sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 04/10/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

04.10.2010 Jornal "Valor Econômico" Caderno: Brasil A política externa sem Lula Sergio Leo Ao aproveitar a reunião do G-20, na Coreia, em novembro, para apresentar seu sucessor à comunidade internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrará uma nova etapa da política externa brasileira, em que a crescente presença do Brasil nas instâncias de decisão mundiais foi impulsionada pela figura do carismático líder metalúrgico, capaz de persistir na via democrática para chegar ao poder e de combinar o respeito aos mercados com uma ativa política de distribuição de renda. Não à toa, Lula pretende fazer, de seu discurso na Coreia, um balanço de seu governo. Há consenso entre os analistas que a saída de Lula obriga o próximo governo a modificar, se não a essência, a forma de atuação internacional. O Brasil de democracia consolidada, das enormes florestas, do petróleo no pré-sal, das imensas riquezas naturais e de atrativo mercado consumidor está destinado a ter presença importante no cenário internacional, mas quem o comandará a partir de 2011 não terá suas declarações recebidas com a mesma benevolência concedida ao presidente de metáforas exóticas e trânsito fácil, agora em fim de mandato. Há, no Brasil, quem atribua o respeito adquirido pela política externa brasileira apenas à enorme popularidade de Lula também no exterior . É um equívoco. A influência e a visibilidade do Brasil nos órgãos multilaterais e nos eventos mundiais não se deve apenas à singularidade do presidente operário, o Lech Walesa que deu certo - na feliz definição do antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em comparação com o ex-líder sindical polonês, que também foi presidente e mito internacional. Houve e há muito do trabalho de respeitados diplomatas brasileiros na configuração da política externa dos últimos oito anos. Foram também os êxitos dessa política, nem sempre reconhecidos no país, que garantiram ao Brasil presença nas mesas de decisão do mundo - ainda que tenha sido em vão, até agora, o esforço do governo para ter cadeira cativa em uma das principais dessas mesas, o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Faltou ao Brasil, no governo Lula, uma estratégia mais eficaz para prevenir e tratar as ameaças aos interesses nacionais surgidas nos países vizinhos, quase todos conturbados por profundas mudanças internas, reviravoltas políticas e, em alguns casos, na situação econômica. Ainda é grande a resistência à liderança brasileira, refletida na lentidão dos projetos sul-americanos de integração; e ainda surgem sem aviso ações contrárias à economia brasileira, como medidas protecionistas do principal sócio regional, a Argentina. Seria injustiça, porém, negar os avanços. Com a criação de comissões de monitoramento de comércio com os sócios comerciais no continente, foram abortadas pela negociação preventiva discordâncias que poderiam se desdobrar em crises comerciais. Listado entre os governos confiáveis à comunidade financeira internacional, o Brasil conseguiu, nos últimos anos, evitar conflito direto com os chamados países "bolivarianos" de tendência estatista e agressiva retórica diplomática, estabelecendo com os governos desses países, onde é forte a interferência presidencial nos negócios, uma linha direta de defesa dos interesses de cidadãos e empresas brasileiras. O esforço para institucionalizar mecanismos internacionais de decisão e solução de conflitos é, talvez, uma das principais marcas do governo que acaba, a ser herdada pelo que começará em 2011. Um dos resultados mais notáveis foi a transformação, em G-20 - com presença atuante do Brasil-, do G-7, o grupo de países ricos que, até a última crise financeira, decidia as ações conjuntas de governança econômica mundial. Nas negociações comerciais, o acordo de livre comércio entre Estados Unidos e Colômbia, assinado há quatro anos, e até hoje bloqueado no Congresso dos EUA, mostra o exagero dos que apontam a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) como oportunidade perdida para a economia brasileira. Não se pode culpar a diplomacia de Lula pelos impasses nas negociações internacionais comerciais, que, no caso da Organização Mundial do Comércio (OMC), até ressaltaram o protagonismo brasileiro, ainda que o único resultado prático tenha sido bloquear um acordo entre EUA e União Europeia, que ameaçava interesses nos países em desenvolvimento. Na América do Sul, a heterogeneidade entre as economias e a situação política da Argentina (além de resistências no próprio setor privado brasileiro) impediram a consolidação do Mercosul. Mas evitou-se o retrocesso e houve pequenas conquistas, como a criação de um fundo, o Focem, para investimentos na integração, e um sistema para acabar com a cobrança dupla da tarifa de importação no bloco. A crise da semana passada no Equador, tratada entre os vizinhos por meio da Unasul, uma iniciativa brasileira, mostra que o esforço institucional da diplomacia sob governo atual tem o potencial de deixar heranças positivas para a governabilidade da região. A reunião, que decidiu estabelecer uma "cláusula democrática" no continente, prescindiu até da presença de Lula, que, no Brasil, se empenhava na própria sucessão. Comércio em reais com Argentina triplica, mas é 3,7% do total Sergio Leo | De Brasília O comércio de mercadorias entre Brasil e Argentina com uso direto de moeda local, sem troca por dólares pelos exportadores e importadores, triplicou neste ano, e superou US$ 90 milhões mensais, em média, nos oito primeiros meses deste ano. O número de operações também cresceu, e chegou a 220, em média, por mês, com uma tendência clara de crescimento - em agosto, chegaram a 320 as operações de exportação que usam o real ou o peso como moeda. O governo ainda avalia as razões do crescimento que, informalmente, se atribui ao maior conhecimento do sistema por pequenos e médios exportadores. O resultado acumulado de janeiro a agosto ficou pouco abaixo de R$ 740 milhões, ou aproximadamente US$ 413 milhões, se convertido esse valor pela taxa média do dólar no período. Esse total representa cerca de 3,7% do total das vendas brasileiras ao país vizinho no período. No mesmo período de 2009, a proporção era inferior a 1,5%. O interesse pelo mecanismo de moeda local está concentrado no lado brasileiro. Enquanto as exportadoras brasileiras aumentaram continuamente as vendas usando moedas locais como referência nos contratos, os argentinos realizaram apenas sete operações a cada dois meses - o maior número de operações, cinco, foi registrado em agosto. A apatia dos exportadores argentinos contraria o interesse do governo do país vizinho, que vê no mecanismo uma maneira de reduzir a dependência de moeda estrangeira. Essa é uma questão delicada devido às dificuldades de financiamento internacional argentino não resolvidas com a renegociação da moratória do país, em 2005. As dificuldades em obter garantias e seguro cambial para operações em reais ou pesos é um dos principais obstáculos à disseminação do sistema, que o Brasil tenta expandir para outros países, e gostaria de iniciar ainda neste ano com o Uruguai. As operações de exportadores brasileiros com o sistema de moedas locais pularam de 198, em janeiro, para 320 em agosto. Do lado brasileiro, o aumento do interesse pelo uso do sistema de comércio em moeda local é incentivado pela redução de custos com a contratação de câmbio - mas, segundo os especialistas do governo, é preferido principalmente por empresas de menor porte, sem acesso ao mercado de financiamento de exportação em dólares. O sistema de pagamento em moeda local, embora seja um passo para o uso livre das moedas locais nas transações entre os dois países, ainda depende do dólar como referência, o que significa que os exportadores ainda correm risco cambial - talvez a principal razão para a baixa popularização do sistema na Argentina. As empresas realizam as operações no sistema financeiro local, em moeda nacional, e, informados, os Bancos Centrais de cada país fazem entre si a compensação: a autoridade monetária do país com saldo negativo no total de operações de importação e exportação transfere esse saldo, em dólares, para o Banco Central do país com saldo positivo. Segundo técnicos dos dois governos, os valores transacionados no sistema de pagamento em moeda local, apesar de serem crescentes, tendem a se acomodar em um patamar reduzido, enquanto o governo não encontrar solução para os principais problemas detectados na operação com as moedas regionais. Em 2009, após a pequena adesão ao sistema, foi criado um grupo de trabalho de estímulo às exportações em reais e ao sistema de pagamentos em moeda local, que identificou como problema principal exatamente o financiamento: as linhas de crédito em pesos ou reais ainda têm custo bem superior ao do financiamento em moeda estrangeira. O grupo de trabalho sugeriu estudar maneiras para que o governo brasileiro, por meio do BNDES-Exim, conceda linhas de equalização de crédito nas operações em reais, e, com apoio do Proex (financiamento às exportações), ofereça crédito em reais com juros equivalentes à taxa internacional Libor. Essas propostas ainda estão em estudo no BNDES. As diferenças entre as opções de financiamento tradicionais e as possíveis no novo sistema fazem com que seja pouco atrativo o comércio em moeda local para os principais exportadores, especialmente as montadoras de automóveis, responsáveis pela maior fatia no comércio bilateral. Jornal "O Globo" Opinião O DNA de Néstor Kirchner Mariano Grondona O motivo pelo qual Néstor Kirchner levou vantagem tanto sobre seus rivais quanto sobre seus aliados foi o fato de poder desconcertá-los de forma contínua com manobras imprevistas, conservando em suas mãos a vital iniciativa. Maquiavel aconselhava o príncipe a aturdir os grandes e o povo com uma ousada sucessão de projetos inesperados, para mantê-los dependentes dele. Não há dúvida de que Kirchner age de maneira diferente se comparado aos atores que o rodeiam e o enfrentam, e consegue assim reduzir uns e outros a uma atitude de expectativa, a um tipo de passividade que condena seus aliados à submissão e seus rivais ao vício fatal do "antikirchnerismo", cujo infortúnio consiste, como o "antiperonismo" dos anos 50, em agir só por reação, como se fazer oposição às iniciativas de Kirchner — sem oferecer alternativas — fosse sua única saída. Dizemos que alguém é insólito quando sua conduta é tão rara que a consideramos única. Kirchner atua de modo insólito. Mas não são insólitos apenas sua ação, seu estilo. Ele mesmo o é. Seja devido a um código genético peculiar ou a uma infância infeliz, essa pessoa que chamamos Kirchner não é comparável a qualquer outra. Por isso, surpreende. Por isso gozou até agora do poder de iniciativa. Mas, para se opor a ele com eficácia, não bastaria reagir tardiamente a cada uma de suas transgressões, como as outras pessoas que consideramos "normais", porque Kirchner, simplesmente, não é normal. Segue sua senda exclusiva. Esta originalidade não provém de uma estratégia trabalhosamente forjada, mas das entranhas de seu próprio ser. Enquanto alguém não decifrar seu DNA, não conseguir desentranhar as raízes de um caráter que não é negociável, que é irrenunciável por ser mais forte que seu portador, o ex-presidente continuará sendo o homem forte da Argentina. De nada valerá sequer condenálo como perverso, como fazem seus opositores. O único método para neutralizálo é entendê-lo; é recorrer às intrincadas dobras de seu código genético para descobrir o antídoto que poderia anulá-lo. À força de frustrações e desgostos, poder-se-ia dizer que tanto a oposição como os observadores independentes avançaram laboriosamente nessa tarefa crucial. Para apoiá-la com fundamento, seria útil recorrer ao famoso livro "1984", no qual seu autor, o inglês George Orwell, decifrou o código genético do autoritarismo. Publicado em 1949, quando o stalinismo avançava para a dominação de meio mundo, "1984" advertiu que a porta de entrada do totalitarismo é a tergiversação na linguagem política, para incentivar os fanáticos e confundir os ingênuos. Quando falavam de "guerra", os protagonistas de 1984 a chamavam de "paz"; quando falavam de "opressão", chamavam de "liberdade"; e quando falavam de "discriminação", chamavam de "justiça". O poder absoluto não era, segundo eles, a mobilização de um mando despótico, mas a obra fraterna do Grande Irmão, que vigiava zelosamente os cidadãos até na intimidade de suas casas. Kirchner abriga em sua mente, de modo comparável, seu próprio dicionário distorcido. Como tantos outros políticos, busca o poder. A luta pelo poder é, para os políticos "normais", uma disputa enérgica mas, no fundo, amistosa, esportiva, quase um jogo — porque sabem que quem prevalecer terá somente um poder limitado pelos demais poderes e ligado ao vencimento inexorável de um prazo. Essa mesma disputa, para Kirchner, é uma verdadeira guerra, tudo ou nada, no decorrer da qual a vitória, e a derrota, só podem ser absolutas. Diziam os romanos em suas guerras: "Ai dos vencidos!" Por isso Kirchner chamou seu movimento de Frente para a Vitória, como se obtê-la fosse seu único e exclusivo objetivo, sem considerações por ideais como liberdade, desenvolvimento ou justiça social. Quando disse que "a guerra é a continuação da política por outros meios", Carl von Clausewitz, o maior estrategista do Ocidente, supunha que primeiro se deve buscar a paz na política, na diplomacia, e que só no fracasso delas os exércitos se poriam em marcha. Se tivesse que comentar Carl von Clausewitz, Kirchner diria que a política, mesmo na democracia, "é a continuação da guerra por outros meios". MARIANO GRONDONA é jornalista. Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "La Nación" Sección: Economía Récord de importaciones desde Brasil en septiembre Llegaron a US$ 1863 millones; la industria automotriz fue clave El comercio bilateral entre los dos principales socios del Mercosur siguió creciendo fuertemente el mes pasado. En septiembre, las exportaciones argentinas a Brasil alcanzaron los 1349 millones de dólares, 25,8 por ciento más que en el mismo período de 2009. Pero el dato destacado lo dieron las importaciones desde ese mercado, que llegaron a 1863 millones de dólares, 60,5% más que en el mismo período del año pasado. Así, el saldo comercial arrojó un déficit de 514 millones de dólares para la Argentina. En septiembre de 2009, el déficit había sido de sólo US$ 89 millones. El comportamiento de la industria automotriz explica el fuerte salto de las importaciones, que alcanzaron el récord mensual desde que se lleva registro del intercambio entre los dos países. Para la ministra de Industria, Débora Giorgi, "lo que explica el incremento de las importaciones es el complejo automotor, por la sostenida demanda interna; los bienes de capital, por el aumento de las inversiones, y el mineral de hierro, que se destina a la producción industrial, ya que es un insumo fundamental de la producción siderúrgica". En efecto, los principales productos importados desde Brasil en septiembre fueron autos y autopartes, máquinas y equipos, material eléctrico-electrónico, mineral de hierro, plásticos y sus manufacturas y productos siderúrgicos. Además, según Giorgi, las cifras de las importaciones acusaron el peso de la llegada de los dos primeros aviones E-190 fabricados por Embraer y adquiridos por Aerolíneas Argentinas para sus vuelos domésticos. La evolución del déficit En cuanto al déficit, según la consultora abeceb.com, "se debe a una mayor velocidad en el crecimiento de las importaciones que de las ventas a Brasil. Estas últimas crecieron en los primeros nueve meses un 34%, mientras que las compras a Brasil aumentaron un 57,1% con relación a las adquisiciones realizadas en igual período de 2009". La ministra Giorgi destacó las cifras excepcionales del comercio bilateral puntualizando que las exportaciones argentinas a Brasil en los primeros nueve meses de este año llegaron también a su récord histórico, de 10.597 millones de dólares, un 4,3 por ciento más que el récord anterior en el mismo período, registrado en 2008. La ministra minimizó el déficit de la balanza comercial al señalar que "debido a la excepcionalidad que presentó 2009, producto de la crisis internacional, resulta más adecuado comparar los actuales flujos de comercio con 2008, así se comparan dos años de crecimiento de ambos países". Según el Ministerio de Industria, "el déficit acumulado por la Argentina en nueve meses de 2010, de US$ 2429 millones, es inferior en US$ 1130 millones (-32%) al déficit acumulado en 2008, que llegó a US$ 3270 millones". Pero para abeceb.com, consultora que sigue mensualmente la evolución del intercambio bilateral, "si bien se espera que el crecimiento de las importaciones se desacelere en los últimos dos meses del año, se estima que a fines de 2010 el resultado comercial con el país vecino será deficitario en aproximadamente US$ 3000 millones". Sobre la base de los datos preliminares difundidos por la Secretaría de Comercio Exterior de Brasil, el aumento de las exportaciones argentinas a ese mercado se explica sobre todo por los mayores envíos de manufacturas de origen industrial como autos y autopartes, máquinas y equipos, plásticos y sus manufacturas, y también por productos como trigo y mineral de cobre. US$ 1349 Millones Son las exportaciones argentinas a Brasil en septiembre; se destacan autos, trigo y mineral de cobre. US$ 514 Millones Fue el déficit que arrojó la balanza comercial bilateral para la Argentina el mes pasado. Paraguay "La Nación" Sección: Economía La economía local podría ganar si Dilma Rousseff se impone en Brasil Hay varios puntos pendientes en la agenda bilateral como Itaipú y Régimen Único Tributario (RTU). Las relaciones bilaterales con el Brasil no sufrirían drásticas modificaciones, en el caso que asuma la presidencia del vecino país la candidata oficialista Dilma Rousseff, a criterio del analista económico, Manuel Alarcón. En principio, lo más relevante es que la popularidad de "Lula" sienta las bases para que Dilma continúe con las políticas ya implementadas desde el Gobierno de Fernando Henrique Cardozo, es decir, Brasil se va a consolidar como superpotencia y como granero del mundo; lo cual es una muy buena señal para toda la región. "A partir de ahí, es positivo para el Paraguay, especialmente en el ámbito de producción, subirnos al vagón de esta súper locomotora ( refiriéndose a la economía brasileña), porque van a mantenerse como los números uno en producción de soja y carne", dijo el economista a la par de señalar que el Paraguay también puede avanzar en términos de producción de trigo, maíz y girasol. En este escenario, instó a que los sectores productivos sigan en la misma línea de los últimos años para que los productos paraguayos abastezcan el mercado brasileño y para que se puedan industrializar en Brasil atendiendo a que en Paraguay "no tenemos una política industrial definida para los próximos 4 años, que es el período de mandato presidencial en Brasil", dijo Alarcón. RELACIÓN BILATERAL El analista recordó que existen varios puntos en la agenda bilateral Paraguay-Brasil que requerirán de muchas negociaciones y juego de cintura por parte de la clase política y del cuerpo diplomático como por ejemplo Itaipú, el tema de Régimen de Tributo Único (RTU) para los sacoleiros y ya a nivel Mercosur, el tema del doble cobro y compensaciones. La única amenaza para la economía local, con el nuevo gobierno brasileño provendría por el lado fiscal, atendiendo a que una de las propuestas que toman fuerza en el país vecino es una profunda reforma tributaria que podría desencadenar en una reducción de tasas impositivas, lo que a su vez, haría más competitivo a Brasil, en términos de captación de inversiones. UN COMPROMISO Autoridades de la Itaipú Binacional manifestaron que con el cambio de representante en el gobierno de Brasil, las posibilidades de retraso en cuanto a las negociaciones de la línea de 500 Kv son mínimas, así como la posibilidad de que el proyecto quede archivado en el Parlamento brasileño. Gustavo González de la Fuente, encargado del Comité Gestor para la implementación de la línea de 500 Kv, expresó que esto es un compromiso asumido internacionalmente, por lo cual no puede dejarse de lado. Aunque no quiso dar muchos detalles, ya que "esta es una cuestión política y sólo tengo referencias técnicas", dijo. "Los compromisos están para ser cumplidos", señaló el González de la Fuente, expresando su anhelo que las negociaciones sigan su curso. "Suponemos que no variará RTU" Los empresarios de Ciudad del Este creen que las nuevas autoridades del Brasil seguirán con la misma política que viene implementando el gobierno de Inácio "Lula" da Silva, con respecto al Mercosur, por lo que sostienen que no habrá variación específicamente sobre el Régimen Tributario Unificado(RTU) para los pequeños importadores brasileños, llamados "sacoleiros". Así lo manifestó Antonio Santamaría, titular de la Fedecámaras(Federación de Cámaras del Alto Paraná). "Suponemos que el RTU es una política de voluntad política de ambos países, ya que ayudará a paliar el desempleo en el Brasil y dará más oportunidad a los negocios en Paraguay. Pero nos preocupa el desarrollo tecnológico muy rápido que están teniendo muchas mercaderías y como la lista de productos a ser beneficiados con el RTU es de 2 años atrás, muchas de las mercaderías están desfasadas hoy. El problema es cómo se hará para cambiar, teniendo en cuenta que la Receita Federal es la que deberá estar de acuerdo", apuntó Santamaría.

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1º.10.2010 Jornal ‘Folha de S. Paulo" Editorial Política externa Objetivos do Itamaraty estão corretos, mas sua execução perdeu-se em maniqueísmos, contradições e exibicionismo que é necessário superar Toda política de um Estado em face dos demais países implica conciliar duas vertentes nem sempre acordes. De um lado, o interesse nacional, manifesto em necessidades de ordem econômica e apoiado, em última análise, na capacidade militar. De outro, o respeito a princípios que deveriam valer para todos os Estados. No âmbito da civilização ocidental, a que bem ou mal pertencemos, esses princípios são os direitos humanos, a autodeterminação dos povos e a resolução negociada, pacífica até o limite extremo, dos conflitos internacionais. Quanto mais harmônica for a relação entre os dois termos daquele dilema, mais eficaz será a política externa que a expressa e mais promissora a contribuição do Estado que a adota para a humanidade. É sob esse prisma que se deve avaliar a administração das relações exteriores do Brasil. O Itamaraty tem acertado, na gestão petista como na tucana, ao enfatizar que o mundo evolui para uma dinâmica multipolar de poder, e ao aproveitar oportunidades que propiciem a países em desenvolvimento maior peso nos rumos da política internacional. Se os objetivos estão corretos, o mesmo não se pode dizer do modo de alcançá-los durante o período Lula. Desvirtuou-se nossa política externa ao ser empregada para aplacar frustrações da militância partidária doméstica, erro acentuado pelo maniqueísmo tosco que tantas vezes prevaleceu nas decisões do presidente e de seus auxiliares. Poucas vezes fomos tão incongruentes. Adotamos petulante rigor democrático, por exemplo, na crise de Honduras, mesmo depois de o país centro-americano realizar eleições livres, ao passo que festejamos ditaduras repulsivas como a teocracia do Irã e cultivamos, por sentimentalismo ideológico, não apenas o regime fossilizado de Cuba como seus imitadores autoritários na América do Sul. O acervo de votos do Brasil nos foros internacionais que tratam de direitos humanos acumula equívocos, omissões e derrotas. Temos um contencioso amplo e inevitável com os Estados Unidos, que só tende a crescer conforme o Brasil ganha dimensão comercial e geopolítica. Nenhum motivo recomenda incrementar artificialmente, por mero exibicionismo diplomático, uma frente de atritos já em si considerável. Em relação ao Oriente Médio, a presença de expressivas comunidades de origem judaica e árabe em nossa sociedade, conjugada à distância que nos aparta daquela área conflagrada, deveria ditar uma política isenta, limitada a apoiar a negociação entre as partes. Depois de frenéticas e fúteis gestões numa região onde não temos interesse, perdemos isenção e credibilidade. Tais percalços foram compensados pelo prestígio internacional que apesar deles continua a cercar o presidente Lula, com base no forte simbolismo de sua trajetória pessoal. Um(a) novo(a) presidente terá ocasião de corrigir os rumos de nossa diplomacia, que precisa ser mais eficiente no apoio à expansão comercial do país e menos contraditória na aplicação de princípios universais. Caderno: Mundo Revolta policial leva tensão ao Equador Presidente Rafael Correa se diz vítima de golpe e é hospitalizado após inalar gás; pelo menos uma pessoa morre Governo decreta estado de exceção após motim; rebelados constroem barricadas e fecham o aeroporto da capital FLÁVIA MARREIRO DE CARACAS A rebelião de um grupo da Polícia Nacional do Equador, apoiada por ao menos uma facção militar, levou o governo equatoriano a decretar estado de exceção em todo o país por cinco dias. Os rebeldes tomaram quartéis, os principais aeroportos internacionais e a Assembleia Nacional. Na capital Quito e em Guayaquil, centro econômico do país, saques e distúrbios foram registrados. Segundo o governo, uma pessoa morreu e 6 ficaram feridas na confusão. A Cruz Vermelha informou que os feridos chegam a 50. Em dificuldades políticas, o presidente esquerdista Rafael Correa classificou a ação como uma tentativa de golpe de Estado. Correa disse ainda que estava sendo feito refém no hospital militar para onde foi levado, após ter sido alvejado com bombas de gás lacrimogêneo e uma garrafa pelos rebeldes, em Quito. O suposto sequestro também foi denunciado pelo chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, e pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que falou com Correa por telefone. À rádio pública, por telefone, Correa fez um apelo: "Não vou retroceder. Se querem, venham me buscar". Às 21h (23h de Brasília), militares que tentavam tirar Correa do hospital deram início a enfrentamento com a polícia. Em meio aos confrontos, Correa foi retirado do prédio. Ele foi direto para o palácio presidencial onde, diante de centenas de aliados, fez um discurso inflamado. O presidente disse que a lei não vai ser revogada e que os policiais serão punidos. "[Ver] Uma nação de opereta onde a força pública sequestra seu comandante em chefe e ataca ao povo que deveria proteger... Esse é um dia triste", afirmou. BENEFÍCIOS CORTADOS A rebelião teve início pela manhã, quando policiais tomaram um regimento na capital. O motivo alegado foi a ratificação, na véspera, de uma lei que acaba com o pagamento de bônus por condecoração a oficiais da polícia e das Forças Armadas. Os rebelados exigiam ainda a destituição do comando da força de 20 mil homens, que é subordinada ao Ministério de Governo (equivalente à Casa Civil brasileira). Em horas, os rebeldes haviam ateado fogo em pneus e erguido barricadas em Quito, Guayaquil e outras cidades. Ainda pela manhã, Correa foi ao encontro de um grupo de manifestantes e tentou estabelecer diálogo, mas sofreu ofensas verbais e foi alvo das bombas de gás que o levariam ao hospital. Irado, Correa reagiu e desafiou os