sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 16/08/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

16.08.2010 Jornal "Correio Braziliense" Caderno: Economia Entrevista - Gabriel Rico Presidente da Câmara Americana de Comércio vê a sucessão no Brasil como uma janela para impulsionar o intercâmbio bilateral Vicente Nunes e Luciano Pires A recuperação lenta e ainda incerta da economia americana não desanima as empresas brasileiras que mantêm negócios com a maior potência mundial. Gabriel Rico, presidente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), acredita que há janelas de oportunidades abertas em quase todos os segmentos e avalia que, com a sucessão presidencial a partir do próximo ano, será inevitável que os dois países intensifiquem relações, o que impulsionará o comércio. Apesar disso, Rico adverte que o Brasil precisa atacar com urgência velhos gargalos estruturais que emperram a competitividade. Gastar menos com o custeio do Estado e baixar a guarda para que acordos bilaterais possam ser fechados também são algumas das recomendações. Segundo ele, as contrapartidas virão. "O Brasil terá mais oportunidades de entrar no mercado americano não só com carne e etanol", diz. O avanço da China sobre a pauta de exportações e importações brasileiras preocupa a Amcham, assim como as investidas diplomáticas dos que, eventualmente, emitem sinais contraditórios para quem quer comprar e vender. "O Brasil tem importância mundial em determinados casos, sendo considerado uma grande potência. Agora, não somos potências em todos os campos. Quando nos lançamos sobre áreas em que não temos vivência histórica, acho que vivemos uma fase de quem está crescendo, talvez uma adolescência. O Brasil não é potência nuclear", reforça. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Correio. Hora de discutir a relação com os EUA A importância relativa do país aumenta. É muito mais fácil fazer negócios com o Brasil do que com a Rússia, com a China e com a Índia." Qual é a importância do Brasil no contexto mundial? Houve duas grandes viradas, duas mudanças de impacto. A primeira diz respeito ao aspecto macroeconômico. Hoje, temos solidez e isso nos deu um diferencial em relação aos demais países da América Latina. A segunda mudança é o fortalecimento do mercado interno, com a redução da classe D e E, e o crescimento das classes A, B e C. Esses componentes não vão mudar no próximo ano. Independentemente do governo que for eleito? Quem quer que seja o governo, até porque aventuras no campo econômico não compensam mais no campo político. Quem faz aventuras na economia, em geral, paga nas eleições. E hoje, nenhum governante toma esse risco. E quanto aos obstáculos que emperram um avanço mais acelerado do país? O Brasil tem claríssimos gargalos na sua competitividade internacional. Embora sejamos uma das 10 maiores economias do mundo, quando nos deparamos com relatórios que tratam desse tema, o país é o 54º em um grupo de 133 nações. Existe um disparate, é preciso fazer algo. São quatro gargalos: a deficiência de mão de obra qualificada; a falta de infraestrutura, incluindo as dificuldades de planejamento; a complexidade jurídica, um emaranhado de normas sem fim; e a ineficiência do Estado brasileiro, que arrecada muito e não consegue investir. O gasto corrente preocupa? A velocidade do aumento do custeio público é maior do que o crescimento da economia. Essa alta está comprometendo estruturalmente a modernização do país. E para complicar, se o governo não tem todo o dinheiro para investir, ele precisa agregar a iniciativa privada. Só que para isso acontecer é necessária a segurança jurídica que incentive as empresas. Esses são os nossos nós que podem reduzir o ritmo de crescimento do país nos próximos anos. Esse debate ainda não foi colocado de forma clara nessas eleições. Ele não atrai? Não atrai porque, infelizmente, falta qualificação da própria audiência. Temos a carência da educação. O país precisa de um salto qualitativo de gestão muito grande. Isso tem de acontecer. O próximo governo tem de atacar essas áreas. Defendemos que isso não seja um projeto de governo, tem de ser um projeto de Estado. A linha mestra deve seguir para que o Brasil se torne potência. O próximo governo vai se aproximar mais dos Estados Unidos? Vejo