerca de 120 kilos de uranio enriquecido procedentes de Rusia y Francia para fines pacíficos. El acuerdo fue similar a otro ofrecido por Estados Unidos, Rusia, China y Europa en octubre pasado, que Irán primero aceptó y luego declinó. Funcionarios brasileños y turcos dijeron que Irán hizo esta vez concesiones significativas, porque hasta ahora era renuente a enviar su uranio al exterior y sólo aceptaba cambiarlo por uranio enriquecido en el extranjero si la transacción se realizaba de manera simultánea. Pero sólo horas después de que Lula cantara victoria la secretaria de Estado Hillary Clinton anunció que había sellado un acuerdo con Rusia, China, Francia, Gran Bretaña y Alemania para imponer sanciones a Irán. Los expertos en proliferación nuclear ven con escepticismo el acuerdo de Brasil, Turquía e Irán porque las circunstancias han cambiado desde octubre: Irán ha estado enriqueciendo uranio a toda velocidad, lo que significa que la actual oferta cubre un porcentaje mucho menor de sus reservas de uranio que el de octubre. "No creo que haya sido una victoria diplomática´´, me dijo Sharon Squassoni, una experta en proliferación nuclear del Centro de Estudios Estratégicos e Internacionales y ex funcionaria del gobierno de Clinton. "Más bien fue una maniobra de Irán para tratar de evitar nuevas sanciones internacionales. Desde ese punto de vista, les salió mal." Mi opinión: no tiene nada de malo que una potencia emergente como Brasil asuma riesgos políticos para tratar de resolver las grandes crisis internacionales, aun cuando Lula tiene un triste historial de apoyo a algunos de los dictadores más brutales del mundo, y en esta oportunidad le haya dado una legitimidad no merecida al régimen de Ahmadinejad con su visita a Teherán. Sería bueno que Brasil alguna vez también asumiera riesgos políticos en defensa de la democracia y los derechos humanos. Pero, además de eso, ¿por qué Brasil no intenta mediar en el conflicto colombiano-venezolano sobre los guerrilleros colombianos que han recibido apoyo de Venezuela? ¿O en la disputa entre la Argentina y Uruguay por la papelera instalada en la frontera entre ambos países? ¿O en la larga disputa territorial entre Chile y Perú? ¿O en la pelea de Ecuador con Colombia por el ataque del ejército colombiano en 2008 a una base guerrillera de las FARC en Ecuador? Probablemente Brasil considere que los asuntos latinoamericanos están por debajo de su estatura internacional, o tal vez tema que si trata de mediar en los conflictos de la región todos sus vecinos le pedirán ayuda económica que no desea asumir. Pero no se puede ser un observador pasivo en el vecindario y pretender ser un protagonista clave en la diplomacia mundial. Si Brasil quiere tener un papel central en los grandes problemas mundiales, quizá tenga que empezar haciéndolo en su propia región, con las responsabilidades que eso conlleva. Paraguay "ABC" Sección: Economía Paraguay y Brasil piden a OIE un dictamen sobre ganadería Paraguay y Brasil presentaron ante la OIE un pedido para elaborar un dictamen científico sobre la producción ganadera extensiva. El pedido de Paraguay tiene que ver con el boicot reciente que hizo la ONG Iniciativa Amotocodie a la carne paraguaya. PARIS (Marcos Velázquez, enviado especial).- Nuestro país y el Brasil presentaron ante la Comisión Regional de las Américas de la Organización Mundial de Sanidad Animal (OIE) un pedido especial para elaborar un dictamen con bases científicas sobre la producción ganadera extensiva. El pedido por parte de Paraguay tiene que ver con el boicot que recientemente hizo la ONG Iniciativa Amotocodie a la carne paraguaya. En la víspera se reunió la Comisión Regional de las Américas en el marco de la 78ª Asamblea General de la Organización Mundial de Sanidad Animal (OIE), que se viene desarrollando en la capital francesa. El delegado por Paraguay, doctor Daniel Rojas, presidente del Servicio Nacional de Calidad y Salud Animal (Senacsa), participó de esa reunión y manifestó que se trató como un punto principal el pedido efectuado por nuestro país y el Brasil en cuanto a la elaboración de un informe técnico científico acerca de la producción ganadera extensiva. "Se habló de que el tema técnico sea enfocado con interés para la organización (OIE) sobre la sostenibilidad de la producción y el medio ambiente. Es decir la demostración técnica y científica de cómo la producción puede coexistir con el medio ambiente y también enfocar el tema del calentamiento global y la influencia de la producción ganadera extensiva, específicamente en el caso del engorde a pasto, de cómo en vez de afectar al ambiente puede incluso aportar más oxígeno todavía que otras especies arbóreas", apuntó el doctor Rojas. El planteamiento de Paraguay viene a raíz de las recientes manifestaciones de la ONG "Iniciativa Amotocodie", que instó a los consumidores europeos a no comprar más carne del Chaco de Paraguay ya que supuestamente afecta al ecosistema y al hábitat de parcialidades indígenas. "Lo que nosotros, juntamente con Brasil, buscamos es demostrar a nivel científico que están equivocados los que atacan a la producción extensiva. Porque hay una corriente de países que han depredado y están produciendo hoy muchas industrias, a su vez contaminantes y están con la onda de que los otros países tienen que conservar sin tocar su naturaleza y por ende no producir, sin embargo ellos financian desde aquí (Europa), con estas producciones contaminantes, a aquellas organizaciones no gubernamentales (ONG) que a su vez están presionando para que se deje de producir con el argumento de conservar una naturaleza que ellos, acá o en otros lugares más desarrollados entre comillas, están queriendo compensar a través de nuestros países", apuntó Daniel Rojas. "Entonces, lo que nosotros queremos es que la OIE, a través de la Comisión Científica, tome como un tema técnico y lo demuestre y creemos realmente que los residuos contaminantes en una producción agropecuaria prácticamente no existen y la producción de oxígeno es realmente fundamental porque si vamos a producir a pasto tenemos que tener mucho pasto para producir y cada hoja de pasto es un aportante de oxígeno para la naturaleza", explicó. El plenario de la Comisión Regional de las Américas resolvió poner el tema en el primer punto del orden del día de la próxima asamblea que se realizará en noviembre en la ciudad de Montevideo (Uruguay). Israel Por otro lado, Rojas comentó la reunión que tuvieron, paralelamente a la asamblea de la OIE, con el jefe del servicio veterinario de Israel, doctor Moshe Chaimovitz. "Realmente fue una reunión muy importante, una de las primeras conversaciones concretas que se realizaron, y creemos que va a haber novedades sobre la profundización de la relación entre ambos países. Si bien se habla de la posibilidad de habilitar nuevos frigoríficos para el envío de carne a Israel, también se mencionó la posibilidad de una cooperación técnica para la producción en ganado menor". Israel posee la tecnología y la genética como para mejorar sensiblemente nuestra producción de ovinos y caprinos. "Ellos están sacando un promedio de 5 litros de leche diarios en cabras y 2 litros diarios en ovejas y eso se podría trasladar a nuestro país", manifestó Rojas. El jefe del servicio veterinario de Israel compartió un almuerzo con la delegación paraguaya en el que estuvieron presentes también miembros de la Asociación Rural del Paraguay y la Cámara Paraguaya de la Carne.

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