sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 18/05/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

18.05.2010 Jornal "Correio Braziliense" Caderno: Mundo Líderes reabrem negociação UNIÃO EUROPEIA-MERCOSUL Governantes dos dois blocos retomam o diálogo na busca de um pacto "ambicioso e equilibrado", mas esbarram na questão agrícola Viviane Vaz Líderes de 10 dos 25 países-membros da União Europeia (UE) participam hoje da 6ª reunião de cúpula com 33 colegas da América Latina e do Caribe (ALC), em Madri, preocupados com o resultado da reunião de ontem, entre a UE e o Mercosul, realizada também na capital espanhola. "Decidimos retomar as negociações com o objetivo de chegar a um acordo ambicioso e equilibrado (com o Mercosul)", anunciou ontem o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que ocupa a presidência temporária da UE. Enquanto isso, em Bruxelas (Bélgica), 16 ministros de Relações Exteriores da UE expressaram seu temor pela reabertura das negociações do bloco europeu com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), bloqueadas desde 2004. Mais da metade dos países da UE temem que o pacto prejudique o setor agropecuário europeu. "As condições agrícolas não são as mesmas na Europa e no Mercosul", disse ao Correio, de Paris, o porta-voz da Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA), Arnaud Lemoine. "O custo da mão de obra não é o mesmo nos dois blocos; as condições sanitárias da produção não são as mesmas. Nós já temos um desequilíbrio comercial a favor do Mercosul. Se houver um novo acordo, o desequilíbrio vai se acentuar ainda mais e nós vamos perder muitos agricultores na França e na Europa", ressaltou. Apesar dos argumentos defendidos pela França, ficou acertado pelos presidentes europeus em Madri que a próxima rodada de conversas ficaria "a mais tardar para princípios de julho". "O acordo Mercosul e União Europeia é essencialmente uma iniciativa da Comissão Europeia (dirigida pelo ex-presidente português José Manuel Durão Barroso) e apoiado pela Espanha. No entanto, Portugal, Itália, Alemanha, França, Áustria, Irlanda, Grécia, entre outros, são contra", destacou Arnaud. Zapatero defende que um acordo de livre comércio entre os dois blocos pode representar por ano "5 bilhões de euros suplementares de exportações da UE para o Mercosul e do Mercosul para a UE". O mandatário espanhol destacou que a abertura comercial é a melhor resposta à crise econômica, perante "as tentações de protecionismo". A vice-presidenta espanhola, María Teresa Fernández de la Vega, também recordou que as negociações entre a UE e o Mercosul eram uma das prioridades da presidência espanhola na UE. "Devemos abordar o conceito de protecionismo em toda sua extensão. Alguns creem que ele se encontra nas chegadas aos portos", mas também é "subsidiar as produções", concluiu, no fim do encontro, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, em referência à ajuda pública que a UE concede aos seus agricultores. Arnaud reclama que os cinco bilhões de euros de lucro para a UE e para o Mercosul citados por Barroso e Zapatero se baseiam apenas em trocas industriais. "Eles se esqueceram de todas as trocas agrícolas." Segundo o porta-voz da FNSEA, o desequilíbrio previsto somente para a agricultura oscilará entre 3 e 5 bilhões de euros. Arnaud, porém, reconhece que os benefícios do acordo UE-Mercosul na área agrícola contemplarão as grandes redes de supermercado e de distribuição. "Seria uma vantagem para vocês, que teriam melhores preços para o consumo, e para nós, porque são os grandes grupos alemães e franceses que gerenciam esses mercados", disse. Já analistas em Bruxelas consideram que, se o acordo não sair durante a presidência espanhola, a oportunidade pode se perder para sempre. E o velho continente, às voltas com uma grave crise financeira, talvez não possa se dar ao luxo de dispensar um novo mercado com 267 milhões habitantes e o quinto Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. Caribe Assim como ainda falta afinar o tom das negociações com o Mercosul, o bloco europeu precisa melhorar sua relação comercial com a América Latina e o Caribe. A Europa ainda é o segundo sócio comercial da ALC, mas se nada fizer poderá perder o lugar para a China até 2020. No plano político, a reunião de cúpula entre UE e ALC começa hoje sem a presença dos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), que indicou problemas na agenda; Raúl Castro (Cuba) e José Mujica (Uruguai) — ambos por questões de saúde; e de Porfirio Lobo (Honduras). Do lado europeu, as ausências mais sentidas serão as do premiê da Itália, Silvio Berlusconi, e do Reino Unido, James Cameron. Jornal do Brasil Caderno: Economia UE e Mercosul : negociações Líderes de UE e Mercosul reúnem-se para discutir livre comércio MADRI - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou segunda-feira em Madri para participar da cúpula de líderes do Mercosul e da União Europeia, que decidiram retomar as negociações para um acordo de livre comércio. As conversas, iniciadas há mais de uma década, foram suspensas em 2004. Decidimos retomar as negociações para chegarmos a um Acordo de Associação que seja ambicioso e equilibrado com o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) declarou o primeiro-ministro espanhol e presidente rotativo da UE, José Luis Rodriguez Zapatero, em coletiva de imprensa. Lula participou de parte da reunião de cúpula segunda-feira. As negociações serão retomadas terça-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores. A próxima rodada das negociações ocorrerão no mais tardar no início de julho, indicou o presidente permanente da UE, Herman Van Rompuy. A presidente argentina, Cristina Kirchner, afirmou que durante as próximas negociações deverá ser abordado o protecionismo em toda sua extensão, incluindo os subsídios de produtos. Devemos abordar o conceito de protecionismo em toda sua extensão, alguns creem que se encontram nas chegadas aos portos, mas também é subsidiar as produções disse Kirchner, em uma alusão à ajuda pública que a UE concede aos seus agricultores. Os ministros europeus da Agricultura demonstraram estar divididos quanto à retomada das negociações com o Mercosul. O ministro francês Bruno Le Maire disse que seu país opõe-se à retomada das negociações, que se traduzirão necessariamente em novas concessões em detrimento dos agricultores franceses e europeus. A França é o país mais beneficiado pelos subsídios europeus estipulados pela Política Agrícola Comum (PAC). Entretanto, a encarregada das negociações é a Comissão Europeia, em virtude de um mandato que lhe foi concedido pelos membros da UE em 1999. Na semana passada, a França ganhou o apoio de outros nove países-membros do bloco para assinar um texto que critica a iniciativa de retomar as negociações com o Mercosul. Os dez países que assinaram o documento acreditam ser inaceitável fazer mais concessões agrícolas, depois das já feitas pela Comissão Europeia em 2008 durante a Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial. A Comissão Europeia anunciou no início do mês o relançamento das negociações, mas a França protestou imediatamente. Outros nove países Áustria, Polônia, Romênia, Chipre, Irlanda, Finlândia, Grécia, Hungria e Luxemburgo concordaram. Não nos parece razoável pressupor que o resultado dessa negociação irá contra os interesses de algum Estado-membro (da UE) declarou o secretário de Estado da Espanha para a América Latina, Juan Pablo de Laiglesia. A América Latina e o Caribe registraram em 2009 um superávit de 8,5 bilhões de euros (US$ 10,5 bilhões) em suas transações com a União (UE), revertendo a tendência de 2000, segundo dados da agência Eurostat, que indicam, além disso, que o Brasil é o principal sócio comercial dos 27 países do bloco. Jornal "Valor Econômico" Caderno: Brasil Governo investiga dumping na venda de caminhões chineses Ministério já coleta dados para dar início a ação contra a China Assis Moreira, de Madri O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) suspeita que a China está vendendo caminhões com guindastes no Brasil a preços deslealmente baixos e começou a coletar dados para decidir se abre uma investigação antidumping, em mais uma ação refletindo a crescente preocupação do governo com a concorrência de Pequim. O MDIC constata que os chineses estão exportando para o Brasil veículos com guindaste a um preço, depois do frete e outras despesas, que chega a ser menor do que o custo de um caminhão fabricado no Brasil. O Brasil é um dos grandes produtores de caminhões, com 180 mil unidades por ano, mas a importação procedente da China está aumentando, vitaminada pelos preços. "O problema (para o Brasil) é a China, com sua vantagem competitiva com custo menor e formação de preços que não tem nada a ver com economia de mercado", disse o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, em Madri, onde segue a Cúpula União Europeia-América Latina. "A China é um problema que tem de se enfrentar, não adianta tapar o sol com a peneira", disse. Segundo ele, o problema não é especificamente a exportação chinesa para o mercado brasileiro, e sim sua concorrência na América do Sul e África, onde o Brasil perde fatias de mercado. "Em alguns países, as exportações chinesas aumentaram até 400%", disse Jorge. Na mesma linha, Carlos Mariani, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse na Cúpula Empresarial UE-America Latina que o temor brasileiro é com a China e não com a indústria europeia. Para Jorge, a atenção tem de ser redobrada sobre as importações, como as procedentes da China. Ele disse que o MDIC vai atuar mais em cooperação com o Ministério da Fazenda e Receita, para atacar não apenas dumping, como também subfaturamento e aumentar a fiscalização. A China atualmente é alvo do maior número de investigações antidumping por parte do Brasil, uma situação similar ao que ocorre globalmente. União Europeia e Mercosul já começam a barganhar por acordo De Madri O Mercosul e a União Europeia começaram ontem mesmo a cobrar concessões recíprocas, logo depois do relançamento da negociação do acordo de livre comércio que até o último minuto sofreu a oposição comandada pela França. Ao anunciar a retomada, o chefe do governo espanhol, José Luiz Rodriguez Zapatero, disse que uma maioria de países é a favor de voltar a negociar com vistas a concluir um acordo "equilibrado e ambicioso" com uma das regiões que mais crescem no mundo. O governo espanhol estima que os principais beneficiários do acordo serão precisamente os países do Mercosul que mais precisam de desenvolvimento. Segundo ele, o Paraguai pode incrementar em 10% seu Produto Interno Bruto (PIB) como consequência do acordo, o Uruguai 2,1%, o Brasil 1,5%, a Argentina 0,5%, e a UE 0,1%. Como o Valor antecipou, o comunicado dos dois blocos diz que a primeira rodada de negociação da fase final ocorrerá no mais tardar no começo de julho. Mas nada foi fácil. Pela manhã, o comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht, dizia a empresários que "a situação está difícil", com os ministros de