sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 10/08/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

10.08.2010 Jornal "Correio Braziliense" Opinião Dívida latina Carlos Alexandre carlosalexandre.df@dabr.com.br A quatro meses de concluir o segundo mandato, Lula encerra a passagem pela Presidência da República com notável lacuna: a integração latino-americana. A força econômica do Brasil, capaz de resistir à profunda crise que abalou os Estados Unidos e a Europa, e a projeção internacional do presidente foram insuficientes para tirar da debilidade o Mercosul ou promover a estabilidade política na região. Mais do que desperdiçar oportunidades econômicas, o Brasil se perdeu em discussões ideológicas inconsequentes e demonstrou constrangedora simpatia a regimes sem compromisso com a democracia. O imbróglio Colômbia e Venezuela exemplifica o desajuste da política externa brasileira em relação ao continente. Poucos dias antes de passar a chefia de governo para Juan Manuel Santos, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe considerou "deplorável" a avaliação ligeira de Lula a respeito do rompimento entre os dois vizinhos. Foi um "chega pra lá" bastante veemente, uma manifestação clara de que o líder brasileiro não é tão unânime quanto se poderia imaginar. Uribe concluiu oito anos de mandato com 80% de aprovação, elegeu seu ministro como sucessor — a exemplo das pretensões de Lula — e manteve significativo ciclo de crescimento econômico, apesar do alto e persistente desemprego. Mas é no combate às Farc que Uribe obteve o maior trunfo. E, Lula, com a habitual inclinação a Hugo Chávez, levou uma sonora tunda. Para o próximo titular do Planalto, a questão sul-americana permanece em aberto. O continente espera do Brasil uma postura mais pragmática e menos ideológica, mais interessada em resultados do que em retórica. A conjuntura internacional exige participação mais ativa dos governos. Os Estados Unidos procuram redefinir o papel da Casa Branca na economia, na guerra ao terror, nos serviços de saúde. Os integrantes da União Europeia, por sua vez, impuseram rigoroso ajuste fiscal a fim de equilibrar as contas e não comprometer o legado em benefício de quase meio bilhão de pessoas. Antes de ingressar no Primeiro Mundo, seria recomendável o Brasil dar mais atenção aos vizinhos. Jornal do Senado Caderno: Mercosul Inspirado na União Europeia, Mercosul pode ter tribunal de contas A proposta é de Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União que participou ontem de reunião da Representação Brasileira no Parlasul Os investimentos feitos nos países do Mercosul com recursos dos contribuintes brasileiros já começaram a ser acompanhados por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), segundo anunciou ontem o ministro Augusto Nardes aos integrantes da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), em Montevidéu, no Uruguai. Ele defendeu a proposta de criação de um tribunal de contas para o bloco, inspirado no modelo europeu. Segundo Nardes, que esteve na reunião a convite do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), serão concluídas até outubro as duas primeiras auditorias realizadas por iniciativa do TCU a respeito dos programas de combate à febre aftosa e da implantação da biblioteca da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR). Ambos com recursos do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Os resultados das duas auditorias serão encaminhados ao Parlasul. — O Tribunal de Contas do Mercosul seria nos moldes do Tribunal de Contas da União Europeia, que foi criado antes do próprio Parlamento Europeu. A população quer saber se os recursos empregados no Mercosul estão sendo bem utilizados — disse Nardes. Apenas durante a última reunião de cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Juan, no início de agosto, foram aprovados projetos nos quatro países do bloco no valor total de US$ 793,9 milhões, dos quais US$ 587,6 milhões com recursos do Focem. O principal projeto aprovado é o de construção de uma linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Itaipu até Assunção, capital do Paraguai, para a qual o fundo destinará US$ 400 milhões. A interconexão elétrica entre o Uruguai e o Brasil, por sua vez, receberá US$ 83,1 milhões do Focem. O Brasil contribui com 70% do Focem. A iniciativa do TCU de acompanhar a utilização do dinheiro dos contribuintes brasileiros pode ser vista como um primeiro passo para o controle sobre a utilização dos recursos do fundo. O segundo passo, na opinião do ministro, poderá ser a implantação do Tribunal de Contas do Mercosul. A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) já apresentou ao Parlasul projeto de resolução que determina o acompanhamento dos investimentos feitos com recursos do Focem e de outros fundos que já foram ou venham a ser criados pelo bloco. — Tem que haver garantia de fiscalização e acompanhamento desses gastos, e daí nasce a ideia de se criar uma organização dos quatro países com esse objetivo. O Mercosul só vai se consolidar quando tiver um parlamento e um tribunal de contas efetivos — afirmou. Mercadante assume presidência do Parlasul e critica "mercocéticos" Ao tomar posse ontem, em Montevidéu, como presidente do Parlamento do Mercosul, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) criticou os chamados "mercocéticos" e fez uma ampla defesa da integração regional. Ele propôs o estabelecimento, pelo parlamento, de uma agenda de temas importantes "a ser discutida em profundidade com as sociedades do bloco e transformada em propostas concretas de normas e de harmonização de legislações". Mercadante admitiu, "com preocupação", que, nos seus primeiros três anos de existência, o Parlasul não explorou suas novas funções como poderia. — Precisamos ultrapassar com urgência essa fase inicial do Parlamento, sob pena de desperdiçarmos o potencial desse órgão legislativo e convertê-lo em instituição de pouca relevância — sugeriu. O senador criticou os "mercocéticos" por defenderem, atualmente, uma flexibilização do bloco regional, para que ele se limite a uma área de livre comércio — e não seja mais uma união aduaneira, "ainda que imperfeita e incompleta". Caso prevalecesse a tese dos críticos, alertou, o Mercosul passaria a ser uma espécie de área de livre comércio do sul, e todas as instituições e todos os acordos firmados até agora teriam de ser revistos. O próprio Parlasul, observou, "perderia inteiramente a sua razão de ser". Manifesto pede ao Irã que reveja condenação de mulher à morte O Parlamento do Mercosul externou ontem indignação com a sentença à morte, por apedrejamento, da iraniana Sakineh Ashianti. Por meio de projeto de declaração apresentado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e pelo deputado Dr. Rosinha (PT-PR), aprovado por unanimidade, os parlamentares do bloco comercial pedem à Justiça do Irã que reveja a sentença, por não contribuir, segundo o documento, para que a República do Irã "se integre à comunidade internacional". A condenação à morte, de acordo com a declaração, "afronta de modo absolutamente inaceitável os direitos humanos fundamentais, particularmente os relativos às mulheres". Os representantes dos países do bloco manifestaram ainda a disposição dos estados partes do Mercosul de receberem Sakineh como refugiada, por motivos humanitários, "se ela assim o desejar". Ao defender a proposta, os dois parlamentares observaram que a morte por apedrejamento, embora conste da lei islâmica milenar, a Xariá, já foi abolida na grande maioria dos países muçulmanos, por ser considerada "uma forma extremamente cruel e bárbara de execução". Além disso, recordaram, a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que "ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante". Ao apoiar a proposta, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) observou que o Parlasul não poderia deixar de se manifestar sobre a condenação. Ela recordou que ambientalistas demonstram em diversos países sua oposição ao extermínio de animais, como as baleias. Da mesma forma, comparou, é repelir qualquer tratamento "desumano e cruel" aos seres humanos. Também a favor da proposta, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) lembrou que muitas mulheres ocidentais "ainda sofrem com a força do machismo". Parlasul aprova novo calendário de reuniões Conforme o novo calendário aprovado pelo Parlasul, os parlamentares do bloco comercial voltarão a se reunir este ano nos dias 13 de setembro, 18 de outubro, 22 de novembro e 13 de dezembro. A última data poderá ser alterada para que coincida com a reunião de cúpula que marcará a conclusão da presidência brasileira do Mercosul. Foi também aprovada proposta de acordo de cooperação entre o Parlasul e o Conselho Consultivo da Sociedade Civil Argentina, com o objetivo de estimular a participação de movimentos sociais argentinos nos debates do parlamento. Da mesma forma, recebeu aprovação proposta que declara de interesse regional a realização das jornadas internacionais Dez Dias da Democracia Global na Argentina. Retomada de diálogo entre Colômbia e Venezuela tem apoio do órgão O Parlasul expressou ontem sua "imensa satisfação" com a disposição ao diálogo demonstrada pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Juan Manuel Santos. Manifestou ainda que a normalização da relação entre os dois países "é de fundamental importância para a América do Sul e para o processo de integração regional". O texto aprovado foi o de um projeto de declaração apresentado pelos parlamentares brasileiros Aloizio Mercadante (PT-SP) e Dr. Rosinha (PT-PR), além do parlamentar paraguaio Eric Salum. Por meio do texto, os integrantes do Parlasul também manifestam sua esperança de que seja encontrada uma solução política para o "longo conflito interno colombiano, que gera instabilidade na Colômbia e em seus vizinhos". Chávez chegou a romper relações com a Colômbia, depois que o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe denunciou a existência, em território venezuelano, de bases de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A posse de Santos gerou expectativas de normalização das relações bilaterais. — Saudamos a disposição do novo governo colombiano de restabelecer o diálogo. O governo venezuelano também sinalizou com a mesma disposição. Mais importante ainda, o novo governo colombiano se mostrou disposto a retomar as negociações com as Farc, desde que elas abdiquem da violência como forma de luta. É o que nós gostaríamos que acontecesse; que houvesse um novo entendimento e que a Colômbia caminhe na direção dos outros países da região, um caminho de paz — afirmou Mercadante. Acordo Também foi aprovada pelo Parlasul proposta de declaração da "mais absoluta satisfação" pela solução encontrada pelos governos da Argentina e do Uruguai para o conflito que envolveu os dois países após a instalação, no Uruguai, de uma indústria de celulose. Os argentinos ressaltaram, desde o início da implantação da usina, o risco de poluição das águas da bacia do Prata. O acordo estabelece o monitoramento conjunto, por cientistas dos dois países, do rio Uruguai e de "todos os estabelecimentos industriais, agrícolas e centros urbanos" que despejem seus dejetos no próprio rio e na sua área de influência. Jornal do Brasil Caderno: Economia Mercosul Lula celebra fim da TEC O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a 39ª Cúpula do Mercosul em San Juan (Argentina) foi a reunião mais produtiva dos últimos oito anos, com destaque para o fim da cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) entre os integrantes do bloco. Jornal "Valor Econômico" Opinião Quem descobriu a América (do Sul)? Antonio José Ferreira Simões Nossa inserção na América do Sul não é mercantilista: visa a integração e a solidariedade. É preciso que todas as partes sintam que ganham algo Quem descobriu o Novo Mundo? Todos sabem a resposta. Mas nem todos lembram o quanto custou a Cristóvão Colombo persuadir os líderes e a sociedade de sua época sobre sua iniciativa. Sem apoio em Gênova, Colombo buscou o rei de Portugal, que também lhe rejeitou a ousada proposta. Desbravar novos mares, em vez de explorar o próspero comércio mediterrâneo?! Mais flexíveis, os reis da Espanha deram uma chance a Cristóvão. Meses depois, em 1492, ao saberem do descobrimento das Américas, muitos setores ibéricos reagiram com contínua desconfiança: Novo Mundo? Para quê? Foi preciso dar tempo ao tempo para que a nova realidade fosse percebida. Hoje está claro que as navegações ibéricas produziram uma transformação no mundo ao deslocarem o centro de gravidade da economia mundial do Mediterrâneo para o Atlântico e ao projetarem o domínio do Ocidente. Os poderosos centros comerciais da Itália cederam lugar a Espanha e Portugal, que ascenderam em riqueza e esplendor. Logo em seguida, o nascente capitalismo holandês e inglês fez do comércio a mola mestra da nova prosperidade europeia. Hoje também vivemos profundas transformações. Fareed Zakaria, com seu livro "O Mundo Pós-Americano", explica que o fenômeno é menos a decadência relativa dos Estados Unidos e mais a ascensão dos demais. Para ter-se uma ideia, observem-se fatos que eram impensáveis há 10 anos: de acordo com a revista "Forbes", o homem mais rico do mundo não é americano, mas mexicano. Da lista de bilionários, fazem parte dois indianos (3º e 4º lugares) e um brasileiro (8º lugar). Podemos citar vários outros exemplos: o maior shopping center do planeta não está no Ocidente, mas em Pequim. Entre as multinacionais que podem colocar-se entre as 25 maiores, há quatro do Brasil, quatro do México, três da Índia, duas da China, uma da Argentina e uma do Chile. O eixo da economia mundial vai-se deslocando para o Sul. A locomotiva já não está nos países ricos, mas no mundo emergente. Está ocorrendo aos poucos, mas firmemente, a desconcentração de riquezas no planeta. Entre 1990 e 2007, o PIB mundial passou de US$ 22 trilhões para US$ 54 trilhões - sendo que metade desse crescimento se deu nos mercados emergentes. Em 2030, Brasil, Índia, China e Rússia, os Brics, representarão 50% da produção mundial. Quem deixar de ver essa tendência pode ficar à margem e perder capacidade de influir, como os genoveses que viram pouco sentido em investir no comércio com o Novo Mundo e continuaram apostando em Florença. A política externa brasileira está muito atenta a essas transformações. Está procurando usar as forças que buscam redesenhar a geografia política, econômica e comercial em favor do desenvolvimento do Brasil. É sob essa perspectiva que deve ser compreendida a política para a América do Sul. O subcontinente é, hoje, o centro dinâmico do comércio internacional do Brasil. Como mercado para as exportações brasileiras, a América do Sul é maior do que os Estados Unidos. Entre 2002 e 2008, nossas exportações para a região cresceram 412%, passando de US$ 7,5 bilhões para US$ 38,4 bilhões. Deste total, 90% são bens manufaturados - ou seja, aqui vendemos produtos elaborados, com alta margem de valor agregado, e não apenas produtos primários. No Brasil, as exportações para a América do Sul geram impostos e empregos de carteira assinada. Diferentemente dos países ricos, que recorrem a milionários subsídios e barreiras elevadas para impedir nosso acesso, o potencial de ampliação de nossas exportações é muito elevado na América do Sul. No sentido