com muita esperança, qualquer que seja o governo. Não simplesmente pela troca, mas porque está se tornando evidente a enorme oportunidade de fortalecimento das relações. Os Estados Unidos têm sua culpa nisso também, porque, ao longo de anos, o Brasil sempre foi um país importante, mas não estratégico. Hoje, os Estados Unidos olham para o Brasil como estratégico, porque em todas as grandes questões o país é importante. O Brasil tem se posicionado muito politicamente, expressando posições a favor do Irã, não reconhecendo o governo de Honduras. Há críticas dos Estados Unidos, parece até que as relações se desgastaram um pouco. Isso atrapalha? O Brasil tem importância mundial em determinados casos, sendo considerado uma grande potência. Se falamos em produção de alimentos, por exemplo, o potencial de crescimento é enorme. Em questões de meio ambiente, também. O mesmo vale para as relacionadas à água e à geração de energia. Agora, não somos potências em todos os campos. Quando nos lançamos sobre áreas em que não temos vivência histórica e até diplomática, acho que vivemos uma fase de quem está crescendo, talvez uma adolescência. O Brasil não é potência nuclear. Questões dessa natureza são discutidas por grandes potências nucleares. A presença do país soa como um corpo estranho nesse clube fechado. Está procurando seu espaço, mas temos de caminhar com prudência, porque as relações têm vasos comunicantes. E em relação especificamente ao Irã? Não vimos até agora repercussão nas relações comerciais. Mas vimos, sim, que existe uma evolução muito lenta no ritmo das negociações de acordos bilaterais de acordos com os Estados Unidos. E isso é preocupante, é estratégico e não temos cuidado como deveríamos. O senhor pode ser um pouco mais específico? Na América Latina, há exemplos de países com níveis de crescimento e modernização muito interessantes. O Chile fechou um acordo de livre comércio com os Estados Unidos no início dos anos 1990 e teve um crescimento ímpar e um nível de qualidade de vida incomparável. Outros países, como a Costa Rica e o Peru, também. O Uruguai, com muita habilidade, assinou um acordo de comércio e de investimentos com os americanos sem macular as relações com o Mercosul, mostrando que existem brechas a ganhar na relação com os Estados Unidos. O Brasil avançou muito pouco nessa direção. Então a política com o Irã, concretamente, não afetou, mas as relações comerciais e o encaminhamento de acordos estão muito aquém do dinamismo da iniciativa privada dos dois lados. Por opção, o Brasil prefere fechar acordos em bloco e não bilaterais. Quer dizer que isso atrapalha? Temos de ser pragmáticos. Se a opção por negociar em bloco tivesse trazido resultado, a gente diria: ótimo. Mas não trouxe. E vemos aí outros países que, por meio de acordos bilaterais, têm conseguido grandes avanços. O Brasil deve trabalhar agressivamente nas relações bilaterais. Talvez por esse motivo os Estados Unidos tenham perdido parte considerável da importância comercial com o Brasil, cedendo espaço para a China? A queda tem dois motivos fundamentais. O primeiro é que os Estados passaram por uma crise muito forte, reduzindo as importações. O outro aspecto é que, com a enorme demanda chinesa, o Brasil passou a exportar muito mais commodities para a China. Mas temos de tomar cuidado para não nos transformamos em um grande fornecedor de produtos básicos para lá e daqui a pouco sermos grandes compradores de produtos acabados chineses, que são produzidos a custos muito inferiores se comparamos ao que se produz aqui. O Brasil de curto prazo está em uma situação interessante, mas temos de olhar isso. Há 20 anos, a indústria brasileira representava cerca de 36% do PIB. Hoje, responde por apenas 22%. Essa queda é muito séria. Seria o caso de incrementar ainda mais a pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos, tentando vender carne in natura e etanol, por exemplo? O Brasil será o maior produtor e o maior exportador de alimentos do mundo. Temos terra, clima favorável, tecnologia. As condições são gigantescas. Sem dúvida, o país deverá entrar no mercado americano com etanol. A tarifa que incide sobre o produto nacional tende a cair. No caso do etanol, porém, o grande gol não é a eliminação da taxa adicional que existe nos Estados Unidos (o