Agricultura reunidos em Bruxelas. Mas houve um racha, com vários ministros do setor também manifestando apoio ao acordo, como a Alemanha e a Espanha. Gucht voltou a advertir que a UE tem "graves obstáculos" para atender as pretensões do Mercosul na área agrícola. Ao mesmo tempo, cobrou do bloco do Cone Sul que faça concessões "suficientes" em produtos industriais, serviços, compras governamentais, proteção de patentes e de investimentos estrangeiros, desenvolvimento sustentável e indicações geográficas de produtos agrícolas. Ele deu o recado em conversa com os representantes do Fórum Empresarial UE-Mercosul, o brasileiro Carlos Mariani e o espanhol Inaki Urdangarin, engajados na negociação em nome dos setores industriais dois dois blocos. Por sua vez, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tem suas duvidas sobre o andamento das "conversas", ainda mais diante da posição da França, que considerou "decepcionante e surpreendente" vindo de um parceiro estratégico. O ministro sinalizou que o Mercosul está pronto a negociar. Exemplificou que as discussões envolvendo o setor automotivo já giram em torno do prazo de dez anos para a derrubada das barreiras de importação no Brasil para carros europeus, em vez dos 15 anos que o bloco recentemente sugeriu, mas que evidentemente haverá muita divergência até se chegar a um compromisso diante de tantos interesses envolvidos. O deputado europeu José Salafranca acha que a situação está complicada, mas que o desacordo está basicamente em 10% do comércio, que trata dos produtos sensíveis, e também sobre como compensar os agricultores europeus pela perda que terão na concorrência com os produtos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Europa está ainda mais na ofensiva em meio à sua pior crise econômica dos últimos tempos. "Comércio faz parte do plano de recuperação da Europa", disse Gucht. "Nossa economia depende de mercados abertos e integrados", disse. (AM) Caderno: Especial Cristina tomou o BC argentino para financiar seu governo, diz Redrado Ex-presidente do BC diz que modelo econômico da Argentina é insustentável Daniel Rittner, de Buenos Aires Martin Redrado, ex-presidente do Banco Central da Argentina, fala sobre a crise que resultou na sua saída e diz que Brasil virou a "garota sexy" do bairro Pivô de uma crise institucional no início do ano, o economista Martín Redrado está convencido de que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, resolveu "tomar o Banco Central para financiar o restante de seu mandato". À frente da BC argentino, ele foi o último a saber da manobra. Era manhã de segunda-feira e Redrado respirou aliviado com a notícia de que o resgate da Dubai World trouxera calma aos mercados. Ligou o celular. Havia um recado do secretário de Cristina. Convocava-o para uma reunião às 11h30, na Casa Rosada. No gabinete presidencial, Redrado tomou conhecimento, apenas meia hora antes do anúncio público por Cristina, do decreto de necessidade e urgência (similar à medida provisória no Brasil) que previa o uso de US$ 6,5 bilhões das reservas internacionais do país para pagar dívida e liberar assim dinheiro do orçamento para despesas do governo. Ele discordou, mas nem teve tempo de argumentar. Ainda conseguiu sussurrar, caminhando rumo à saída do gabinete, para o ministro da Economia, Amado Boudou: "Você foi o animal que fez isso?". "Martín, era muito pior", teria dito Boudou. Daí em diante, seguiu-se o confronto já conhecido, com a resistência de Redrado em liberar as reservas, um novo decreto com sua demissão (apesar da lei que assegurava a autonomia do BC), liminares judiciais, embargos nos EUA, brigas com o Congresso. Redrado finalmente renunciou no fim de janeiro, a oito meses de completar seus seis anos de mandato. Desde então, conversa com lideranças do peronismo rompidas com Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. É um potencial ministro da Economia da oposição. "Aos 48 anos, minha carreira não terminou aqui", disse ao Valor no escritório no elegante bairro da Recoleta em que lidera um grupo de economistas e amigos animados em elaborar um projeto para o país. "A Argentina precisa de um plano e de uma equipe confiável." Nesta entrevista, sua primeira à imprensa brasileira após a crise no BC argentino, Redrado alerta sobre a iminência de descontrole da inflação no país. Explica por que se opôs tanto ao uso das reservas. E diz que o Brasil deverá crescer 7% neste ano e se tornar "a garota sexy do bairro". Não vê problemas no déficit em conta corrente brasileiro, mas pede "cautela" com o câmbio e mais "esforço" do governo na área fiscal. "Não se deve dar apenas ao BC o peso de resolver tudo com a política monetária", avisa. Valor: O sr. hoje critica duramente a política econômica do governo, mas fazia parte dele desde o início da gestão dos Kirchner. Por que não expôs essas divergências antes? Martín Redrado: Eu as expus. Até o dia 14 de dezembro, minhas posições haviam sido acatadas pelo governo. O BC conseguiu evitar alguns ataques às reservas. Em 2006, quiseram usá-las para reestatizar a YPF. Dissemos que não, e o governo concordou. Não era necessário sair vociferando, o importante nunca foi cantar vitória. Em 2007, houve uma sondagem para usar as reservas no financiamento de um plano de infraestrutura e de obras públicas. Em 2008, a intenção era pagar o Clube de Paris. Depois, em 2009, planejaram financiar a venda de carros populares. Tomei posições profissionais e críticas, marcando o espaço do BC no que se refere à gestão das reservas, à taxa de câmbio e à política de juros. Fora disso, que fizessem a política econômica que quisessem. Mas que não invadissem o meu metro quadrado. Eu não mudei. O governo é que decidiu tomar o BC para financiar o restante de seu mandato. Valor: O BC foi cúmplice da maquiagem do índice de inflação pelo Indec [Instituto Nacional de Estatística e Censos, o IBGE argentino], que ocorre desde 2007? Redrado: A palavra do presidente do BC deve ser escassa, reger-se pela lei de oferta e demanda. Deve-se falar pelos relatórios. Lamentavelmente, o relatório de inflação não tem uma divulgação ampla, mas, desde que houve problemas com o Indec, deixamos de usar seus índices. Não havia um sinal mais contundente do que esse. Recordo também que, em 2007, numa conferência na Alemanha, falei exatamente sobre isso. Gerou uma confusão enorme, o ex-presidente Kirchner se irritou muito e me acusou de ter lançado o tema da inflação no meio das eleições, que eram em outubro. Não falávamos muito, mas demarcávamos território nas conversas pessoais que tínhamos, nas reuniões de governo, nos poucos discursos que fazíamos. Valor: Por que o sr. se opôs, afinal, ao uso das reservas? Redrado: Eram três pontos. O primeiro era judicial e envolvia a questão dos processos movidos pelos credores. Eles buscam demonstrar, nos tribunais, que o BC pode ser considerado um alter ego do Tesouro e pagar os títulos [ainda em situação de moratória]. Em segundo lugar, porque significa usar o BC para emitir moeda. Na economia, não há mágica. Alguém paga a conta, e a Argentina está pagando a conta com mais inflação. Por fim, porque o Congresso deveria ter opinado. Não reivindico ser o dono da verdade. Para mim, as reservas são fundamentalmente para cuidar do bolso dos argentinos, a última peça do dominó quando todo o resto cai. Mas a minha visão pode ser equivocada. As repúblicas exigem debates, e um presidente da nação, por mais iluminado que seja, não pode definir por decreto o que se faz com as reservas. Valor: Qual foi o momento mais tenso dessa crise? Quando a polícia o impediu de entrar na sede do BC? Redrado: [Para uns dez segundos e pensa] Foi no dia 7 de janeiro, uma quinta-feira, quando recebi o decreto da presidente [Cristina Kirchner] me demitindo do cargo. Ali havia que decidir o que fazer: se brigar ou se ir embora em silêncio. Decidi que era preciso seguir mecanismos legais, mas foram umas cinco ou seis horas tensas, desde as sete da noite, convocando advogados, redigindo uma demanda judicial que apresentamos no dia seguinte. Outro pico de tensão, sem dúvida, foi quando colocaram a polícia. Quis demonstrar o autoritarismo do governo, já que não havia nenhuma ordem judicial. Para evitar um show na segunda-feira de manhã, um escândalo midiático e desnecessário, decidi aparecer no domingo à noite - quando barraram a minha entrada. Valor: A maioria dos economistas prevê inflação em torno de 25% na Argentina em 2010 e o governo já admite taxa de dois dígitos. Há risco de uma espiral inflacionária? Redrado: No ano passado, qualquer indicador confiável mostrava uma taxa de 12% a 13%. Hoje estamos com 25%, com tendência de ir a 30%. O BC deve ter muito cuidado com a gestão da política monetária. Veja a transferência ao Tesouro dos lucros contábeis do BC, de 23,5 bilhões de pesos neste ano, dos quais 10,5 bilhões foram lucros com a valorização de títulos. Ao fazer isso, o BC dá mais que os 3 bilhões que constava na nossa programação monetária de setembro. Ou seja, multiplicou-se por oito a quantidade de pesos que o Tesouro está absorvendo. Além disso, há a transferência de reservas para pagar a dívida. A emissão de moeda superou a demanda monetária e isso gera pressões inflacionárias. Valor: A inflação continuará subindo, então? Redrado: Eu estava vendo as negociações salariais em curso. Os trabalhadores do setor plástico tiveram reposição de 29%. No setor de alimentos, estão pedindo 38%. Se os sindicatos que já fecharam acordos voltarem a abrir negociações antes de terminar o ano, há uma chance de espiralização. Tudo depende da pauta salarial e da pauta monetária. Eu já dou a pauta fiscal como fora de controle. As despesas crescem 40% ao ano, enquanto a arrecadação aumenta 31%. Mas o governo pensa que, gastando mais, recuperará a popularidade. Está equivocado. Valor: Costuma-se pintar um retrato catastrófico da Argentina, como sendo um modelo esgotado, mas o país tem crescido a taxas altas. Redrado: É uma economia que pode ser comparada a um avião com duas turbinas. Uma delas está superaquecida, que é a do consumo. Outra está muito fria, que é a do investimento. Com isso, é um avião que voa bastante inclinado e pode terminar caindo. A balança comercial tem superávit, graças à boa colheita, principalmente de soja. Isso gera uma oferta de dólares que a Argentina nunca teve e dilata as tensões ao longo do tempo. Mas vão se somando inconsistências de política econômica. Valor: Quais? Redrado: Hoje claramente se está usando a taxa de câmbio como âncora para não aumentar as expectativas de inflação. Mas a combinação de um câmbio semifixo, como o que existe desde que fui embora do BC, e uma inflação de 30% é inconsistente. Cedo ou tarde, haverá uma complicação. Valor: E por que ela não apareceu até agora? Redrado: A Argentina tem estoque de poupança, mas boa parte dele foi sendo comida rapidamente. O governo comeu 130 bilhões com a estatização das administradoras dos fundos de pensão, comeu o que havia no Banco de la Nación e então avançou no BC. Valor: O que resta para comer? Redrado: Resta o