sábado, 15 de junho de 2013

O Mercosulino 11/05/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

11.05.2010 Jornal "Folha de S. Paulo" Editorial Resposta europeia Pacote bilionário tenta conter ampliação da crise grega, que aumentou riscos de países com contas em desordem NOS MOMENTOS mais agudos das crises financeiras o tempo político em geral é mais lento que o dos mercados. Assim vinha sendo até a semana passada. Meses de negociação foram necessários para que a União Europeia pudesse finalmente anunciar, no fim do mês passado, o empréstimo de 110 bilhões (cerca de R$ 250 bilhões) para a Grécia, suficiente para cobrir as necessidades de financiamento do país por quase três anos. Mas rapidamente viu-se que o esforço político havia sido em vão. O pacote grego carecia do principal: garantias de que funcionaria no longo prazo. Ao exigir cortes profundos de gastos (da ordem de 11% do PIB em três anos), o programa mostrava-se pouco realista e muito recessivo. A falta de credibilidade foi o fator que desencadeou o contágio dos mercados globais na semana passada, deixando claro para as autoridades que o problema já não era apenas grego. A crise se havia metamorfoseado em choque financeiro regional na Europa -que, se não fosse contido, comprometeria a ainda frágil recuperação mundial. A perspectiva de uma nova crise sistêmica levou os governos europeus -especialmente o alemão- a abandonar os escrúpulos da não intervenção. A memória fresca do colapso de 2008 acelerou o tempo político. Às pressas, no fim de semana, foi montado um pacote de socorro de 750 bilhões. Quase 500 bilhões serão usados para garantir o financiamento aos países mais fracos, em troca de compromissos de ajuste fiscal. O FMI entrará com até 250 bilhões para o mesmo objetivo. Por fim, o Banco Central Europeu decidiu comprar diretamente os papéis que sofriam ataque especulativo. Com isso espera-se quebrar o círculo vicioso e restaurar o funcionamento dos mercados. Ainda não se sabe se o efeito positivo será duradouro. Mas a lição que fica é clara. O choque que veio à tona com força avassaladora foi consequência da péssima herança fiscal que a crise de 2008 deixou no mundo desenvolvido. Os custos de contenção da crise e da recessão que a seguiu significaram uma mudança abrupta na situação financeira de países antes considerados sólidos. E esta mudança de regime ainda poderá gerar abalos financeiros imprevisíveis. Os países que não estão no epicentro da crise, como o Brasil, devem prestar atenção aos acontecimentos. O excesso de endividamento será um forte fator de diferenciação entre países neste mundo mais perigoso. Qualquer novo golpe no crescimento global pode expor fragilidades onde hoje menos se espera -no Brasil inclusive. Portanto, a prudência na gestão das contas públicas deve ser um objetivo ainda mais fundamental nos próximos anos. Opinião Sonho e realidade na América do Sul A política externa brasileira para a América do Sul não se pauta apenas por uma visão pragmática de viabilização de negócios e investimentos ANTONIO JOSÉ FERREIRA SIMÕES UMA DÉCADA se passou desde que o Brasil tomou a iniciativa de convocar, em Brasília, a 1ª Reunião de Presidentes da América do Sul, realizada no ano 2000. Quase oito anos depois, em maio de 2008, o presidente Lula recebeu os chefes de Estado da região para a assinatura do tratado que fundou a União Sul-Americana de Nações (Unasul). Para quem hoje observa a intensidade da agenda regional, é difícil imaginar que, até há pouco, os líderes do continente jamais tivessem se reunido. Dez anos atrás, a articulação da América do Sul não passava de um sonho. Hoje, é uma realidade concreta. As estatísticas comprovam o sucesso da integração sul-americana. Desde o ano 2000, o comércio total do Brasil com a região passou de US$ 22 bilhões para US$ 63 bilhões. Em 2002, nossas exportações para os vizinhos somaram US$ 7,5 bilhões. Em 2008, alcançaram 38,4 bilhões: um aumento de 412%. Em 2009, o índice de bens industrializados nas exportações brasileiras para a região alcançou cerca de 90% -vendemos, na nossa vizinhança, bens de alto valor agregado. Essas mercadorias geram renda e empregos com carteira assinada para milhões de brasileiros. A presença das empresas brasileiras na América do Sul é crescente e tem transformado a infraestrutura de países vizinhos, com a construção de estradas, aeroportos, hidrelétricas, petroquímicas. Para apoiar esse esforço, o Brasil financia parte dos projetos, sobretudo por meio do BNDES. O total de financiamentos em 2009 chegou a US$ 8 bilhões para a América do Sul. Cerca de US$ 3,1 bilhões referem-se a projetos em execução ou já concluídos, e outros US$ 4,9 bilhões, a projetos já aprovados. São obras que ajudam a economia brasileira e contribuem para o desenvolvimento dos países da região. Os investimentos diretos das empresas brasileiras também têm crescido. Na Argentina, por exemplo, o estoque total é estimado em US$ 8 bilhões. A América do Sul é o espaço primordial para a transnacionalização das empresas brasileiras. Nem ingenuidade nem ideologia explicam a vertente sul-americana da política externa brasileira. Por ser o Brasil a maior e mais diversificada economia da região, é inevitável que o país exerça o papel de propulsor da integração. Solidariedade não é sinônimo de ingenuidade. Porque queremos abrir mercados na América do Sul, interessa-nos que nossos vizinhos também sejam cada dia mais prósperos. O Brasil deseja que a prosperidade e a justiça social se espalhem pela América do Sul. A política solidária não é incompatível com a busca de nossos legítimos interesses. Um Brasil que contribui para a prosperidade continental reforça suas credenciais como fator de estabilidade e progresso no mundo. Junto com isso, avançam a democracia e um sistema econômico aberto. Será preciso, porém, reforçar a consciência de nossos interesses comuns de longo prazo. Se franceses e alemães tivessem optado, no final da 2ª Guerra Mundial, pelos ganhos de curto prazo, perdendo-se na mesquinhez da contabilidade das reparações e no exercício das recriminações, teria sido possível construir o edifício que é hoje a União Europeia? A política externa brasileira para a América do Sul não se pauta apenas por uma visão pragmática de viabilização de negócios e investimentos mas também está imbuída de uma visão política, estratégica, social e cultural de longo prazo. Aqui, idealismo e realismo se combinam: o primeiro nos inspira a buscar um futuro melhor; o segundo nos estimula a colocar as mãos à obra. ANTONIO JOSÉ FERREIRA SIMÕES é subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Foi embaixador do Brasil em Caracas (2008-2010), diretor do Departamento de Energia (2006-2008) e secretário de Planejamento Diplomático (2005-2006) do MRE. Caderno: Dinheiro Argentina limita importação de alimentos Medida deverá barrar produtos brasileiros como carne suína, tomate e milho em conserva, segundo a imprensa local Decisão, que deve entrar em vigor em 10 de junho, não foi publicada; supermercados receberam a informação por telefone ou pessoalmente GUSTAVO HENNEMANN DE BUENOS AIRES Depois de sinalizar a distensão de barreiras