sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 01/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

01.09.2010 Jornal "Valor Econômico" Opinião Brasil e Israel juntos, em busca do progresso Em 10 anos, 97% dos produtos importados pelo Mercosul vindos do país terão alíquota zero. Por Giora Becher O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina e a tendência é de que haja um aumento significativo nas transações comerciais entre os dois países Brasil e Israel têm uma histórica relação de amizade, que se fortaleceu após a aprovação, em março deste ano, do acordo de livre comércio entre Israel e o Mercosul. Hoje, o Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina e a tendência é de que haja um aumento significativo nas transações comerciais entre os dois países. Nos últimos anos, as relações políticas se fortaleceram com uma série de visitas ministeriais e comerciais de ambos os lados. Em 2009, além do presidente de Israel, Shimon Peres, veio ao Brasil pela primeira vez em mais de 20 anos, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Liberman. Neste ano, tanto o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, quanto o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, visitaram Israel, assim como Lula, que se tornou o primeiro presidente brasileiro a visitar o país. Todos esses encontros trouxeram uma série de acordos bilaterais importantes nos campos da educação, agricultura, saúde, pesquisa científica industrial e aduaneira, entre outros. Tanto o Brasil quando Israel têm hoje sólidas democracias que buscam o progresso e são exemplos de sucesso na diplomacia econômica. Desde a década de 1960 Israel contribui para o desenvolvimento da agricultura do semi-árido, por meio da difusão de técnicas de irrigação em regiões do nordeste brasileiro. É o caso da Netafim, empresa israelense que, após ter vencido uma licitação no Ceará, trabalhará nos projetos de irrigação Baixo Acaraú e Tabuleiro de Russa. Mais de 1 mil hectares serão irrigados por meio do sistema de gotejamento, trazendo inúmeros benefícios para a região como geração de empregos e renda e mais oportunidades de negócios. A experiência com essa técnica poderá servir de referência para a Bahia, que também pretende utilizar o sistema de gotejamento desenvolvido em Israel. O Acordo de Livre Comércio constituiu Israel como primeiro parceiro extrarregional do Mercosul a firmar esse tipo de acordo com o bloco. Em 2008, antes da ratificação do acordo, o Brasil exportou para Israel mais de US$ 390 milhões e, no ano seguinte, durante a crise mundial, esse valor foi de mais de US$ 270 milhões. Já neste primeiro semestre, foram US$ 140 milhões, sendo US$ 67,7 milhões somente em maio e junho. No âmbito das importações, em 2008 o Brasil importou US$ 1,2 bilhão em produtos israelenses e este ano os valores já ultrapassaram US$ 420 milhões, sendo US$ 130 milhões em maio e junho, após o acordo ter entrado em vigor. Em 10 anos, 97% dos produtos importados pelo Mercosul vindos de Israel, e vice-versa, terão alíquota zero. Além de tudo isso, o Brasil é hoje o foco das exportações israelenses na América do Sul e isso se refletirá nas cooperações entre ambos os países, inclusive tecnológica. É importante ressaltar que as economias de Israel e do Brasil são complementares e não concorrentes, permitindo um grande potencial de intercâmbio. As estimativas para o comércio bilateral entre Israel e Brasil para 2010 estão entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,5 bilhão e o desafio é dobrar o intercâmbio comercial e chegar aos US$ 3 bilhões ou até mesmo aos US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos. O número de empresas israelenses no Brasil tem crescido intensamente. Este avanço mostra o aumento do interesse de Israel no mercado brasileiro. A empresa Elbit, um dos maiores conglomerados de eletrônica embarcada do mundo, está ampliando a sua subsidiária gaúcha, a Aeroeletrônica (AEL). A empresa, que tem mais de 10 mil funcionários no mundo, utilizará sua filial brasileira para a modernização de 70 aeronaves, serviço que antes era prestado em Israel ou no país de encomenda. Em maio, Brasil e Israel lançaram o primeiro edital de chamada para propostas de cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) entre