policiais: "Se vocês querem matar o presidente, aqui está ele! Matem-me!". Correa atribuiu a rebelião à influência do ex-presidente equatoriano Lucio Gutierrez -que rejeitou a declaração, em Brasília, à agência Efe. Os protestos foram engrossados por militares dissidentes. Mas o chefe das Forças Armadas, Ernesto González, garantiu lealdade a Correa. O presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Omar Simon, também garantiu respaldo a Correa e afirmou falar em nome ainda da Corte Nacional de Justiça, da Assembleia Nacional e da Procuradoria-Geral. EXCEÇÃO Relatos davam conta de saques a bancos e supermercados. As aulas foram suspensas em Quito. Em Guayaquil, todo o comércio continuava fechado ontem à noite, apesar de os militares terem começado a ocupar as ruas, incumbidos da segurança pública. Todos os canais de rádio e TV do país foram postos em cadeia nacional, comandada pela emissora oficial, a EcuadorTV. Foi imposto ainda um toque de recolher. A atual rebelião remete ao histórico recente de instabilidade política no país. Desde 1997, três presidentes foram destituídos em golpes militares ou pelo Congresso. Brasil trabalha para tentar evitar "nova Honduras" Amorim teme que revolta seja aproveitada por "golpistas e aventureiros" Por conta das eleições deste domingo, Lula descartou participar de reunião da Unasul para tratar do Equador CLÓVIS ROSSI COLUNISTA DA FOLHA O ministro Celso Amorim explicou ontem à Folha todos os rápidos movimentos da Chancelaria brasileira e de outros países latino-americanos em relação à crise equatoriana como um meio para "não cair em uma situação como a de Honduras". Traduzindo: a demora dos países americanos em reagir ao golpe que depôs o presidente Manuel Zelaya "tornou difícil reverter a situação", como diz Amorim. Na verdade, tornou impossível. Zelaya não voltou mais ao poder. O comentário põe em evidência o receio de que a revolta dos policiais seja aproveitada por "golpistas e aventureiros, que sempre estão prontos para agir em meio à confusão". Receio reforçado por um fator: por mais que o comando das Forças Armadas tenha dado o habitual respaldo retórico ao presidente, não havia agido, até o fim da tarde, para fazer cessar a situação de virtual sequestrado em que se encontrava Rafael Correa. Tampouco havia liberado os aeroportos de Quito e Guayaquil. Por esse motivo, aliás, uma reunião de chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), que se cogitava fazer em Guayaquil, acabou se transferindo para Buenos Aires. E se transformou em reunião presidencial, prevista para a noite de ontem, mas da qual estariam ausentes tanto Lula, pelo envolvimento na eleição de domingo, como o próprio Amorim, que está no Haiti. Também por inspiração do Itamaraty, os embaixadores da Unasul em Quito estavam se preparando no início da noite para se reunir ou com o próprio Correa ou pelo menos com o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño. Os embaixadores avaliavam se haveria espaço para conversar com os comandantes militares para lhes transmitir diretamente a mensagem da resolução aprovada ontem mesmo pela Organização dos Estados Americanos. O documento respalda "unanimemente o governo constitucional de Rafael Correa" e repudia "qualquer tentativa de alterar a institucionalidade democrática". A conversa com os comandantes militares teria precisamente o objetivo, na análise de Amorim, de evitar que um movimento policial "se transforme em golpe militar". Os militares ficariam avisados de que o Equador cairia no total isolamento. O aviso também foi dado aos golpistas hondurenhos, mas não resolveu nada. Desta vez, no entanto, há diferenças: as acusações de que Correa pretenda "bolivarianizar" o Equador são mais débeis do que acontecia em Honduras com Zelaya. E o mundo político, mesmo o de oposição, não se envolveu na sedição da polícia. Pelo menos por enquanto. Jornal "Correio Braziliense" Opinião O olhar do outro Ricardo Seitenfus Representante especial do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti A intensa, reformista e ecumênica política exterior brasileira dos últimos oito anos constitui a principal contribuição do governo Lula aos debates sobre os rumos do Brasil. No início, o mundo mirou com complacência a movimentação do país no cenário internacional; depois, com curiosidade; finalmente deitou um olhar de admiração e esperança. A experiência atual não é fogo de palha como o que ardeu, durante escassos meses, quando da denominada "política externa independente" do início da década de 60 do século passado. O anúncio dos princípios que orientariam a atuação externa foi seguido de sua aplicação e operacionalização. Muitos são os exemplos a transferir do campo das ideias para o cotidiano: 1) foi aplicado o princípio da reciprocidade para exigir dos estrangeiros que desejassem ingressar no Brasil o mesmo exigido dos brasileiros quando viajassem ao exterior; 2) a democratização do acesso à carreira diplomática; 3) a firme posição de não aceitar a continuidade da liberalização seletiva do comércio internacional, preconizada pelos Países industrializados. Ou seja, somente participaríamos dos esforços da OMC se, finalmente, houvesse diminuição das medidas protetoras dos mercados consumidores dos nossos produtos. Nasce, nessas circunstâncias, o Grupo dos 20 (G-20), que revoluciona a dinâmica e a metodologia das negociações comerciais internacionais; 4) a criação de instrumentos de cooperação com países até então negligenciados. Esses objetivos foram buscados por obsessiva busca de diálogo e de negociação sem discriminações, vendo-se o mundo como ele é com a esperança de que um dia ele possa transformar-se no que gostaríamos que viesse a ser. Ao final do governo Lula, o mundo volta a interrogar-se sobre a sustentabilidade dessa inovadora política externa. Se tratou simplesmente de um experimento de autonomia ou se teria conseguido ela enraizar-se e hoje ser uma política de Estado? Eventual vitória da candidata da situação poderia ser interpretada como uma afirmação do que foi feito: teríamos mais do mesmo. Todavia, a partir de 1º de janeiro 2011, a situação será muito diferente, comparada a 2002. Sem seu símbolo e principal inspirador, o novo governo deverá encontrar um caminho próprio. Além disso, enfrentará obstáculos não transpostos: as hesitações na afirmação do Mercosul como verdadeira união aduaneira e o compromisso de transformá-lo em mercado comum; a inadiável necessidade de cooperação judicial e policial transfronteiriça no combate ao narcotráfico; a reforma das instituições internacionais, especialmente do Conselho de Segurança das Nações Unidas; a definição de uma estratégia a médio prazo que possibilite ao Haiti recuperar sua soberania, ser reconstruído social e economicamente e que as forças militares brasileiras possam ser retiradas sem colocar em risco a estabilidade política daquele país. Caso a oposição vença as próximas eleições, poderíamos afirmar que o Norte voltaria a ser o nosso norte. Retornaríamos a uma política externa duplamente reacionária, no sentido, por um lado, de somente reagir aos acontecimentos internacionais e, por outro, de voltar a ser mais um freio do que um acelerador das indispensáveis mudanças nas relações internacionais. Esse o panorama que estará sob o olhar estrangeiro no próximo domingo. Independentemente da vencedora ou do vencedor, há uma certeza: o Brasil tornou-se um país previsível, no qual a disputa eleitoral desempenha unicamente o papel que é o seu nas democracias modernas e consolidadas. Não é mérito menor termos alcançado a estabilidade política, o crescimento econômico e uma melhor distribuição da riqueza, sem sermos obrigados a vender nossa alma. Caderno: Mundo Vizinhos articulam o apoio Blocos regionais fazem reuniões de emergência e condenam ameaça à ordem constitucional democrática Isabel Fleck Uma intensa rede de contatos foi acionada rapidamente na região logo após os ataques ao presidente equatoriano, Rafael Correa, na manhã de ontem. Em poucas horas, foram convocados encontros extraordinários da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que reuniu altos representantes dos países-membros em Buenos Aires, durante a noite. As duas entidades, assim como o Mercosul, divulgaram mensagens de apoio a Correa e condenaram qualquer tentativa de ameaça ao poder constituído. Do Haiti, onde se encontrava em visita oficial, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, conversou com o colega equatoriano, Ricardo Patiño, e ajudou a coordenar a mobilização dos países vizinhos. "É muito importante que a nossa região tenha reagido rápido aos eventos no Equador. Não vamos tolerar afrontas ao processo democrático e à autoridade civil de um governo legitimamente eleito", disse Amorim à imprensa em Porto Príncipe. O Brasil foi um dos primeiros países a serem procurados pelo governo de Correa para ajudar na costura de um apoio coordenado entre os sul-americanos. Em seguida ao violento incidente envolvendo o presidente do Equador, Patiño telefonou ao embaixador do Brasil em Quito, Fernando Simas Magalhães, em busca de respaldo. "O que eles pediram a nós foi uma mobilização de ordem diplomática em solidariedade ao estado de direito", disse Magalhães ao Correio. A embaixada, no entanto, negou que tenha sido feita qualquer solicitação de asilo ou abrigo. Durante a noite, altos representantes dos governos da Unasul, convocados pela presidenta argentina, Cristina Kirchner, reuniram-se em Buenos Aires para aventar uma resposta a uma possível ameaça ao governo de Correa. O Brasil foi representado pelo secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, já que o ministro Amorim estava no Haiti e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participava de um comício da candidata governista, Dilma Rousseff, no estado de São Paulo. Lula não chegou a telefonar para o colega equatoriano durante o dia, mas, segundo o Planalto, teria recebido detalhes sobre o incidente em Quito por parte do venezuelano Hugo Chávez, para quem ligou pela manhã. Antes da reunião, a Unasul já havia afirmado, por meio de nota, que a América do Sul não vai "tolerar" qualquer pressão ou ameaça sobre governos eleitos democraticamente por parte de setores que não querem perder privilégios. "Seria um gravíssimo retrocesso para a região que voltássemos àquelas épocas em que as minorias impunham suas decisões pelo uso da força", destaca a nota, assinada pelo secretário-geral do bloco, Néstor Kirchner. O Mercosul, manifestou "profunda preocupação" com a situação no Equador e "exigiu" o imediato retorno da normalidade constitucional. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que convocou de forma extraordinária os países-membros para uma reunião, na tarde de ontem, denunciou o "golpe de Estado em andamento" no Equador, e conclamou os países a dar uma resposta "contundente". Separadamente, líderes da região também manifestaram apoio a Correa. No caso de Chávez e do boliviano Evo Morales, a mensagem veio acompanhada de uma acusação a Washington. "Os governos que têm levantado a bandeira do socialismo democrático têm estado na mira da extrema direita, cujo amo sabemos onde está: em Washington", disse o venezuelano à emissora de TV Telesur. "Como sempre, os adversários políticos da América Latina, aliados do governo dos EUA, tentam acabar com mandatos. Quando não conseguem por referendo, (tentam) com golpe de Estado. A história se repete", afirmou Morales. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou em comunicado que Washington "expressa seu total apoio ao presidente Correa e às instituições do governo democrático" no Equador. "Convocamos todos os equatorianos a se unirem e trabalharem (…) para alcançar uma restauração pacífica e rápida da ordem", disse. Instabilidade crônica rebelião dos policiais, com seus desdobramentos, expôs mais uma vez as raízes de uma instabilidade política que levou o Equador a ter oito presidentes no intervalo de 10 anos — desde meados da década de 1990, quando economia adernava, em crise financeira aguda. Foi nesse quadro que, 1997, o Congresso destituiu da Presidência o populista Abdalá Bucarám, declarado "mentalmente incapaz" — ele tinha sido eleito menos de um ano antes. A vice, Rosalía Arteaga, assumiu o poder brevemente, até que o Legislativo nomeou como interino Fabián Alarcón, encarregado de conduzir eleições antecipadas, em 1998. O eleito, Jamil Mahuad, adotou em 2000 a dolarização da economia, com a extinção da moeda local, o sucre. A medida teve impacto imediato e em cadeia nos preços de combustíveis, transportes, alimentos e todos os gêneros de primeira necessidade. Foi o bastante para deflagrar protestos e distúrbios violentos, que resultaram em uma rebelião indígena, apoiada por oficiais do Exército liderados pelo coronel Lucio Gutiérrez. Os revoltosos chegaram a proclamar um governo provisório, mas a cúpula militar o destituiu e encarcerou por seis meses — o coronel foi libertado sem responder a nenhuma acusação. O Congresso deu posse ao vice, Gustavo Noboa, que concluiu o mandato de Mahuad. Na eleição de 2002, Gutiérrez apresentou-se à frente de uma coalizão indígena-nacionalista e derrotou o milionário do setor bananeiro Álvaro Noboa. A aliança do coronel com a base esquerdista se rompeu após três meses de governo, com a decisão do presidente de manter a política econômica — inclusive a dolarização — e aderir à proposta norte-americana da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A campanha de protestos nas grandes cidades e nas estradas foi retomada. No plano institucional, adversários de esquerda e direita uniram-se no esforço para destituir Gutiérrez. Lucio Gutiérrez foi afastado em abril de 2005, em meio a outra onda de distúrbios, em sessão parlamentar realizada fora da sede do Congresso e