comerciais em relação aos produtos brasileiros, o governo argentino anunciou agora que irá proibir redes de supermercados de importar alimentos que também sejam produzidos localmente. Prevista para vigorar em 10 de junho, segundo a imprensa local, a medida deve barrar principalmente itens da agroindústria brasileira, como carne suína, tomates e milho em conserva. O anúncio foi feito na quinta-feira passada pelo secretário do Comércio Interior argentino, Guillermo Moreno. Sem publicar a norma nos diários oficiais do governo, ele comunicou a decisão por telefone ou pessoalmente aos diretores de grandes redes de supermercados, deixando dúvidas sobre os critérios e a extensão da proibição. Apesar de não ter sido informado oficialmente sobre as restrições comerciais e de os alimentos não serem ""significativos" nas exportações ao país vizinho, o governo brasileiro procurou o primeiro escalão do governo argentino. A intenção, segundo a Folha apurou, é comunicar a ""preocupação" em relação ao caso. Mesmo sem ter sido oficializada, a medida já vem causando problemas na venda de milho em conserva brasileiro às redes argentinas, segundo fontes do governo. O presidente da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), Edmundo Klotz, diz que as empresas com negócios na Argentina consideraram a atitude do secretário ""muito estranha". Klotz afirma que, se a medida for realmente aplicada, a indústria argentina terá dificuldades para substituir os produtos brasileiros. ""Se o Brasil retaliar, será mais oneroso para eles. Mas a situação ainda não chegou a esse ponto e estamos tentando entender se é só uma notícia, um fato ou se será um decreto." "Eles não são [um mercado] tão importantes quanto imaginam, mas todo cliente é custoso para conquistar e não queremos [perdê-los]", afirmou. Sem saber como negociar compras futuras, as redes de supermercados disseram que irão se reunir com Moreno ainda nesta semana. Para não correr o risco de perder a mercadoria, as empresas levarão listas de produtos para que o secretário indique o que será proibido. A principal dúvida é em relação aos produtos que, de forma geral, são produzidos no país, mas que não são exatamente iguais aos importados. Massa e azeite Até agora, o secretário -conhecido pela falta de institucionalidade nas atitudes, segundo a imprensa argentina- vetou verbalmente as massas italianas e o presunto e o azeite de oliva espanhóis. Poderoso dentro do governo da presidente Cristina Kirchner, Moreno influencia decisões em diferentes ministérios. Ontem, a reportagem entrou em contato com a Secretaria do Comércio Interior três vezes para solicitar detalhes sobre a medida tomada. Nenhum funcionário, além de Moreno, está autorizado a falar. O secretário não respondeu aos pedidos de entrevista. Jornal do Senado Caderno: Mercosul Mercosul e União Europeia retomam negociações, anuncia embaixador Regis Arslanian, embaixador do Brasil junto ao Mercosul, anunciou que os termos do acordo entre os blocos devem estar fechados até julho Em café da manhã com parlamentares da Representação Brasileira do Parlamento do Mercosul (Parlasul), em Montevidéu, o embaixador brasileiro junto ao bloco, Regis Arslanian, anunciou ontem que foram oficialmente reiniciadas as negociações com a União Europeia. Os parlamentares brasileiros estão na capital uruguaia para reunião do Parlasul. Segundo Arslanian, o Brasil, em nome dos países do Mercosul, apresentou aos europeus a proposta de tarifa zero na venda de quase 90% de seus produtos, incluindo os do setor automotivo. Já os países do bloco europeu poderiam participar de licitações para compras governamentais em âmbito federal nos países do Mercosul. A União Europeia, por sua vez, teria oferecido ao Mercosul preferência tarifária em 95% dos produtos negociados. Mas o Mercosul quer mais: de acordo com o embaixador, o Brasil pediu o aumento das cotas de carne, frango, açúcar, etanol e da maioria dos produtos agrícolas que o bloco pode exportar para a Europa. Uma primeira reunião para discutir os termos do acordo deverá acontecer ainda sob a presidência argentina do Mercosul, que se encerra em julho. O embaixador se disse otimista. Se o entendimento for possível, será o maior acordo de livre comércio do mundo. – Há disposição política, tanto da parte deles quanto de nossa parte, para que se possa chegar a um acordo de livre comércio importante – disse. Polêmica no Parlasul sobre quórum mínimo A 23ª sessão do Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, começou ontem com um acalorado debate sobre os pontos do Regimento Interno e do Protocolo Constitutivo do Parlasul que dizem respeito ao processo de tomada de decisões no órgão. A polêmica gira em torno das chamadas maiorias necessárias para a aprovação de matérias. Parlamentares do Uruguai e da Argentina apresentaram uma proposta de modificação da legislação que rege o Parlamento de forma que seja requerido sempre quórum de 25% dos parlamentares de cada Estado parte. Na avaliação deles, isso reforça o poder de voz dos países menores territorialmente e menos populosos, como Paraguai e Uruguai, que terão proporcionalmente menos representantes no Parlamento. Porém, acabou prevalecendo a tese dos parlamentares brasileiros, segundo a qual a modificação acabaria por enfraquecer o sentido de integração. O senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) opinou que a decisão deve ser tomada quando todos os parlamentares do Parlasul tiverem sido eleitos pela população. Declarações de Serra geram nota oficial As recentes afirmações do pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, sobre uma possível flexibilização do processo de integração econômica levaram os membros do Parlasul a aprovarem declaração em que são reafirmados os princípios do Mercosul. Em entrevistas, José Serra disse que o bloco deveria se concentrar no livre comércio entre os países que o compõem. Isso evitaria, segundo ele, que o compromisso com a união aduaneira pudesse ser um obstáculo a eventuais acordos internacionais de interesse do Brasil. A declaração do Parlasul, proposta por parlamentares dos quatro países membros, foi aprovada com modificações que retiraram do texto os trechos que pudessem ser interpretados como referências ao processo eleitoral brasileiro. Jornal "Valor Econômico" Opinião Entre 1995 e 2008 a China foi alvo de 479 medidas antidumping. Os chineses e suas exportações Por José Setti Diaz O elevado número de medidas de defesa comercial adotadas contra a China está perto de desencadear reação do governo chinês Pode parecer uma grande surpresa, mas as medidas que restringem a exportação também fazem parte da política chinesa de expansão de suas exportações. Isso é visto a medida em que a China aplica medidas restritivas às exportações de alguns produtos primários para incrementar suas exportações de outros produtos. Tais medidas geram enorme impacto na economia mundial e já começam a ser combatidas na Organização Mundial do Comércio (OMC). As medidas chinesas de restrição às exportações consistem na determinação de quotas às exportações e na imposição de imposto de exportação para determinadas matérias