inverso, o Brasil pode ser uma fonte de dinamismo para as economias sul americanas. Em 2002, comprou da região US$ 7,6 bilhões. Em 2008, esse número passou a quase US$ 25 bilhões (mais 220%). Esse novo dinamismo gera renda e empregos formais para milhões de sul-americanos, criando um efeito de estímulo mútuo ao crescimento. A presença de empresas brasileiras na América do Sul está colaborando para transformar a infraestrutura dos países vizinhos, com a construção de estradas, aeroportos, hidrelétricas, petroquímicas. O governo brasileiro financia parte dos projetos, principalmente por meio do BNDES. O total de financiamento em 2009 chegou a US$ 8 bilhões para a América do Sul. Nossa inserção na região não é, porém, mercantilista: visa a integração e a solidariedade. É preciso que todas as partes sintam que estão ganhando algo. Há desequilíbrio com os vizinhos - as chamadas assimetrias - que precisamos compensar. John Kennedy dizia que é perigoso ser rico num mundo de pobres. É preciso crescer com os vizinhos, gerando sinergias. Com a Unasul, estamos criando uma frente de países que podem explorar a força do coletivo e aproveitar as oportunidades desse Mundo Novo. Da mesma forma que o rei de Portugal desdenhou Cristóvão Colombo, ainda há vozes no Brasil que não compreendem as oportunidades da nova geografia mundial. É hora de o Brasil descobrir a América do Sul. É o lugar do Brasil no Admirável Novo Mundo que está em jogo. Antonio José Ferreira Simões é Embaixador, é subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores. América Latina e Ásia Javier Santiso A China vem ocupando espaço que antes era do Japão nas relações com a América Latina, ao mesmo tempo que supera o vizinho como segunda maior economia do mundo As relações entre América Latina e Ásia vêm passando por mudanças drásticas. Por décadas, o Japão dominou essa relação, no papel de principal parceiro comercial e financeiro na região, por parte da Ásia. Agora, a China vem tomando essa liderança, ao mesmo tempo que supera o vizinho asiático como segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos. Entre 1990 e 2008, as relações entre América Latina e Japão cresceram, mas em um ritmo menos sustentável que as da China com a região. Em 2008, o intercâmbio comercial entre América Latina e Japão somou cerca de US$ 60 bilhões (US$ 30 bilhões de importações e de exportações), enquanto o da China com a região disparou e chegou a US$ 140 bilhões (cerca de US$ 70 bilhões para cada componente). O ponto de inflexão foi o ano 2002, quando a China superou o Japão pela primeira vez como principal parceiro comercial asiático da América Latina. A diferença continuará se aprofundando nos próximos anos graças à ascensão econômica da China, já que o país continuará precisando consumir matérias-primas em grande escala para sustentar a decolagem de sua economia. A relação comercial dos dois países com a América Latina foi estruturada ao redor das matérias-primas. A ascensão chinesa representa para a América Latina a emergência de mais um parceiro na Ásia, em concorrência direta com o Japão. O mesmo ocorre com os investimentos externos diretos (IEDs) de ambos os países na América Latina. Tanto a China como o Japão os direcionam principalmente aos recursos naturais, para abastecer sua economia, de forma que os setores de energia, mineração, siderurgia e petróleo são os alvos predominantes desses investimentos. Ao longo dos últimos dez anos, vimos os investimentos da China aumentarem na região, superando os do Japão em muitos países latino-americanos. Por enquanto, os investimentos japoneses representam um leque um pouco mais amplo que os da China, como evidenciado pela inversão de quase US$ 500 milhões da Nissan no México, neste ano. Isso, no entanto, pode mudar. A China pode até converter-se no primeiro investidor no Brasil, um país no qual historicamente o Japão investe com força, neste ano. Só no primeiro semestre de 2010, a China comprometeu investimentos de mais de US$ 20 bilhões, dez vezes mais que já realizou no país. Entre os principais negócios concretizados destaca-se o contrato da estatal chinesa Wisco com a empresa local LLX, para a construção de uma siderúrgica no interior do Rio de Janeiro por US$ 3,3 bilhões. Agora, entretanto, há muitos outros setores envolvidos, desde o elétrico até o agroindustrial, passando pelo automotivo e o de telecomunicações. Essa onda investidora chinesa não é específica da região. No primeiro semestre do ano, de acordo com dados do JP Morgan, o volume total de aquisições de empresas chinesas no exterior somou US$ 55 bilhões, em comparação aos US$ 356 bilhões de empresas dos EUA. A China tornou-se o segundo maior investidor mundial e a América Latina tem atrativos importantes, assim como a África, pela riqueza em matérias-primas. De fato, a Agência Internacional de Energia (AIE) destaca que, em 2009, pela primeira vez na história, a China superou os EUA como principal consumidor de matérias-primas no mundo. A Venezuela, por exemplo, é um dos países que concentram o maior fluxo de investimentos chineses no setor petrolífero. Em 2009, o país sul-americano captou 14% dos investimentos em participações de empresas como CNPC, Sinopec e China National Offshore Oil Corporation fora da China. O volume investido somou US$ 18,2 bilhões, sendo que os recursos destinados à Venezuela totalizaram US$ 2,5 bilhões. É a maior quantia investida pela China no setor de fontes de energia na América Latina. A esses investimentos somam-se os realizados em setores de tecnologia, em particular, na fábrica para produzir telefones celulares na Venezuela por meio de uma empresa estatal conjunta, que terá a Huawei Technologies como uma das parceiras. Por sua vez, o grupo chinês Haier também acertou acordos para criar empresas mistas na Venezuela e um centro de pesquisas e inovação, voltado ao desenvolvimento de produtos de tecnologia "limpa". Os dois países também acertaram a criação de uma empresa aérea com investimento inicial de US$ 300 milhões. A Índia também desponta na região. Para a Tata Consultancy Services (TCS), a América Latina é região-chave onde emprega 8 mil pessoas e continua em expansão. O plano de investimentos da Índia para a região chega a US$ 12 bilhões. O Brasil encabeça a lista, seguido pela Venezuela e Bolívia (US$ 2,1 bilhões), Chile (US$ 1,5 bilhão) e Argentina (US$ 1,2 bilhão). Cingapura, Malásia e Coreia do Sul também se interessam pela região. Este ano, o Temasek, fundo soberano de Cingapura, anunciou acordo com a Impulsora Mexicana de Desarrollos Inmobiliarios (IMDI) para criar empreendimento conjunto de US$ 200 milhões, que buscará oportunidades de negócios em residências de valores acessíveis no México e preparará o terreno para seus primeiros investimentos na região. Paralelamente, a rede tailandesa Banyan Tree decidiu investir US$ 180 milhões na construção de dois hotéis no México. Chile e Malásia assinaram acordo de livre comércio, após três anos de negociações. A Coreia do Sul, por sua vez, comprometeu-se a investir entre US$ 122 milhões e US$ 325 milhões para tornar-se membro do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE). A entrada da China na América Latina desloca o Japão do posto de primeiro parceiro asiático na região. Também gera um ativismo maior da Ásia na América Latina. Além de Japão e China, agora despontam mais noivas asiáticas. Esse flerte entre ambas as regiões não é nada além do que mais um reflexo de como as relações econômicas mundiais vêm se reordenando. Javier Santiso é professor de Economia na ESADE Business School Caderno: Internacional Chávez e Santos dão passo inicial para normalização Os presidentes da Colômbia e Venezuela se