combustível paga um imposto de 2,5%, além de US$ 0,54 por galão). O Brasil deve se unir aos americanos para regulamentar os padrões internacionais e fazer do etanol uma commodity. Quando isso acontecer, vai poder exportar muito mais etanol, não necessariamente para os Estados Unidos, mas para o mundo todo. O importante é usar com inteligência a relação e não bater de frente com lobbies estruturados. E os subsídios americanos? O governo Obama definiu uma meta na qual eles precisam dobrar as exportações em cinco anos. A economia americana é muito forte em produtos acabados, em tecnologia de ponta e serviços. Para eles dobrarem as exportações não poderá haver mácula, não pode haver subsídio agrícola do passado. Vai ser preciso limpar tudo. O Executivo tem dificuldade porque há resistências no Congresso americano, que está lá para defender algumas culturas. Existe uma discussão, mas a pressão do governo é que na Farm Bill (lei que consolida os programas da política agrícola americana até 2012) se limpe muito os subsídios. O Brasil terá mais oportunidades de entrar no mercado americano não só com carne e etanol. O fato de a crise internacional ter fragilizado tanto a economia americana e, no momento, o governo Obama estar tão voltado para questões internas não dificultam a aproximação com o Brasil? De um lado atrapalha, porque na hora da crise é natural se olhar para as necessidades internas. Mas, por outro lado, a importância relativa do Brasil aumenta. É muito mais fácil fazer negócios com o Brasil do que com a Rússia, com a China e com a Índia. O que eu acho muito interessante nos Estados Unidos é que eles separam política externa de comércio. Hugo Chavez está aí, com conflitos evidentes, e os Estados Unidos seguem importando muito e muito bem petróleo de lá. O mesmo vale para a China. A vida continua. Os americanos são muito pragmáticos. E o Brasil, em seu modelo, junta política externa com negociação. Às vezes, isso pode trazer dificuldades. Na medida em que o mundo se torna mais complexo e o Brasil, mais importante, há de se pensar nesse aspecto. Jornal ‘Valor Econômico" Caderno: Internacional Argentina vai tabelar combustíveis Daniel Rittner, de Buenos Aires Em meio à disparada da inflação na Argentina, o governo deverá usar uma lei criada há 36 anos pelo general Juan Domingo Perón para controlar a alta dos preços de combustíveis. Os aumentos recentes da gasolina em Buenos Aires, que rompeu a barreira psicológica de quatro pesos (cerca de R$ 2), levaram a Casa Rosada a fazer uma ameaça direta contra os revendedores. Sem nenhum anúncio formal, as indicações de que a Lei de Abastecimento será usada tiveram origem em uma nota da agência oficial de notícias Télam, que funciona como uma espécie de porta-voz do governo. A nota citava "fontes" da Secretaria de Comércio, chefiada pelo polêmico economista Guillermo Moreno, e não foi desmentida pela Casa Rosada. Segundo a Télam, haverá intervenção no mercado a partir desta semana. A Lei de Abastecimento autoriza ao governo fixar preços, suspender exportações e mexer nas tarifas de importação. Foi criada em 1974 e promulgada apenas dias depois da morte de Perón. Analistas levantaram a possibilidade de contestação judicial da medida, já que a situação não é de escassez de combustíveis e seus preços são livres. No mercado de distribuição, segundo apurou o Valor, prevalece a interpretação de o alvo da ameaça é a Shell. A petrolífera anglo-holandesa tem péssima relação com o governo e foi a única do setor que não conteve os aumentos de preços nos últimos meses. Na administração do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), ela chegou a sofrer com boicotes de consumidores estimulados pela Casa Rosada e com piquetes de sindicalistas ligados ao governo. A participação da Shell na revenda de combustíveis é de 16%. Ela perde apenas para a YPF Repsol, que controla mais de 40% do mercado. A fatia da Petrobras está em torno de 6%. Era o dobro disso, mas a estatal brasileira vendeu metade de seus postos de gasolina para o empresário argentino Cristóbal López, da Oil M&S, no primeiro semestre. A associação que reúne os donos de postos de bandeira manifestou temor com a aplicação da lei. Para a entidade, não há margem para corte de preços e isso pode comprometer a viabilidade das