primas utilizadas em indústrias dos setores de aço, alumínio e químico, que muitas vezes não podem ser encontradas, ao menos em abundância, em outros países. Em consequência, estas restrições, quando aplicadas a estes produtos, aumentam os preços globais dos mesmos e distorcem a competição. Isso ocorre porque as empresas que processam bens na China têm acesso a materiais mais competitivos em termos de preço do que as empresas que atuam em outros países. Não é de hoje que a China aplica medidas como essas. O que se observa é que países e blocos como os Estados Unidos, União Europeia e México começam a desafiar a legalidade dessas medidas na OMC. As disputas são recentes - final de 2009 - e, por ora, não há posicionamento da OMC. Por enquanto, há somente alguns artigos publicados sobre o tema, que integrarão o Relatório de Comércio de 2010 sobre a China, elaborado anualmente pela OMC, previsto para o mês de julho. Esses artigos analisam as motivações dessas barreiras, às vezes justificadas por razões ambientais ou mesmo por tentativa de promover a competitividade, mas, segundo seus autores, nem sempre esses objetivos parecem ser atingidos. Na verdade, os artigos relatam que há um aumento no preço internacional dos recursos naturais, além das restrições à exportação muitas vezes não deterem a devida transparência. Isso culmina numa queda no volume de exportação, afetando a oferta desses recursos de extrema importância no mercado internacional. As disputas no âmbito da OMC estão centradas em dispositivos do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) 1994 e no compromisso chinês firmado em seu Protocolo de Acesso à OMC. No que se refere ao GATT 1994, os referidos países demandantes se baseiam no princípio básico da eliminação de barreiras ao comércio internacional - free trade -, por meio da redução/eliminação de impostos incidentes na importação e na exportação, bem como na eliminação de barreiras não tarifárias, tais como quotas, nas operações de importação e exportação. Esses países também alegam que a China, no mesmo protocolo de acesso, concordou em limitar o número de produtos sujeitos à incidência de imposto de exportação. À época, a China enumerou um total de 84 produtos, considerando o nível de 8 dígitos do Sistema Harmonizado, com as respectivas tarifas máximas que poderiam ser aplicadas. Entretanto, produtos como bauxita, coque, magnésio, manganês, silício metálico e produtos de zinco estão entre os que não aparecem na lista, mas sofrem a incidência de imposto de exportação. Essa incidência não seria permitida aos produtos que não estão dispostos na lista dos 84. Países como o Brasil, Argentina, Canadá, Índia, Japão, Turquia, Chile, entre outros reservaram o direito de ser terceira parte interessada nas referidas disputas. O outro lado da história mostra que a China normalmente figura em disputas na OMC como demandada (17 casos), além de ser o país membro mais investigado nos casos de defesa comercial. Dentre as medidas adotadas por terceiros países contra a China, destacam-se as medidas antidumping - instrumento de defesa comercial, permitido pela OMC, que visa à defesa da indústria doméstica que sofre com exportações a preços de dumping. Entre 1995 e 2008, o país foi alvo de 479 medidas antidumping, sendo que 38 dessas medidas foram aplicadas pelo Brasil. O elevado número de medidas de defesa comercial adotadas contra a China está próximo de desencadear reação do governo chinês, sob a alegação de desrespeitarem os Acordos firmados no âmbito da OMC. A China já atuou como demandante em 7 casos na OMC, além de ter atuado como terceira parte interessada em 15 disputas nos últimos 5 anos. Fato é que a China aprendeu a fazer uso do sistema multilateral de comércio e do mecanismo de solução de controvérsias para se defender dos vários ataques que vem sofrendo. Resta saber se medidas tomadas por terceiros países, que visam defender suas indústrias, bem como os resultados dos questionamentos levados à OMC, referentes às medidas chinesas de restrição à exportação, terão algum efeito sobre a forte expansão das exportações chinesas, que levaram a China ao topo dos exportadores mundiais. A experiência mostra que as disputas comerciais são pontuais e não têm efeito sobre a massa de comércio de um determinado país. Vamos aguardar e ver se com o China a história será diferente. José Setti Diaz, Cinthia Battilani e Fernando Benjamin Bueno são da equipe de comércio internacional do escritório Demarest e Almeida Advogados Caderno: Brasil Argentina cria barreira a alimento importado Daniel Rittner e Samantha Maia, de Buenos Aires e São Paulo Tendo a crise europeia como justificativa, a Argentina começará a barrar a entrada de alimentos importados no país, a partir de 1º de junho. Comunicada informalmente às grandes varejistas, a medida visa conter a importação de produtos europeus, mas pode acabar afetando, ainda que marginalmente, produtos brasileiros. Só serão alvo das restrições itens com similar nacional. Massas e molhos italianos, cervejas alemãs e irlandesas, pêssego em calda grego, presunto cru e azeites espanhóis são exemplos de bens que deverão ser vetados. A Secretaria de Comércio Interior acredita que a perda de valor do euro e a volta da crise à Europa estimulam produtores locais a despejar mercadorias em terceiros mercados. Alimentos que não concorrem com fabricantes argentinos, como palmitos e café, ficarão de fora da medida. A dúvida é o que ocorrerá com os produtos intermediários - aqueles com produção nacional, mas insuficiente para atender a demanda interna. Nessa lista não estão apenas quitutes para usufruto da classe média, mas alimentos de consumo popular. Um grupo de importadores confirmou ao Valor que o governo deixou clara a intenção de vetar a entrada de milho brasileiro. O temor é que a restrição se estenda a outros produtos, como carne suína e tomates enlatados. A preocupação dos importadores é com o desabastecimento de alguns itens específicos e com a alta de preços, pela queda da concorrência. A partir de 10 de junho, fiscais da Secretaria de Comércio Interior percorrerão os supermercados para garantir o cumprimento da medida. O secretário Guillermo Moreno, um dos funcionários de maior poder no governo de Cristina Kirchner, tem sido o principal responsável pelas fracassadas políticas de combate à inflação. "Foi uma surpresa desagradável, pode prejudicar muitas empresas brasileiras, mas acredito que é apenas algum tipo de pressão para poder negociar outras coisas", avalia Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), que acredita em uma mudança de posição do governo argentino. O presidente da Abia diz confiar no poder de negociação do governo brasileiro. O pano de fundo da medida é a deterioração da balança comercial argentina. No primeiro trimestre, as importações cresceram 33%, ritmo três vezes maior que a expansão das exportações, cujo crescimento foi de 11%. Isso fez o saldo de janeiro a março cair para US$ 2,1 bilhão. No mesmo período de 2009, era de US$ 3,5 bilhões. Para a consultoria Abeceb.com, o veto aos alimentos importados terá "baixo impacto" sobre as contas externas. A Argentina