reúnem hoje para iniciar um processo de normalização das relações diplomáticas e econômicas. As negociações devem envolver o cumprimento de condições de ambos os lados. Analistas, porém, não acreditam na possibilidade de um anúncio hoje de retomada do comércio bilateral. A reunião está marcada para cidade colombiana de Santa Marta. Desde julho de 2009, a Venezuela mantém um regime de forte restrição às importações de produtos colombianos. No último ano em que o comércio fluiu normalmente, em 2008, a Colômbia exportou US$ 6 bilhões para o vizinho. Este ano, a previsão é que fique em torno de US$ 1 bilhão. A Venezuela vinha sendo o principal mercado de produtos de maior valor agregado da Colômbia. Em julho, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aprofundou o afastamento ao anunciar a suspensão total das relações diplomáticas com o vizinho. As duas medidas foram anunciadas por Caracas como reação a um polêmico acordo fechado pela Colômbia com os EUA para ampliar presença de tropas americanas no país e, depois, à uma acusação de Bogotá na Organização dos Estados Americanos (OEA) de que Chávez estava dando abrigo a guerrilheiros colombianos na região de fronteira. As disputas ocorreram durante o governo do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, antecessor de Santos, com quem Chávez mantinha uma relação conflituosa. Antes de assumir a Presidência, no sábado, Santos já manifestara interesse em melhorar a relação com o vizinho. Embora não tenha ido à posse, Chávez se disse otimista com o novo presidente. Parecia improvável a analistas que os dois anunciem hoje mesmo o restabelecimento dos laços diplomáticos e econômicos. Mas havia um consenso de que existe disposição para um novo impulso nas relações bilaterais. Para isso, no entanto, deverá haver alguns compromissos. "Eu diria que eles chegarão à reunião não com condições, isso seria muito forte para esse estágio das conversações. Mas certamente apresentarão expectativas em relação ao que o outro deve fazer", afirmou Cláudia Dangond, diretora da Faculdade de Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidad Javeriana em Bogotá. No caso de Santos, a "expectativa" seria que Chávez não fizesse mais declarações públicas sobre questões internas da Colômbia - como ocorria sob o governo Uribe. Santos quer, por exemplo, o fim das críticas públicas de Chávez às bases americanas na Colômbia. No caso de Chávez, espera-se uma garantia de Santos de que não haverá ataques a eventuais acampamentos das Farc em território venezuelano. Em 2008, a Colômbia atacou um acampamento da guerrilha colombiana em território do Equador. A operação foi comandada por Santos, então ministro da Defesa da Colômbia. No domingo, Chávez fez críticas às Farc. Disse que não vê sentido em o grupo manter reféns e que ele deveria se comprometer com a paz. Para a acadêmica venezuelana Natalia Brandler, coordenadora do programa de Ciência Política da Universidad Simón Bolívar, em Caracas, outra condição ou expectativa de Chávez é que Santos não o acuse em fóruns internacionais de estar acobertando guerrilheiros - como fez Uribe dias antes de deixar a Presidência. Internamente, Colômbia e Venezuela vêm sofrendo pressões para encerrar a crise: empresários colombianos (que apoiaram em peso a candidatura de Santos) querem de volta o mercado venezuelano; e, para Chávez, que enfrenta eleições legislativas em setembro, não haveria nenhuma vantagem em chegar à disputa com uma disputa em aberto com um parceiro tão importante como a Colômbia, diz Brandler. A Venezuela tem procurado substituir importações que antes vinham da Colômbia. Alguns alimentos passaram a ser comprados do Brasil e da Argentina, mas a um custo maior e em quantidades que não suprem o fluxo que antes era enviado da Colômbia por estrada e em questão de horas. Rapidez da reaproximação surpreendeu o Brasil Sergio Leo A rapidez com que o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel dos Santos, marcou, para hoje, um encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, surpreendeu favoravelmente o governo brasileiro, que está otimista em relação ao fim da crise diplomática entre os dois países. A participação do presidente da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, no encontro dos chanceleres dos dois países, ontem, também foi recebida como sinal de que pelo menos um dos países acredita em acordo, no âmbito da comunidade sul-americana. Kirchner poderá participar também do encontro entre Santos e Chávez hoje, o que fortalecerá, na opinião de um graduado diplomata, o esforço brasileiro de trazer para a Unasul os entendimentos entre governos no continente. No fim de semana, horas antes da posse de Santos, a ministra de Relações Exteriores da Colômbia, María Angela Holguín, teve uma conversa de uma hora com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e antecipou que o novo presidente dispensaria intermediários e iria falar diretamente com Chávez. A rapidez, porém, foi maior do que se imaginava em Brasília. O movimento é mais uma demonstração do pragmatismo do novo presidente colombiano e uma evidência de que ele terá uma relação com a Venezuela bem diferente, mais amigável, do que teve como ministro da Defesa de seu antecessor, Álvaro Uribe. No governo Uribe, Santos comandou uma invasão a território do Equador para destruir um acampamento guerrilheiro e matar dirigentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), desencadeando uma crise diplomática com o Equador que o agora presidente Santos se diz disposto a encerrar. Os interlocutores de Santos na América do Sul sabem de sua falta de simpatia por Chávez, a quem considera uma ameaça por ter planos de expansão do ideário "bolivariano" de desprezo às instituições tradicionais e contestação às políticas liberais. O presidente colombiano tem boas razões, porém, para buscar boas relações com o governo venezuelano, a começar pelo mercado da Venezuela, a quem a Colômbia já vendeu US$ 6 bilhões em 2008 e para quem, mantidas as previsões atuais, deverá vender apenas US$ 1 bilhão em 2010. A Venezuela é o segundo maior mercado dos colombianos, mas o governo Chávez tem dificultado o comércio com a Colômbia. Santos sabe, também, do enfraquecimento das Farc e tem recebido sinais do governo Chávez de que a Venezuela pode adotar políticas menos complacentes com a guerrilha. Chávez, nos últimos dias, repetiu apelos para que as Farc deponham as armas e soltem os reféns que ainda mantêm em seu poder. Santos tem pressa também para aproveitar o bom clima criado por declarações contemporizadoras dos dois lados. O agravamento da crise entre Venezuela e Colômbia foi deflagrado pela decisão de Uribe, dias antes de deixar a Presidência, de acusar Chávez, na Organização dos estados Americanos (OEA) , de proteger acampamentos das Farc em território venezuelano. Santos se manteve distante da discussão com Chávez e, embora continuasse fazendo em público declarações de estima a Uribe, nomeou três ministros de notórias desavenças com o ex-presidente colombiano. Santos, herdeiro de uma corrente política criada pelo avô, o "santismo", tenta desvincular-se de Uribe, que deixou o governo com grande popularidade. Uma eventual recomposição com a Venezuela e apoio de Chávez para desarticular a guerrilha marcaria Santos como o político capaz de ir além de Uribe. Lula chegou a levar para Chávez e Santos a sugestão de criarem um mecanismo de controle da fronteira semelhante ao que Equador e Colômbia estabeleceram após a crise diplomática e que ajudou na recomposição das relações entre os dois países. Uma das primeiras atitudes de Santos foi entregar ao governo equatoriano os computadores com os registros da guerrilha capturados em território equatoriano. A grande expectativa é se Chávez corresponderá aos gestos de conciliação do novo presidente colombiano. Jornal "O Estado de S. Paulo" Espaço Aberto A saga do Mercosul Rubens Barbosa EX-EMBAIXADOR EM WASHINGTON (1999-2004) A 29.