na presença apenas de legisladores da oposição. Com apoio também da cúpula militar, foi empossado o vice, Alfredo Palácio. Gutiérrez, a essa altura respondendo a processos por enriquecimento ilícito, desvio de verbas oficiais e nepotismo, pediu asilo na embaixada brasileira em Quito e exilou-se em Brasília por dois meses. Depois de renunciar ao asilo, mudou-se para o Peru e depois para os EUA. Chegou a pedir asilo à Colômbia, mas em outubro retornou ao Equador, proclamando-se presidente legítimo. Gutiérrez foi preso no desembarque e acusado de tentar subverter a ordem constitucional, mas foi novamente inocentado e saiu da prisão, graças a um entendimento entre seus partidários e a direita. Na eleição presidencial de outubro de 2006, o coronel apoiou seu irmão, Gilmar, que foi o terceiro colocado. O ex-presidente passou a engrossar a oposição ao vencedor e atual mandatário, o esquerdista Rafael Correa, e enfrentou-o no pleito de 2009, que se seguiu à adoção da nova Constituição. Com 27% dos votos, Lucio Gutiérrez perdeu para Correa e denunciou fraude. Jornal "Valor Econômico" Caderno: Especial Voto em trânsito de 80,4 mil eleitores será testado pela 1ª vez A eleição em trânsito será a grande novidade do processo de votação do domingo. Ela será testada pela primeira vez e a expectativa é que, se der certo, seja ampliada para as próximas eleições. Ao todo, 80.494 eleitores formalizaram pedidos para votar longe de seus domicílios eleitorais. Entre eles, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, que pediu para votar em Brasília, onde vai monitorar o andamento das eleições, no dia 3, em vez de São Paulo, onde possui título de eleitor. O número é pequeno se comparado aos 135 milhões de eleitores. Mas o voto fora do domicílio eleitoral deve crescer nas próximas eleições, caso a experiência dê certo neste ano. Além desses 80 mil, há outros 76.528 pedidos de voto em trânsito, se houver segundo turno. São Paulo, Brasília e Belo Horizonte são as campeãs de pedidos de votos em trânsito. Nas últimas eleições, em 2008, quando houve votação para prefeito, a novidade foi a urna biométrica - a identificação de eleitores pela impressão digital. Ela foi testada em apenas três cidades: Colorado do Oeste (RO), Fátima do Sul (MS) e São João Batista (SC). A experiência foi considerada bem-sucedida pelo TSE. Para o tribunal, este é o sistema mais seguro de votação, pois impede qualquer tentativa de fraudes na identificação dos eleitores. Neste ano, a Justiça Eleitoral expandiu o sistema biométrico para 60 cidades, em 23 Estados. Ao todo, mais de 1,1 milhão de eleitores serão identificados pela impressão digital. A expectativa é que até 2018 todos os municípios brasileiros já realizem eleições com a tecnologia de identificação digital. Para tanto, terão de fazer um cadastro prévio dos eleitores. Apesar de a votação deste domingo prever inovações que são consideradas positivas pelo TSE, haverá um passo para trás. A Justiça Eleitoral terá de retomar o voto impresso - uma experiência mal-sucedida na votação de 2002. Naquele ano, os eleitores do Distrito Federal, de Sergipe e de mais alguns municípios receberam, logo após sair da cabine das urnas, um papel com o teor de seus votos. A experiência foi trágica, com atrasos no processo de votação nesses locais, pois muitas máquinas impressoras quebraram ou demoraram para confirmar o voto. O ministro Sepúlveda Pertence, que era vice-presidente do TSE, demorou algumas horas para votar e criticou pessoalmente o sistema. Mesmo assim, a impressão do voto foi retomada pela reforma eleitoral aprovada, no ano passado, pelo Congresso. O TSE fez um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que vetasse o voto impresso, mas o pedido não foi acolhido. A votação deste domingo deve marcar um recorde de observadores internacionais. Mais de 150 autoridades de governos do exterior e de ONGs vão estar no Brasil. Ao todo, representantes de 36 países vão acompanhar as eleições. Entre os observadores, estão representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Parlatino e do Parlamento do Mercosul, além de ONGs da África, do Haiti, universitários do Irã e da Turquia. As maiores delegações são da Argentina e do México. A Rússia quer informatizar suas eleições, em 2015, e vai acompanhar a votação no Brasil. Já a Itália estuda permitir a urna eletrônica para que os italianos residentes no Brasil possam votar para a Presidência daquele país, em 2012. Entre 2002 e 2008, houve 20 observadores, em média, em cada uma das quatro eleições deste período. Foram registrados representantes de, no máximo, 35 países. A Justiça Eleitoral vai mobilizar mais de 2,1 milhões de mesários no domingo para atender aos 135 milhões de eleitores. Serão distribuídas 54,2 milhões de "colas" impressas para os eleitores marcarem os números dos seus candidatos. Mais de 500 mil urnas serão utilizadas. Vinte mil pessoas vão à urnas em prisões e 200 mil brasileiros vão votar no exterior, em 154 cidades. Em 25 municípios brasileiros, haverá a presença de forças federais para impedir conflitos durante a votação. As forças vão atuar em sete Estados, no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Amazonas, por exemplo, elas vão estar em Manaus, Carauari, Tefé, Parintins, Itacoatiara, Boca do Acre e Eirunepé. No Piauí, as forças vão se deslocar em 17 zonas eleitorais. No Tocantins, o reforço será em aldeias indígenas na região de Goiatins. Ao fim do processo eleitoral, serão eleitas 1.682 pessoas: um presidente, 27 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais, 1059 deputados estaduais e 24 distritais. Essas 1.682 vagas estão sendo disputadas por 21.813 candidatos. São: nove candidatos à Presidência, 171 candidatos a governador, 276 concorrentes ao Senado, 6.057 candidatos à Câmara dos Deputados, 14.418 concorrentes a deputado estadual e 882 para deputado distrital. (JB) Caderno: Internacional Chávez faz Venezuela depender ainda mais do petróleo Setor não petroleiro encolhe, apesar das promessas de diversificação feitas pelo governo Daniel Rittner | De Caracas A recuperação da economia venezuelana, que deverá encolher pelo segundo ano seguido em 2010, divide os analistas. O certo é que, nos 11 anos sob administração do presidente Hugo Chávez, a Venezuela acentuou sua dependência do petróleo. As exportações de óleo bruto, gás e derivados representavam 78% das vendas totais ao exterior em 1999, o primeiro ano da "era Chávez". Em 2010, em meio à retração da indústria local, essa participação alcançará 96%. Outro indicador importante, segundo o economista Asdrúbal Oliveros, diretor da consultoria Ecoanalítica, mede o déficit comercial do país excluindo-se o setor petrolífero. De 12% do PIB, em 1998, passou-se para 20% neste ano. "Hoje a Venezuela é mais dependente do petróleo." Com preços do petróleo estáveis e produção estagnada por falta de novos investimentos na estatal PDVSA, a economia sofreu os efeitos da recessão global e do racionamento de energia elétrica. O PIB deverá cair perto de 2% em 2010, mas iniciou uma tímida recuperação no segundo trimestre. A dúvida é se as taxas de crescimento observadas entre 2005 e 2009, quando a economia se expandiu a um ritmo médio de 6%, poderão reaparecer. Sim, é a resposta do Center for Economic and Policy Research, de Washington. Apesar da hostilidade à comunidade empresarial, a taxa de investimento ainda é alta para padrões internacionais - foi de 28% em 2009 - e sempre se recuperou rapidamente quando a economia deu sinais de sair da recessão. Foi assim, lembra o centro de estudos, até em 2003, quando a crise política atingiu seu auge. "Isso indica que muitos investidores domésticos, quando veem a possibilidade de ter lucros no país, aproveitam a oportunidade. Embora a maioria dos homens de negócios na Venezuela seja conservadora e contra o governo, também pode ser pragmática. A probabilidade de que qualquer investidor perca dinheiro com desapropriações continua sendo muito pequena", dizem os analistas Rebecca Ray e Mark Weisbrot, em estudo recém-divulgado sobre o país. Com a desvalorização do bolívar, eles argumentam que a indústria conseguirá recuperar boa parte da competitividade perdida com a taxa de câmbio elevado e fazer frente às importações de certos produtos acabados. Outro ponto sublinhado pelos dois analistas: a inflação, apesar de a mais alta da América Latina, praticamente estacionou em um índice anualizado de 26%. Por um lado, contrariou as expectativas de quem estimava até 60% de alta após a maxidesvalorização de janeiro. Por outro, é um índice considerado alto demais para uma economia desaquecida. "Há um cenário de estagflação prolongada, que nem a literatura econômica contempla", diz Oliveros. Ele prevê queda de 2,4% em 2010 e crescimento de 1,4% em 2011, com inflação de até 30%. "Pode haver uma flutuação em torno de crescimento zero, mas nada forte nem sustentável", avalia Orlando Ochoa, que é professor da Universidade Andrés Bello e é ligado à oposição. "Não pode haver recuperação via demanda." Para os chavistas mais radicais, olhar simplesmente esses indicadores induz ao erro de análise. "Temos o diesel mais barato do mundo, as tarifas de eletricidade não sobem desde 2007 e os indicadores sociais melhoraram, mas o mercado capitalista não leva isso em consideração", diz Eduardo Samán, ex-ministro do Comércio e hoje editor de economia do "Diario Vea", defensor do governo de Chávez. De fato, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe da ONU (Cepal) informou recentemente que a Venezuela foi o país da região que mais diminuiu as desigualdades sociais entre 2002 e 2008. A população que vive em condições de pobreza, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, diminuiu de 48% em 1999 para 28% em 2009. Para fomentar o crédito - ou, na visão dos economistas mais críticos, simplesmente para repor artificialmente o poder aquisitivo da classe baixa, comprometido pela inflação -, Chávez entregou na semana passada os primeiros "cartões de crédito bolivarianos". Trata-se da chamada "Cédula del Buen Vivir". Os cartões servirão para a compra de alimentos e eletrodomésticos em supermercados estatais. As compras poderão ser parceladas em 24 meses, com juro anual de 15%. Segundo o governo, cerca de 20% a 30% dos 650 mil clientes dos bancos estatais deverão receber o cartão. Para Orlando Ochoa, isso deve ter pouco reflexo na atividade econômica. Até porque a demanda será atendida por 300 mil eletrodomésticos importados da China, sem acabamento local. "O efeito é mais psicológico do que real. Para os funcionários públicos, que tiveram o poder aquisitivo deteriorado e são alvo do programa, certamente há algum impulso. Mas isso é totalmente insuficiente para tirar a economia da crise", observa. A China também é citada por economistas que se preocupam com o endividamento da Venezuela. O país contraiu empréstimo de US$ 20 bilhões com os asiáticos, que serão pagos com o fornecimento de petróleo. De acordo com José Guerra, ex-gerente de pesquisas econômicas do Banco Central, a PDVSA precisará entregar 250 mil barris em 2011 à China sem receber nenhum dólar em troca, já que o pagamento foi antecipado. Outros economistas ponderam que a dívida pública total é de apenas 18,4% do PIB e que as reservas internacionais - em US$ 28 bilhões - são suficientes para pagar seis meses de importações, o que daria relativa tranquilidade. Geralmente, quando as reservas ultrapassam US$ 28 bilhões, o BC transfere o excedente a um fundo de uso discricionário do governo. Rebelião policial convulsiona o Equador Presidente Rafael Correa, que foi ferido e estava retido em hospital, denunciou uma tentativa de golpe De São Paulo O Equador foi sacudido ontem por violentos protestos de policiais, que se insubordinaram contra a redução de salário e benefícios. O presidente Rafael Correa ficou ferido nos distúrbios, foi hospitalizado e se disse "sequestrado" pelos policiais. Ele acusou a oposição e denunciou uma tentativa de golpe, mas parece não ter havido uma articulação para derrubá-lo. O governo declarou estado de exceção. Os países da região e os EUA anunciaram apoio a Correa. Com a paralisação da polícia, que começou em Quito e se alastrou por várias cidades, houve saques pelo país. Segundo o governo, ao menos uma pessoa teria morrido. O aeroporto da capital só reabriu no início da noite de ontem. O Banco Central do país pediu à população que não corresse aos bancos para sacar dinheiro. Durante o dia, houve interrupção parcial em serviços de comunicação. O distúrbio começou quando policiais se sublevaram e tomaram o principal destacamento policial de Quito, em protesto contra um projeto do governo que cortaria salários e benefícios. Correa discursou exaltado contra os manifestantes, no Palácio Presidencial. A certa altura, gritou: "Se vocês querem matar o presidente, matem-no", abrindo a camisa e mostrando o peito. Em seguida, Correa foi ao destacamento tomado pelos policiais, para tentar negociar. Foi quando houve empurra-empurra e o presidente acabou agredido e intoxicado por gás lacrimogêneo. Correa foi levado ao Hospital da Polícia, que acabou cercado pelos manifestantes. Em contato telefônico com o presidente da Venezuela e com a mídia local, ele disse estar "sequestrado" pelos policiais. Não há confirmação independente dessa situação. Correa denunciou uma tentativa de golpe e acusou a oposição, ainda que nenhum líder opositor tenha se manifestado pela deposição do presidente. Autoridades alegam, porém, que a rebelião policial foi preparada com antecedência, ainda que não haja evidência de participação de opositores nem de militares. Durante a tarde, autoridades convocaram simpatizantes de Correa para que saíssem às ruas em defesa do presidente. Com isso, houve choques com os policiais, e ao menos uma pessoa