importou US$ 6,3 bilhões da União Europeia em 2009, mas apenas US$ 139 milhões foram em alimentos. Os os importados representam em torno de 3% dos produtos oferecidos nos supermercados, mas a proporção é maior na capital. Jornal "O Estado de S.Paulo" Editorial Um novo ator internacional/Artigo *Rubens Barbosa A História não passará um julgamento favorável sobre a política externa dos oito anos do governo Lula. Poucas terão sido as iniciativas novas a merecer referência como tendo tido impacto positivo sobre os interesses do Brasil. A proposta brasileira de dar vida a uma sigla, Bric, criada por economista de uma instituição financeira, será uma das que haverão de ser lembradas. Do ponto de vista do Brasil, nossa inclusão ao lado da China, da Índia e da Rússia talvez tenha sido o fator individual de maior relevância para projetar externamente o País. Nenhuma campanha de divulgação do Brasil conseguiria essa façanha de marketing em tão curto espaço de tempo. Sem solicitarmos, nem gastar recursos do Tesouro, passamos a integrar automaticamente o grupo dos países emergentes mais importantes. Normalmente essa transição, se viesse a ocorrer, levaria décadas. O aparecimento do Bric como ator internacional pode ser considerado uma das grandes transformações do cenário global nos últimos 30 anos. Ao formarem um grupo, os quatro países passaram a ter muito mais influência do que cada um deles tomado individualmente, pelo peso econômico do conjunto. O PIB dos Brics deve superar o do G-7 ao redor de 2030 e, em termos de paridade de poder de compra, já supera hoje o dos EUA ou da União Europeia. O grupo representa 16% do PIB global, 42% da população e 26% do território do mundo. Um de seus membros, a China, passou a ser a segunda economia (o Japão acaba de perder esse lugar) e é o primeiro exportador do mundo. Essas são algumas das credenciais macroeconômicas que o grupo apresenta. Muitos desqualificam a importância do grupo e apontam as limitações políticas, assimetrias econômicas e divergências entre os quatro países no tocante a política cambial, modelo econômico e comércio. Outros assinalam os excessos retóricos e a falta de conteúdo dos documentos produzidos nos encontros oficiais. Foram ressaltadas as diferenças de política no tocante às sanções contra o Irã e à ampliação do Conselho de Segurança da ONU. Aspectos ingênuos como a intensificação da cooperação e do treinamento entre os partidos brasileiros e o Partido Comunista da China receberam observações jocosas, mas pertinentes. Apesar de todos os comentários críticos sobre a falta de coesão, a ausência de uma agenda política comum e a existência de interesses conflitantes, é importante observar que estão surgindo áreas de possível complementaridade que resultarão em ganhos concretos para todos no médio e longo prazo. Há quatro ou cinco anos, poucos eram os contatos políticos, econômico-financeiros e comerciais entre as lideranças dos quatro países e entre suas burocracias. Hoje um número crescente de encontros em nível técnico e político ocorre quase todos os meses. Dadas as circunstâncias históricas, regionais, políticas e econômicas de cada um dos quatro países membros, não há, nem poderia haver, de início, uma agenda comum. Os pontos de convergência deverão ser construídos, a partir de interesses concretos e da aproximação de posições nos fóruns internacionais em relação aos temas globais, como governança, energia, meio ambiente, mudança de clima, comércio e terrorismo. O comunicado conjunto da Segunda Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Bric, recém-realizada no Brasil, menos retórico e mais específico que o da na primeira reunião, realizada na Rússia em 2009, registra: Uma visão comum, formulada, é verdade, em termos gerais, sobre itens como a governança global, questões econômicas e financeiras, comércio internacional, desenvolvimento, agricultura, energia, mudança de clima e terrorismo, que será uma força crescente em fóruns como o G-20, por exemplo. Uma série de iniciativas setoriais visando ao fortalecimento da cooperação por meio de encontros de ministros da Agricultura e Desenvolvimento Agrário, da Fazenda e de presidentes de bancos centrais, de responsáveis de questões de segurança, de magistrados e juízes, de bancos de desenvolvimento, de instituições nacionais de estatística, de competitividade, de cooperativas, no âmbito de fórum empresarial e dos think tanks. Com base na experiência do Mercosul, começou a ser examinada a possibilidade de todas as trocas comerciais serem pagas em moedas locais, o que exigirá maior abertura e uma modernização do sistema de câmbio de todos os países. Os primeiros passos para a cooperação nas áreas de ciência, cultura e esporte. O Brasil passa a beneficiar-se de uma marca reconhecida internacionalmente para projetar os seus interesses além da América do Sul. O mesmo ocorre com os outros três países que utilizam o Bric para promover suas agendas. Para evitar a diluição do impacto causado pelo aparecimento do grupo, não interessa ao Brasil aceitar sua ampliação, com a inclusão de países como Indonésia, África do Sul ou México. O Bric não busca liderança nem vai ser uma força decisiva para transformações radicais na ordem política e econômica global. Fosse o Bric irrelevante e sem poder de influência, a revista The Economist não teria publicado em edição recente três páginas para comentar a evolução do grupo e a reunião de Brasília, nem 14 páginas sobre as perspectivas da inovação nos mercados dos países emergentes. Qual será, nos próximos anos, o papel do Brasil nesse grupo? Definição de seus interesses, realismo na análise das possibilidades que oferece e ambição quanto à sua utilização deveriam nortear o enfoque do governo brasileiro. O Bric veio para ficar no cenário internacional e o próximo governo terá a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido até aqui e aumentar o peso relativo do Brasil no âmbito do grupo. * EX-EMBAIXADOR EM WASHINGTON, É PRSIDENTE DO CONSELHO DE COMÉRCIO EXTERIOR DA FIESP Caderno: Internacional Lugo irrita oposição ao denunciar conspiração Paraguaio buscaria driblar fragilidade de seu governo invocando temor de golpe Ariel Palacios, correspondente/Buenos Aires Líderes de partidos da oposição no Paraguai revoltaram-se com as declarações do presidente Fernando Lugo sobre uma suposta trama de golpe de Estado contra seu governo. Segundo informações extraoficiais, o alerta de Lugo teria sido feito a seus colegas sul-americanos na reunião da União de Nações Sul-americanas (Unasul), na semana passada na Argentina. Na cúpula, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner (2003-2007), eleito secretário-geral da Unasul, teria prometido assumir "a causa do Paraguai". Kirchner, segundo as informações publicadas pelo jornal portenho Ámbito Financiero, destacou que Lugo enfrenta um "sério conflito com seu vice-presidente, Federico Franco". Lugo chegou à presidência em 2008 ao vencer o Partido Colorado, que ficou 61 anos ininterruptos no poder. Mas, para conquistar o Palácio de López, sede da presidência paraguaia, ele teve de formar uma improvável aliança com o