ª Reunião do Conselho do Mercosul, realizada em San Juan, na Argentina, no início de agosto, ocorreu num momento particularmente delicado para os países da América do Sul. A temperatura entre a Colômbia e a Venezuela, em consequência das acusações do então presidente Álvaro Uribe sobre a presença das Farc em território venezuelano, subiu a um ponto crítico com mobilização de tropas na fronteira. No âmbito da Unasul, os esforços diplomáticos para reduzir a crise fracassaram, pela ausência de uma clara liderança que pudesse produzir pontos de convergência e pela omissão de seu presidente, Néstor Kirchner, que nem sequer compareceu ao encontro. A Venezuela ameaça suspender o fornecimento de petróleo aos EUA caso seja atacada por forças militares colombianas. Se isso vier a ocorrer, o que não parece provável, em vez de afastar os EUA do centro da controvérsia entre países sul-americanos, como quer o Brasil, Washington passaria a ter papel crucial. Como perto de 13% do petróleo consumido pelos EUA vem da Venezuela, a questão se transformaria em tema de segurança nacional e determinaria a tomada de medidas drásticas por Washington para defender seus interesses. Chile e México decidiram reconhecer o governo de Honduras, deixando o Brasil isolado com os países bolivarianos contra o reingresso de Tegucigalpa na Organização dos Estados Americanos (OEA). As Farc passaram a ser tema na campanha presidencial brasileira, quando foram lembrados antigos laços do PT e de alguns de seus dirigentes com o movimento guerrilheiro colombiano. Enquanto os problemas institucionais do Mercosul persistem e a desintegração regional se amplia com a crise Colômbia-Venezuela, o governo brasileiro parece estar mais preocupado com o conflito no Oriente Médio e em encontrar uma fórmula para resolver as divergências entre a comunidade internacional e o Irã, em razão do controvertido programa nuclear de Teerã. As críticas do candidato da oposição José Serra ao Mercosul e a suas deficiências institucionais ecoaram fortemente na reunião presidencial. O ministro Celso Amorim, em entrevista ao jornal Clarín, de Buenos Aires, na semana passada, disse que "as críticas ao Mercosul e a possibilidade de seu retorno a uma área de livre-comércio significam um grande retrocesso" e que isso não vai ocorrer "porque representa interesses de curto prazo". Em resposta indireta a Serra, certamente por inspiração brasileira, os presidentes afirmaram que o Mercosul é um desafio histórico, que compromete a vontade dos seus povos e constitui uma aliança estratégica para enfrentar os desafios do atual contexto internacional. Coincidência ou não, depois de mais de seis anos foram finalmente aprovados o Código Aduaneiro do Mercosul, a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum e a distribuição da renda aduaneira. Embora com prazos dilatados para entrarem em plena vigência, os acordos foram sinais positivos. Os presidentes reconheceram também a necessidade de avanços institucionais, recomendando retoricamente esforços adicionais para fortalecer o Parlamento, o mecanismo de solução de controvérsias e o sistema normativo, a fim de produzir resultados concretos para a integração regional. O presidente Lula não perdeu a oportunidade de intrigar Serra com os países do Mercosul. Afirmou que "a elite, alguns empresários e políticos consideram perda de tempo a negociação com o Mercosul. Em vez de países pequenos, eles querem negociar com a Alca", numa distorcida e equivocada simplificação, que esquece os entendimentos com a União Europeia, aliás, sem avanços efetivos até aqui. Em mais um exemplo da influência da política externa nas negociações comerciais, os países membros assinaram um acordo comercial com o Egito, de pouca relevância do ponto de vista econômico, mas politicamente correto, para fazer contraponto ao já assinado com Israel, e anunciaram a negociação de outros com a Jordânia, a Síria e a Autoridade Palestina. Continuaram as pressões sobre o Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul. Talvez o ato mais significativo assinado no encontro de San Juan tenha sido o Acordo sobre o Sistema Aquífero Guarani, em negociação desde 2004, regulando a conservação e o aproveitamento sustentável pelos países do Mercosul de uma das maiores reservas subterrânea de água doce do mundo, com mais de 1 milhão de km2. Foram igualmente aprovados nove projetos, no valor de US$ 800 milhões, para a construção de estrada no Paraguai e a implantação de linhas de transmissão elétrica na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, financiados pelo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, em larga medida integralizados com recursos financeiros do Brasil. Os presidentes dos países membros do Mercosul trataram da crise entre a Venezuela e a Colômbia e concluíram, sintomaticamente, propondo a convocação de nova reunião da Unasul, agora em nível presidencial. Durante a última presidência do Mercosul no governo Lula, o Brasil quer discutir os próximos 20 anos do processo de integração, quem sabe acreditando que o PT nesse período estará à frente do governo no Brasil. Na impossibilidade de avanços concretos na área institucional, como evidenciado pelo desrespeito à Tarifa Externa Comum, reconhecido pelo próprio titular do Itamaraty, o Brasil quer promover um esforço adicional para aumentar a visibilidade do Mercosul, para apoiar a participação social e para fazer um balanço sobre os rumos futuros da integração regional. A distância entre a retórica dos governos e a realidade dos fatos continuará aumentando. Com a recuperação das economias dos países membros, o comércio intra-Mercosul vai crescer, independentemente da existência do grupo como uma união aduaneira. Caderno: Economia Brasil tem de construir linha de energia até Assunção, diz Lula Anne Warth Para o presidente,"o Brasil precisa entender que quem é grande tem mais responsabilidades" O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil "tem a obrigação" de construir linhas de transmissão que levem a energia elétrica produzida pelo Brasil até a capital do Paraguai, Assunção. De acordo com ele, a capital paraguaia convive com apagões praticamente diários. "Essa seria a única forma de convencer o povo paraguaio de que o acordo entre Brasil e Paraguai em relação a Itaipu é justo", disse ele durante seminário empresarial Brasil - El Salvador, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Lula disse ter conversado com um empresário brasileiro que garantiu que faria investimentos no Paraguai se o fornecimento de energia elétrica no país fosse estável. "Esse é o papel do Brasil", disse Lula, para quem a liderança brasileira entre os países da América Latina e da África exige esse tipo de ajuda. "O Brasil precisa entender que quem é grande tem mais responsabilidades", disse, referindo-se também a El Salvador. De acordo com ele, o país da América Central já produz etanol, mas com milho. Segundo ele, a substituição por cana-de-açúcar seria mais viável, além de mais limpa e ecologicamente correta. "Quem gosta de milho é frango", disse Lula, sob risos da plateia. Em clima de fim de mandato, Lula se dirigiu aos empresários e disse que "todos ganharam muito dinheiro" em seu governo, independentemente do porte da empresa. "Além disso, nos meus oito anos de governo 90% das categorias profissionais receberam aumento real acima da inflação. Temos a criação de mais de 14 milhões de empregos formais