operações. A alta dos combustíveis é apenas o novo capítulo da disparada inflacionária. A taxa de julho, segundo o controvertido Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), alcançou 0,8%. Foi o suficiente para elevar a inflação acumulada em 12 meses para 11,2%, o nível mais alto em quatro anos. Consultorias privadas contestam o indicador e dizem que a inflação "real" ficará perto de 25% em 2010. Jornal "O Estado de S. Paulo" Caderno: Economia A política externa sob Lula - o fim do consenso Pedro da Motta Veiga No final dos anos 90 e início da primeira década do século 21, o que chamava a atenção dos analistas da política externa brasileira era a resiliência do paradigma de política. Essa continuidade se impunha apesar das importantes mudanças por que o País passara na década de 90: liberalização comercial e do regime de investimentos, participação num número significativo de negociações comerciais ambiciosas, etc. Em relação a este quadro, a década que termina trouxe importantes alterações. Novos fatores domésticos se desenvolveram e passaram a influenciar o desenho da política externa. De um lado, registra-se o surgimento de interesses econômicos ofensivos nas negociações internacionais, em contraste com nossa tradição defensiva. De outro, emergiram objetivos propriamente políticos na agenda internacional do Brasil. Enquanto o primeiro fator traduz transformações estruturais da economia - o surgimento do agribusiness competitivo e de empresas transnacionais brasileiras -, o segundo resulta de decisão política, mas certamente se apoia em evoluções internas e externas que tornam possível sua emergência. A principal modificação introduzida pelo governo Lula no paradigma que dominou a estratégia externa brasileira nas últimas décadas é a valorização da dimensão propriamente política da estratégia e o condicionamento dos objetivos econômicos à "variável política". Agora, eles passam a ser perseguidos dentro de um quadro de prioridades e restrições definido por uma visão política. Em algumas frentes, política e economia podem divergir, como atestam críticas empresariais à submissão das negociações comerciais a objetivos políticos. Em outras, porém, política e economia convergem e se alimentam reciprocamente, na lógica do que Luiz Werneck Vianna chamou "um bismarquismo tardio": campeões nacionais apoiados pelo Estado se projetam em escala transnacional e fazem o contraponto empresarial à busca estatal por protagonismo internacional. Negócios privados significativos são gerados para empresas brasileiras na esteira das amizades presidenciais na América Latina e legitimam, no setor empresarial, a entrada da Venezuela no Mercosul. A perda de relevância relativa da lógica econômica em beneficio da política está na origem do distanciamento do País, nos últimos anos, do pragmatismo que prevaleceu nas décadas anteriores. Os que criticam a política externa de Lula por ter abandonado os princípios de uma política de Estado, substituindo-a por uma linha de ação ideológica, referem-se a duas evoluções. Primeiro, apontam para essa distância em relação ao pragmatismo e aos objetivos econômicos que a introdução da política gera na estratégia externa brasileira. Mas esse tipo de crítica à "ideologização" da política externa ainda aponta para uma divergência quanto aos valores (políticos) que estariam guiando a estratégia externa do País recentemente. Ora, um valor político central veiculado pela diplomacia do governo Lula é o explícito questionamento da distribuição do poder no cenário global. A importância dessa "grade de leitura" da ordem internacional para a estratégia externa do governo aparece na já citada esfera das negociações comerciais, mas também nas alianças preferenciais (Brics, Ibas, etc.) feitas pelo País em diferentes foros nos últimos anos. A prioridade concedida à redistribuição de poder em escala mundial justificaria, para os defensores dessa visão, não só uma postura de resistência a regimes internacionais politicamente injustos e economicamente intrusivos, mas também a aproximação com países cuja estratégia de emergência internacional se baseia num anti-hegemonismo ostensivo. Mas, no debate interno do Brasil atual, a passagem do questionamento da hierarquia de poder definida pela ordem global vigente - considerado