conservador Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Desde sua posse, Lugo tem uma relação tensa com Franco, principal representante do PLRA na coalizão governista. O vice sempre criticou Lugo por ter colocado poucos integrantes de seu partido no gabinete. O ex-presidente Nicanor Duarte Frutos (2003-2008), representante do Partido Colorado, de oposição, afirmou ao jornal ABC Color que as declarações de Lugo a seus colegas da região sobre um complô são "uma farsa". Segundo Duarte, "Lugo tem uma enorme fraqueza por ser incapaz de construir consensos políticos básicos. Por causa dessa fraqueza tenta instalar no imaginário internacional o relato farsante de conspiração golpista". O analista político Bernardino Cano Radil disse ao Estado que "um golpe de Estado é absolutamente inviável no Paraguai". "Nem as Forças Armadas nem os partidos políticos estão pensando nisso. É apenas propaganda do governo para justificar sua incapacidade. O presidente não quer sentar para conversar com as principais forças do Parlamento e nem sequer com seu vice." Guerrilha A mais recente escaramuça entre Lugo e Franco foi provocada pela suposta guerrilha do Exército do Povo Paraguaio (EPP), responsável por uma série de sequestros e roubos na região norte do país nos últimos dois anos. Lugo, para combater o EPP, declarou estado de exceção em cinco departamentos (estados) e enviou tropas do Exército para perseguir e deter os integrantes da suposta guerrilha. Para Franco, porém, a declaração de estado de exceção foi um "show midiático". O ministro do Interior do Paraguai, Rafael Filizzola, em entrevista ao Estado afirmou que o EPP "não é uma guerrilha, mas um grupo de criminosos". "São pessoas armadas, perigosas. Mas não são capazes de desestabilizar o país, muito menos de atentar contra as instituições democráticas." Filizzola, que integra o pequeno Partido Democrático Progressista, criticou setores "que estão perdendo seus privilégios", em alusão ao Partido Colorado, e usam o EPP para "aproveitar-se da situação". "Precisamos colocar esse problema em um contexto histórico. Estamos superando décadas de hegemonia de um partido político. Isso significa que pessoas estão perdendo privilégios dos quais por muito tempo se aproveitaram", disse. PARA ENTENDER O Paraguai não teve vice-presidentes durante toda a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954 - 1989), nem no primeiro governo da redemocratização, do presidente Andrés Rodríguez (1989-1993). Foi só a partir de 1994 que o país passou a contar com o posto. Cinco anos depois, Luis María Argaña, vice de Raúl Cubas Grau, foi assassinado a tiros quando estava havia menos de um ano no posto. Sua morte ainda está envolta em mistério, já que existem diversas teorias para o crime. No entanto, todas possuem um ponto em comum, o de que a trágica morte de Argaña servia para desestabilizar o governo Grau, já que o presidente teve de abandonar o cargo - e o território paraguaio - poucos dias após o assassinato. Caderno: Economia & Negócios Em briga com o Brasil, Argentina sai perdendo País vizinho ameaça barrar a entrada de alimentos importados e Brasil já fala em retaliação. Mas os argentinos exportam mais do que importam Raquel Landim Se insistir em um conflito com o Brasil, a Argentina tem mais a perder do que a ganhar. No primeiro trimestre do ano, o país vizinho importou US$ 81 milhões em alimentos processados dos produtores brasileiros, quase metade do total que adquiriu do mundo. Em contrapartida, vendeu US$ 190 milhões para o País, um quinto de suas vendas totais desse grupo de produtos. Na sexta-feira passada, o secretário de Comércio da Argentina, Guillermo Moreno, avisou aos supermercadistas que, a partir de primeiro de junho, estará proibida a importação de alimentos processados que também sejam feitos localmente, conforme noticiou o Estado na edição de ontem. Em 10 de junho, fiscais da secretaria prometem percorrer as gôndolas dos supermercados em busca de infrações. Se a medida realmente entrar em vigor, uma alta fonte do governo brasileiro já avisou que vai retaliar a Argentina em alimentos similares aos que forem atingidos. Oficialmente, ministério do Desenvolvimento e Itamaraty informaram que não foram notificados sobre o assunto. As estimativas de impacto no comércio bilateral foram feitas pela consultoria Abeceb.com, sediada em Buenos Aires. Os produtos mais afetados são cacau e chocolate, preparações alimentícias diversas (molho de tomate, entre outros), café ou chá, e preparações de hortaliças e frutas. O Brasil fornece 82% do cacau e chocolate e 74% do café e chá importados pelos argentinos. Esses dados ainda são preliminares porque o governo da presidente Cristina Kirchner não divulgou oficialmente a lista de produtos que serão barrados. O aviso feito por Moreno foi apenas verbal. Os supermercadistas pedem ao governo informações mais precisas para se planejar. Ainda há muita confusão sobre o que teria motivado o governo argentino a tomar essa medida, que vai impedir os consumidores de terem acesso a alimentos importados. Segundo fontes argentinas, Cristina Kirchner estaria tentando agradar os produtores de alimentos e, em contrapartida, garantir uma maior oferta de produtos no mercado interno e segurar os preços. Com o peso desvalorizado, o incentivo para a exportação de alimentos é significativo no país, o que está impulsionando a inflação e elevando o custo de vida para as famílias argentinas. "Dificilmente o governo conseguirá mobilizar os produtores argentinos, porque essa medida não os beneficia. Uma grande quantidade de empresas de alimentos estão situadas no Brasil e na Argentina, com produtos complementares para atender os dois países", avaliou o economista da consultoria Abeceb.com, Maurício Claverí. Reação. No Brasil, o setor de alimentos está preocupado e pede uma reação do governo. "É um atentado contra as regras do Mercosul. O setor de alimentos é o principal gerador de superávit para a balança comercial brasileira e merece uma atenção especial do governo", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Edmundo Klotz. Ele disse que informou o Ministério do Desenvolvimento do problema na última sexta-feira, e está confiante que o assunto será resolvido por meio de negociação ou que o governo tomará uma atitude enérgica. "Nós estamos espalhados pelo mundo, vendemos para mais de 120 países. A Argentina é que precisa aumentar suas vendas para o Brasil para sair da crise", completou. Para o diretor de relações internacionais da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto, "se a Argentina seguir em frente com essa medida, será uma aberração no Mercosul". Ele também acredita que, se o Brasil retaliar, o impacto é muito maior para os argentinos que para os brasileiros. "A Argentina vende trigo e milho para o Brasil na mesma época em que nossos produtores estão colhendo a safra. Temos trigo estocado aqui e continuamos importando deles", disse Sperotto, que também é presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). PARA LEMBRAR Antes desse novo conflito, Brasil e Argentina atravessavam um período de calmaria nas relações comerciais. A Argentina agilizou a