empresas brasileiras e israelenses. É o resultado do memorando assinado, em 2007, entre os dois países, na área de Cooperação Bilateral em Pesquisa e Desenvolvimento Industrial no Setor Privado e prevê financiamento para pesquisa tecnológica de projetos de desenvolvimento conjuntos entre as empresas do Brasil e de Israel que devem apresentar propostas que resultem em novos produtos, processos ou serviços para aplicações industriais destinados à comercialização no mercado doméstico ou global. Do mesmo modo, serão organizadas conferências e missões de diferentes setores industriais, dando às empresas mais oportunidades de novos negócios e potenciais parceiros. No âmbito do turismo, no primeiro semestre deste ano, mais de 22 mil brasileiros foram a Israel. É um aumento real de 125% em relação a 2009. As estratégias básicas foram a ampliação do Escritório de Representação do Ministério de Turismo no Brasil e a facilitação do trajeto entre Brasil e Israel, e vice-versa, com a empresa aérea israelense El-Al iniciando suas operações no país. Além das relações comerciais, outros tipos de cooperação em vários temas são mantidos bilateralmente. Um dos programas oferecidos é o Mashav, que fornece bolsas de estudos para cursos em diversas áreas em Israel. Os participantes, brasileiros de norte ao sul do país, ao retornarem trazem consigo novas experiências e aprendizados que serão, posteriormente, aplicadas em suas diversas áreas de atuação. Israel é um dos países líderes no mundo em inovação tecnológica e, assim como o Brasil, trabalha em busca do desenvolvimento e bem-estar de sua população. A cooperação técnica, a troca cultural, o aumento significativo da balança comercial entre os dois países e tantos outros benefícios que o acordo entre Israel e Mercosul tem trazido, farão com que as relações de amizade entre brasileiros e israelenses prosperem ainda mais. Giora Becher é embaixador de Israel no Brasil. Caderno: Brasil 'Imposto tecnológico' argentino trava venda de celulares do Brasil Exportação brasileira recua 21,7% no 1º semestre por causa da barreira protecionista Daniel Rittner, de Buenos Aires Em seus esforços para fortalecer a indústria local de eletroeletrônicos, o governo da Argentina fez uma vítima: os exportadores brasileiros de telefones celulares, que têm o país vizinho como principal cliente. Eles não conseguiram driblar a criação do "imposto tecnológico", que funcionou como barreira protecionista, e viram as vendas ao mercado argentino diminuírem 21,7% no primeiro semestre. Apesar do boom de consumo, que acrescentou 5,4 milhões de novas linhas de celulares ao mercado, a importação total de aparelhos pela Argentina despencou. As compras recuaram de US$ 1,1 bilhão, nos seis primeiros meses de 2008, para US$ 497 milhões em igual período do ano seguinte, como reflexo da crise econômica. Neste ano, em vez de se recuperarem junto com as maiores vendas das operadoras de telefonia, as importações voltaram a cair e ficaram em US$ 411 milhões até junho. Para o diretor da consultoria argentina IES, Alejandro Ovando, que fez um estudo sobre o assunto, trata-se de um efeito direto da aplicação do "imposto tecnológico". É uma lei, em vigência desde dezembro passado, que duplicou a alíquota do IVA (de 10,5% para 21%) e restabeleceu a cobrança do Imposto Interno (26%) para bens considerados "de luxo". Entraram na lista eletrônicos como notebooks, aparelhos de GPS, câmeras digitais e telefones celulares. Somente aparelhos fabricados ou montados na Terra do Fogo, que abriga uma zona franca industrial criada há 34 anos, continuarão gozando dos benefícios tributários. Multinacionais como Samsung, LG, Motorola e Alcatel fizeram alianças comerciais com indústrias instaladas na região patagônica para "nacionalizar" a produção. A fábrica da Brightstar passará a montar 4 milhões de aparelhos por ano. A Newsan, uma joint venture da japonesa Sanyo com empresários argentinos, prepara-se para fazer um milhão de celulares. "No primeiro semestre do ano passado, a produção na Terra do Fogo era praticamente inexistente", compara Ovando. O objetivo do governo, de reduzir importações de produtos acabados, parece estar dando certo no caso dos aparelhos de telefonia. Mas há pouca agregação de conteúdo local e disparou o déficit