legítimo por críticos da política - à aproximação com regimes de estratégia de emergência internacional anti-hegemônica tem sido cada vez mais criticada. Esse questionamento tem duas dimensões. Uma é de ordem estratégica: aproximar-se de países anti-hegemônicos é uma política adequada para promover a emergência de um mundo multipolar e nele posicionar o Brasil como interlocutor incontornável? Outra é da ordem dos valores políticos: questionar a ordem global estabelecida justifica desconsiderar preocupações com a defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas? Na diplomacia de Lula - e sobretudo na do seu segundo governo - o questionamento da ordem global como fim (e não meio) assumiu a posição de valor político principal, sobrepondo-se a outros, como o respeito aos direitos humanos. Estes são vistos, por alguns defensores da política, como problemas essencialmente domésticos dos Estados nacionais e, por outros, como valores "ocidentais" promovidos para ocultar os interesses estratégicos dos países hegemônicos. Uma presença maior do País na agenda mundial exige efetivamente o enfrentamento, pela política externa, da questão dos valores políticos que a devem nortear. Em vez de criticar a "ideologização" da política externa de Lula, que nada mais é do que a expressão de uma visão política do mundo e da estratégia do País, seus críticos devem explicitar e defender seus próprios valores e sua concepção de ordem internacional. Pedro da Motta Veiga -DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CINDES) Caderno: Internacional Chanceler destaca papel de Lula e Kirchner em resolução de crise com Venezuela COLÔMBIA - A chanceler colombiana, María Angela Holguín, anunciou ontem que viajará em breve à Venezuela e ao Equador e destacou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-líder argentino Néstor Kirchner - secretário-geral da Unasul - na normalização das relações com a Venezuela. Holguín disse à revista Semana que se reunirá na sexta-feira em Caracas com funcionários do governo de Hugo Chávez e três dias depois irá a Quito para discutir sobre os programas de integração, desenvolvimento fronteiriço e a situação dos refugiados colombianos. Ela também discutirá os pontos que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e Chávez acertaram na terça-feira passada para restabelecer plenamente as relações. Chávez havia cortado os laços com Bogotá após o governo de Álvaro Uribe, que deixou a presidência da Colômbia no dia 7, denunciar a presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano. Jornais dos Países Membros do Mercosul Paraguay "ABC" Sección: Política Bases militares de EE.UU. impiden la integración, afirma Evo Morales El presidente de Bolivia, Evo Morales, se pronunció ayer contra las bases militares norteamericanas, afirmando que las mismas impiden la integración y el desarrollo de los pueblos en Latinoamérica. Fue durante una rueda de prensa ofrecida en la tarde de ayer, ocasión en que también abogó por el ingreso de Venezuela al Mercosur. "Donde haya bases militares (norteamericanas) no se garantiza la integración de los pueblos", manifestó el mandatario boliviano en la rueda de prensa ofrecida en el céntrico hotel Granados Park, donde hizo un repaso sobre su intervención en el Foro Social Américas y apenas escuchó dos preguntas de los periodistas antes de regresar a su país. "Yo estoy convencido de que donde está el imperio (Estados Unidos) y sus bases militares jamás va a haber integración", puntualizó Evo Morales al asegurar que la expulsión de los militares norteamericanos de Bolivia facilitó a la integración de países vecinos mediante la utilización de sus bases para recibir a presidentes de naciones amigas. Cuando Chimoré era una base militar norteamericana en Bolivia, "nadie de Bolivia, ni el presidente ni el vicepresidente" del país, podían aterrizar en ese lugar, dijo Evo Morales en la rueda de prensa. Después "ganamos, derrotamos con propuestas programáticas, ideológicas, con políticas de liberaciones, expulsamos a la DEA" y Chimoré comenzó a ser utilizado por los bolivianos recibiendo en esa base a los presidentes de naciones vecinas de Venezuela, Brasil y otros países, agregó el mandatario andino. Además de "trabajar" contra la integración de los países latinoamericanos, las