compulsório dos depósitos em dólares que estão no BC. Há US$ 5 bilhões disponíveis. O governo aventou, em meados de 2009, a possibilidade de que os bancos trocassem obrigatoriamente o compulsório por um título público. Eu me neguei a fazer isso. Mas agora o BC responde às ordens do governo. Valor: No Brasil, teme-se que esteja ocorrendo um processo de desindustrialização e crescimento das exportações baseado em commodities. Isso é temeroso? Redrado: Hoje a Ásia emerge como primeiro polo de atração em termos de investimentos e financiamento, e a América do Sul em seguida, obviamente com o Brasil à frente. A indústria automotiva está mostrando um forte crescimento. No que diz respeito a alimentos, deve-se olhar muito mais as cadeias de valor, não apenas a produção de commodities. A região está conseguindo fazer isso. Antes dizíamos ser a horta do mundo. Eu digo agora que é preciso ser o supermercado do mundo. Exportar macarrão em vez de farinha, exportar óleo em vez de soja em grão. É um grande desafio, mas temos boas possibilidades de não cometer o mesmo erro do século XX, de sermos fornecedores de matérias-primas. Valor: Como está vendo o desempenho da economia brasileira? Redrado: O Brasil pode crescer 7% este ano. Fez uma política de inserção internacional muito inteligente e virou a garota sexy do bairro, aquela com quem todo mundo quer sair. Isso gerou fluxos de investimentos muito importantes. Uma questão importante, reflexo disso, é como administrar a taxa de câmbio para não tirar competitividade dos setores produtivos. Valor: E como administrar a taxa de câmbio, então? Redrado: Com cautela. Os processos de apreciação violentos não são bons. Deve-se ter muito cuidado com o capital especulativo e diferenciá-lo do capital produtivo. No futuro, pode ocorrer o fenômeno inverso, de fuga de divisas em busca de segurança. Países como os EUA ainda estão com muletas fiscais e monetárias. Uma hora isso vai acabar. Pode haver um aumento das taxas de juros no mundo, o que estimularia uma saída de capitais semelhante à que vivemos no último trimestre de 2008, com depreciação nas moedas dos emergentes. Valor: Isso já pode acontecer por causa da crise da Europa? Redrado: Não pela crise europeia. É mais pelo que pode haver nos EUA. O presidente Obama não pode ter outro pacote de estímulos fiscais. O pacote de quase US$ 800 bilhões, votado no ano passado, termina em 2010 e ele não tem base suficiente no Congresso para renová-lo. Valor: Quanto tempo o Brasil pode aguentar, sem a necessidade de ajuste, uma sequência de déficits em conta corrente? Redrado: Não gostaria de falar sobre a situação do Brasil, em particular. Mas a história econômica e os estudos acadêmicos indicam que um país entra na zona de risco quando se cristaliza um déficit em conta corrente de 5% ou 6% do PIB. Pode haver algumas incertezas, como sempre acontece em um período pré-eleitoral, mas parece que as linhas de política econômica no Brasil estão marcadas. Ninguém espera mudanças bruscas. Uma coisa que eu sempre recomendo é fazer políticas anticíclicas. Quando estamos em um processo de expansão tão forte, há que se gerar fundos para o momento de escassez. Valor: Este é o momento de economizar? Redrado: Claro. Crescendo de 7% a 7,5%, o Brasil poderia fazer um esforço fiscal e guardar um excesso de superávit, separá-lo para uso no futuro, para o caso de uma interrupção súbita do fluxo de capitais. A conjuntura está muito favorável, mas devemos nos preparar para um mundo cada vez mais volátil. Valor: O Brasil tem hoje autonomia operacional do BC, mas ainda não independência legal. A crise que o sr. protagonizou ensina algo a respeito? Redrado: Não gosto de transportar os casos. A realidade argentina não pode ser aplicada ao Brasil e vice-versa. Mais, além da discussão da autonomia, certas decisões que fazem parte da estrutura do BC devem passar pelo Congresso e ter aprovação parlamentar. Acredito muito no sistema de freios e contrapesos. Valor: No Brasil, a discussão que já chegou à campanha eleitoral é se o presidente da República deve limitar as altas de juros ou forçar sua queda quando discorda da diretoria do BC... Redrado: Mais do que a decisão do presidente, a questão é como se pode coordenar a política monetária com a política fiscal. Isso requer bastante diálogo entre o presidente do BC e o ministro da Economia. Todos têm o seu papel. Não se deve dar apenas ao BC o peso de resolver tudo com a política monetária. Se há aplicação de políticas anticíclicas, seguramente é mais fácil baixar as taxas de juros. Jornal "O Estado de S.Paulo" Espaço Aberto O Mercosul ainda é importante? Marcelo Coutinho, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Criado em 1991, o Mercado Comum do Sul cumpriu papel muito importante de integração regional, expandindo extraordinariamente o fluxo de comércio entre os países membros. Hoje, contudo, vive uma longa paralisia, acompanhada por alguns retrocessos na liberalização comercial que levantam dúvidas sobre seu futuro e a capacidade do bloco de disputar espaços com os concorrentes mundiais, sobretudo a China. Entre outros aspectos, o Mercosul foi concebido como uma forma de enfrentar o forte processo de globalização em andamento desde os anos 70. Em apenas duas décadas, entre 1990 e 2010, assistimos à criação de mais de mil arranjos regionais em variados continentes. Passamos a viver num verdadeiro mundo de regiões. Tal fenômeno mostrou como nunca que a política internacional é, antes de tudo, uma política regional, onde são encontradas as origens e as soluções de boa parte dos desafios do mundo contemporâneo. No caso do comércio internacional, a formação de blocos econômicos foi interpretada ora como um movimento protecionista, ora como um processo complementar da globalização. As vertentes mais liberais chegaram a argumentar que o Mercosul seria uma etapa da liberalização do comércio, isto é, uma forma preliminar de abrir ao mundo as economias sul-americanas, em particular o Brasil. Erroneamente, o Mercosul também foi visto como um organismo apenas "neoliberal", compreendido no contexto das reformas estruturais em direção ao mercado. O regionalismo aberto era percebido pelas forças mais à esquerda como um modelo essencialmente comercialista, sem preocupação com as populações locais. Ainda que isso seja parcialmente verdadeiro, o fato é que os governos de esquerda, uma vez no poder, ignoraram a importância do bloco para a institucionalização do Cone Sul e o seu real desenvolvimento. Eufóricos com o crescimento em 2010, a maioria dos analistas sustenta que o Brasil teria agora quase todas as condições macroeconômicas para um grande salto. Faltaria resolver o problema do déficit externo para que não diminua sua atividade econômica nos próximos anos. A deterioração da qualidade de nossas exportações e o acúmulo dos déficits em transações correntes viraram sérios obstáculos. Este ano o Banco Central calcula uma fenda superior a US$ 50 bilhões nas contas externas, recorde resultante de uma balança comercial quebrada. Há poucos casos em que um país tenha conseguido realmente oferecer qualidade de vida à sua população exportando só commodities. A Austrália é lembrada geralmente como exemplo de sucesso. Mas por suas especificidades o país da Oceania não é uma boa comparação com o Brasil. Embora de tamanho territorial compatível, aquele país tem menos de um sexto da nossa população e está próximo dos emergentes industriais da Ásia. Se no curto prazo o saldo externo negativo é facilmente superado pelas reservas internacionais já acumuladas, no médio e longo prazos percebe-se uma inquietação crescente com o balanço de pagamentos do Brasil, entre outros motivos, porque ele já criou grandes turbulências no passado. Temos um histórico de desequilíbrios estruturais e de desconfiança dos investidores, que mais de uma vez já nos desviaram da rota do crescimento. A experiência varia, mas o enredo é quase sempre o mesmo. Por uma razão ou outra, as importações começam a pesar mais que as exportações e, assim, começamos a compensar o déficit comercial com os fluxos financeiros até a saturação. Antes que o mecanismo de mercado espontâneo inverta a distorção cambial, ampliando exportações e diminuindo importações com base nos diferenciais de inflação interna e externa, nosso crescimento é interrompido. No contexto de estabilidade de preços, controle inflacionário, entrada de capitais externos, crescimento da produção e do consumo, restaria ainda perseguir uma balança comercial mais favorável. Em tal cenário, o Mercosul tornou-se ainda mais importante para o desenvolvimento brasileiro, porque não só cativa os mercados da região para nossos produtos com maior valor agregado, como também poderia ampliar a escala da indústria regional, deixando-a mais competitiva. O Mercosul tem pouca importância para o comércio internacional, mas pode criar áreas novas de ingresso no mercado externo, desde que se constitua num polo de exportação manufatureira. Embora as desonerações, a queda dos juros e a desvalorização cambial venham a colaborar, uma política de comércio exterior bem-sucedida no mundo globalizado não deveria prescindir do regionalismo, secundado por outros acordos de livre-comércio. Não se vê outra forma de evitar a "recommoditização" de nossas exportações, preservando a diversidade e a produtividade da economia do País, sem um organismo regional que integre efetivamente as cadeias produtivas, como os asiáticos fazem há anos, e não necessitando de uma tarifa externa comum para isso. O Mercosul oferece um arcabouço institucional e alguma confiança mútua entre seus integrantes necessários para fazer dele um pacto industrial capaz de reposicionar a região nas relações econômicas internacionais. Mas faltam as lideranças para iniciar esse processo de reformas que revigorem e readaptem o organismo ao cenário de hoje. O sinal amarelo foi aceso no ano passado, tornou-se ainda mais claro com a crise grega e está diretamente relacionado à queda significativa das nossas exportações de manufaturados, que demoram a se recuperar, mesmo depois do reaquecimento da economia. A China vem ocupando parte do nosso espaço em praticamente todo o Hemisfério Ocidental e acabou se transformando numa das principais parcerias da América do Sul, a quem vende produtos industriais e compra mercadorias não intensivas em tecnologia e emprego. Não só a China, mas a Índia também já nos ultrapassou no comércio internacional. Mesmo com as suas limitações, a integração no Mercosul ainda é a melhor forma de enfrentarmos esse desafio. Caderno: Economia & Negócios UE e Mercosul retomam negociações Interesse em rediscutir um acordo comercial aumentou depois da crise financeira global, mas blocos comerciais vão enfrentar dificuldades Andrei Netto, enviado especial/Madri A Europa e os países do Mercosul retomam hoje, em Madri, as negociações para um acordo de livre comércio entre os dois blocos, iniciadas em 1999. A negociação será o principal tema da 6.