liberação das licenças de importação, um procedimento burocrático que atormenta os empresários. Adotadas após a crise para conter as importações, as licenças demoravam mais de 120 dias e prejudicavam a venda de produtos brasileiros como calçados, têxteis e eletrodomésticos. Os argentinos só cederam depois que o Brasil retaliou. Jornal ‘O Globo" Opinião Argentina: inflação sim, desvalorização não Jorge Oviedo A inesperada proibição do secretário de Comércio, Guillermo Moreno, de que a Argentina continue importando alimentos competitivos com a produção local não parece mais que o produto de outro fato inesperado: o agravamento do conflito com o sindicato trabalhista do setor de alimentos, que mantém paralisadas várias indústrias. A Federação de Trabalhadores da Indústria da Alimentação deu por rompidas as negociações e foi à greve. Os pedidos de aumentos salariais, segundo os empresários, alcançam a casa dos 44%. É uma loucura, oferecemos 26% em duas vezes, mas nem sequer aceitaram sentar para negociar. O Ministério do Trabalho não conseguiu atuar e os dirigentes sindicais parecem submetidos aos segmentos radicalizados, disse um executivo. A surpresa não é pequena porque sindicatos habitualmente mais inflexíveis, como a União dos Operários Metalúrgicos (UOM), têm feito acordos de aumentos salariais com um máximo ligeiramente superior ao patamar de 26%. Ninguém esperava que fosse com o sindicato dos trabalhadores na indústria de alimentação o processo de atualização salarial mais conflitante da Argentina. Vários executivos explicam que é limitada a possibilidade de transferir aos preços os aumentos de custos. Nos alimentos de consumo popular isso teria o perverso efeito para os extratos mais pobres, com menor poder aquisitivo. No outro extremo, com inflação e dólar quietos, muitos alimentos de produção nacional começam a aparecer nas gôndolas do comércio com preços similares aos dos importados. Massas, azeites de oliva, pescados e mariscos de outros países já competem com vantagem nas gôndolas de produtos de melhor qualidade. Dizem que a mensagem do secretário Moreno às empresas produtoras de alimentos foi: Dêem os aumentos para desativar o conflito, mantenham o máximo possível os preços dos produtos populares e subam tudo o que queiram nos outros. Eu me ocupo de retirar a competição dos importados. Seria por essa razão que a proibição de vender importados, imposta aos supermercadistas, inclui só as categorias de produtos que têm uma alternativa de fornecimento na produção local. Aparentemente, não haveria problemas com os que continuem vendendo, por exemplo, diferentes variedades de café, palmitos e delicatessen que na Argentina não se elaboram por diferentes limitações. Mas deveriam desaparecer os presuntos espanhóis, os azeites de oliva, as massas italianas e os queijos franceses. A boa notícia é que o governo não pensa em desvalorizar o peso para manter a competitividade, porque teme a repercussão na taxa de inflação, disse-me um outro empresário. Ainda há quem pense que o Executivo argentino quer por todos os meios neutralizar possíveis escaladas de grupos de esquerda como as que aconteceram recentemente quando os empregados da indústria Kraft coordenaram ações com setores da Federação de Universitários de Buenos Aires (Fuba) e, inclusive, apareceram nas assembleias dos estudantes que haviam tomado o Colégio Nacional. A decretação da greve na indústria de alimentação, ontem, coincidiu com um endurecimento de grupos ativos em outros setores. JORGE OVIEDO é jornalista © La Nación/GDA. Caderno: O País Serra: BC não é a Santa Sé Tucano critica política de juros, Mercosul, Petrosal, Telebras, Belo Monte... e elogia Lula Flávio Freire Após um mês de pré-campanha em que dosava críticas com elogios ao governo Lula, o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, ontem deixou aflorar mais os ataques, indicando diversas mudanças que faria no governo, caso eleito. Em entrevista à rádio CBN, ele mostrou desconforto ao falar sobre se manteria ou não a autonomia do Banco Central e até foi ríspido com a colunista Míriam Leitão, da equipe de entrevistadores. Mais tarde, o notívago Serra tentou justificar dizendo que não podia estar de bom humor às 8h da manhã, hora da entrevista. Além do BC - que não baixou os juros quando devia, na opinião dele -, o tucano criticou o aparelhamento do Estado pelo PT; o processo de construção de Belo Monte; o Mercosul; e a Telebras, entre outros programas do governo. Ao mesmo tempo, destacou que respeitará a decisão do Congresso quanto ao aumento das aposentadorias acima do mínimo e disse que o presidente Lula reduziu o clima de terrorismo ao afirmar que nada de anormal acontecerá no país, independentemente de quem seja eleito. Sobre o BC, Serra disse que a instituição não é infalível e que o presidente da República tem, sim, o direito de se posicionar caso o comando do banco cometa "erros calamitosos". O BC "não é a Santa Sé", disse, irritado, defendendo o direito de o presidente manifestar sua opinião e negando que isso fira a autonomia do BC. O tucano não gostou de uma pergunta sobre a especulação de que mudaria os rumos das políticas monetária e fiscal, assim como a hipótese de que poderia assumir também a presidência do BC. Perguntado sobre o que faria se percebesse equívocos em decisões do BC, Serra se alterou: - Espera um pouquinho. O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha isso, sinceramente, que o Banco Central nunca erra? Tenha paciência. Agora, quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? Claro que não. Agora, de repente, monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade, e que... e qualquer criticazinha já vem algum jornalista, já vem o outro, e ficam nervosinhos por causa disso - disse ele, em resposta a Míriam. (Leia a íntegra ao lado) Serra disse que é preciso dar tranquilidade "ao pessoal do Banco Central", mas ponderou: - Se houver erros calamitosos, que são perfeitamente possíveis de diagnosticar, acho que o presidente tem de (fazer) sentir sua posição, como aliás o atual governo fez e o governo do Fernando Henrique fazia, sem que isso causasse qualquer estresse ou ataque de nervosismo. Para Serra, o Banco Central errou quando não baixou os juros durante a crise financeira internacional. - Quando as condições para baixar os juros são boas, como foi na crise, e o Brasil foi o último do mundo inteiro (a baixar), apesar que a crise aqui não foi tão grave. Não baixar os juros num contexto em que não tinha inflação, tinha deflação até, simplesmente foi um erro. A mesa da economia brasileira, eu ajudei a erguer, estava no chão, e todo mundo sabe que não vou virar a mesa (se eleito) - disse Serra, defendendo o tripé câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal. A seguir, trechos da entrevista do tucano, que abriu a série da CBN com os pré-candidatos a presidente. Na próxima segunda-feira será a vez de Dilma Rousseff, do PT. MERCOSUL: "Acho que o Mercosul tem de ser reformado. Foram fixadas metas muito ambiciosas. Acho importante salvar o Mercosul. Temos de reforçar o livre comércio. Há uma zona de livre comércio e você não consegue