bases norteamericanas gestan y apoyan golpes de Estado y el más claro ejemplo de ello es Honduras, agregó el presidente de Bolivia. En donde haya bases militares (de Estados Unidos) no se garantiza la integración de los pueblos", sentenció Evo Morales. Venezuela y Mercosu En otro momento de su encuentro con periodistas paraguayos y extranjeros, el presidente de Bolivia aprovechó la ocasión para abogar por el ingreso de Venezuela al Mercosur. "Nuestro deseo es que Venezuela forme parte del grupo" del Mercado Común del Sur (Mercosur), sostuvo Morales al señalar que el citado bloque sudamericano es un espacio político de integración. Unasur y Paraguay Evo Morales también habló del ingreso de Paraguay a la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) y, al respecto, dijo haber conversado con parlamentarios paraguayos. "Hablé con algunos diputados y senadores" sobre el ingreso de Paraguay a Unasur, declaró Evo antes de señalar que los legisladores locales le dijeron que "el caso está en la agenda" del Congreso. Unasur es un importante espacio de integración que ayudará al desarrollo de los pueblos latinoamericanos, enfatizó el presidente boliviano en la rueda de prensa. Sección: Economía Critican pasividad del sector privado en cumbre argentina del Mercosur El ex ministro de Hacienda César Barreto cuestionó la apatía que existe en el sector empresarial, porque no mostró interés alguno en los últimos acuerdos firmados en el marco de la Cumbre del Mercado Común del Sur (Mercosur), en San Juan, Argentina, muchos de los cuales no beneficiarán a nuestro país. Agregó que las negociaciones de comercio internacional afectan significativamente al sector privado, y que cualquier acuerdo que se firme con otro país o región impactará con fuerza en las operaciones de las empresas que trabajan en el país. Enfatizó que en la última cumbre regional los acuerdos hayan sido presentados después de su firma, " que no es lo correcto. Antes de la firma se tenía que haber conversado entre los sectores público y privado para ver cuál iba a ser la postura a asumir respecto de cada uno de esos temas", afirmó. Consultado sobre los temas "acordados" en esa cumbre, el ex ministro respondió: "El flujo de ingreso y salida de mercaderías del país, la Unión Aduanera es importante allí, sobre la cual debió conversarse previamente para tener una posición clara al respecto. Además, la firma de acuerdos de acceso a otros mercados, donde el Mercosur fue muy poco efectivo en estos 20 años". Sobre el punto, Barreto añadió que vio cómo Chile, Perú y Colombia, que firmaron cinco, 10 ó 15 tratados de libre comercio con otras zonas comerciales, y el Mercosur, con el Paraguay detrás no logró hacerlo. "Y eso marca una diferencia muy significativa en el comercio internacional y de crecimiento y desarrollo que puede tener un país determinado", dijo. Requerido sobre las tareas del empresariado para lograr mayor participación, afirmó que de la necesidad de fijar mecanismos de diálogo institucional entre ambos sectores, en los que el sector privado debe tener una agenda clara sobre temas, como los acuerdos de libre comercio, por ejemplo qué necesitan para tener para acceder a los mercados, y discutirlo con el sector público para llevar una agenda de negociaciones consensuadas y acompañarlas. En cuanto a la idea de que nuestro país debe librarse del "corsé" que es Mercosur, contestó: "Yo creo que Paraguay debe pedir un tipo de ‘Waiver’ (dispensa o permiso para no hacer o cumplir algo) al Mercosur que le autorice a negociar individualmente con algunas regiones o países acuerdos que le puedan beneficiar más al Paraguay que como región no tenga esa prioridad determinada". Uruguay "El Pais" Editorial Jugando a la Unasur Hans Cristian Andersen es uno de los mejores autores de cuentos para niños del siglo XIX. Dentro de la vasta obra de ese gran escritor danés, muchos lectores recordarán el relato titulado "El traje nuevo del Emperador" a quien le gustaba exhibirse todos los días con trajes diferentes y al cual dos estafadores engañaron, diciéndole que eran capaces de hilar las mejores telas del mundo, las que tenían la cualidad de ser invisibles para quienes no supiesen desempeñar sus cometidos o fuesen extraordinariamente tontos. Entusiasmado, el Rey se mandó hacer un