em sete anos e meio, algo impensável até poucos anos." El Salvador. O presidente disse esperar que a experiência brasileira seja replicada em El Salvador, onde o presidente Maurício Funes, eleito em março de 2009, ainda enfrenta resistências do empresariado local. No evento de hoje, Lula contou ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que considerava Funes "um menino de boa qualidade". "A gente vê que a pessoa é boa pelos olhos." Funes, presente ao evento, lembrou ter recebido dois conselhos de Lula desde que foi eleito. O primeiro é "ser paciente e contar muitas vezes até dez, algumas até 100, para atuar com inteligência e não tomar decisões impensadas". A outra, citou Funes, também foi uma recomendação para que tenha paciência, já que as mudanças sempre serão criticadas, pois serão consideradas muito rápidas para alguns setores e muito lentas, por outros. Funes citou também o presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, que fez vários elogios a Lula em seu discurso. Steinbruch disse que a relação entre Lula e os empresários teve um início distanciado e recheado de dúvidas, mas evoluiu muito ao longo dos anos. "Não estou falando de questões de partidos. O presidente Lula liderou um movimento amplo e irrestrito no sentido de que todos nós temos que dar um pouco mais de nós mesmos", disse Steinbruch. "Lula começou pela esquerda e saiu pelo centro", disse o empresário, ao que Lula teria respondido, segundo Funes, que na verdade foi o contrário. "Os empresários começaram no centro e saíram pela esquerda." Delfim. Durante seu discurso, Lula disse que tanto ele como os empresários tinham muito preconceito uns contra os outros. Um dos exemplos de que isso pode mudar é a relação com Delfim Netto, ex-ministro durante o governo militar. "Passei tanto tempo fazendo críticas a Delfim. As pessoas vão ficando importantes e tudo que acontece de errado a gente encontra alguém para jogar a culpa. E teve um tempo em que tudo era o Delfim Netto", disse Lula, citando o período em que era dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando Delfim era ministro. "Eu hoje reconheço e admiro o Delfim Netto como uma das pessoas mais extraordinárias e inteligentes que esse País já teve", afirmou. "Nos momentos mais difíceis do meu governo, ele poderia ter escrito artigos me esculhambando, dizendo "tá provado que operário não saber governar mesmo, tem de voltar a comer marmita no bandejão, que é o que sabe fazer". Ele fez os mais extraordinários artigos defendendo a mim e defendendo a política econômica do governo, mesmo quando alguns companheiros do PT criticavam." Argentina barra máquinas brasileiras na fronteira Governo vizinho usa licenças não-automáticas para atrasar entrada de máquinas agrícolas; Brasil responde por 65% do mercado argentino desse segmento Ariel Palacios, correspondente /Buenos Aires, Cleide Silva/ São Paulo Mais uma vez o governo da presidente Cristina Kirchner usa as licenças não-automáticas para atrasar a entrada de produtos importados, até mesmo do Brasil. Agora, o alvo das demoras na liberação das licenças são as máquinas agrícolas. Os produtos brasileiros respondem por 65% do mercado argentino desse segmento. A denúncia é da Associação de Fábricas Argentinas de Tratores (Afat). Segundo a entidade, os atrasos nas licenças causam "grande preocupação nas empresas e provocam impactos na produção agrícola argentina." A Afat reúne as multinacionais do setor, várias das quais usam peças de companhias instaladas no Brasil. No Brasil, o representante da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego, confirmou que o problema vem se agravando nos últimos dois meses e que há grande quantidade de tratores parados na fronteira com a Argentina à espera de liberação. "A OMC (Organização Mundial do Comércio) estabelece em no máximo 60 dias o prazo para licenças não-automáticas, mas temos empresas que aguardam 120 dias e já houve casos de até 200 dias", disse Rego, que também é dirigente da Case New Holland. Além dos atrasos, quando ocorre a liberação, ela não segue a ordem de chegada dos veículos, "o que atrapalha a gestão de estoque." Intermediação. A Anfavea encaminhou ao governo brasileiro pedido de intermediação nas negociações com os argentinos. Amanhã, representantes dos dois países se reunirão em Brasília. O governo Kirchner está preocupado com o baixo peso da indústria nacional no setor de tratores, entre 20% e 25%, segundo estimativas do mercado. No setor de colheitadeiras, a proporção das máquinas feitas na Argentina é de apenas 20%. De acordo com a Anfavea, do total exportado pelas fabricantes de máquinas agrícolas brasileiras entre janeiro e julho - de US$ 1,14 bilhão -, 60% foram para o Mercosul e, desse montante, dois terços foram para o mercado argentino. O Brasil, por sua vez, adquire implementos e componentes do país vizinho. O problema da concessão das licenças também afeta outros setores. Entre 2008 e 2009, calçados e têxteis, por exemplo, provenientes do Brasil sofreram atrasos de até 180 dias. No encontro entre representantes dos dois governos marcado para amanhã também será discutido o comércio de autopeças. Os argentinos reclamam que o superávit brasileiro no setor é elevado. Segundo a Afac, do total de US$ 7 bilhões de déficit que a Argentina tem em 2010 no segmento, 38% corresponde às importações do Brasil. PARA LEMBRAR A aplicação de licenças não-automáticas em grande escala sobre produtos Made in Brazil para proteger a indústria nacional é um clássico dos diversos governos argentinos desde os tempos do ex-presidente Carlos Menem (1989-99). No entanto, desde a chegada do casal Néstor Kirchner (2003) e Cristina Kirchner (2007) ao poder, esse mecanismo foi utilizado com maior intensidade. Um dos pontos de maior atrito entre Brasília e Buenos Aires em 2009 foram as demoras nas licenças não-automáticas. Segundo importadores argentinos, ocorriam demoras de até 180 dias para a liberação dos produtos na fronteira. De acordo com a consultoria Abeceb, as barreiras protecionistas aplicadas pelo governo Kirchner englobam um amplo leque que, no total, afetariam mais de 17% das exportações brasileiras para o mercado argentino. No primeiro semestre deste ano o secretário de comércio, Guillermo Moreno, emitiu ordens verbais para a proibição da entrada de alimentos não-frescos. A presidente Cristina negou ter dado essas ordens. Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "Clarín" Sección: Mundo Destacan el papel de Kirchner y Lula como mediadores Aunque el nuevo presidente colombiano, Juan Manuel Santos y su par venezolano, Hugo Chávez, apostaron al diálogo directo para superar la crisis diplomática, analistas y funcionarios del gobierno colombiano destacaron el papel jugado por Néstor Kirchner, como secretario general de Unasur, y de Lula da Silva para el acercamiento. Y aseguraron que el organismo regional salió fortalecido por su actuación. Kirchner llegó ayer hasta la sede presidencial colombiana para preguntarle a Santos sobre la conveniencia de su participación en la cumbre de hoy en Santa Marta. El mandatario colombiano lo autorizó a participar y le dijo que su presencia era importante para el buen desarrollo de la misma, al tiempo que le agradeció por su gestión y la del presidente brasileño Lula Da Silva, como mediadores en la cumbre. El nuevo gobierno colombiano considera que la labor de Kirchner en la solución de la crisis ha sido "seria y silenciosa" . "Tanto Kirchner como Lula han sido fundamentales para el acercamiento con el gobierno de Santos", aseguró a Clarín la ex canciller colombiana María Emma Mejía. "Kirchner logró darle, por fin, un éxito al organismo regional y consolidarlo como un mecanismo