de componentes. As compras de partes e peças de celulares subiram mais de 500% na comparação com o ano passado e atingiram US$ 307 milhões de janeiro a junho. Em termos comerciais, trocar a compra de bens finais por componentes pode dar resultados duvidosos. Para o Brasil, a má notícia é que a demanda argentina se transferiu para países asiáticos, os principais fornecedores de partes e peças de telefonia. Mesmo no caso de produtos acabados, os fabricantes brasileiros perdem espaço para os chineses. Contrariando o senso comum, a China vende à Argentina aparelhos mais sofisticados, que não serão montados na Terra do Fogo. Por isso, suas exportações ao mercado argentino cresceram 46% no primeiro semestre. Cada aparelho com etiqueta "Made in China" tem preço médio de US$ 206, mais que o dobro do valor dos telefones brasileiros (US$ 92). Em 2010, só 23% da produção é exportada De Buenos Aires Voltada à exportação no início da década, a indústria brasileira de celulares venderá ao exterior apenas 23% da produção em 2010, que deverá ficar estagnada em 62 milhões de aparelhos. A redução das encomendas da Argentina, Venezuela e EUA têm papel preponderante nessa situação. Há cinco anos, 51% dos telefones fabricados no país tinham o mercado externo como destino, e a produção havia alcançado 65 milhões de unidades, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A entidade não quis comentar os impactos do "imposto tecnológico" da Argentina para as exportações brasileiras, alegando que se trata de uma legislação interna do país, mas atribuiu à medida a queda nas vendas ao mercado vizinho. Os números da Abinee indicam a importância do sócio no Mercosul para a indústria brasileira. Das exportações totais de celulares no primeiro semestre, que foram de US$ 534 milhões, a Argentina representou US$ 298 milhões. Do valor médio de um telefone celular, conforme dados da indústria, cerca de 80% equivalem à importação de peças e componentes que são montados no Brasil. O que tem salvado a produção, nos últimos anos, é o dinamismo do mercado doméstico: a quantidade de celulares habilitados no país saltou de 86 milhões em 2005 para 174 milhões em 2009, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para a consultoria Teleco, deverá atingir a simbólica marca de 200 milhões de linhas ativas até dezembro. Na Argentina, é forte o lobby da indústria para ampliar o alcance das barreiras protecionistas. A Cadieel, câmara argentina que congrega as indústrias de eletrônicos e telecomunicações, defende a adoção de benefícios tributários para estender o estímulo dado à Terra do Fogo para todos os fabricantes do país. Isso ampliaria a vantagem fiscal a todas as empresas com produção na Argentina, deixando os importados menos competitivos. "Pode não ser uma boa notícia para as empresas brasileiras, mas todos os países estão protegendo as indústrias", afirmou o diretor da Cadieel, Claudio Krämer. (DR) Comissário vem ao país discutir acordo UE-Mercosul Assis Moreira, de Genebra O comissário de Comércio da União Europeia (UE), Karel de Gucht, visitará o Brasil no dia 14 deste mês, três semanas antes da eleição presidencial no país. No centro da agenda do comissário estará o acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, mas as chances de avanço na negociação são limitadas. Depois de ter alimentado a possibilidade de fechar o acordo ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os europeus acenam agora com uma tentativa para meados de 2011, se a ferrenha oposição de certos paises do continente se atenuar até lá. Está marcada uma reunião União Europeia-Mercosul para outubro, em Bruxelas. Na prática, porém, os europeus tiraram o pé do acelerador e a a Comissão Europeia dificilmente fará até dezembro as ofertas de liberalização agrícola, industrial e de serviços. O pretexto é que os dois lados precisam antes definir um quadro normativo - regras de origem, salvaguardas, barreiras técnicas, fitossanitárias etc. E a troca de documentos está emperrada. Essa situação dificilmente mudará tão cedo, diante da reação brutal de alguns membros do bloco comunitário ao relançamento da negociação birregional, ocorrida em maio, durante encontro em Madri. A França, país com quem o Brasil teria uma "parceria estratégica", agora nem