vender. Essas reuniões de presidentes parecem mais um espetáculo sem nenhum avanço concreto. Ele precisa ser reformado para ser fortalecido". APARELHAMENTO DO ESTADO: "É inegável que o governo, quando está o PT, aparelha com toda a militância, desvirtuando as funções governamentais, que não são de fortalecer um partido, mas de servir ao interesse público. Não é minha característica fazer aparelhamento partidário. Partido, a gente tem respeito, disputa eleição, para, na hora de governar, você governar para todos e todas, e com todos e todas que forem bons". LOTEAMENTO: "Não vou lotear. Nem para a base aliada. Você trabalha com o Congresso com base nas emendas orçamentárias. Ao contrário do que se diz, deputado estadual, federal, senador, quando faz emendas, mais de 90% das emendas são boas, porque o sujeito quer ser eleito. Outra coisa é se o dinheiro é mau usado, então tem de ter mecanismos para isso. Fui prefeito, governador, ministro e nunca deixei parlamentares indicarem diretores de empresas. A responsabilidade é do chefe, do governador, do prefeito ou do presidente. Se não fizer isso, você está aparelhando. Por que você pega alguém na área de telecomunicação só porque é de um partido? Não tem cabimento isso". PSDB PRIVATISTA: "Isso é trololó. Não pretendo privatizar nada. Isso é jogo de oposição em período eleitoral". PETROSAL: "Você tem grande potencial nessa área, e mudou-se o modelo, o de construir uma empresa. Creio que poderia ter ficado a Petrobras mesmo ou a Agência Nacional de Petróleo. Talvez não fosse necessária essa estatal, que o governo apresenta como algo enxuto, que não vai inchar mais, que será eficiente. Mas tenho dúvida a esse respeito. Mesmo mudando o modelo, como o governo quer, não seria necessário criar outra empresa, dadas as empresas já existentes". ROYALTIES: "Acho, em primeiro lugar, que os royalties do pré-sal que ainda virão devem ficar ligados a investimentos para que o país possa crescer em função disso e aproveitar bem. Os royalties que vierem devem ser ligados a investimentos para beneficiar o conjunto do Brasil, mas devem ser mantidos no caso do Rio e do Espírito Santo, ou então você liquida esses estados. Fora que é tradição no mundo inteiro que os estados produtores tenham mais royalties. Estão vivendo disso (...), têm de receber mais como produtores, assim como Minas deve receber mais com minério. Eu não desfalcaria Rio e Espírito Santo. Pelo projeto de lei, tiraria de um dia para outro os royalties do Rio e do Espírito Santo, isso seria uma tragédia, me opus desde o primeiro momento a isso". TELEBRAS/BANDA LARGA: "Quando eu era governador, criamos uma empresa de turismo. Se é uma coisa essencial (a volta da Telebras), tudo bem. No caso dessa nova estatal, a finalidade é boa, mas é preciso ver se é a melhor maneira de oferecer internet de banda larga, com menor preço, mais concorrência e também boa velocidade, porque os planos dessa empresa são apresentados abaixo do padrão mundial, então tem que ver se é o melhor caminho. Acho que devia ter um debate melhor, porque o governo criar empresa no ano que vem com gasto de R$16 bilhões, com tantos problemas no Brasil, é preciso mesmo ver se é a melhor opção". BELO MONTE: "Belo Monte é importante, mas é errado tocar do jeito que está sendo tocado, sem se discutir as questões ambientais, as questões econômicas. Há muita coisa no ar. Se o governo quer fazer, precisaria convencer a sociedade das vantagens que essa usina apresenta. Em última análise, vai investir bilhões com dinheiro do contribuinte. O próximo governo tem de dar importância imensa ao tema". BOLSA FAMÍLIA: "Assistencialista ou não, o Bolsa Família deve ser mantido. Mas deve ser fortalecido com vínculo nas questões de educação e saúde". PREVIDÊNCIA: "O sistema da Previdência, em seu conjunto, tem déficit. Não há dúvidas de que os aposentados estão em situação de atraso no Brasil. Mas o ministro (Guido) Mantega é sério, e o presidente Lula é sensível, e vou respeitar a decisão que o Congresso tomar. Mas a reforma da Previdência tem que eliminar privilégios e corrigir injustiças". ESQUERDA OU DIREITA?: "Do ponto da análise convencional, do que é direita, esquerda, sim (sou de esquerda). Defendo um projeto de desenvolvimento nacional, defendo um governo forte. Não obeso, mas musculoso. Defendo os mecanismos de justiça social, vou estar comprometido até o fundo da alma com os trabalhadores e os desamparados, é ser aliado de empresas que gerem empregos". ENTREVISTA DE LULA AO "EL PAÍS": "O Lula disse que qualquer um que ganhar, não vai ter nada de anormal. Isso é importante porque tem quase um clima de terrorismo, de que, se alguém da oposição ganhar, o país perderia. Isso mostra que o Lula não está tão preocupado como se imagina se ganhar um outro candidato". Jornais dos Países Membros do Mercosul Argentina "La Nación"" Sección: Economía Brasil planteó inquietud por las trabas a alimentos importados Un funcionario consultó sobre la medida al secretario de Industria argentino, que dijo no saber detalles De paso por Buenos Aires, Ivan Ramalho, secretario ejecutivo del Ministerio de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior de Brasil, se enteró por la prensa del freno argentino a la importación de alimentos. El funcionario brasileño no alcanzó a entender cómo un organismo técnico del Ministerio de Salud podría paralizar las ventas de choclo en grano enlatado o conserva de tomate, entre otros productos que el gigante sudamericano le vende a nuestro país. En medio de la reunión mensual de monitoreo del comercio bilateral, Ramalho le preguntó al secretario de Industria argentino, Eduardo Bianchi, sobre el alcance de la medida. Pero su colega argentino poco pudo aclararle. "El tema no está en mi jurisdicción, no bien consiga los detalles te voy a enviar la información acerca cómo se va a instrumentar", le respondió Bianchi, según fuentes del Ministerio de Industria y Turismo, a cargo de Débora Giorgi. El diálogo se dio en términos absolutamente informales en medio de una relación con frecuentes tensiones comerciales. "A pesar de ser apenas rumores, le expresamos nuestra preocupación al secretario Bianchi", dijo el funcionario brasileño a la agencia Estado, que consignó también la inquietud de empresarios de ese país. La semana pasada, el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, ordenó al director de la Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica (Anmat), Carlos Chiale, que el Instituto Nacional de Alimentos (INAL), a su cargo, en lugar de entregar directamente certificados sanitarios a los importadores se los envíe a él. Según fuentes empresariales, Chiale consultó con su jefe, el ministro de Salud, Juan Manzur, y éste le ordenó cumplir con el pedido. La medida, que comenzaría a regir para alimentos no frescos el 1°de junio, fue comunicada verbalmente a los responsables de comercio exterior de supermercados y empresas importadoras. Desde entonces, la incertidumbre sobre la compra al exterior de alimentos es total. Con bajas expectativas, la Cámara de Importadores de la República Argentina (CIRA) y algunos supermercados participarán hoy de una reunión en la