de solución de conflictos en eventuales enfrentamiento de gobiernos sudamericanos", dijo a Clarín el analista Juan Fernando Torres, de la estatal Universidad Nacional. A diferencia de otras oportunidades, Unasur contó esta vez con la predisposición de Colombia y Venezuela para zanjar las diferencias. Con una frontera común de más de 2.200 km y fuertes lazos comerciales que se vieron debilitados, tanto a Santos como a Chávez les conviene en este momento dar por superado el incidente. Uruguay "La Republica" Sección: Política Beneplácito en Parlasur por acuerdo El Parlamento del Mercosur (Parlasur) aprobó ayer una declaración por unanimidad en la que establece su más absoluto beneplácito por la solución acordada entre los estados de Uruguay y Argentina el 28 de julio por la instalación de la planta de la ex Botnia. A su vez, establece su firme convicción en "la solución pacífica de todos los conflictos que pudieran suscitarse entre los países hermanos." Además los parlamentarios manifestaron su disposición permanente a colaborar con diálogo integrador en la superación de cualquier disidencia intra y extra Mercosur. Finalmente en este punto la declaración establece "su permanente defensa por el derecho a un ambiente sano y limpio para todos los habitantes de la región actuales y futuros." Ayer el Parlasur aprobó una segunda declaración mediante la cual llama a los gobiernos de Venezuela y Colombia a buscar en el ámbito del Mercosur una mesa de diálogo que permita superar las divergencias entre ambos. Los parlamentarios expresaron su inmensa satisfacción con la disposición al diálogo demostrada por los presidentes Juan Manuel Santos y Hugo Chávez. Sugieren al Consejo del Mercado Común que presente una propuesta formal a las repúblicas de Colombia y de Venezuela, en el sentido de que haya un cese inmediato de las hostilidades y se constituya, cuanto antes, una instancia mediadora capaz de auxiliar la reinstauración del diálogo entre esas dos grandes naciones. En tanto, ayer asumió como presidente del Parlasur el senador brasileño Alozio Mercadante, quien ocupará el cargo hasta el final del corriente año. El legislador resaltó que el Mercosur es "bastante más que un proyecto económico, social y político de obvia relevancia estratégica, es un proyecto de civilización. Se trata de crear en América del Sur, un subcontinente antes tan dividido y dependiente, y todavía tan desigual, una civilización próspera, inclusiva y generosa, basada en nuestros mejores valores". 'Un resurgimiento del Mercosur'. Ministro Kreimerman. El secretario de Industria destacó avances en la integración tras la cumbre de San Juan El ministro de Industria, Roberto Kreimerman, evaluó de forma muy positiva la reunión del Mercosur concluida esta semana y destacó el apoyo al desarrollo industrial, a las cadenas productivas de la región, las pymes y los proyectos integradores en materia de comunicaciones y energía. Gonzalo Riet Un paso histórico. Kreimerman destacó a la reunión como "una de las más productivas". Qué resalta usted como más positivo de la reciente reunión del Mercado Común? ­Sin duda ha sido una de las cumbres más productivas, que también generó una especie de impulso renovador del Mercosur, donde el papel del presidente Mujica, no sólo en esta Cumbre sino en todos sus viajes regionales de los últimos tiempos, le ha dado una impronta diferente, con toda esa visión integracionista mercosuriana y latinoamericana porque va más allá del Mercosur. En los hechos, esos movimientos que realizó han permitido que problemas que estaban muy pero muy trancados, lograran concluir positivamente y yo agregaría que ha generado un nuevo concepto y resurgimiento del Mercosur. Entiendo que los acuerdos alcanzados son realmente positivos y me gustaría destacar tres puntos, aunque hay muchos más. Lo primero que recalcaría son los avances en la integración productiva, en la formación de un Fondo Mercosur de Garantías para micro, pequeñas y medianas empresas, con lo que habrá bastante dinero (se reparte 70% para Brasil, 27% para Argentina, 2% para nosotros y 1% para Paraguay), lo que permitirá un soporte importante para el desarrollo de las mismas. Se presentó también el Portal de Integración Productiva, por el cual las empresas se van a poder comunicar entre sí con pedidos de apoyo o en relación cliente-proveedor. Estoy convencido de que el Fondo de Garantía y los aportes del Focem (Fondo de Convergencia Estructural del Mercosur cuyo fin es aminorar las asimetrías entre los países, que se conforma en la misma proporción en que se reparte), son avances muy importantes en la integración productiva. ­¿Existe esa integración productiva o es un enunciado? ­Contamos con el Grupo de Integración Productiva, que está estudiando varias cadenas que ya están fructificando en negocios e inversiones interesantes, pero además, por primera vez se autorizan fondos del Focem para lograr que las cadenas o las empresas que las componen se puedan integrar en cadenas internacionales, lo cual demuestra la voluntad política del Mercosur de avanzar por esta línea. Para la cadena automotriz, por ejemplo, que nosotros integramos, se destinaron cerca de 3 millones de dólares que en gran parte vienen dirigidos a Uruguay; otros 2 millones apoyarán las cadenas del gas y petróleo (para acá viene un poco) y la marcha de las otras cadenas del grupo: metalmecánica, auspiciado por la Oficina de apoyo de España, los avances en producción fitosanitaria, sanidad animal, energía eólica y construcción naval son claros ejemplos. Lo que se pretende en estos dos últimos casos es que el valor agregado uruguayo sea considerado como agregado mercosuriano, de manera que pueda acceder a los generosos préstamos que el Banco de Desarrollo brasilero otorga a sus empresas cuyos productos contengan un 60% de valor agregado brasilero, por lo que si aceptan nuestra propuesta (creo que así será) aun agregando nosotros poco valor (por ahora) también lograríamos el beneficio que reciben las empresas brasileras, lo cual nos potenciaría para lograr mayor porcentaje de valor agregado. ¿De manera que está dirigido a que los uruguayos exporten a Brasil? ­Y sí, en eso no podemos tener mucha duda, Brasil es el motor de la economía regional y debemos ir encontrando nichos para aportar lo que producimos. El segundo aspecto de la reunión que vale la pena destacar es que se logró que los planes para disminuir las asimetrías funcionen en la práctica. Hasta ahora estaba el Fondo de unos 800 millones de dólares y a partir de esta reunión comenzó a distribuirse y nosotros recibimos un préstamo importante para la interconexión con Brasil. También se apoyaron interconexiones entre otros países, varias carreteras que unen países, la ampliación del saneamiento y un fondo para las pymes con producción exportadora de bienes de capital. Este un hecho muy relevante: que se usen los fondos después de haberlos creado, lo que permite comenzar el proceso de mejora de las asimetrías. A ello le agrego algo que no ha sido muy difundido pero para las empresas es muy importante, como es la creación del Portal Empresarial, que contiene en sus bases de datos las pymes de la región y leyes de cada uno de los países, con lo que facilita el conocimiento mutuo que hoy se hace complicado y, nuevamente, se está facilitando el comercio, el intercambio de información, de tecnología, todo orientado a la producción. ­Lo más publicitado fueron los acuerdos aduaneros... ­Sí, y no está mal porque fue algo muy importante ya que en relación al Código Aduanero se fue mucho más allá de nuestras expectativas y ello va a generar un importante impacto porque comenzamos a distanciarnos de la unión aduanera y a