esconde mais sua repulsa a negociar abertura de mercado com o Mercosul. Assumiu de vez a resistência ao acordo e, politicamente, as chances de uma mudança de posição são pequenas. Ainda mais que o presidente Nicolas Sarkozy está com a popularidade cada vez mais em baixa - os socialistas, pela primeira vez, são favoritos nas pesquisas de opinião para a eleição presidencial de 2012 - e incomodar agricultores seria um desastre a mais para o poder em Paris. Negociadores europeus têm reiterado que, nesse cenário, não adianta avançar um acordo que, de qualquer forma, ficaria paralisado no Parlamento Europeu, que a partir deste ano tem maior peso na negociação. Karel de Gucht chegou a dizer a um representante brasileiro, em Paris, que um acordo poderia ser concluido mais facilmente com o governo Lula, ou seja, até dezembro. Apesar de as pesquisas apontarem a continuidade do governo, com uma provável vitoria da candidata petista Dilma Rousseff, algumas mudanças no governo parecem inevitáveis e a margem de manobra politica para fazer concessões será menor. Certos negociadores notam que o setor privado brasileiro sempre cobra do governo a conclusão de acordos comerciais, mas no momento da barganha alguns segmentos mantêm uma postura fortemente protecionista, o que inviabiliza a discussão. A visita de Gucht sinaliza o interesse europeu pelo Brasil, empurrado pelo interesse de empresas do velho continente. Mas a real barganha ainda vai levar um tempo para começar de fato. Caderno: Agronegócios Disputa do frango com a UE na OMC pode começar em um mês Sérgio Bueno, de Esteio (RS) A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) espera que dentro de um mês o governo brasileiro envie para a Organização Mundial do Comércio (OMC) o pedido de abertura de um painel (comitê de arbitragem) contra as regras impostas pela União Europeia para a importação de carne de frango do Brasil. Após a aprovação da Camex, a entidade encaminhou a petição do Itamaraty, que enviará o pedido a Genebra. A queixa da Ubabef é contra a alteração, em maio, do conceito de carne fresca ("fresh meat") adotada pela UE. Pelas novas regras, interpretadas pela entidade como protecionistas, toda a carne de frango exportada congelada para a Europa só pode ser vendida congelada no bloco. O problema, conforme o presidente da Ubabef, Francisco Turra, é que das 500 mil toneladas de carne de frango exportadas pelo Brasil em média por ano para a Europa (todas congeladas), 200 mil são reprocessadas e recongeladas pelas indústrias locais de produtos pré-prontos. "Já há cartas de importadores cancelando encomendas", disse ele, que participou de um fórum sobre avicultura no Mercosul ontem na Expointer. Turra não tem estimativas precisas sobre o impacto já provocado pela medida sobre os embarques brasileiros, mas disse que ela contribuiu para a queda de 14,7% nas exportações para a Europa nos sete primeiros meses deste ano. As vendas de carne de frango do Brasil para a UE caíram 14,7% no período em comparação com idêntico intervalo de 2009, para 257,2 mil toneladas. Ao mesmo tempo, as exportações totais cresceram 2% em volume nos sete meses, para 2,165 milhões de toneladas, e 16,6% em valor, para US$ 3,756 bilhões, graças à elevação dos preços médios do produto no mercado internacional. "A alegação dos europeus é que estão defendendo os consumidores, mas temos laudos que provam que [o recongelamento] não é prejudicial à saúde", diz o dirigente. Jornais dos Países Membros do Mercosul Paraguay "ABC" Sección: Economía A un año de la nota reversal, nada ha cambiado en Itaipú Hoy, sin ningún resultado práctico para la República del Paraguay, se cumple el primer aniversario de la Nota Revesal Nº 4/09, que firmaron el ministro de Relaciones Exteriores de nuestro país, Héctor Lacognata, y el embajador de Brasil ante el Gobierno nacional, Eduardo Dos Santos, la que, según los anuncios oficiales, debía aumentar a US$ 320 millones la "compensación" que paga Brasil por el excedente energético paraguayo en Itaipú. El instrumento diplomático en cuestión, debe recordarse, es uno de los dos desgajamientos instrumentales de los 31 puntos de la Declaración Conjunta Paraguay - Brasil, que los presidentes Fernando Lugo y Luis Inácio Lula Da Silva firmaron en Asunción el 25 de julio