teria morrido. Até a noite de ontem, Correa se encontrava ainda retido no hospital. Ele disse que se recusou a negociar com líderes da rebelião, que exigiam o recuo do governo no projeto de corte de salários. E que não queria uma operação para resgatá-lo, para evitar mais violência. O comandante das Forças Armadas, general Ernesto González, afirmou que os militares permaneciam leais ao presidente, apesar de alguns oficiais da Força Aérea terem aderido ao protesto da polícia. Tropas foram acionadas na tarde de ontem para retomar o aeroporto de Quito, que havia sido ocupado e fechado pelos rebelados. As Forças Armadas, porém, não saíram às ruas para implementar o estado de exceção, que não foi obedecido pelos policiais sublevados. Os governos dos principais países da região, inclusive Brasil e EUA, manifestaram incondicional apoio a Correa. A OEA marcou uma reunião de emergência para tratar da crise no Equador. Empresas e entidades setoriais afirmaram que a produção de petróleo e de minérios no país não foi afetada pelos distúrbios. Correa assumiu em 2007, após uma década de forte instabilidade política que levou à destituição de três presidentes em meio a protestos populares. Ele prometeu uma "revolução cidadã", seguindo o ideário do venezuelano Hugo Chávez. Mas enfrenta uma oposição, política e de setores da economia, mais bem articulada que na Venezuela. Nos últimos meses, Correa tem tido dificuldade de aprovar os projetos do executivo no Congresso. (Com agências internacionais) Jornal "O Estado de S.Paulo" Caderno: Internacional Líderes vão à Unasul em defesa de equatoriano Maioria dos presidentes da região partiu ontem mesmo para reunião na Argentina Convocados pela Unasul para um encontro de emergência na sede da organização, em Buenos Aires, os primeiros presidentes sul-americanos chegaram ontem à noite à Argentina. O grupo deve definir hoje uma estratégia para assegurar que o líder equatoriano, Rafael Correa, permaneça no poder. O Brasil será representado na reunião de chefes de Estado pelo ministro interino das Relações Exteriores, Antonio Patriota.José Jácome Rivera/EFEProtesto. Policiais queimam pneus no Regimento de Polícia de Quito; agentes discordam da perda dos incenticos profissionais "A situação no Equador é uma ameaça à democracia na América Latina e a seus povos. Não vamos permitir (um golpe). O limite é Honduras", disse o chanceler argentino Héctor Timerman. Ontem à noite, havia expectativa pela chegada dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, da Colômbia, Juan Manuel Santos, do Chile, Sebastián Piñera, e do Peru, Alan García. O uruguaio José Mujica foi o primeiro a desembarcar em Buenos Aires para a reunião, que seria presidida pela argentina Cristina Kirchner. O secretário-geral da Unasul, Néstor Kirchner, expressou seu compromisso com Correa ante a tentativa de "sublevação da ordem constitucional de setores corporativos das forças de segurança". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu sua ausência à campanha eleitoral brasileira (mais informações ao lado). O paraguaio Fernando Lugo também não comparecerá, por causa do tratamento que se submete contra um câncer. Em nota, o Itamaraty disse ontem que "o governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda preocupação, dos graves acontecimentos no Equador". Acrescentou ainda que "o Brasil deplora os atos de violência e de desrespeito às instituições e condena energicamente todo e qualquer tipo de ataque ao poder civil legitimamente constituído e à ordem constitucional do Equador". Por fim, a nota apela para que "seja restabelecida de imediato a ordem interna no Equador, com pleno respeito à democracia e aos direitos humanos". Diversos governos manifestaram ontem sua preocupação com a possibilidade de um golpe de Estado no Equador. O da Espanha, por meio do chanceler Miguel Ángel Moratinos, disse que seu país "não permitiria que isso ocorresse". O regime cubano também defendeu a normalidade democrática na região e desafiou os Estados Unidos a condenarem a rebelião militar equatoriana. Horas depois, os americanos deram "seu firme apoio" ao presidente Rafael Correa e pediram a restauração da ordem no Equador. "Washington deplora a violência e o caos e expressa seu completo apoio ao presidente Rafael Correa e ao governo democrático no Equador", disse a secretária americana de Estado, Hillary Clinton. "Pedimos a todos os equatorianos que se unam e trabalhem com base nas instituições democráticas para obter a rápida e pacífica restauração da ordem", completou a chefe da diplomacia americana. A representante de Washington na Organização dos Estados Americanos (OEA), Carmen Lomellin, já havia condenado "qualquer tentativa de violação do processo democrático e da ordem constitucional no Equador". "Apoiamos o governo democrático no Equador. Apoiamos o governo do presidente Correa (...) e alentamos à resolução da disputa por meio do respeito e do diálogo envolvendo todas as partes". Os países membros do Mercosul condenaram "de maneira veemente" os protestos militares de ontem no Equador e pediram a restauração imediata da ordem constitucional no país sul-americano. Em comunicado emitido pelo Mercosul no começo da noite desta quinta-feira, o bloco expressou "profunda preocupação com os sérios eventos que estão ocorrendo hoje no Equador". "As ações representam uma clara tentativa de insubordinação constitucional por setores das forças de segurança naquele país", disseram autoridades do Mercosul em nota oficial. Resposta da OEA. Escaldada pelo impacto de seu atraso em responder à crise política de Honduras, em junho de 2009, a OEA aprovou por unanimidade ontem uma resolução de "repúdio a qualquer tentativa de rompimento da ordem institucional" no Equador e de "firme respaldo ao governo constitucional" do presidente Rafael Correa. O texto não chegou a mencionar diretamente que havia, ontem, uma tentativa de golpe de Estado no Equador, apesar de o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, ter dito que se tratava de um golpe. Os Estados Unidos, o México e até mesmo o Brasil evitaram qualificar de golpe a rebelião dos policiais equatorianos, que condenaram abertamente. Mas a versão sobre um golpe em andamento foi apresentada pela embaixadora do Equador, María Izabel Salvador, e defendida por representantes de países como Venezuela e Bolívia durante a reunião extraordinária do Conselho Permanente da organização. "Não há dúvidas de que essa é uma tentativa de golpe de Estado", declarou o chileno Insulza, logo após a aprovação da proposta de resolução. "Estamos diante de uma situação muito grave. Temos de evitar que esse golpe venha se consumar." O Conselho Permanente continuará mobilizado até que a situação no Equador volte à normalidade. A qualquer momento, os representantes dos 34 países-membros podem ser convocados para uma nova reunião. Segundo a Carta Democrática Interamericana, o Equador pode ser suspenso da OEA se o golpe se efetivar, como ocorreu com Honduras no ano passado, quando o presidente Manuel Zelaya foi deposto. Em paralelo à ação da OEA, o Chile trabalhava na redação de um comunicado de condenação do Grupo do Rio à sublevação no Equador. Jornal "O Globo" Caderno: O Mundo Lula dá apoio por meio de Chávez No Haiti, Celso Amorim monitora a crise em telefonemas a chanceler equatoriano Demétrio Weber Demonstrando total suporte ao governo do Equador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou ontem com o presidente Hugo Chávez e pediu que o venezuelano transmitisse a Rafael Correa a mensagem de apoio do governo brasileiro. Ontem mesmo, o secretário-geral do Itamaraty e ministro interino, embaixador Antônio Patriota, partiu para Buenos Aires, onde participaria da reunião emergencial convocada pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Lula falou com Chávez por volta das12h30m (horário de Brasília), quando ainda não estava clara a extensão dos distúrbios no Equador e, àquela hora, recebeu informações de que a situação em Quito estaria sob controle. À noite, o presidente ainda tentou telefonar ao líder equatoriano antes de um comício em São Bernardo do Campo. Em viagem oficial ao Haiti, o ministro das Relações Exteriores, Celso amorim, conversou por telefone com o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, a quem também expressou a total solidariedade do governo brasileiro em defesa do regime democrático e do Estado de direito. Em nota, amorim mencionou a mobilização de entidades internacionais das quais o Brasil faz parte para rechaçar qualquer tentativa de golpe no Equador. Ele citou a Unasul, o Mercosul e a Organização dos Estados Americanos (OEA). "O ministro tem mantido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informado sobre as gestões em curso para uma resposta firme e coordenada do Mercosul, da Unasul e da OEA, a fim de repudiar qualquer desrespeito à ordem constitucional naquele país irmão", diz o texto divulgado pelo Itamaraty. Em outra nota, os países que integram o Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — também manifestaram apoio a Rafael Correa: "Os Estados Partes do Mercosul tomaram conhecimento com profunda preocupação dos graves eventos que estão ocorrendo no Equador, no dia de hoje. As ações representam clara tentativa de sublevação constitucional por setores das Forcas de Segurança daquele país. Os Estados Partes do Mercosul condenam energicamente todo e qualquer tipo de ataque ao poder civil legitimamente constituído e à ordem constitucional e democrática do Equador", afirma o documento. Além dos quatro países fundadores, o Mercosul tem ainda como membros associados Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador. A nota invoca ainda o Protocolo de Ushuaia de Compromisso Democrático do Mercosul, e exige "o imediato retorno da normalidade constitucional no Equador". "Os Estados Partes do Mercosul endossam integralmente a posição já manifestada pela Unasul, por meio de seu secretáriogeral, Nestor Kirchner, e apoiam a realização de Reunião Extraordinária de Ministros das Relações Exteriores daquele organismo". Alarmados, líderes regionais saem em socorro de Correa Chefes de Estado da Unasul se reúnem em caráter emergencial em Buenos Aires Fernando Eichenberg A ameaça contra o presidente do Equador, Rafael Correa, causou alvoroço na diplomacia latino-americana. Enquanto chefes de Estado corriam para Buenos Aires para uma reunião de emergência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) nesta madrugada, em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovava uma resolução de solidariedade ao líder equatoriano. O secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, defendeu a atuação enérgica de governos e instituições multilaterais "para evitar que o golpe de Estado se consume": — É muito importante que se vejam todos os países da América unidos contra isto. Chávez convoca seus aliados por meio do Twitter Com discursos incendiários, aliados do governo de Quito saíram em socorro do líder equatoriano. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que manteve constante contato ontem, por telefone, com Correa, declarou seu apoio. Pelo Twitter, o venezuelano alardeou: "Estão tentando derrubar o presidente Correa. Alerta aos povos da Aliança Bolivariana (para as Américas, Alba)! Alerta aos povos da Unasul! Viva Correa!". — Seria grande ingenuidade pensar que tudo isso está relacionado à diminuição salarial — apontou Chávez, em entrevista à Telesur, certo de articulações políticas para depor seu amigo. Outro velho aliado de Quito, o presidente boliviano, Evo Morales, pediu que os chefes de Estado da região viajassem à capital equatoriana para "salvar a vida de Rafael Correa". O governo da Colômbia alertou para a necessidade de uma solução pacífica para restabelecer a ordem pública e institucional. Sem perder a chance de alfinetar os Estados Unidos ao se pronunciar contra o que viu como uma tentativa de golpe, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, lembrou a Washington que "a omissão a tornaria cúmplice" de um golpe. Fidel Castro também se pronunciou: — O golpe, na minha opinião, já está perdido. Obama e Hillary não terão escolha a não ser condená-lo — disse, referindo-se ao presidente Barack Obama e à secretária de Estado Hillary Clinton. O embaixador brasileiro na OEA, Ruy Casaes, leu em voz alta para o plenário da organização o comunicado oficial do Itamaraty, e acrescentou: — Não podemos ficar de braços cruzados diante de fatos que ameaçam a democracia em um dos países-membros. Nossa resposta deve ser imediata, unânime e contundente. Além dos países sul-americanos, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação com a integridade física de Correa e garantiu o reconhecimento da ONU a seu governo. França e Espanha também condenaram "a alteração da ordem constitucional equatoriana" e pediram 'Governo está convencido que, mesmo sem maioria, pode legislar' Christine Lages FABIÁN CORRAL Uma eventual dissolução do Congresso conspira contra a estabilidade da democracia no Equador, segundo o cientista político Fabián Corral, editorialista do jornal "El Comercio". Para ele, a medida seria perigosa e será sempre usada como ameaça por parte do presidente. O GLOBO: Como os equatorianos encaram essa crise, decorrente de um histórico político tão conturbado? FABIÁN CORRAL: Com muita preocupação, porque esperávamos pelo fim desta instabilidade. Lamentavelmente, voltamos a esses eventos de crises com as autoridades, crises que realmente conspiram contra qualquer regime estável democrático. O senhor acredita que o presidente vai solicitar a dissolução do Congresso? CORRAL: É uma das possibilidades que está na Constituição. Mas isso tem implicações, porque sugere que o presidente continue governando e legislando por decreto durante, pelo