arrimarnos a un mercado común. El Código y la eliminación del doble cobro de arancel externo (son cosas diferentes pero complementarias) mejorará el flujo comercial entre los países, ya que se facilita la reubicación de mercadería. Otro logro importante es el documento único para todas las aduanas. Son todos pasos muy fuertes que van a terminar con la eliminación de muchas de las trabas internas que hoy se ven y que tanta crítica han generado. Probablemente para 2012 - 2013, estén en total vigencia. ­Se puede entender lo logrado como una señal hacia la UE de cara a las negociaciones por un acuerdo comercial ya que ellos son fuertes en el campo industrial? ­El razonamiento es original pero correcto, hay una mentalidad más industrializadora en los gobiernos. Argentina lo venía haciendo, puede ser que sea una visión industrializadora que alguno no comparta pero no va a discutir que es industrializadora. Brasil, por su parte, lo venía haciendo con otro método, con préstamos muy importantes a través de su banco de desarrollo, y nosotros empezamos a transitar más firmemente por ese mismo camino de apostar al desarrollo productivo. Una positiva reunión del Mercosur. Entrevista. El Ministro de Industria y Energía analiza y destaca el impulso y el papel que jugó el presidente José Mujica El Ministro de Industria, Roberto Kreimerman evaluó muy positivamente la Reunion del Mercosur y destacó el apoyo al desarrollo industrial, a las cadenas productivas de la región, al apoyo a las Pymes y los proyectos integradores en materia de comunicaciones y energía. Gonzalo Riet ¿Qué resalta Ud como lo más positivo de la reciente reunión de Mercado Común? Sin duda ha sido una de las cumbres más productivas que también generó una especie de impulso renovador del Mercosur donde el papel del presidente Mujica, no solo en esta Cumbre sino en todos sus viajes regionales de los últimos tiempos, le ha dado una impronta diferente con toda esa visión integracionista mercosuriana y latinoamericana porque va más allá del Mercosur. En los hechos, esos movimientos que realizó han permitido que problemas que estaban muy pero muy trancados, lograran concluir positivamente y yo agregaría que ha generado un nuevo concepto y resurgimiento del Mercosur . Entiendo que los acuerdos alcanzados son realmente positivos y me gustaría destacar tres puntos aunque hay muchos más. Lo primero que recalcaría son los los avances en la integración productiva, en la formación de un Fondo Mercosur de Garantías para Micro-pequeñas y medianas empresas , con lo que habrá bastante dinero ( se reparte 70% para Brasil, 27% para Argentina, 2% para nosotros y 1% para Paraguay) lo que permitirá un soporte importante para el desarrollo de las mismas. Se presentó también el Portal de Integración Productiva, por el cual las empresas se van a poder comunicar entre sí con pedidos de apoyo o en relación cliente- proveedor. Estoy convencido que el Fondo de Garantía y los aportes del Focem (Fde Convergencia Estructural del Mercosur cuyo fin es aminorar las asimetrías entre los países y se conforma en la misma proporción en que se reparte ) , son avances muy importantes en la integración productiva. ¿Existe esa integración productiva o es un enunciado ? Contamos con el Grupo de Integración Productiva que está estudiando varias cadenas que ya están fructificando en negocios e inversiones interesantes, pero además, por primera vez se autorizan Fondos del Focem para lograr que las cadenas o las empresas que las componen se puedan integrar en cadenas internacionales, lo cual demuestra la voluntad política del Mercosur de avanzar por esta línea. Para la cadena automotriz, por ej que nosotros integramos se destinaron cerca de 3 millones de dólares que en gran parte vienen dirigidos a Uruguay, otros 2 millones apoyarán las cadenas del gas y petróleo ( para acá viene un poco) y la marcha de los otras cadenas del grupo: metal mecánica, auspiciado por la Oficina de apoyo de España, los avances en producción fitosanitaria, sanidad animal, energía eólica y construcción naval son claros ejemplos. . Lo que se pretende en estos dos últimos casos es que el valor agregado uruguayo sea considerado como agregado mercosuriano de manera que pueda acceder a los generosos préstamos que el Banco de desarrollo brasilero otorga a sus empresas cuyos productos contenga un 60%de valor agregado brasilero, por lo que si aceptan nuestra propuesta ( creo que así será )aún agregando nosotros poco valor agregado ( por ahora) también lograríamos el beneficio que reciben las empresas brasileras lo cual nos potenciaría para lograr mayor porcentaje de valor agregado. De manera que está dirigido a que los uruguayos exporten hacia Brasil..... Y si, en ese no podemos tener mucha duda, Brasil es el motor de la economía regional y debemos ir encontrando nichos para aportar lo que producimos. El segundo aspecto de la reunión que vale destacar es que se logró que los planes para disminuír las asimetrías funcionen en la práctica. Hasta ahora estaba el Fondo de unos 800 millones de dólares , y a partir de esta reunión comenzó a distribuirse y nosotros recibimos un préstamo importante para la interconexión con Brasil, también se apoyaron interconexiones entre otros países , varias carreteras que unen países, ampliacion de saneamiento, y un Fondo para las pymes con producción exportadora de bienes de capital. Esto un hecho muy relevante: que se usen los fondos después de haberlos creado lo que permite comenzar el proceso de mejora de las asimetrías. A ello le agrego algo que no ha sido muy difundido pero para las empresas es muy importante como es la creación del Portal Empresarial que contiene en sus bases de datos las Pymes. "El Observador" Sección: Economia Mercosur debe dejar discusión sectorial y pensar 'en grande'. CANCILLER BRASILEÑO QUIERE LOGRAR ACUERDO COMERCIAL CON LA UNIÓN EUROPEA El Mercosur alcanzó un grado de madurez que debería permitirle superar las discusiones sectoriales y pensar en metas más ambiciosas, sostuvo el canciller brasileño Celso Amorim en una entrevista divulgada ayer. "En vez de negociar sector por sector, ¿no deberíamos tener una meta para definir, a ser alcanzada? Tal vez ahora, con el fin del gobierno (del brasileño Luiz Inácio Lula da Silva) sea hora de pensar en grande nuevamente para el futuro. Tendremos que buscar esas metas", dijo Amorim al diario Valor. El jefe de la diplomacia brasileña evaluó que la última cumbre del Mercosur, realizada en San Juan, Argentina, consiguió avanzar en temas fundamentales para el bloque en materia de comercio exterior, pero puntualizó que restan por discutir aspectos más ambiciosos. "¿Tiene sentido que no tengamos un acuerdo de compras gubernamentales que den al Mercosur una preferencia real? Debemos tener un acuerdo de servicios más amplio, más liberalización, dar tratamiento nacional a las empresas del bloque en todos los países", enumeró. En la reunión de San Juan, Brasil asumió la presidencia pro témpore del bloque y tendrá bajo su responsabilidad la conducción de las negociaciones en el segundo semestre de este año, que marca precisamente el fin de la gestión de Lula en el Palacio de Planalto. En ese sentido, una de las prioridades será lograr avances concretos en las negociaciones por un acuerdo de libre comercio entre el Mercosur y la Unión Europea (UE). "Tenemos que seguir trabajando para ver hasta dónde podemos avanzar. Yo creo que se puede avanzar pero, para ser realista, no sé si se podrá concluir negociaciones en este semestre. Aún estamos esperando la respuesta de ellos (los países europeos) a nuestra oferta en el sector agrícola", dijo Amorim. (AFP)

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