de 2009, en respuesta a la media docena de reclamos sobre la asimétrica explotación de los beneficios del aprovechamiento hidroeléctrico binacional que había hecho, oficialmente, el nuevo Gobierno paraguayo a su par brasileño en agosto de 2008. El otro fue el punto 10, o sea "la construcción por Itaipú de la línea de transmisión de 500 kV entre la subestación Itaipú, margen derecha, y la subestación de Villa Hayes, así como esta, las cuales serán transferidas sin costo al Paraguay". Del justo precio a la triplicación en el papel En los primeros días de agosto de 2008, en vísperas de que el presidente electo asumiera el cargo, aún montado sobre el brioso corcel del indiscutido y categórico triunfo electoral del 20 de abril de ese año, Fernando Lugo entregó, en propias manos, al enviado especial de Lula, su asesor más cercano en relaciones exteriores, Marco Aurelio García, el pliego de seis reclamos, cuyo segundo punto era nada menos que JUSTO PRECIO, por el excedente energético paraguayo aprovechado por Eletrobrás, el que, según estimaciones técnicas del 2007, rondaba los 37,6 millones de megavatios hora (37.600 millones de kilovatios hora). Los registros contables de la entidad binacional dejaban entrever ese año otro revelador dato de la asimétrica relación, muy favorable a Brasil, que regía a la hora de la distribución de los beneficios de un complejo productor de energía que recibió y recibe el aporte igualitario -de ambos países- del único recurso que debe considerarse como insustituible en un aprovechamiento de esta naturaleza: el agua. En efecto, la compensación pagada al Paraguay, en ese mismo ejercicio, por la cesión de 37,6 millones de megavatios hora, era de US$ 100.302.700, luego bastaría una división entre ambas cantidades para colegir que la "compensación" paraguaya no llegaba siquiera a US$ 3 por megavatio hora, sobre el costo de producción de Itaipú que entonces rondaba los US$ 36, considerando la tarifa de la llamada energía garantizada y de la adicional a la garantizada. Recordemos que, según datos publicados por la prensa de Uruguay, incluso hasta el año pasado, ese país llegó a pagar hasta US$ 300 por megavatio por la electricidad que le exportaba Brasil. Los ingresos paraguayos en concepto de "compensación" por cesión de energía provenientes de las pagas de Eletrobrás, según el libro Itaipú Binacionacional en una nueva dimensión histórica, de Efraín Enriquez Gamón, no mejoraron mucho en los años siguientes: US$ 107.682.689,21 en el 2008, US$ 74.605.021,55 en el año en que decía el Ejecutivo que el ingreso por ese concepto era de US$ 120 millones y que con el Acuerdo Lugo/Lula treparía a US$ 360 millones. Lo acordado realmente El punto 5 del Acuerdo señala: "... registraron con satisfacción el acuerdo alcanzado para someter a la aprobación congresual nuevos valores a ser recibidos por el Paraguay a título de cesión de energía sobre la base del factor de multiplicación de 15,3". En la N.R. Nº 4/09, el instrumento firmado seis días después por Lacognata y Dos Santos, punto 1, se lee: "... el monto necesario para la compensación a una de las Altas Partes Contratantes por gigawatt-hora cedido a la otra Alta Parte ... pase a ser multiplicado por 15,4...". Según la tradición diplomática, especialmente en el contexto de Itaipú, el instrumento diplomático de referencia es un paso previo a su tratamiento parlamentario, porque, de acuerdo con esa práctica, las NR modifican aspectos del Tratado. Hay decenas de casos en los registros de Itaipú. No obstante, en este caso, la NR no consigna, como en anteriores, ni la fecha de entrada en vigencia del acuerdo, tampoco del vencimiento. Si con el Acuerdo en cuestión se buscó mantener constante "el valor real en dólares", en este caso de la "compensación" paraguaya, "la aprobación congresual" resulta innecesaria, redundante, porque ese proceso está previsto y consagrado por el Art. XV, Parág. 