ª Cúpula União Europeia-América Latina e Caribe, na capital espanhola. A iniciativa é vista com ceticismo pelo Brasil, já que um grupo de sete países europeus, liderado pela França, já tentava minar as discussões antes mesmo da reabertura da reunião. O anúncio oficial da retomada das negociações será feito hoje pelo presidente do governo espanhol e presidente rotativo da União Europeia, José Luis Rodríguez Zapatero, e pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que acumula a presidência do Mercosul no período. Ontem, porém, o líder espanhol confirmou o reinício dos debates. "Nós decidimos retomar as negociações com vistas a um acordo ambicioso e equilibrado", disse Zapatero, destacando o potencial positivo para a economia europeia. "Um acordo de livre comércio representaria a cada ano $ 5 bilhões suplementares em exportações da UE para o Mercosul e do Mercosul para a UE." Zapatero criticou ainda as intenções contrárias, que possam impedir o acordo. "Face a toda tentação protecionista, a melhor resposta à crise econômica é a abertura comercial", argumentou. O espanhol foi além, pedindo um entendimento amplo entre os países latino-americanos, de forma a ampliar o Mercosul e a potencializar os efeitos de um acordo com a UE. "Eu apoiaria de maneira determinada uma União Latino-Americana", reiterou. Sem grandes expectativas. A defesa veemente por Zapatero de um compromisso entre os dois blocos visa a neutralizar as críticas que as negociações já sofrem antes mesmo que as discussões sejam reabertas. Há cerca de um mês, um grupo de sete países europeus - França, Áustria, Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda e Polônia - lançou um manifesto contrário à retomada dos debates. "Esse anúncio é um sinal muito ruim para a agricultura europeia, que já está confrontada com desafios muito importantes", afirmou o grupo em nota oficial, na qual deixa claro que deseja "não criar em grandes parceiros expectativas que não poderemos satisfazer". "As ambições e interesses das duas partes não parecem permitir o progresso dessa negociação lançada em 1999, além de tentar novas concessões agrícolas europeias, o que seria inaceitável." A advertência do grupo liderado pela França faz o governo brasileiro se mostrar cético em relação às possibilidades de sucesso da rodada. Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, disse ao Estado ontem, em Madri, que o que terá início são "discussões informais", e não negociações. "Vai ter conversa. A negociação eu não sei se vai ter. Mas vai ter conversa. Podemos conversar e não negociar. Vai depender muito da posição de alguns países aqui." Miguel Jorge foi claro ao expor os motivos do ceticismo. Para ele, a posição contrária da França, que define como "absolutamente decepcionante e surpreendente", pode ser determinante para o bloqueio da rodada. "Como negociar com a posição contrária da França é justamente o que vamos saber amanhã (hoje)." Mesmo que a Espanha seja bem-sucedida em sua tentativa de reabrir o diálogo entre UE e Mercosul, nada garante que as negociações possam chegar com sucesso ao fim. Nem mesmo um calendário para o debate foi estabelecido. Zapatero prevê que as primeiras rodadas diplomáticas de discussão possam ocorrer até julho. Cristina nega a imposição de barreiras Presidente argentina diz que "não houve restrição" à compra de alimentos que rivalizem com os produzidos no país Ariel Palacios, correspondente/Buenos Aires Após uma semana de fortes pressões por parte de empresários e governos da União Europeia (UE) e Brasil - e ameaças de retaliação dos principais sócios comerciais da Argentina -, a presidente Cristina Kirchner exibiu ontem um insólito recuo em sua política protecionista, negando a existência de restrições à importação de alimentos não frescos que rivalizem com similares produzidos na Argentina. "Não houve restrições, de forma alguma", afirmou impassível a presidente Cristina em Madri à agência estatal argentina de notícias Télam. Embora negada pela presidente Cristina, a polêmica medida de proibição da importação de alimentos não frescos havia sido emitida há duas semanas pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, definido por analistas, líderes da oposição como o homem que "faz o trabalho sujo dos Kirchners". Ordem verbal. A proibição para a entrada de alimentos não frescos, que entraria em vigência no dia 1.º de junho, era puramente verbal, como grande parte das ordens de Moreno, que costuma telefonar a empresários para impor medidas sem resolução ou decreto por escrito que as oficialize. A medida implicaria em obstáculos para a entrada de produtos como o presunto cru espanhol e italiano, além do milho em lata e o chocolate brasileiro. Cristina Kirchner desembarcou na capital espanhola para participar da reunião de cúpula de países da América Latina e União Europeia. As declarações da presidente Cristina sobre a inexistência da controvertida medida foram feitas durante a reinauguração dos escritórios da companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas. "Não devemos nos impressionar pelo fato de que existam interesses comerciais de um lado e de outro. Temos de ser sensatos, realistas, inteligentes, ver toda essa história e "não ver a palha no olho alheio" (expressão bíblica usada costumeiramente no idioma espanhol para indicar que alguém enxerga pequenos defeitos nas outras pessoas e não percebe grandes defeitos em si próprio)", explicou Cristina. Na sequência, a presidente arrematou com tom conciliador: "Precisamos ter uma visão mais completa para encontrar soluções para a escala global dos problemas que temos atualmente". Na semana passada, Moreno havia declarado em reunião com a Câmara de Importadores da Argentina, que a medida - negada por Cristina Kirchner - pretendia reduzir em pelo menos US$ 300 milhões o volume de produtos alimentícios não frescos importados que rivalizassem com os similares argentinos. Fonte do governo argentino confirmou à Agência Estado que a medida seria parte de uma manobra negociadora da Argentina junto à União Europeia e aos próprios sindicatos do setor de alimentos argentinos. Os trabalhadores se encontram em plena negociação de reajustes salariais, sem nenhum indicativo de acordo. / COLABOROU MARINA GUIMARÃES Para lembrar As medidas protecionistas argentinas em grande escala contra o Brasil datam de 1999. Houve picos em 2004, quando o então presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido e antecessor da presidente Cristina Kirchner desatou a "Guerra das Geladeiras" (barreiras contra a linha branca e também televisores produzidos pelo Brasil). A onda protecionista retornou com força em meados de 2008, embalada pela crise financeira mundial. Posteriormente, aumentou com a designação da economista Debora Giorgi - apelidada de Senhora Protecionismo - para o cargo de ministra da Produção. Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "Clarín" Sección: El País Desde Madrid, Cristina defendió las trabas a las importaciones Aunque dijo que "no hay restricciones" en el país, las contrapuso al proteccionismo europeo. En Buenos Aires prefirió el silencio. Cristina Kirchner esperó a pisar el Viejo Continente para responder a las protestas europeas de la semana pasada. Fiel a su estilo, lo hizo con un contraataque que tenía bien pensado, como quedó claro ayer al mediodía español, cuando a la salida del reinagurado local de Aerolíneas Argentinas en el centro de Madrid, se tomó inusuales diez minutos para responderle a Clarín, cuando este enviado la consultó sobre las restricciones a las importaciones de alimentos. "No hubo en realidad restricciones, de ninguna manera", comenzó esquivando la Presidenta, sustentándose, posiblemente, en el dato objetivo que repiten otros funcionarios: no se ha dictado ninguna norma ni firmado reglamentación alguna que limite el ingreso de alimentos al país. Pero lo cierto es que las trabas ocurren de facto en las aduanas, siguiendo la orden del secretario de comercio Guillermo Moreno. Así lo reconocen los empresarios que operan en comercio exterior y por eso es que brasileños y europeos hicieron oír sus protestas. Ayer, se agregó el presidente paraguayo Fernando Lugo, que en camino hacia esta Cumbre Unión Europea-Mercosur le pidió a su embajada en Buenos Aires un "monitoreo constante" sobre posibles trabas al ingreso de productos de su país en la Argentina. Pero sin temor a contradecirse con la primera parte de su respuesta, Cristina avanzó en una larga explicación en la que terminó admitiendo con medias palabras que esos frenos existen o que el Gobierno argentino tiene derecho a imponerlos como respuesta al proteccionismo europeo. Fue cuando pidió "ver la película completa y no solamente la paja en el ojo ajeno" o cuando se quejó de que se critiquen "las medidas que puede tomar otro, pero no la ristra de proteccionismo que viene de tiempos inmemoriales" en Europa. Parada en el moderno hall de la oficina de Aerolíneas, la Presidenta apuntó a esa "barrera infranqueable, perjudicial, una medida proteccionista a ultranza" que son los subsidios agrícolas que distribuye la Unión Europea y a su política fiscal que encarece los productos importados. "Una vaca llegó a valer (aquí, en Europa) 20 mil euros, lo que revela que el proteccionismo no solo se ejerce en las aduanas sino también con políticas fiscales, desgravatorias o promocionales", culminó Cristina el contraataque con el que buscó justificar las medidas de Moreno, que ahora se estarían flexibilizando, al menos en el caso brasileño. Como había adelantado este diario, la Presidenta venía planificando este contraataque con la comitiva que la acompaña en este viaje, en especial con la ministra de Industria, Débora Giorgi. Por la tarde, la mandataria utilizó los mismos argumentos en la Cumbre de Jefes de Estado de la Unión Europea y el Mercosur en la que se relanzó formalmente la negociación para alcanzar un acuerdo de libre comercio entre ambos bloques. Con Lula a su derecha; Néstor Kirchner, Jorge Taiana, Juan Manuel Abal Medina y Giorgi a sus espaldas, y ante la mirada atenta del otro lado de la mesa del español José Luis Rodríguez Zapatero, el presidente de la Comisión europea, José Manuel Durao Barroso Rodríguez, y el del Consejo europeo, Herman van Rompuy, la Presidenta volvió a citar a "la vaca de los 20 mil euros" y llamó a los subsidios agrícolas europeos "un ícono" del proteccionismo que debe ser revisado "en toda su extensión y en todas sus formas". Leonardo Mindez "La Nación" Sección: Política Negó la Presidenta que se limiten las importaciones MADRID.