menos, seis meses. Pode acentuar essas diferenças que se manifestaram de forma tão abrupta, como no caso da polícia. Mesmo com maioria no Congresso, por que aprovar a lei por decreto? CORRAL: Correa já não tem maioria absoluta e essa briga entre o ele e os congressistas é mal vista pela opinião pública. Há outras leis que estão gerando resistência, porque o governo está convencido que, mesmo sem maioria, tem pleno direito de legislar. Esse é o ponto-chave desse conflito, uma crítica à velha politicagem a qual Correa prometeu acabar. Qual é o impacto de uma dissolução? CORRAL: É uma medida estranha para o regime presidencialista que temos no Equador. É muito perigoso, porque reduz a independência do Congresso. Mesmo que não o dissolva, Correa vai estar sempre ameaçando uma eventual dissolução. Um adepto da cartilha chavista de confrontação De personalidade intempestiva, Correa não poupa palavras nem medidas fortes contra seus opositores Mariana Timóteo da Costa Em julho último, durante uma visita à Venezuela, o presidente do Equador, Rafael Correa, ouviu do colega Hugo Chávez: "Rafael, obrigado por você existir". A semelhança entre os dois líderes sul-americanos vai além dos projetos socialistas, nacionalizantes e, muitas vezes, tachados de autoritários. Os dois parecem ter um gosto por frases de efeito, tanto quando são carinhosos, como no caso acima, como quando brigam. Chávez não hesita em usar termos fortes contra seus adversários, os "esquálidos". Correa também não. Ontem, no auge da pior crise política que enfrenta desde sua eleição, em 2006, disse: "Se vocês querem matar o presidente, que matem". Aos 46 anos, Correa — um conceituado economista com formação nos EUA e na Europa — foi quem também, há dois anos, deu uma ordem para que US$ 3,2 bilhões da dívida externa "ilegítima" do Equador não fossem pagos. Empresas "expulsas" continuam no país Ele também já declarou expulsas diversas empresas como a Odebrecht. Com quase a metade da economia dependendo do petróleo — e sem tecnologia para explorá-lo — o governo do Equador já comprou briga com a Petrobras, a espanhola Repsol e a italiana ENI. Todas estão com seus contratos sendo renegociados e precisam aceitar os termos estabelecidos pelo governo porque — palavras de Correa — "assim ninguém vai levar embora" o petróleo do país. A perseguição à imprensa é um capítulo na história de confrontação. Como Chávez, Correa aumentou sua presença na mídia, encampou rádios, TVs, criou jornais e aumentou o tempo de exposições em cadeias nacionais. Difamações não faltaram: o governo patrocinou anúncios em que jornais soltavam cobras no leitor em vez de letras, entre outros. Sobre a mídia independente, declarou diversas vezes: "É toda golpista!" Assim como ocorre com Chávez, muitas vezes a retórica se sobrepõe às ações. Um exemplo é o caso da Odebrecht que, mesmo declarada expulsa, continua no país. Ontem, nem a empresa nem a Petrobras quiseram dar declarações sobre a crise. Mas o atual caos pode ser explicado por fatores econômicos e políticos. Por conta das medidas polêmicas e confrontativas de Correa, os investimentos estrangeiros no país de economia dolarizada — para o presidente, um mal necessário — foram reduzidos, e o governo vem tendo dificuldades em implementar reformas sociais, bandeira à qual Correa se mantém fiel. — A riqueza vem sendo distribuída, mas o dinheiro de Correa está acabando e ele não tem um plano B — disse Roberto Sanchez-Dahl, da Federated Investors nos EUA, lembrando que, com a Venezuela em crise, o Equador perde subsídios do país que mais o ajuda. Os problemas internos passam pela briga entre Correa e o Congresso que ele ameaça dissolver. A Lei de Serviços Públicos, que desencadeou a crise de ontem, é um exemplo. Enviada ao Congresso, foi rejeitada, e Correa aprovou-a por meio de decreto. Outro exemplo é a chamada Lei de Comunicação, um projeto antigo do presidente. Definida por opositores como uma "lei da mordaça", ela abriria caminho para censura aos meios de comunicação. Entre seus artigos está a criação de um Conselho de Comunicação — por funcionários apontados pelo governo — para verificar o que é publicado; aplicação de multas a quem escrever reportagens difamatórias; exigência de diploma de jornalista; fim de monopólios; determinação de que os meios prestem contas sobre sua linha editorial e código de ética. A lei ainda transita no Congresso. Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "Clarín" Sección: Mundo Reunión urgente de presidentes de la Unasur en Buenos Aires La Base Aérea Militar de Aeroparque, donde habitualmente descansa el Tango 01, trabajó anoche como pocas veces antes: los presidentes que integran el bloque de regional de la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) fueron aterrizando allí para reunirse de urgencia en la Cancillería, donde los esperaba la presidenta Cristina Kirchner para debatí las soluciones a la crisis política destada en Ecuador. El canciller, Héctor Timerman, adelantó que del encuentro saldría un "repudio total al levantamiento contra el presidente Rafael Correa" , y aseguró que los mandatarios sudamericanos podrían viajar hoy a Ecuador. Lo hizo momentos antes de entrar al Palacio San Martín. Otras opciones que se analizaban a nivel presidencial eran que viaje a Quito un grupo reducido de mandatarios. También se especulaba con que podrían hacerlo solamente los cancilleres del bloque, confiaron fuentes diplomáticas. La cumbre de Unasur en Buenos Aires fue convocada a contrarreloj por la presidenta Cristina Kirchner, que durante todo el día se comunicó varias veces con sus pares sudamericanos para organizar la repentina cumbre de Buenos Aires. La Argentina ocupa temporariamente la presidencia pro témpore de Unasur. El secretario general del bloque es el ex presidente, Néstor Kirchner. Durante la tarde él viajó a Concordia, Entre Ríos, a un acto partidario. Desde allí respaldó a Correa: "Pido un fuerte aplauso de apoyo para el presidente Correa y Ecuador y para la democracia ecuatoriana". En la Quinta de Olivos, sus colaboradores mantenían a la vez un encuentro con intendentes peronistas de Catamarca. Mientras se realizaban las gestiones para reunir a los presidentes de la Unasur, la Cancillería emitió un comunicado donde expresó "su profunda preocupación por los hechos protagonizados hoy por personal policial y militar de las Fuerzas Armadas ecuatorianas en las ciudades de Guayaquil y Quito". En otro párrafo se aseguró que la Argentina tenía "confianza" en "la autoridad política del Presidente constitucional, Rafael Correa Delgado, para encontrar el mejor encauzamiento en defensa de los altos intereses del Pueblo y el Gobierno ecuatorianos". El primer mandatario extranjero en aterrizar en el país fue el uruguayo José "Pepe" Mújica. Llegó en helicóptero. Eran las 21:10. Caminó por la pista con paso tranquilo, llevaba saco, sin corbata. A esa altura, en vuelo hacia Buenos Aires, el presidente venezolano Hugo Chávez ya había hablado con Correa, que permanecía en la habitación del hospital policial que anoche rodeaban las fuerzas sublevadas. La conversación fue confirmada por el propio Chávez desde su cuenta de Twitter: "Acabo de hablar con el Compañero Presidente Rafael Correa. Puro Coraje, pura dignidad!!", escribió. En la Casa Rosada aseguraban que Chávez sería el último presidente en llegar al Palacio San Martín. Según los cálculos gubernamentales, el bolivariano aterrizaría en Aeroparque pasadas las 2 de la mañana. Fuentes de la Cancillería dijeron que la reunión de Unasur empezaría cerca de la medianoche y se extendería lo máximo posible a la espera de la llegada de todos los mandatarios. Solo dos presidentes sudamericanos no participarán del encuentro: son el brasileño Lula Da Silva y el paraguayo Fernando Lugo. El peruano Alan García viajó a esta capital –llegó a las 23– con un permiso que fue votado de forma unánime por el Congreso de su país. Antes de partir hacia Buenos Aires –llegó a las 23.30–, el presidente chileno, Sebastián Piñera, dijo que la cumbre era necesaria para darle a Correa "el respaldo de todos los países democráticos para que la democracia ecuatoriana sea fuerte y claro, y se ponga término a cualquier intento de quebrar el orden constitucional". Piñera llega al país en medio de otra polémica diplomática, relacionado con el asilo que el Gobierno K le dio ayer al ex guerrillero chileno Sergio Apablaza Guerra. El presidente de Colombia, Juan Manuel Santos, también hizo declaraciones antes de viajar. "Vamos a reunirnos para ver cómo podemos constribuir a que la democracia ecuatoriana salga de esta situación, de este impasse, con todas sus instituciones legítimadas, validadas, y con el presidente constitucional, Correa, en el poder". Había sido el boliviano Evo Morales –arribó anoche a aeroparque, a las 22.52– el primero en decir que una de las opciones de los mandatarios de Unasur era viajar hoy a Quito: "He propuesto que mañana todos los presidentes de Sudamérica viajemos rumbo a Quito, Ecuador, para garantizar la democracia y salvar la vida del presidente Correa", adelantó antes de partir a la repentina Cumbre de Buenos Aires. Uruguay "El Pais" Seccion: Internacional Unasur y OEA condenaron intento de afectar institucionalidad en Ecuador Buenos Aires - AFP Y AP El presidente uruguayo José Mujica fue el primero de los mandatarios de los países de la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) en llegar anoche, a las 23.05, a la sede del Palacio San Martín, la cancillería argentina. Antes que él habían ingresado el líder sindical Luis D´ Elía y el embajador ecuatoriano en Argentina, Wellington Sandoval. Mujica fue recibido por el canciller Héctor Timerman y sobre las 23.30, llegaron el presidente boliviano Evo Morales y el secretario general de Unasur, Néstor Kicrhner. Luego esperaron el arribo de los mandatarios de Colombia, Juan Manuel Santos; Perú, Alan García; y Chile, Sebastián Piñera, para dar inicio a la reunión. "Esta noche comienza la reunión de presidentes de Unasur en Buenos Aires. Repudio total al levantamiento contra el presidente Correa. CFK preside la reunión", anunció vía Twitter el canciller Timerman. A las afueras del sitio donde tuvo lugar el encuentro hubo una concentración de diversos movimientos sociales, kirchneristas y peronistas que corearon cánticos de apoyo a Correa al son de los tambores. Había algunas banderas del Frente Amplio y del MPP. Más temprano, el secretario general de Unasur, el ex presidente argentino Néstor Kirchner, había expresado "el firme compromiso y la más absoluta solidaridad del bloque regional" con Correa ante el intento de "sublevación al orden constitucional de sectores corporativos de las fuerzas de seguridad". En una Asamblea general convocada de urgencia en Washington, la Organización de Estados Americanos (OEA) aprobó de manera unánime una resolución que repudió "cualquier intento de alterar la institucionalidad democrática en el Ecuador" y llamó a los "sectores políticos y sociales a evitar todo acto de violencia". La Organización decidió "respaldar decididamente al gobierno constitucional del presidente Rafael Correa (...) en su deber de preservar el orden institucional, democrático y el Estado de derecho", según dice el texto. Durante el encuentro, el secretario general del bloque, José Miguel Insulza, afirmó que en Ecuador "está en marcha un golpe de Estado", pero advirtió que todavía "no se ha consumado" y "la manera de evitarlo es actuar rápidamente", por lo que pidió a hacer "toda la presión internacional posible". "Tenemos una situación muy grave", dijo Insulza, quien conversó por teléfono durante la jornada con Correa mientras estaba en una habitación del hospital Policial, tras haber sido agredido. Informó que, según el avance de la situación, no descartaba convocar a reunión de cancilleres de la OEA y realizar un viaje a Ecuador en las siguientes horas. La OEA "debería mostrar la misma unidad" que evidenció ante Honduras, país que fue separado del organismo tras el golpe de Estado de junio de 2009, dijo Insulza. Varios países llamaron a ver lo sucedido en ese país, donde el propio Insulza ha admitido que una temprana intervención de la OEA podría haber evitado el golpe, como una lección. "Que no se convierta esto en hecho consumido y estemos observando desde lejos que otro país más caiga en las garras de los golpistas", dijo el paraguayo Bernardino Saguier. MÁS RESPALDO. "Están tratando de tumbar al Presidente Correa. Alerta los pueblos de la Alianza Bolivariana! Alerta los pueblos de Unasur! Viva Correa!!", escribió el mandatario venezolano Hugo Chávez en Twitter. La Comunidad Andina de Naciones (CAN), que Ecuador integra junto con Bolivia, Colombia, y Perú, expresó su "solidaridad y respaldo" a Correa y su rechazo "a las medidas de hecho y actos de violencia que pretenden alterar el orden democrático interno de Ecuador". Los presidentes de Colombia y Perú cerraron sus fronteras con Ecuador temporariamente. Alan García calificó los hechos como una "intromisión de gorilas". Los países de la Alianza Bolivariana de los pueblos de América (Alba) exigieron que se garantizara a Correa "el pleno ejercicio de sus facultades" y pidieron a los países latinoamericanos que "acompañen solidariamente" a Ecuador. Cuba expresó su "más enérgico rechazo" al "golpe de Estado que se está desarrollando en Ecuador" y Brasil expresó su "total apoyo y solidaridad" a Correa y reclamó una "respuesta firme y coordinada" del Mercosur, la Unasur y la OEA, según una nota de la cancillería. (Producción: Ignacio Quartino.) Los líderes de Unasur se reunieron hasta la madrugada en Buenos Aires para analizar la situación de Ecuador, al tiempo que la OEA repudió de forma unánime "cualquier intento de alterar la institucionalidad democrática" en el país.