traje con la tela que le ofrecían, y ya listo, se paseó sin ropas bajo un alto dosel mientras dos chambelanes sostenían una inexistente cola. Para no quedar comprendidos en aquella doble condición, todos los nobles elogiaban la hermosura de la tela y la calidad de los dibujos, hasta que un niño se le ocurrió decir: pero si va sin ningún traje. Muchas veces se ha recurrido a citar ese cuento para identificar a quienes no reconocen las cosas obvias o no se animan a llamarlas por su nombre. Con la Unión de Naciones Suramericanas, más conocida como Unasur, ocurre algo parecido. Se trata de un mamarracho y casi nadie se anima a decirlo. Nacida el 23 de mayo del 2008 en Brasilia, bendecida por doce países del Continente empujados por Venezuela, con el propósito de "construir una identidad y ciudadanía suramericana y desarrollar un espacio regional integrado" nadie trató de disimular que era un instrumento de rebeldía contra Estados Unidos, lo que no impidió que una de las versiones oficiales del Tratado se redactara en inglés y que entre los idiomas oficiales de la Unión también se reconociera el inglés, pese a que ese no sea el idioma de ninguno de los países que la integran. La primer sorpresa que agrede al lector del instrumento es que dentro de los órganos de la Unasur se alude a un "Consejo de Jefas y Jefes de Estado y de Gobierno"; a un "Consejo de Ministras y Ministros de Relaciones Exteriores" y a otro de "Delegadas y Delegados" incorporando a los textos internacionales aquella discriminación de género que el Presidente Vázquez lanzara al asumir el cargo ("uruguayos y uruguayas") y que los súbditos recogieron en forma casi unánime desconociendo lo que dispone la Real Academia. No es ese el único defecto que se le pueda imputar. El artículo 26 dispone que entrará en vigor "treinta días después de la fecha de recepción del noveno instrumento de ratificación" y hasta el momento sólo lo han ratificado seis países, Bolivia, Ecuador, Guyana, Perú, Venezuela y Argentina y la mayoría ni siquiera lo han aprobado -como es el caso de Uruguay-, lo que no ha impedido que en los dos años transcurridos, unos señores que no son desocupados y que se presume tienen mucho que hacer, entre otras cosas, se hayan reunido en un Consejo de Ministros de Relaciones Exteriores de un solo sexo, intentando mediar en el conflicto que mantienen Colombia y Venezuela y se hayan sacado fotos de familia alimentando una vida artificial propia. Disponiendo incluso de un Secretario General nombrado y cobrando sueldo, a cuya designación contribuyera Uruguay sumándose rápidamente a un consenso también irregular, ya que el proyecto de Tratado dispone que el titular debe residir en Quito y tener dedicación exclusiva al cargo, en una doble exigencia que no se cumple y de lo cual ninguno de los Estados se da por enterado. Nuestro país, por su parte, que se negó a votarlo durante la administración Vázquez, procedió rápidamente a darle su voto a través del Presidente Mujica, con la complicidad del Ministro de Relaciones Exteriores que debió haberle advertido que se trataba de un disparate, y ahora deja dormir el texto en la Comisión de Asuntos Internacionales de la Cámara de Diputados, anunciando que el tema no se discutirá antes de fin de año. Esa falta de seriedad, dando por vigente lo que no ha sido aprobado, jugando a las visitas como parte de un organismo de papel, justificaría que otro niño, como aquél del cuento, diga "Pero si no existe". Sección: Ciudades Melo será sede de encuentro de municipios del Mercosur. Representantes de Brasil, Argentina y Chile participarán MELO | NÉSTOR O. ARAÚJO El intendente Sergio Botana, en calidad de anfitrión, el presidente de ABM (Asociación Brasileña de Municipios), Luiz Alberto Muniz, el secretario de ABM, José Carlos Rassier y el presidente del Instituto Latinoamericano para el Desarrollo de la Educación, Ciencia y Cultura, Atanagildo Brandolt, dieron detalles del encuentro que se desarrollará en Melo desde el 8 al 11 de diciembre. Llegarán para la actividad unos 300 representantes de cada una de las principales ciudades de los países que integran el Mercosur. Confirmaron su participación en la instancia, integrantes de la Asamblea Constituyente de Rio Grande do Sul, Foro de Mujeres del Mercosur, Federación de Municipios de