- Para Cristina Kirchner no hubo camiones varados en la frontera con Brasil y las quejas de embajadores europeos parecieron formar parte de la ficción. Poco antes de iniciar el debate por el relanzamiento de las negociaciones entre la Unión Europea (UE) y el Mercosur en esta ciudad, la Presidenta negó ayer que el Gobierno impidiera el ingreso de productos alimenticios en la Argentina. Después, con un mensaje ambiguo, defendió la utilización de medidas proteccionistas, como lo vienen haciendo desde hace varios años, dijo, algunos países europeos. El clima de arduas negociaciones en la VI Cumbre de Presidentes de la UE-América latina para avanzar en un acuerdo comercial del bloque Mercosur con Europa pareció exigirle a Cristina Kirchner un equilibrio mayúsculo en el uso de las palabras a la hora de hablar de barreras comerciales y políticas arancelarias. "En realidad, no hubo restricciones", fue la breve respuesta que brindó cuando la prensa la consultó por la decisión de la Casa Rosada, ejecutada por el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, de impedir el ingreso de productos alimenticios. La Presidenta acababa de inaugurar, junto con su esposo, la nueva sede de Aerolíneas Argentinas en Madrid, a metros de la Gran Vía cuando la Presidenta remarcó: "Vemos la medida que puede tomar uno u otro, pero no vemos la ristra de proteccionismo que viene desde tiempos inmemorables". Fue una defensa velada para sustentar las medidas que la semana pasada impulsó Moreno y que ayer negó que existieran. Pero, a la vez, fue una señal hacia Europa. "Siempre está en discusión lo que son también otras formas de proteccionismo, como son los subsidios, de los cuales ya venimos hablando desde hace muchísimos años en todo el mundo y a la Argentina durante mucho tiempo le causaron graves perjuicios", dijo. De hecho, Cristina Kirchner abundó en un ejemplo concreto: "Una vaca llegó a costar 20.000 euros, lo que revela que el proteccionismo se ejerce en las aduanas, pero también se ejercen políticas fiscales". El mensaje estaba destinado claramente a Francia, Polonia o Finlandia que siempre mantuvieron una dureza extrema y avanzaron con políticas proteccionistas para eludir un acuerdo comercial con el Mercosur. Pero fue también una suerte de respuesta a las quejas de Brasil y de más de 20 embajadores europeos ante el Congreso, que cuestionaron la prohibición para el ingreso de ciertos alimentos en la Argentina. Como para que no quedaran dudas de esta señal, la Presidenta destacó: "Tenemos que tener sensatez y ser realistas. Hay que ver la película completa y no sólo la paja en el ojo ajeno". Más tarde, en el Campo de las Naciones, que es el lugar donde se desarrolla la cumbre de presidentes, Cristina Kirchner ingresó de lleno en las negociaciones con sus pares del Mercosur y de Europa en pos de la firma de un documento que no arrojó grandes resultados, pero que fue el relanzamiento de las negociaciones entre ambos bloques que estaban estancadas desde hacía seis años (Ver Pág. 6). El acuerdo comercial Al término de esa reunión, Cristina Kirchner en calidad de presidenta del grupo América latina brindó con José Luis Rodríguez Zapatero una conferencia de prensa para anunciar los avances de ese acuerdo. Foro: ¿Cómo es su visión de la realidad política? Fue en ese ámbito en el cual la Presidenta expuso un discurso aggiornado al avance de las negociaciones y pidió examinar las barreras arancelarias "en toda su extensión". Allí, aseguró que todas las formas de proteccionismo "son repudiables". Las palabras de la Presidenta estaban en consonancia con el mensaje de Rodríguez Zapatero, que en calidad de titular de la Unión Europea elogió el relanzamiento del acuerdo con el Mercosur y dijo esperar que ese entendimiento fuera "ambicioso y equilibrado". En rigor, las negociaciones continuarán en julio próximo y de concretarse los acuerdos de libre comercio tanto el Mercosur como la UE elevarían en 5900 millones de euros el nivel de sus exportaciones. Claro que esto no será tarea sencilla por las mismas razones que planteó la Presidenta y que Moreno aplicó la semana pasada, lo que generó un fuerte malestar en Brasil y entre los embajadores de la Unión Europea en la Argentina. "Sólo se podrá llegar a un acuerdo si se evita el proteccionismo en todas sus formas", concluyó el presidente del Consejo Europeo, Hernán van Rompouy, al acompañar a Rodríguez Zapatero y a Cristina Kirchner en la conferencia de prensa ofrecida al cierre de las negociaciones entre la UE-Mercosur. Uno de los embajadores que estuvo en el desarrollo de las negociaciones de ayer dijo a LA NACION que el camino para cerrar un acuerdo comercial no será sencillo y que una de las mayores trabas son las medidas proteccionistas de la industria y el agro. La cumbre de presidentes seguirá hoy con una cargada agenda para la Presidenta. Se reunirá con sus pares de Irlanda, Grecia, Dinamarca y de Bélgica. La definición llevó algo de calma a los empresarios Esperan un nuevo llamado de Moreno Los principales importadores de alimentos recibieron con beneplácito la promesa de la presidenta Cristina Kirchner de que no se restringirá el ingreso de esos productos al país. Las declaraciones de la mandataria, que participa en Madrid de la cumbre de jefes de Estado de la Unión Europea y América latina, se conocieron justo cuando en Buenos Aires los socios de la Cámara de Importadores de la República Argentina (CIRA) deliberaban sobre la propuesta que llevarán en los próximos días al secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, para convencerlo de no frenar completamente las importaciones. La semana pasada, el funcionario les había prometido analizar "caso por caso" y había comprometido a la CIRA a acercarle información detallada sobre volúmenes y montos importados. Por eso, los empresarios esperan ahora un nuevo llamado de Moreno, que había fijado como fecha de entrada en vigor de la nueva disposición el 1° de junio próximo. Mucha tranquilidad "Han traído mucha tranquilidad las palabras de la Presidenta y, por lo tanto, damos por sentado que no las habrá [restricciones]", dijo el vocero de la cámara, Miguel Ponce, al canal Todo Noticias al finalizar la reunión de los empresarios, entre los que no faltaron las principales cadenas de supermercados. Por su parte, el presidente de CIRA, Diego Pérez Santiesteban, dijo a la agencia DyN que la reunión de ayer de los socios de la entidad "fue explicativa" sobre la audiencia que mantuvieron directivos de la institución la semana pasada con el propio Moreno. La CIRA prepara una contrapropuesta para llevarle al funcionario, que la semana pasada les informó que el objetivo de la administración Kirchner es bajar en US$ 300 millones las compras de alimentos en el extranjero. Los importadores reclaman que no se apliquen medidas generalistas y que, en su lugar, se considere la situación de cada producto. Para Pérez Santiesteban, "lo que se importa [en alimentos] es muy poco, menos del 3% del total de las importaciones", y sostuvo: "Si hay algún sector que está afectado por inflación o el tipo de cambio relativo se puede atender esta situación de la misma manera para lo cual tenemos licencias no automáticas", para evitar problemas comerciales. La gran mentira Es una mentira. Una gran mentira. Una mentira descomunal a la que, por suerte, la Presidenta le cortó sus patas cortas a poco de llegar a Madrid. Dijo allí que la Argentina no aplica restricciones a la importación de alimentos. Es increíble: unas pocas palabras sirvieron, así, para desmontar todo un cúmulo de falsedades, una extraordinaria fantasía que estaba preocupando a muchos miles de argentinos y conmoviendo las relaciones comerciales del país con el mundo. Como no resulta fácil pensar que un presidente que habla en público, y menos cuando lo hace en visita a otro país y rodeado de colegas, pueda faltar a la verdad, la conclusión en este tema del freno a las importaciones es que han mentido todos los demás. En primer lugar, mintió este diario, que fue el primero en informar, en su edición del jueves 6 de este mes, que el Gobierno había dispuesto esa medida proteccionista con el argumento de que la industria nacional debía ser protegida ante una posible invasión de productos importados debido a la caída del euro. Lo insólito es que, habiéndose publicado en el lugar más destacado de su primera página, no haya sido desmentido por nadie. Efecto contagio Por supuesto, mintieron todas las grandes cadenas de supermercados que informaron a LA NACION que habían recibido (verbalmente, nunca por escrito) la orden del secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, de no importar alimentos que tuvieran un equivalente en el mercado local. Mintieron también los importadores, que al enterarse del cierre de fronteras rápidamente pusieron el grito en el cielo. Y, más grave, les mintió Moreno cuando se reunió con ellos -agrupados en la Cámara de Importadores de la República Argentina (CIRA)- y les ratificó la decisión, que debería regir a partir del 1° del mes próximo. Ya lanzada, la mentira se hizo contagiosa. Mintieron las multinacionales de la alimentación al sumarse al coro de los protestones; mintió la Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica (Anmat), que dijo haber recibido una nota de Moreno sobre este tema. Mintieron las embajadas de varios países que le expresaron su preocupación al Gobierno. Y mintieron los embajadores que presentaron públicamente su reclamo en la Cámara de Diputados de la Nación. Mintió Brasil en sus protestas, formales e informales, a la cancillería argentina. Mintió el presidente de la Asociación Brasileña de la Industria de Alimentos, Edmundo Klotz, que habló de un "atentado" al comercio bilateral. Y mintió la Unión Europea en el comunicado en que manifestó que había "interpelado" a las autoridades argentinas "a propósito de las restricciones a la importación de alimentos anunciadas en los últimos días". Patas no tan cortas Amado Boudou, el ministro de Economía, no mintió. Al defender públicamente la decisión de cerrar las importaciones ("Esto de ser buenitos y abrirnos al mundo es una idea romántica, pero muy ingenua", dijo), lo que hizo fue perder el tiempo. ¿Para qué defiende lo que no existe? También fueron una soberana pérdida de tiempo las declaraciones del director de Relaciones Internacionales de la Confederación de Agricultura y Ganadería de Brasil, Carlos Sperotto, quien consideró que la medida era "una aberración al Mercosur". Se ve que las patas de esta mentira en realidad no eran tan cortas, porque llegaron hasta la frontera: seis enormes camiones cargados con alimentos brasileños fueron detenidos durante tres días sin poder entrar en el país. Aunque hubo innumerables testigos de este hecho, en particular de la empresa Sadia, que fletó esos camiones, ahora, a la luz de las palabras que llegan de Madrid, habrá que pensar que el episodio nunca existió. En fin, la gran farsa ha llegado a su fin. La Presidenta, la señora del micrófono, ha puesto las cosas en su lugar. Otra vez. Carlos M. Reymundo Roberts Destacan avances en la negociación comercial con la UE Se logró la firma de acuerdos bilaterales de los países europeos con Perú y con Colombia MADRID.