4º del Tratado. Congelado en el Legislativo brasileño Mientras en el Congreso paraguayo el instrumento diplomático era aprobado el 4 de noviembre de 2009, un mes después de que lo firmaran los Ejecutivos, su suerte en el Congreso brasileño es muy diferente. En efecto, el atraso del Ejecutivo de Brasil en someter el documento a su Parlamento nunca fue justificado. A eso se sumó la decisión de la Cámara de Diputados de, en la práctica, congelarlo mediante una "maniobra", según la prensa de ese país. Estado de São Paulo informaba el 7 de julio último que "una Manobra impede revisão do Tratado de Itaipú con Paraguai". El colega que redactó el material no se molestó en leer el Art. XV de ese tratado. La agencia de noticias norteamericana AP añadía entonces que "un portavoz de la comisión (de Diputados que trató la NR), que no se identificó por política de la institución, explicó que los integrantes de la comisión especial deben ser nombrados por los jefes de las distintas bancadas del Congreso, lo cual no se ha realizado" y añadía que "la comisión no podría comenzar a funcionar antes del receso parlamentario que comienza el 19 de julio, y que será seguido por una interrupción en las tareas legislativas por las elecciones de octubre". De la información se infiere que el Legislativo brasileño optó, en la práctica, por rechazar la decisión del titular del Ejecutivo de aumentar el monto de la propina que Eletrobrás venía pagando al Paraguay por su excedente, porque precio no es y mucho menos justo. Ramón Casco Carreras Venezuela "El Universal" Sección: Internacional Brasil quiere cambiar mapa del mundo El gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva impulsa cambios en la política mundial Hace siete años, cuando se hablaba de la necesidad de cambios en la geografía económica mundial o se decía que Brasil y otros países deberían desempeñar un papel más relevante en la Organización Mundial de Comercio (OMC) o integrar de un modo permanente el Consejo de Seguridad de la Organización de Naciones Unidas (ONU), muchos reaccionaban con escepticismo. El mundo y Brasil han cambiado a una velocidad acelerada, y algunas supuestas "verdades" del pasado se van rindiendo ante la evidencia de los hechos. Las diferencias en el ritmo de su crecimiento económico con relación a los países desarrollados convirtieron a los países en vías de desarrollo en actores centrales de la economía mundial. La mayor capacidad de ar- ticulación Sur-Sur -en la OMC, en el Fondo Monetario Internacional (FMI), en la ONU y en nuevas coaliciones, como el BRIC- eleva la voz de países que antes estaban relegados a una posición secundaria. Cuanto más hablan y cooperan entre sí los países en desarrollo, más son escuchados por los ricos. La reciente crisis financiera puso de manifiesto de manera aún más evidente el hecho de que el mundo ya no puede estar gobernado por un consorcio de pocos. Brasil ha intentado de forma osada desempeñar su papel en este nuevo cuadro. Pasados siete años y medio del gobierno del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, la visión que se tiene del país en el exterior es otra. Es innegable el peso cada vez mayor que hoy tenemos, así como un grupo nuevo de países, en la discusión de los principales temas de la agenda internacional, desde el cambio climático al comercio, desde las finanzas a la paz y la seguridad. Esos países aportan una nueva forma de mirar los problemas del mundo y contribuyen a un nuevo equilibrio internacional. En el caso de Brasil, ese cambio de percepción se debió, en primer lugar, a la transformación de la realidad económica, social y política del país. Avances en los más variados rubros, desde equilibrio macroeconómico hasta rescate de la deuda social, tornaron a Brasil más estable y menos injusto. Las cualidades personales y el compromiso directo del presidente Lula en temas internacionales colaboraron para llevar la contribución brasileña a los principales debates internacionales. Fue en ese contexto que Brasil desarrolló una política externa abarcadora y proactiva. Buscamos construir coaliciones que fueran más allá de las alianzas y las relaciones tradicionales, a las que tratamos sin embargo de mantener y profundizar, como la formalización de la Relación Estratégica con la Unión Europea y del Diálogo Global con Estados Unidos. El elocuente crecimiento de nuestras exportaciones hacia los países en desarrollo y la creación de mecanismos de diálogo y concertación, como la Unasur, el G-20 en la OMC, el Foro IBAS (India, Brasil y Suráfrica) y el grupo BRIC (Brasil, Rusia, India y China) reflejaron esa política externa universalista y libre de