Argentina, Congreso de Intendentes de Uruguay, Ministerio de Relaciones Exteriores de Brasil, Asociación Gaúcha de Municípios, Consulado del Paraguay, Consulado de Chile y representantes del gobierno de la República federativa del Brasil. La realización del II Encuentro de Ciudades Integradas del Mercosur, pretende que estas ciudades actúen en forma integrada en todo lo que tiene que ver con las decisiones de los gobiernos de cada país, haciendo valer las autonomías de las ciudades,dijo el presidente de ABM Luiz Alberto Muniz; el que agregó que "se pretende fortalecer la agenda y los postulados del Foro Consultivo de los Municipios, Provincias y Departamentos del Mercosur, establecidos en la reunión Cumbre del 18 de enero de 2007 en la ciudad de Rio de Janeiro, con la participación de todos los países miembros, donde fue definida una agenda temática para las ciudades representadas. El encuentro tendrá como resultado la aprobación de la II Carta de Ciudades del Mercosur, conteniendo propuestas y objetivos que serán enviados a las autoridades competentes". Los objetivos están centrados en el perfeccionamiento de la gestión pública, con la constitución de la Red de Ciudades Integradas que actúen para cumplir las metas y objetivos del milenio propuestos por la ONU. El intendente Sergio Botana cursó invitación a los 18 intendentes del país para ese día "dada la importancia de un evento como éste, promovido por la Asociación Brasileña de Municipios y otras instituciones para fomentar la cooperación e integración a partir del respeto a particularidades de cada ciudad, teniendo como horizonte el perfeccionamiento de la gestión y la ejecución de políticas públicas a nivel nacional o supranacional", sostuvo el jefe comunal arachán. La comitiva brasileña que hizo el anuncio en Melo estableció que estas instancias vienen a cumplir la función de estimular los lazos de cooperación entre las comunidades latinas, constituyéndose en espacios de promoción de la integración regional para el intercambio de experiencias y la definición de acciones estratégicas entre los diferentes niveles de gobierno. "El Observador" Sección: Actualidad Mujica ofreció puerto y apoyo en barcos a Paraguay y Bolivia. EL PRESIDENTE ESTÁ DE VISITA EN ASUNCIÓN Ayer se reunió con Fernando Lugo y Evo Morales, también con empresarios El presidente José Mujica reiteró su ofrecimiento a los presidentes de Paraguay, Fernando Lugo, y de Bolivia, Evo Morales, de construir en conjunto un puerto de aguas profundas en Rocha que sirva a estos países como salida al mar. Mujica también ofreció el apoyo de su gobierno para la construcción de barcazas. Esto fue en respuesta a un planteo de Lugo y Morales respecto a la necesidad que tienen sus países de contar con transporte fluvial para sacar sus productos hacia el exterior a través de la hidrovía Paraguay, Paraná, Uruguay. Mujica se reunió ayer en Asunción con ambos mandatarios en un encuentro pactado para reimpulsar el bloque compuesto por los tres países –Urupabol– y para celebrar los dos años de Lugo al frente del gobierno paraguayo. Respecto al bloque subregional, los tres mandatarios acordaron realizar nuevas reuniones en Montevideo el mes próximo para avanzar en aspectos concretos de la integración logística y, sobre todo, energética. En esas reuniones participarán comisiones técnicas de los países involucrados. Después, en noviembre, habrá una nueva reunión de los presidentes Mujica, Lugo y Morales, también en Uruguay. Uruguay negocia con Bolivia la importación de gas y con Paraguay la compra de energía excedente de sus gigantescas centrales hidroeléctricas. En toda la negociación está involucrado el gobierno argentino de la presidenta Cristina Fernández de Kircher, ya que los gasoductos y las conexiones eléctricas pasan necesariamente por territorio del vecino país antes de llegar a Uruguay. En ese sentido los ministerios de Industria de Uruguay, Argentina y Bolivia negocian desde hace un par de meses el peaje que se pagará para acceder al producto boliviano. Uruguay pretende llegar a un flujo de 300 mil metros cúbicos permanente de gas boliviano. A su vez, tiene decidida la instalación, en sociedad con Argentina, de una planta regasificadora en Montevideo. (Agencias)

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