O Mercosulino 30/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

30.09.2010 Jornal "Valor Econômico" Editorial Oposição ressuscita e vence as eleições na Venezuela A oposição ganhou as eleições legislativas na Venezuela com 48% dos votos, ante os 46,4% dos chavistas do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Mas seu poder de fogo já havia sido circunscrito pelo presidente Hugo Chávez, que remodelou os distritos de forma a favorecer seus redutos e dar peso maior aos votos das zonas rurais. Com a maioria relativa dos votos, a Mesa de Unidade Democrática, que reúne 18 grupos em um arco que vai da extrema direita à esquerda, ficou com 65 cadeiras, pouco mais de um terço das 165 em disputa. O Pátria para Todos, partido de esquerda dissidente do chavismo, obteve duas cadeiras e 2,91% dos votos. O PSUV conquistou 98 cadeiras. As condições em que a oposição concorreu eram relativamente piores do que as de 2005, quando incrivelmente resolveu boicotar o pleito e entregar a toda a Assembleia para os adeptos de Chávez. Ainda assim, ela conseguiu alguns avanços ao se unir para enfrentar um presidente todo-poderoso, uma máquina estatal colocada a serviço do PSUV e uma legislação eleitoral que a desfavorecia claramente. O erro clamoroso do boicote de 2005, exemplo da mais pura estupidez política, custou muito caro. Após as eleições de domingo, as legendas que se opõem a Chávez ainda não terão recuperado a posição que detinham no Legislativo entre 2000 e 2005, quando contavam de 72 a 83 deputados. A grande incógnita agora será a atitude de Chávez até a posse da nova Assembleia. O presidente já se engajou há tempos em uma trajetória de radicalização que parece irreversível. Nos próximos três meses em que não terá qualquer contestação de qualquer poder da República - todos hoje lhes são subservientes e comandados por acólitos - é possível que ele simplesmente ignore o resultado das urnas e acelere sua agenda rumo ao socialismo do século XXI. Sua popularidade, em onze anos de poder, gira hoje em torno dos 46% e ele a transferiu toda para o PSUV, do qual foi o onipresente cabo eleitoral. A crise econômica e a desorganização bolivariana da produção doméstica, com a anárquica estatização de bancos, empresas de telecomunicação, siderúrgicas e cimenteiras, desgastaram o presidente junto a sua base eleitoral, como prova sua derrota na favela de Petare em Caracas, a maior do país. A recessão derrubou o Produto Interno Bruto venezuelano em 3,3% em 2009, e em 5,8% no primeiro trimestre. No segundo, o estrago foi menor: -1,9%. Ainda assim, esse não foi o único mal. A combinação de uma seca inusual com a falta de investimento em infraestrutura levou os venezuelanos a conviverem com cortes diários de energia elétrica desde janeiro. A inflação em doze meses encerrados em agosto está em 29,7% (semelhante à de 1998, quando Chávez foi vitorioso nas urnas) e o abastecimento de gêneros de primeira necessidade é, no mínimo, inseguro. A criminalidade avançou e tornou-se um dos principais fatores de intranquilidade. O presidente promoveu uma maxidesvalorização do bolívar disfarçada que tornou o dólar escasso em um país com superávit em conta corrente. Falta a moeda e sobram mercados: há quatro cotações, incluída a do mercado negro. Com tudo isso, Chávez está longe do desgaste. Os investimentos sociais triplicaram desde que tomou posse, a pobreza caiu 39% no período e a pobreza extrema recuou pela metade. O grande problema é que o modelo chavista de distribuição descuidou da produção, e não tem futuro. As estatizações reduziram a produtividade da economia, o dinheiro para os investimentos na principal fonte de receitas, o petróleo, foi aplicado parte em projetos sociais e parte em outros de baixo ou nulo retorno, enquanto as empresas estatizadas foram tomadas por companheiros com indicação política. Qualquer semelhança com Cuba não é coincidência, mas um programa conscientemente perseguido. Politicamente, a Venezuela é uma democracia a um passo do abismo, desfigurada pelas arbitrariedades de Chávez. Para ser razoavelmente eficaz em seu trabalho, a oposição terá de se manter unida e encontrar um programa que esteja distante do golpismo histérico de 2002, do elitismo derrotado por Chávez há dez anos e do sectarismo, que põem no saco dos erros todas as medidas tomadas pelo presidente. Não é uma tarefa fácil. A maior ajuda com que talvez contem, porém, virá do próprio Chávez. Seu radicalismo ressuscitou a oposição e pode dar-lhe a força que ela até agora não tem. Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "La Nación Sección: Economía Carne: el Mercosur asoma como líder Especialistas advierten que, traccionado por Brasil, el bloque manejará la oferta global en las próximas décadas De acuerdo con los disertantes del 18° Congreso Mundial de la Carne, que culminó ayer en la Rural, no hay dudas de que en la próxima década se reafirmará el predominio del Mercosur en la producción de carne en el nivel global. Una buena noticia para la región, aunque no necesariamente tan buena para el país, ya que los expertos coincidieron en que, si no cambia el rumbo de la política ganadera, el país difícilmente pueda plegarse al boom regional. "Europa reduce cada día más la producción de carnes y la reemplaza por importaciones. América del Norte no puede superar los recurrentes problemas sanitarios que le impiden ser el gran proveedor del mundo. Oceanía alcanzó su techo productivo y no logró suplir del todo las caídas de los demás. El único camino, señores, es el Mercosur", sintetizó Miguel Gorelik, director de Asuntos Públicos de Quickfood. Claro que Gorelik destacó que el protagonismo de la región requerirá un fuerte esfuerzo. "Hay que aumentar la productividad y la extensión de tierras dedicadas a la ganadería, crear una autoridad a nivel Mercosur que unifique el manejo de la sanidad y asumir en serio la responsabilidad de ser los proveedores de carne del mundo del futuro", resaltó el directivo. En esta línea, Henning Steinfeld, coordinador de ganadería de la FAO (la organización de la ONU para la agricultura y la alimentación) vaticinó que, ante el aumento de la población en 3000 millones de personas en las próximas cuatro décadas, es muy probable que la carne vacuna deje de ser un producto de masas. "La carne será lo que era el salmón hace cincuenta años", apuntó Steinfeld. Por su parte, David Nelson, experto del Rabobank, señaló como hechos salientes la caída de la producción de granos de Rusia y la creciente demanda de maíz chino como creadores de oportunidades para la producción agropecuaria del Cono Sur. También destacó el agresivo crecimiento de las industrias cárnicas de Brasil y China. El creciente avance de la industria brasileña de carnes fue uno de los temas más analizados entre los asistentes al congreso. Como contraste, se destacó el desaliento por la caída de la industria local, hoy en día sumida en una ola de despidos de trabajadores y cierre de plantas. Justamente en este contexto, uno de los asistentes a las conferencias de ayer a la tarde le preguntó a Gorelik lo que muchos tenían en la punta de la lengua: si la Argentina iba a perderse el tren del crecimiento del Mercosur como proveedor de carnes. Gorelik esquivó la respuesta con elegancia: "Espero que la Argentina no pierda el tren frente a los vecinos", dijo. Supremacía brasileña Sin embargo, ninguno de los presentes en el encuentro dejó de señalar que la empresa en la que trabaja Gorelik es el vivo ejemplo de la clara supremacía brasileña en el negocio. Quickfood, un exitoso frigorífico argentino fabricante de las paradigmáticas hamburguesas Paty, pasó en 2007 a manos de una de las industrias brasileñas más fuertes: Marfrig. "Es cierto que el país se está quedando fuera del negocio, pero va a recuperar el tren en algún momento. El curso de los hechos es más fuerte que la voluntad del Gobierno, y nosotros tenemos la capacidad de producir eficientemente. Por otro lado, el Gobierno ya le sacó el pie de encima a la lechería, con lo que cabe esperar que en breve haga lo mismo con la carne", explicó un alto industrial que pidió reserva de su nombre. "Con una adecuada política, podemos llegar un día a producir 1,3 millones de toneladas de carne, versus los 2 millones de toneladas de Brasil. Pero tenemos un nicho interesante en la producción de carnes de alto valor por nuestro clima templado, una característica que Brasil no tiene", acotó el ejecutivo.

O Mercosulino 29/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

29.09.2010 Jornal "Folha de S. Paulo" Opinião Avanço na Venezuela Eleições legislativas impõem a maior derrota eleitoral ao presidente Chávez e abrem caminho para auspiciosa oxigenação da democracia O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, insistiu, durante a campanha eleitoral, na ideia de que a manutenção de uma maioria qualificada de dois terços dos deputados seria fundamental para a continuidade de seu projeto "revolucionário". Perdeu. Numa demonstração matemática de como os 11 anos de governo chavista cindiram o país, pouco mais da metade dos venezuelanos votou na opositora Mesa de Unidade e na Pátria Para Todos, legenda dissidente do chavismo. Os cerca de 46% dos votos para o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), por sua vez, representam o índice de apoio mais baixo obtido nas urnas por Chávez nas 12 votações desde que chegou ao poder, em 1999. Esses números mostram que a derrocada da economia venezuelana, refletida em aumento do desemprego, disparada da inflação e grave crise energética, começa a corroer a popularidade do presidente, em especial nos principais centros urbanos, onde a vitória da oposição foi acachapante. A eleição parlamentar de domingo assume, portanto, dois significados. O primeiro, mais imediato, é o de estabelecer um bem-vindo freio institucional ao chavismo, que nos últimos cinco anos valeu-se de uma Assembleia Legislativa governista -fruto do equivocado boicote eleitoral da oposição- para acelerar seu projeto nacional-estatizante. Agora, sem a maioria qualificada, o governo precisará de um mínimo de diálogo com os opositores caso queira promover novas mudanças constitucionais, o que é saudável num país onde a confrontação, incentivada pelo próprio chavismo, se tornou regra nos últimos anos. O segundo significado da eleição é o de um alerta para Chávez antes do pleito no qual buscará mais um mandato, daqui a dois anos. Na eleição parlamentar, o presidente valeu-se de uma distorção do sistema eleitoral, aprofundada por recente redistribuição dos distritos em seu favor. Os Estados mais populosos e urbanizados elegem, proporcionalmente, menos deputados do que as regiões rurais. Essa discrepância permitiu que o PSUV mantivesse 98 das 165 cadeiras, ou quase 60%, mesmo com menos da metade dos votos nacionais. Na eleição presidencial, porém, vale a maioria simples, e, nesse caso, se o resultado de domingo se repetir em 2012, Chávez terá de deixar o Palácio Miraflores. É claro que a matemática eleitoral não é tão simples, e que em dois anos o presidente pode recuperar popularidade caso consiga reativar a economia venezuelana. Não é desprezível também a perspectiva de o mandatário venezuelano, que no passado já mostrou sua escassa tolerância com qualquer tipo de oposição, tomar providências para minimizar os efeitos do resultado das urnas. O receio de analistas políticos venezuelanos é que Chávez se valha dos três meses que separam a eleição da posse do novo Congresso para que a atual legislatura adote medidas com o intuito de diminuir os poderes da próxima. Mesmo com esses obstáculos, o retorno de um contrapeso ao domínio absoluto de Chávez no Legislativo representa uma benéfica e auspiciosa oxigenação da enfraquecida democracia venezuelana. Jornal "Valor Econômico" Caderno: Agronegócios Os subsídios e o câmbio Demanda doméstica que não cresce, crise econômica e moeda foram as razões que levaram a União Europeia a reduzir em 50% os subsídios à exportação de carne bovina, confirmou Lars Hoelgaard, diretor-geral de Desenvolvimento Agrícola e Rural do bloco. O recuo do dólar em relação ao euro tem pressionado o setor de carne bovina na UE. "Se o dólar continua caindo e os preços internacionais são ainda denominados em dólar, isso aumenta artificialmente a diferença entre os preços da UE e do mercado mundial", explicou. "Isso coloca pressão nos exportadores". O dinamarquês Hoelgaard diz que o consumo está inalterado enquanto a produção cai no bloco, assim como a exportação. A produção na UE é de 8 milhões de toneladas ao ano. Hoelgaard, que participou do congresso na Argentina, defendeu a política agrícola europeia e disse ser contra a redução de todos os subsídios à produção. Eles seriam uma forma de garantir renda num momento de volatilidade de preços. Além disso, citou estudo que mostra que a redução dos subsídios não baixaria a produção. Poderia até mesmo subir. "Num cenário sem apoio aos produtores, o que aconteceria é que toda a produção ficaria concentrada nos países mais competitivos, como Alemanha, França, Itália etc". Os países mais periféricos da UE iriam reduzir a produção. "Isso não é aceitável do ponto de vista de distribuição, demográfico". Também