visiones pequeñas de lo que puede y debe ser la actuación externa de un país con las características de Brasil. La base de esa nueva política exterior fue la profundización de la integración suramericana. Uno de los principales activos de que dispone Brasil en el escenario internacional es la convivencia armoniosa con sus vecinos, comenzando por la intensa relación que mantenemos con la Argentina. El gobierno del presidente Lula se ha empeñado, desde el primer día, en integrar el continente suramericano por medio del comercio, la infraestructura y el diálogo político. El Acuerdo Mercosur-Comunidad Andina creó, en la práctica, una zona de libre comercio que abarca toda Suramérica. La integración física del continente avanzó de una forma notable, inclusive con la conexión entre el Atlántico y el Pacífico. Nuestros esfuerzos para la creación de una comunidad suramericana llevaron a la fundación de un nuevo ente: la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur). Sobre las bases de una Suramérica más integrada, Brasil contribuyó en la creación de mecanismos de diálogo y cooperación con países de otras regiones, fundados en la percepción de que la realidad internacional ya no permite la marginalización del mundo en desarrollo. La formación del G20 de la OMC, en la Reunión Ministerial de Cancún, en 2003, marcó la madurez de los países del Sur, cambiando de forma definitiva el modelo de toma de decisión en las negociaciones comerciales. El IBAS respondió a los anhelos de concertación entre tres grandes democracias multiétnicas y multiculturales, que tienen mucho que decir al mundo en términos de afirmación de la tolerancia y de conciliación entre el desarrollo y la democracia. Además de la concertación política y de la cooperación entre los tres países, el IBAS se convirtió en un modelo para los proyectos en pro de naciones más pobres, demostrando, en la práctica, que la solidaridad no es un atributo exclusivo de los ricos. También lanzamos las cumbres de los países suramericanos con los países africanos (ASA) y con los países árabes (ASPA). Construimos puentes y políticas entre regiones hasta ahora distantes unas de las otras, a despecho de sus complementariedades naturales. Esa aproximación política derivó en notables avances en las relaciones económicas. El comercio del Brasil con los países árabes se cuadruplicó en siete años. Con África, se multiplicó por cinco y llegó a más de US$ 26 mil millones, cifra esta superior a la del intercambio con socios tradicionales como Alemania y Japón. Estas nuevas coaliciones ayudan a cambiar el mundo. En el campo económico, la sustitución del G7 por el G20 como principal instancia de deliberación sobre los rumbos de la producción y de las finanzas internacionales es el reconocimiento de que las decisiones sobre la economía mundial carecían de legitimidad y eficacia sin la participación de los países emergentes. También en el terreno de la seguridad internacional, cuando Brasil y Turquía convencieron a Irán para que asumiera los compromisos previstos en la Declaración de Teherán, quedó demostrado que nuevas visiones y formas de actuar son necesarias para lidiar con temas tratados hasta entonces de forma exclusiva por los actuales miembros permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU. A pesar de las resistencias iniciales a una iniciativa que nació fuera del cerrado club de las potencias nucleares, estamos seguros de que la dirección del diálogo allí señalada servirá de base para las futuras negociaciones y para la eventual solución de la cuestión. Una buena política externa exige prudencia. Pero también exige osadía. No puede basarse en la timidez o el complejo de inferioridad. Es común escuchar que los países deben actuar de acuerdo a sus medios, lo que es casi una obviedad. Pero el mayor error es subestimarlos. A lo largo de estos casi ocho años, Brasil actuó con osadía y, al igual que otros países en desarrollo, cambió su lugar en el mundo. Esos países son vistos hoy, inclusive por eventuales críticos, como actores a los que les tocan crecientes responsabilidades y un papel cada vez más central en las decisiones que afectan los destinos del planeta. *Celso Amorim, ministro de Exteriores, Brasil

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