- La concreción de acuerdos bilaterales entre la Unión Europea (UE) y los Estados de Perú y Colombia señaló ayer el principio del fin del distanciamiento comercial entre los dos bloques de países de una y otra orilla del océano Atlántico. Pero en la tercera jornada de la cumbre UE-América latina aún abundaban los rumores sobre las enormes dificultades que las diferencias ideológicas y culturales imponían en el momento de definir los términos de la recuperación del vínculo, el "efecto deshielo" producido por esta reconciliación puntual precipitó nuevos avances generales. El más significativo de estos logros fue la creación de una secretaría permanente, con sede en Madrid, cuyo objetivo será velar por la continuidad de los acuerdos firmados y, también, impulsar la comunicación efectiva entre las regiones, especialmente en el nivel de las relaciones empresariales. Este nuevo organismo, que sería precisado en detalle en próximos encuentros, oficiará de garantía para que no vuelva a estancarse el intercambio regional, que en 2004 quedó sin efecto luego de que algunos países europeos percibieran en las importaciones de productores del Mercosur y otras asociaciones latinoamericanas un eventual peligro para el sostenimiento del sector agrícola del Viejo Continente. Sin embargo, las divergencias entre los modelos productivos y las políticas de los diferentes países latinoamericanos se hicieron notar en las declaraciones de algunos mandatarios que buscaron quedar en mejor posición que los de otros países de la región. El caso más destacado, en este sentido, fue el del presidente de Colombia, Alvaro Uribe, quien señaló que, desde su punto de vista, hay "cuatro tipos de países" en América latina. "Están -dijo- los que rechazan la iniciativa privada; los que no la rechazan, pero no la estimulan; los que mantienen una relación personal con las empresas, y los que la respetan, la estimulan y mantienen una relación institucional." Por supuesto, Uribe ubicó a Colombia en esta última categoría, con la abierta intención de dejar a la Venezuela del ausente Hugo Chávez en las antípodas de la situación y posición actual de su país. No obstante, el tema que sobrevoló la agenda en todo momento fue la crisis financiera internacional y, en particular, el caso griego y su posible contagio a España y Portugal. Si bien aún se desconoce la influencia que tendrá la grave situación económica en la declaración final, se descuenta que la necesidad de reactivar la actividad apuntará a reconsiderar la aparente inflexibilidad de las barreras arancelarias aún vigentes para el intercambio productivo. Paraguay "ABC" Sección: Política Negociación con Mercosur divide a UE La reanudación de las negociaciones entre el Mercosur y la Unión Europea (UE) divide a los gobiernos europeos. España apoya el futuro acuerdo birregional, mientras que Francia se opone a la reanudación del diálogo. El presidente Fernando Lugo llega hoy a la sede de la cumbre. BRUSELAS (EFE). La ministra española del Medio Ambiente, Medio Rural y Marino, Elena Espinosa, ha destacado ayer la importancia de que se reabran las negociaciones para un acuerdo de asociación entre la UE y Mercosur, en la cumbre que se celebra en Madrid. Espinosa ha declarado a la prensa, a la entrada del Consejo de Agricultura, que espera que la UE y Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay) reanuden dicha negociación, parada desde 2004, para conseguir un compromiso que "sea equilibrado para todos". Los ministros de Agricultura de la UE discutieron ayer en Bruselas sobre las conversaciones con Mercosur, a petición de Francia y otros siete países, que han expresado su temor por el impacto que podría tener un arreglo con el bloque latinoamericano en el sector agrario europeo. Para la presidencia española de turno de la UE es prioritario impulsar un compromiso con Mercosur. Espinosa ha insistido en que la intención de restablecer las negociaciones, uno de los asuntos principales de la cumbre entre la UE y los países de América Latina en Madrid, es una decisión "adoptada desde hace mucho tiempo" y que puede ser "beneficiosa", si las tratativas se hacen con "normalidad y transparencia". Francia se opone BRUSELAS (EFE). El ministro francés de Agricultura, Bruno Le Maire, ha afirmado ayer que su país se opondrá a que se reanuden las negociaciones para un acuerdo de asociación entre la UE y Mercosur durante la cumbre que se celebra en Madrid. Le Maire ha declarado a la prensa, a su llegada al Consejo agrícola de la UE, que rechaza que se restablezcan dichas conversaciones, porque se "traducirán en nuevas concesiones que perjudicarán" al sector agrícola y ganadero europeo. El ministro francés ha asegurado que su Gobierno defenderá esa postura "en Madrid, en Bruselas y en cualquier sitio" y ha señalado que para ello ya ha hablado con el presidente francés, Nicolas Sarkozy, y con el primer ministro, François Fillon. Francia, junto con nueve países más firmaron la declaración de oposición (Irlanda, Grecia, Hungría, Austria, Luxemburgo, Polonia, Finlandia, Rumanía y Chipre) y expondrán en Bruselas su preocupación por el efecto que puede tener un arreglo entre la UE y Mercosur para los productores europeos, en sectores como el vacuno o el porcino. Ofrecen 5 millones de euros MADRID (EFE). La Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo (AECID) presentó ayer en el marco de la cumbre euro-latinoamericana, que se celebra en Madrid, un programa de cooperación global con el Mercosur, que contará con cinco millones de euros para el periodo 2008-2011. La secretaria de Estado de Cooperación Internacional, Soraya Rodríguez, presentó la iniciativa junto a los cancilleres de los países que integran el Mercosur o que están asociados a él. El programa, que se ha preparado durante los últimos dos años, busca incrementar la cooperación con los organismos internacionales más allá de la que se desarrolla entre países. Reanudan diálogo en Madrid, pero con marcadas diferencias MADRID y BRUSELAS (Por Mariana Zugarramurdi, de ANSA). Gobernantes de la Unión Europea (UE) y el Mercosur acordaron ayer en Madrid reanudar negociaciones, trabadas desde 2004, en un nuevo intento por alcanzar un acuerdo comercial, aunque persisten dificultades en concordar criterios sobre la industria y subsidios agrícolas. Además, mientras el jefe del gobierno español, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciaba el relanzamiento, ministros de Agricultura europeos expresaron en Bruselas prevenciones en las tratativas con Mercosur, lo cual revela cuán complejo es avanzar a un pacto entre bloques, que tendrán la primera ronda de diálogo en julio. "Decidimos reanudar negociaciones para lograr una asociación Unión Europea-Mercosur que sea ambiciosa y equilibrada", aseguró Rodríguez Zapatero, en conferencia de prensa con su colega argentina, Cristina Fernández, el presidente del Consejo Europeo, Herman Van Rompuy, y el de la Comisión, José Manuel Durao Barroso. A juicio del mandatario, se trataría del acuerdo de libre comercio más importante de los que tiene la Unión Europea, con un "potencial" que se estima en 5.000 millones de euros por exportaciones entre ambos bloques. Pero la mandataria Cristina Fernández declaró que tanto ella como el presidente brasileño, Luiz Lula da Silva, ven "algún problema" en el "capítulo industrial", así como en los subsidios agrícolas, que "en algunos casos alcanza un 70, un 80, un 100 %". Mencionó el perjuicio que significaría una reducción de aranceles como reclama la UE en determinados sectores industriales que, dijo, "recién están surgiendo y no tienen la competitividad para poder enfrentar la industria europea". Seccion: Interanacionales García critica armamentismo y a Unasur MADRID (EFE). El presidente de Perú, Alan García, que ha relanzado con el presidente chileno, Sebastián Piñera, en Madrid, las relaciones bilaterales, criticó ayer en una entrevista con EFE la espiral de gasto destinado a armamento en Suramérica, que ligó a la aparición de Unasur (Unión de Naciones Suramericanas). "Desde que se fundó Unasur... hemos duplicado la compra de armas en los países de Suramérica, de modo que no sé para qué sirve Unasur", señaló. "Visto desde el punto de vista de las armas y de los conflictos, en los cuatro años desde la fundación de Unasur, realmente se compraron 25.000 millones en armas y se gastó 150.000 millones en gastos militares corrientes de mantenimiento. Si seguimos así, en los próximos cuatro años –dijo– compraremos 35.000 millones y gastaremos 200.000 millones en gastos de mantenimiento". Para el mandatario peruano, "todo esto suena absurdo cuando al mismo tiempo los presidentes se sientan a la mesa a tomar café y a compartir almuerzos y comidas. ¿Si son tan amigos para qué se arman? No entiendo, pero será porque el poder de los que venden armas es mucho mayor, y entre ellos Europa, EE.UU. y Rusia". García consideró también que existen muchos bloques ya. "Si se fija hay la CAN (Comunidad Andina de Naciones), Mercosur, el Grupo de Río, Unasur, hay un multicumbrismo que parece un equilibrismo y una pasarela permanente de encuentros, pero mientras tanto seguimos comprando armas y entonces ¿para qué sirve todo esto?". No obstante, matizó: "Me quejo pero asisto a Unasur, por lo menos para plantear estos temas allí, dentro. Pero sí, creo que todavía nos falta mucha maduración para estos temas", aunque recordó que un bloque ahora sólido como la Unión Europea (UE) necesitó 50 años de proceso. "La Nación" Sección: Política Lacognata pidió equidad en países del Mercosur Lacognata habló ayer ante la Cumbre. Lugo regresa mañana al país desde Madrid. El canciller Héctor Lacognata pidió mayor cooperación para superar asimetrías entre países del Mercosur. Sostuvo que la cooperación del gobierno de España debe tener en cuenta la necesidad de unir esfuerzos para la superación de las inequidades. "Debería incluir en forma transversal en sus proyectos de cooperación, algún componente que permita que los países con un desarrollo menor podamos contar con beneficios más directos", manifestó ayer Lacognata en la ceremonia de presentación del Programa de Cooperación de la Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo (AECID), en el marco de la Cumbre Unión Europea – América Latina y el Caribe, que se realiza en Madrid, España. El canciller destacó la importancia que tiene para Paraguay formar parte del proceso industrial de los países vecinos "que nos permita alcanzar una mayor competitividad en ciertos sectores de la producción". Resaltó los proyectos que la AECID implementa en la región. Mencionó los trabajos en desarrollo humano, que contribuyen a mejorar las condiciones de vida de los habitantes y fortalecer las estructuras sociales y productivas de las comunidades excluidas."Entre todas las áreas de cooperación la de desarrollo o integración fronteriza, así como a la de integración productiva, por ser estas las que consideramos de vital importancia para consolidar efectivamente al Mercosur. Paraguay es un país que vive de sus fronteras, por donde pasa la mayor parte de su comercio de bienes, desarrollado un comercio de servicios con gran potencialidad", subrayó el canciller. El presidentes Fernando Lugo, quien arribó ayer a Madrid para participar de la Cumbre con los presidentes de gobierno de España y América, regresará al Paraguay mañana a las 10.00. Uruguay "El Pais" Sección: Política Nacional Kirchner conserva banca Néstor Kirchner no piensa abandonar la banca que asumió en marzo, informó ayer el diario