haveria maior pressão ambiental nas áreas onde a produção crescesse. (AAR) Caderno: Brasil Brasil se queixará dos EUA na OMC Assis Moreira | De Londres O Brasil manifestará preocupação com o "viés protecionista" dos Estados Unidos, que afeta exportações brasileiras, durante o exame da política comercial americana hoje na Organização Mundial do Comércio (OMC). O embaixador Roberto Azevedo deverá frisar que, embora os EUA sejam uma das economias mais abertas, tem um arsenal protecionista em áreas específicas como agricultura, subsídios de maneira geral, legislação de antidumping excessivamente flexível e sobretaxas contra supostos subsídios dos outros países. Para o Itamaraty, o comércio bilateral caiu muito no rastro também do protecionismo americano, já que tem tarifas baixas em geral, mas os picos tarifários atingem fortemente produtos brasileiros. O representante brasileiro vai enfocar também os bilionários subsídios de Washington ao setor financeiro, durante a crise econômica, notando que podem ter implicações na competitividade do setor em outros países. Os EUA sequer notificaram a OMC sobre essa ajuda a seus combalidos bancos. Outra reclamação será sobre a dificuldade dos EUA em implementar as decisões da OMC, como no caso de eliminar subsídios ao algodão, na briga perdida contra o Brasil. A delegação brasileira conclamará os EUA a fazer um esforço maior para concluir a Rodada Doha de liberalização global. Jornal "O Estado de S.Paulo" Notas & Informações A derrota de Chávez/Editorial O autocrata venezuelano Hugo Chávez havia definido a eleição legislativa do último domingo em seu país como um "plebiscito" sobre o seu governo e prólogo do pleito presidencial de 2012, quando disputará o quarto mandato desde 1998. Ele prometeu "massacrar" a oposição e "ganhar por nocaute". Não só não conseguiu nada disso, como sofreu um estrondoso revés político. É verdade que a legenda chavista, o Partido Socialista Unificado de Venezuela (PSUV), obteve 98 das 165 cadeiras da Assembleia Nacional, ao passo que a oposição, a Mesa de Unidade Democrática (MUD) constituída por 18 partidos, ficou com 65. Mas esse resultado privou Chávez da maioria de 2/3 que lhe permitiria aprovar leis orgânicas e mudanças constitucionais - e, no limite, governar por decreto. Era o que vinha fazendo com incontestada desenvoltura desde que a oposição cometeu o erro histórico de boicotar a eleição parlamentar de 2005, para não legitimar o que previa ser uma fraude. Sem adversários - e com um comparecimento às urnas de ridículos 25% -, o caudilho teve às suas ordens um Legislativo 100% chavista, reduzido a uma repartição do Palácio Miraflores, a sede do Executivo. Com o tempo, 10 deputados formaram uma dissidência que, evidentemente, não freou a descida da Venezuela para o regime liberticida do "socialismo do século 21". Quando se deu conta de que não teria a mesma sorte no pleito seguinte, Chávez preparou uma cama de gato para os adversários. Fez aprovar uma nova demarcação dos distritos eleitorais - o sistema venezuelano é o distrital -, para aumentar a representação das áreas chavistas e vice-versa. Para se ter uma ideia, num Estado rarefeito, de maioria governista, passaram a bastar 20 mil votos para eleger um congressista, ante 400 mil num Estado populoso, simpático à oposição. A mudança nas regras do jogo não foi tudo. O governo reteve o repasse de verbas para as regiões governadas por oposicionistas, transformou legiões de servidores públicos em cabos eleitorais, com abundante infraestrutura, e deu aos candidatos de seu partido praticamente o monopólio da propaganda nas emissoras estatais. Sem falar na multiplicação de sua presença nos comícios do PSUV, religiosamente reproduzida na TV chavista. Chega a ser uma proeza, portanto, o desempenho eleitoral da oposição, refletindo a erosão do prestígio de Chávez. Com uma taxa de comparecimento de 67% - um indicador do ânimo mudancista do eleitorado em países, como a Venezuela, onde o voto é facultativo -, a frente de oposição obteve, segundo uma contagem extraoficial, 5,4 milhões dos votos válidos, cerca de 190 mil a mais do que a situação. A manipulação das regras eleitorais explica por que os 46% de votos populares pró-Chávez se transfiguraram em 59% das cadeiras na Assembleia e por que os 48% conquistados pela oposição nas urnas não lhe deram mais de 39% das vagas. Estima-se que apenas a remarcação dos distritos adicionou à bancada chavista 30 deputados. Não há muito mistério no avanço oposicionista. O governo é um rematado desastre. Na contramão da América Latina, a Venezuela está há 15 meses em recessão. A inflação anual é da ordem de 30% e a acumulada nos 11 anos de chavismo chega a 733%, o desemprego é descomunal (cresceu 42% no último ano e meio) e a desigualdade voltou a se agravar. Faltam energia e alimentos. Sobram corrupção e incompetência: 130 mil toneladas de gêneros importados apodreceram nos portos do país. Por fim, a criminalidade atinge níveis aterrorizantes. A violência mata uma pessoa a cada meia hora. O que não está claro é o que Chávez vai fazer de sua derrota política. Ele tem uma janela de oportunidade de 3 meses - a nova Assembleia só assumirá em janeiro - para se conter ou desembestar de vez, fazendo aprovar nesse período o que queira. Notadamente, a Lei das Comunas, unidades administrativas ditas autônomas, porém diretamente ligadas ao Executivo. Além da reorganização político-territorial do país, poderá surgir uma "assembleia comunal" para retirar poderes do Legislativo. "Chávez é hoje uma fera acuada", compara um observador estrangeiro em Caracas. "Nessas condições, é ainda mais imprevisível." Jornal "O Globo" Caderno: O Pais Na Venezuela e no Brasil, um recado dos eleitores Para especialistas, latino-americanos não estariam dispostos a dar cheque em branco a governantes O revés na corrida presidencial, que agora parece caminhar para o segundo turno, e o fato de o partido do presidente Hugo Chávez ter perdido a maioria absoluta na Assembleia Nacional venezuelana no último fim de semana podem não ser casos isolados. Apesar de ocorrerem em contextos diferentes, especialistas ouvidos pelo GLOBO destacam pontos comuns e mesmo uma mensagem dos eleitores a governantes populares: eles não estariam dispostos a dar um cheque em branco. A vitória dos candidato de direita Sebastián Piñera, no Chile, e Juan Manuel Santos, na Colômbia, o resultado venezuelano e mesmo um segundo turno no Brasil podem ser um "refluxo da onda vermelha" que se espalhou pela América do Sul nos anos 90, analisa Marcelo Coutinho, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. - Chávez já havia sofrido uma derrota no referendo de 2007 (sobre reforma constitucional). E agora teve uma vitória relativa, já que não obteve maioria absoluta (que lhe permitiria aprovar projetos). No Brasil, houve a queda de Dilma, enquanto outras frentes crescem. É um reflexo político regional, embora em contextos diferentes. José Ribas, professor da Universidade Federal Fluminense, não vê paralelos, mas "fatos comuns" nas duas eleições, como a discussão sobre liberdade de imprensa, partido único, continuísmo e democracia. - A América Latina teve duas eleições decisivas ganhas pela direita: Chile e Colômbia, que têm políticas externas pró-Estados Unidos. Podemos nos perguntar se há uma dinâmica ocorrendo - diz, sugerindo uma pressão internacional. Brigagão: diferenças entre Lula e Chávez Para Coutinho, as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a imprensa foram ruins, e questões como essa podem ter motivado uma espécie de recado do eleitor. - A América Latina quer mostrar aos governantes que não abre mão da democracia nem mesmo por ganhos econômicos ou sociais - afirma Coutinho. - Um sistema corrompido não é democrático. Um sistema sem imprensa também não. Clóvis Brigagão, do Centro de Estudos das Américas, não vê paralelos entre os dois países, destacando que Chávez está no poder desde 1998 e que Lula sai após o segundo mandato. - O que ocorreu na Venezuela não poderia acontecer no Brasil de forma alguma. Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "La Nación Sección: Exterior "La Argentina será un aliado estratégico de mi gobierno" SAN PABLO (De un enviado especial).- Nieto de una argentina, el candidato opositor a la presidencia de Brasil, José Serra, presume de haber aprendido de pequeño al mismo tiempo la lengua portuguesa y la española. Tan satisfecho se siente de su "sangre argentina" que no dudará en fortalecer las relaciones entre Brasil y la Argentina, según afirmó en un breve diálogo con LA NACION. "La Argentina será un socio estratégico de mi gobierno, no lo dude, las relaciones entre ambos países serán muy buenas; personalmente, la proximidad con ese país es muy grande, todavía tengo parientes allá", comenta en un perfecto castellano al término de un acto en San Pablo. En el exclusivo Club Deportivo Sirio de San Pablo, el candidato del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB) parece agotado después de tres meses de campaña. Cuando hace su aparición en el recinto para participar de un acto de apoyo a las mujeres del partido, organizado por su mujer, Mónica Serra, el público lo alienta, como no podía ser menos. Pero en el ambiente se palpa un cierto aire de decepción. Sus seguidores esperan un milagro en la segunda vuelta, si es que Serra logra forzar un ballottage, dado que sus opciones en los comicios del domingo sólo pasan ya por arañar los votos necesarios para que Dilma Rousseff, del gobernante Partido de los Trabajadores (PT), no supere el listón mágico del 50 por ciento. Apoyo recíproco Al término de su breve discurso, antes de salir disparado al siguiente acto, Serra se muestra esperanzado con esa futura relación con la Argentina: "Hay que coordinar muy bien los proyectos de desarrollo entre los dos países, y esto se puede conseguir perfectamente con un apoyo recíproco entre los gobiernos y los actores sociales; ese apoyo será decisivo para nosotros", señala. Más escéptico se muestra el candidato a la hora de referirse al diseño actual del Mercosur. Tanto Dilma como el presidente Luiz Inacio Lula da Silva no han dudado en su intención de reforzar los organismos regionales, como el Mercosur y la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur). Serra también pretende impulsar el Mercosur, pero con matices. "En mi gobierno, reforzaré el Mercosur, pero el organismo necesita algún tipo de flexibilización", explica. "Hay que flexibilizar todo lo que se refiere a la política arancelaria en una actuación conjunta entre todos sus miembros", comenta. Para Serra, hoy en día esa política arancelaria es "un factor de rigidez". "Esa rigidez genera todavía muchos problemas entre los socios del Mercosur, pero creo que se puede resolver si profundizamos primero el libre comercio", concluye. Sea quien sea el próximo presidente de Brasil, lo que parece claro es que la relación bilateral saldrá fortalecida. Dilma también se ha mostrado dispuesta a impulsar esos lazos. Para ella, al igual que para Lula, la tarea del Mercosur y de la Unasur es consolidar su peso en la región como organismos regionales desde los cuales América del Sur pueda hablar con una única voz en los foros internacionales. Paraguay "La Nación" Sección: Negócios El pliego será enviado al Focem para no objeción El organismo tendrá 20 días para emitir la aprobación, previa al llamado a licitación. En esta semana se pretende entregar el pliego de bases y condiciones para las licitaciones de subestaciones 500 kV, para la emisión del certificado de no objeción por parte del Fondo de Convergencia Estructural del Mercosur (Focem), protocolo previo al llamado, según las explicaciones del responsable del comité gestor del proyecto, Gustavo González Lafuente. Tras la aprobación de dicho órgano, que posee un plazo máximo de 20 días, se haría el llamado a las empresas interesadas, dentro del mercado abierto para los cuatro países plenos del Mercosur, ya que el Focem no permite el direccionamiento del mercado hacia el país donde se llevará a cabo la obra. Lafuente indicó que por la premura del tiempo, el comité solicitará incluso que el Focem se declare en un lapso de una semana para agilizar el proceso. APARTIR DE DICIEMBRE De esta forma se estima que el proceso licitatorio debería de concluir en diciembre próximo, para que la empresa adjudicada pueda iniciar los trabajos de fabricación de equipos a inicios del año próximo y paralelamente organizar las obras civiles, proyectando la culminación de la obra antes de diciembre del 2012, según el cronograma. La licitación será de carácter amplio, a través de una empresa única o de consorcio de empresas, que tendrán la posibilidad de subcontratación. En el pliego de bases consta que la empresa líder será el fabricante de los equipos, para garantizar el perfecto funcionamiento y la responsabilidad en el correcto montaje y ejecución de las obras civiles. Se realizará una sola licitación con dos lotes, para la subestación de Villa Hayes y la ampliación de la subestación en la margen derecha de la central hidroeléctrica, donde la empresa única o el consorcio de empresas puede presentar ofertas para uno de los lotes o para ambos.