La Nación en base a fuentes del entorno del ex presidente. "No veo incompatibilidades entre mi cargo en la Unasur y mi banca de diputado; además, en el Congreso me necesitan", proclamó Kirchner, según el diario, ante el jefe de la bancada oficialista en la Cámara Baja, Agustín Rossi, y el diputado José María Díaz Bancalari. El comentario habría sido realizado en el avión presidencial, durante el viaje hacia Madrid, donde el ex presidente acompaña a Cristina Fernández a la VI Cumbre de Presidentes de la Unión Europea-América Latina y el Caribe. Kirchner dijo que los presidentes de UNASUR no se oponen a que mantenga su escaño legislativo. El ex presidente desoiría también el pedido de diputados opositores, y hasta la opinión del actual ministro del Interior, Florencio Randazzo, quienes coincidieron en reclamar su renuncia. "Va a ir a todas las sesiones que pueda y seguirá defendiendo al gobierno desde el Congreso", dijo Díaz Bancalari. Acuerdo Argentina-Brasil permite saltear el puerto. Privados. Protestan porque buques no paran en Montevideo Según el Centro de Navegación, Argentina está trabando el tránsito de mercadería por el puerto de Montevideo. Un acuerdo bilateral con Brasil permite que mercadería argentina con destino a Brasil no ingrese a terceros puertos. "Lo que detectamos y tenemos pruebas es que la Secretaria de Puertos y Vías Navegables de Argentina está trabando el tránsito por el puerto de Montevideo de las exportaciones desde ese país a Brasil", dijo a El País el presidente del Centro de Navegación Mario Baubeta. "Investigan para otorgar a buques de tercera bandera permiso de transporte de productos desde Argentina a Brasil y si hacen escala en Montevideo no se los dan", agregó. Para el empresario esto puede tener consecuencias muy negativas para el país por la pérdida del pasaje de miles de contenedores por la terminal portuaria capitalina y afecta el proyecto de país logístico que impulsa el gobierno y que Montevideo sea un puerto hub (de distribución de carga). Expresó que el tema le fue comunicado al canciller Luis Almagro el pasado viernes siete de mayo, a quien le plantearon la inquietud de que el asunto fuera parte de la negociación con el gobierno argentino. "La Cancillería lo tomó con mucha responsabilidad, porque puede afectar la logística del país", afirmó Baubeta. La organización que preside mantendrá una reunión con el agregado comercial argentino Atilio Berardi, que pidió el encuentro, de quien aguardan explicaciones por esta situación. Emilio Cazalá, periodista especializado en temas marítimos, fluviales y portuarios de El País, explicó que existe un acuerdo bilateral entre Argentina y Brasil, por el cual las mercaderías argentinas no pueden ser transbordadas a otro puerto, sino directamente al país de destino. Agregó que este es un tema que Uruguay puede plantear en el Mercosur, porque se trata de un acuerdo extra bloque entre dos miembros del acuerdo regional. Cazalá señaló que este acuerdo bilateral afecta el transporte de productos perecederos de la Patagonia, que suelen transitar por Montevideo con destino a Brasil y que a veces van directamente al país norteño. Añadió que esto perjudica al puerto de Montevideo, pero no a las compañías navieras. En tanto, fuentes de la Cancillería y de la Administración Nacional de Puertos (ANP) consultadas por El País coincidieron en que este tema "no está formalmente en la agenda", con Argentina, pero no descartaron incorporarlo. Pérdidas. Para Baubeta, la amenaza no es sólo por la pérdida de cargas en tránsito, sino también porque esto generara menos posibilidad de bodegas para trasladar exportaciones. Alertó que la medida puede llevar a armadores a reprogramar su trafico, dejando al puerto de Montevideo por fuera. Expresó que más del 50% de la mercadería que pasa por el puerto de Montevideo es en tránsito y un gran porcentaje "está amenazado" por esta medida. Según Baubeta "se está hablando de 100 mil contenedores en el peor de los casos". Dijo que "ya se está notando" el efecto nocivo de esta medida, de la que se beneficia el estado de Río Grande del Sur (Brasil). "Un empresario argentino que exporta a Brasil tiene que embarcar en buque con bandera argentina o brasileña. Si no las hay, pueden darse waivers (permisos) a terceras banderas. Armadores han contratado buques de menor porte para trasladar mercadería entre el Sur argentino y Montevideo, que luego siguen a Brasil. Pero, si no lo pueden hacer, evitan Montevideo y esto beneficia a Rio Grande", explicó "Hay una acción decidida y persecutoria para que las cargas no hagan Montevideo", sostuvo Baubeta. Indicó que hay un borrador de acuerdo de transporte marítimo del Mercosur -que se concretó en una reunión a la que la delegación uruguaya no concurrió-, cuyo articulado establece que servicios dentro de puertos de Mercosur para terceros países también deben ser con buques con bandera del Mercosur. Consideró que esto beneficiaría directamente a Brasil y que es "un ataque al tránsito por Uruguay", puesto que estos países "no quieren que su carga transite por acá".El Centro de Navegación es una asociación civil sin fines de lucro fundada en 1916. Está constituida por empresas y entidades establecidas en el país vinculadas al transporte por agua, a la actividad portuaria y al comercio internacional. Reúne a los agentes marítimos, operadores portuarios, terminales de contenedores y depósitos particulares de carga. Sección: Economía Argentina niega trabas a importar alimentos. Realidad. Hay empresas locales a las que los súper les suspendieron pedidos La presidenta argentina, Cristina Fernández, negó ayer que su gobierno haya impuesto restricciones a la importación de alimentos. Importadores de ese país recibieron la noticia como un "alivio" pero en Uruguay las ventas siguen suspendidas. "No hubo restricciones de ninguna manera a las importaciones de alimentos``, dijo ayer la mandataria argentina en Madrid ante los reclamos de la Unión Europea y los países de la región por el anuncio que hizo el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, a las cadenas de supermercado de restringir las compras de productos que tengan un sustituto de industria nacional. Esta medida ya complicó las exportaciones de Monte Cudine en Uruguay -que vio suspendidas las ventas de sopas y arroz saborizado- al tiempo que la Unión de Exportadores estimó que podría perjudicar a unas 70 pymes que exportan alimentos a la vecina orilla. La Unión de Exportadores incluso planteó el tema al gobierno y reclamó aplicar medidas extremas. La semana pasada, embajadores de países de la Unión Europea (UE) también expresaron su preocupación ante la Comisión de Relaciones Exteriores de la UE por el supuesto plan de Argentina de limitar el ingreso de ciertos productos que compiten con alimentos que se producen en ese país. "No tenemos que asustarnos de que haya intereses comerciales de un lado y del otro. Tenemos que ser muy sensatos, realistas, inteligentes, y ver la película entera y no la paja en el ojo ajeno``, señaló Fernández ayer en declaraciones que recogió el canal Todo Noticias. "Una visión más completa nos va a permitir encontrar soluciones a escala global de los problemas que estamos teniendo``, agregó. La supuesta limitación a la entrada de alimentos, anunciada verbalmente por el secretario de Comercio Interior, Moreno, a los supermercados, pretende proteger a la industria nacional ante un posible aumento de importaciones desde Europa por la creciente depreciación del euro, pero por las dudas de recibir sanciones las cadenas ya lo extienden a otros países. La UE había expresado en un comunicado la semana pasada que "tales restricciones, de concretarse, serían incompatibles con la normativa de la Organización Mundial de Comercio y con los compromisos adquiridos por Argentina en el marco del G-20``. Brasil, primer socio comercial de Argentina, también expresó su inquietud por este asunto e incluso dijo que tomaría represalias de mantenerse las trabas. En medio de la polémica, la ministra de Industria, Débora Giorgi, intentó poner "paños fríos" a esta situación y dijo días atrás que "van a ingresar todos los productos importados que el mercado demande``. Sin embargo, en los hechos algunos importadores argentinos de alimentos ya estaban cancelando los pedidos de compras. "Alivio". Esa fue la sensación con la que la Cámara de Importadores argentina (CIRA) se quedó ayer luego de escuchar la declaraciones en España de la presidenta argentina. El encargado de Relaciones Institucionales de esta cámara, Miguel Ponce, dijo ayer que los comentarios de la mandataria trajeron "tranquilidad" y "alivio" y anunció que la solución al conflicto esta más cerca. Esta gremial mantuvo ayer una reunión con Moreno, para analizar cuáles son las dificultades que enfrentan algunos sectores en las aduanas. Precisamente ayer el gobierno argentino liberó algunos camiones brasileños de choclo que estaban detenidos en la frontera. En ese sentido, para medios brasileños hubo presiones de la Unión Europea y Brasil y, por eso, el gobierno argentino se vio obligado a flexibilizar la decisión de restringir la importación de alimentos no frescos. Por otro lado, Ponce informó que luego del encuentro con Moreno cada sector importador presentará en una próxima reunión con el secretario de Comercio Interior cuáles son las dificultades puntuales que tiene cada uno para luego plantearle un propuesta integral para terminar con el conflicto. "El objetivo que tenemos es que los alimentos continúen llegando a la mesa de los argentinos en precio y forma", declaró. En base a AP y La Nación UE y Mercosur relanzan negociación tras seis años. Expectativa. Uruguay cree que el beneficio será 'enorme' La Unión Europea y el Mercosur acordaron ayer en Madrid relanzar las negociaciones -tras estar congeladas seis años- para buscar un acuerdo de libre comercio entre ambos bloques. Para Uruguay el beneficio sería "enorme" dijo Astori. Tras el relanzamiento de las negociaciones "se ven chances de concluir con éxito" las mismas, dijo a El País desde Madrid el director de Asuntos de Integración y Mercosur de la Cancillería, Walter Cancela. "Para ello se pre-negoció durante un año y medio", agregó. El funcionario puntualizó que la primera ronda de negociación se iniciará "a más tardar en los primeros días de julio" de este año. Cancela evaluó como "muy positivo" el hecho y dijo que es "el mayor resultado político de la (cuarta) cumbre entre Unión Europea y Mercosur y no sé si no es el más importante de la cumbre Unión Europea-América Latina y el Caribe" que se desarrolla en la capital española. En tanto, el vicepresidente Danilo Astori dijo a medios locales -según consignó la página web de Presidencia- que "si el Mercosur logra este acuerdo, Uruguay va a tener beneficios enormes porque es uno de los países que más necesita abrirse al mundo y tratar de convertir esa apertura en comercio e inversiones". El presidente español, José Luis Rodríguez Zapatero -país que tiene la presidencia de la Unión Europea (UE)- afirmó que "los grandes beneficiados" con un acuerdo "son los países de Mercosur. En la hipótesis de una liberación comercial total, el más beneficiado sería Paraguay con un 10% de aumento de su Producto Interno Bruto y luego Uruguay con 2,1%" de suba, explicó. Astori dijo que "ojalá" se pueda llegar a un Tratado de Libre Comercio (TLC) entre ambos bloques, ya que "hace 15 años que lo estamos buscando". En efecto, las negociaciones comenzaron en 1995 y tras un escaso avance quedaron paralizadas en 2004. Desde ese año y hasta fines de 2008, hubo varios intentos por relanzar las negociaciones pero se dieron de frente con la estrategia de la UE de esperar por la culminación de la Ronda de Doha de la Organización Mundial de Comercio. De hecho, hay países de la UE que aún se oponen (ver aparte). Mientras, Brasil quiere acelerar las negociaciones, ya que el presidente de ese país, Luiz Inácio Lula Da Silva quiere cerrar el acuerdo antes del cambio de gobierno el 1° de enero de 2011, según informó El País de Madrid. "Siempre hemos sostenido que había que dar un impulso a la política exterior del Mercosur", dijo el canciller Luis Almagro. Esto ayudaría "a disminuir los propios desequilibrios que nosotros, como bloque, tenemos internamente", agregó. COMERCIO. El principal interés para el Mercosur está en abatir lo más posible los subsidios agrícolas que aplica la UE y lograr mayores cuotas libres de aranceles en carne, cereales y lácteos. El bloque europeo está dispuesto a otorgar una cuota de importaciones de carne de 60.000 toneladas anuales (el Mercosur pide 300.000) y a eliminar casi todas las barreras a la entrada de cereales y lácteos, consignó el diario español. Por su parte, la UE quiere que el Mercosur libere el ingreso de productos industrializados. Brasil se comprometió a negociar "la apertura -muy lenta- de su sector del automóvil y de los componentes para coches, la opción de que empresas europeas puedan participar en pie de igualdad en las licitaciones públicas y la protección de la propiedad intelectual y las denominaciones de origen", agregó el diario. La presidenta argentina, Cristina Fernández dijo que "el único capítulo (en el) que vemos un problema desde la óptica del Mercosur -y esto lo planteó Lula- es el capítulo industrial". Según Fernández, hay industrias que no están en condiciones de competir si se redujeran los aranceles a los productos que vengan de UE. "La Republica" Sección: Política Mercosur y UE inician diálogo. Cristina­Zapatero Los presidentes protémpore del Mercosur y la Unión Europea, Cristina Fernández y José Luis Zapatero respectivamente determinaron reanudar los procesos de diálogo comercial entre ambos bloques económicos. El acuerdo entre ambos grupos permitirá crear una de las mayores zonas de libre comercio del mundo. El presidente del gobierno español, José Luis Rodríguez Zapatero, dijo luego de celebrar la cuarta Cumbre de la Unión Europea­Mercosur dijo que en la reunión se decidió reanudar las negociaciones para lograr un acuerdo de asociación UE y América Latina que se espera sea "ambicioso y equilibrado". "Son 700 millones de ciudadanos, con un potencial de comercio de ¤5.000 millones entre ambos bloques. La situación permitiría reforzar la economía global. No obstante, se deberán revisar las formas de proteccionismo". Dijo que a Uruguay las negociaciones le beneficiarían con un incremento del PBI en un 2,1%. El presidente del gobierno español dijo que el acuerdo es una "gran señal de trascendencia para el orden económico internacional ante la crisis económica". Por su parte la presidenta argentina, Cristina Fernández, indicó que las negociaciones que comienzan deben demostrar una "verdadera asociación", y "dejar de verse como clientes para comenzar a verse como socios". Fernández expresó que "las medidas de proteccionismo son una desviación o distorsión de los instrumentos macroeconómicos con los que cuenta un país, lo cual es reprochable". Por lo que indicó que "deberá abordarse el concepto de proteccionismo en toda su extensión y formas" (ver nota aparte). "El proteccionismo no está solamente en el ingreso de los puertos y en las aduanas sino que también está presente en los subsidios de producciones, promociones fiscales, eximir de impuestos o dar beneficios a las exportaciones, entre otras formas" (ver más información en sección Mundo). Sección: Mundo UE y Mercosur reanudarán negociaciones por un TLC. Cumbre. Los contactos, suspendidos desde 2004, tendrán lugar nuevamente en julio La Unión Europea (UE) y el Mercosur decidieron en una cumbre ayer lunes en Madrid reanudar las negociaciones para lograr un tratado de libre comercio "ambicioso y equilibrado", anunció el jefe del gobierno español y presidente de turno de los 27, José Luis Rodríguez Zapatero. Madrid | AFP "Hemos decidido reanudar las negociaciones para lograr un acuerdo de asociación que sea ambicioso y equilibrado" con el Mercosur (Argentina, Brasil, Uruguay, Paraguay), declaró Zapatero en rueda de prensa junto a la presidenta argentina, Cristina Fernández. La próxima ronda de las tratativas, que estaban suspendidas desde 2004, tendrá lugar "a más tardar a principios de julio", indicó por su parte el presidente permanente de la UE, Herman Van Rompuy. La reanudación de las negociaciones, que ya había sido adelantada por la Comisión Europea a principios de mes, suscitó no obstante la oposición de 10 países del viejo continente, con Francia a la cabeza, por temor a que se vean comprometidos sus intereses agrícolas. Por otra parte, tanto los seis países centroamericanos (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua y Panamá) como la UE han mostrado su disposición a rubricar un acuerdo, que supondría el primero que firma la Unión con una región, en el marco de la próxima cumbre de ambos bloques el próximo miércoles, día en que también se rubricarían sendos TLC con Perú y Colombia. Hasta ahora, sólo Chile y México tienen acuerdos de ese tipo con los 27. La UE también acordó además con los países del Caribe abrir un diálogo sobre cambio climático y profundizar "en la actuación común para la reconstrucción de Haití", tras el sismo que asoló el país en enero con un saldo de 300.000 muertos, informó el jefe del gobierno español, José Luis Rodríguez Zapatero. "Hemos recordado a las víctimas de Haití, nos hemos comprometido con el pueblo de Haití. La UE liderará el esfuerzo de esa reconstrucción que ya ha empezado" y para la que los 27 han ofrecido hasta ahora 1.235 millones de euros (1.523 millones de dólares), añadió el jefe del gobierno español. Simultáneamente, Moratinos anunció la aprobación de la Fundación Eurolat, que se encargará de "suscitar el debate sobre estrategias comunes y acciones y de aumentar su visibilidad", según el borrador de la Declaración de la cumbre eurolatinoamericana, así como "una nueva línea financiera para América Latina". Se trata del Mecanismo de Inversión en América Latina (Latin America Investment Facility, LAIF, en inglés), que facilitará la obtención de préstamos de organismos como el Banco Europeo de Inversiones (BEI) y estará dotado con 125 millones de euros hasta 2013, según fuentes europeas. "El Observador" Sección: Actualidad La "buena fe" según Argentina. DESDE BUENOS AIRES LLEGAN MÁS PROBLEMAS QUE SOLUCIONES A LOS TEMAS PENDIENTES EN LA AGENDA BILATERAL El presidente Mujica confió en que su gesto con Kirchner sería retribuido Pese a que el presidente José Mujica resolvió acompañar la designación de Néstor Kirchner a la secretaría general de la Unasur como gesto de buena voluntad hacia Argentina, se han sumado más problemas que soluciones a la ya cargada agenda de inconvenientes entre los gobiernos del Río de la Plata. La "buena fe" del gobierno argentino a la que apostó Mujica para destrabar asuntos pendientes aparece, por ahora, en cuenta gotas. A la inacción del gobierno de Cristina Fernández para levantar el bloqueo del puente de Fray Bentos y el planteo de controlar la producción de celulosa de UPM (ex Botnia) dentro mismo de la fábrica, se suman ahora dos grandes problemas que preocupan al gobierno uruguayo. Uno, la prohibición que surgió de la Casa Rosada de utilizar a Montevideo como puerto de escala para barcos que llevan mercadería de Argentina a Brasil. Y dos, el perjuicio que comienzan a sentir exportadores uruguayos por las restricciones que impuso Buenos Aires a la importación de alimentos. Además, hasta el momento no se avanzó en un acuerdo para dragar el canal Martín García y el río Uruguay, más allá de la "voluntad política" expresada por la presidenta Cristina Fernández. La única señal positiva que llegó de Buenos Aires la trajo la semana pasada el ministro de Planificación, Julio De Vido, respecto al gas que importa Uruguay. El ministro argentino visitó Montevideo el viernes y tras reunirse con Mujica anunció que el gas que Uruguay le compra a Argentina no pagará más impuestos adicionales. Pero la buena nueva no alcanza al gas que Uruguay comprará a Bolivia y que deberá pasar necesariamente por territorio argentino. Solo abarca a los 300 mil metros cúbicos que Uruguay ya le compra a Argentina. La negociación por el gas boliviano es por 2.000 millones de metros cúbicos y recién comienza. Allí Uuguay se plantea lograr dos cosas. Una, que el gas boliviano sea considerado por Argentina en tránsito y no como una importación que después exporta a Uruguay. Así pagaría más impuestos. Lo otro es lograr un acuerdo que declare ininterrumpible el suministro de gas boliviano vía Argentina. Pero todo esto está aún lejos de concretarse, confiaron fuentes oficiales a El Observador. Igual en Presidencia hacen una valoración positiva de la visita de De Vido. Consideran que fue uno de esos gestos de "buena fe" que esperaba el presidente. Pero a un gesto de "buena fe" parece sucederle otro de signo contrario. Más problemas. La prohibición de que barcos que salen de Argentina rumbo a Brasil hagan escala en Montevideo será objeto de una queja formal, por escrito, que Mujica llevará a la reunión con Cristina Fernández el próximo 4 de junio en la estancia Anchorena de Colonia. Las empresas navieras afectadas ya plantearon el problema al canciller Luis Almagro. Y a esto se agrega los problemas que exportadores uruguayos de alimentos tienen para vender a Argentina desde que el gobierno dijo a los grandes supermercados argentinos que no importen alimentos que se producen en su país. Cristina Fernández aseguró ayer en España que "no hubo restricciones" desde Argentina, pero reconoció que hay "distintos intereses de un lado y del otro". El secretario de Comercio, Guillermo Moreno, se reunió ayer con importadores argentinos y relativizó la información original de que se impondrían trabas. Sin embargo, los exportadores uruguayos ya denuncian problemas para vender a Argentina. Dicen que afecta a 73 empresas y que fueron advertidos de que a partir de junio se cancelan las importaciones argentinas de alimentos. La Unión de Exportadores habló con el embajador uruguayo en Argentina y reclamó una medida espejo desde Montevideo.

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