Anmat, a las 11, para conocer la nueva regulación sobre los permisos de importación que, hasta ahora, entregaba automáticamente ese organismo. "Vamos a explicarle la problemática a la autoridad sanitaria. Hay mercadería que está en el puerto, otra que está viajando, y hay compromisos de importación acordados para los próximos seis meses", advirtió el presidente de la CIRA, Diego Pérez Santisteban, que alertó sobre el riesgo inflacionario. Silencio A pesar de las insistentes llamadas de LA NACION, la Cámara Argentina de Supermercados (CAS) y la Federación Argentina de Supermercados y Autoservicios (FASA) no opinaron sobre la medida. Como es habitual, el secretario Moreno tampoco respondió la consulta que este diario le transmitió por intermedio de una de sus secretarias. Por lo pronto, el anuncio extraoficial de las restricciones ordenadas por Moreno despertó las críticas de las empresas y la consulta de Brasil, un proveedor importante de choclo en grano enlatado y tomate en conserva, entre otras mercancías alcanzadas por la decisión. Ayer, en un comunicado de tono inusualmente ríspido, la Coordinadora de las Industrias de Productos Alimenticios (Copal), que agrupa a las principales cámaras del sector, reclamó que "toda medida de política comercial interna y externa respete los criterios de los tratados internacionales de los que Argentina es parte, ya que es una de las garantías necesarias para evitar represalias en el comercio mundial, que ya han sido solicitadas en sus países de origen por los sectores de la industria afectados". La entidad, presidida por el abogado laboralista Daniel Funes de Rioja, recordó además que "la industria argentina de alimentos y bebidas por su competitividad y calidad exportó en 2009 más de US$ 22.000 millones, mientras que las importaciones no alcanzan a los US$ 1000 millones". ?Freno a las importaciones. La semana pasada, el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno, ordenó al INAL, un organismo técnico dependiente del Ministerio de Salud, frenar los permisos sanitarios de importación de alimentos no frescos. José Crettaz Paraguay "ABC" Sección: Política EE.UU. teme que Unasur termine como la mayoría de los bloques Estados Unidos ve a la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) como una entidad con posibilidades de fortalecerse e institucionalizarse como la Unión Europea, pero teme que termine siendo como la mayoría de los bloques regionales que en su momento prometieron mucho y luego poco concretaron. Así lo expresó ayer en su conferencia sobre "Dinámica de relaciones entre Estados Unidos y América Latina", David Scott Palmer, director de estudios latinoamericanos y profesor de Relaciones Internacionales y Ciencias Políticas, quien fue invitado por el Foro de Análisis Estratégico Nacional e Internacional, dirigido por Hugo Saguier Guanes. La actividad tuvo lugar en horas de la noche en el Salón de Eventos, en el primer piso de este diario. El estadounidense habló también del impacto de la crisis financiera en países latinoamericanos. En ese orden señaló que la nación más afectada fue México, por su estrecha relación comercial con los EE.UU. José Serra ironiza cumbres de los presidentes del Mercosur El candidato presidencial brasileño José Serra, opositor y favorito para las elecciones de octubre próximo, reiteró hoy sus críticas al actual estado del Mercosur y aseguró que las cumbres del bloque "se han transformado en un espectáculo" y exige su reforma. Critica a Luiz Inácio Lula da Silva y ridiculiza al presidente bolivariano de Venezuela Hugo Chávez. BRASILIA (EFE) Serra, del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), dijo en una entrevista con la radio CBN que el Mercosur "tiene que ser reformado", pues "se han fijado metas muy ambiciosas y se han quemado etapas". En su opinión, el bloque que forman Argentina, Brasil, Uruguay y Paraguay debe primero tratar de convertirse en "la zona de libre comercio" que todavía "no es" y que se había fijado como objetivo en sus inicios. "Creo que es importante salvar al Mercosur", pero para eso "hay que dar dos pasos hacia atrás para dar luego otro hacia adelante" , afirmó Serra, a quien las encuestas de intención de voto le atribuyen un respaldo en torno al 37 por ciento. También sostuvo que "las reuniones de presidentes del Mercosur pasaron a ser más un espectáculo" que un espacio dedicado a la búsqueda de "avances concretos, que no hay". Preguntado sobre la preferencia que el presidente venezolano, Hugo Chávez, ha manifestado por la candidata del Partido de los Trabajadores (PT, oficialista), Dilma Rousseff, Serra respondió con cierta ironía: "El puede tener sus preferencias y yo tengo las mías. No lo habría votado", dijo. Serra también reiteró que presentará en la campaña "un proyecto de desarrollo nacional para Brasil, con activismo gubernamental", un "Estado fuerte, pero no obeso, sino musculoso", y con "capacidad para activar el desarrollo y la justicia social". Asimismo, criticó la política de altos intereses que aplica el Banco Central y aseguró que el Gobierno no puede dejar a la entidad decidir sobre ciertos asuntos sin interferir de ninguna manera, como ocurre actualmente. No es la Santa Sede "El Banco Central no es la Santa Sede", afirmó. Según el candidato del PSDB, el Gobierno no debe "interferir en todo momento (en las políticas del Banco Central), pero cuando hay errores calamitosos el Presidente de la República tiene que hacer sentir cuál es su posición". Serra descartó que una eventual victoria suya en las elecciones pueda suponer que las políticas sociales implantadas por el Gobierno de Lula vayan a ser debilitadas. Gane quien gane, el rumbo de Brasil no será alterado". Sección: Economía Brasil oficializa acuerdo para 500 kV Informaciones de medios brasileños señalan que el Gobierno brasileño oficializó ayer, lunes, el acuerdo firmado con nuestro país en el 2009 para la construcción de la Línea de Transmisión (LT) de 500 kV. El Ministerio de Relaciones Exteriores del país vecino se encargó de la divulgación oficial de la disposición del palacio de Itamaraty, según los reportes de las agencias. El acuerdo entre el Brasil y Paraguay para la construcción del tendido eléctrico desde la central Itaipú hasta Villa Hayes fue revalidado en Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) entre los presidentes Fernando Lugo Méndez, de Paraguay, y Luiz Inacio Lula da Silva, de Brasil. Agregan que el costo de la obra es de 400 millones de dólares y será proveído por el Fondo de Convergencia Estructural y Fortalecimiento Institucional del Mercosur (Focem). Los recursos deberán ser transferidos a la Itaipú Binacional para su administración correspondiente. Una vez concluida la obra, estimada para el 2012, la misma será transferida a la Administración Nacional de Electricidad (ANDE). El reporte señala, además, que el acuerdo para la construcción de la línea de transmisión de energía eléctrica se suscribió el 25 de julio de 2009, durante el encuentro entre los presidentes de Brasil y Paraguay. La línea de 500 kilovatios es una cuestión vital para nuestro país, debido a que la demanda actual es superior a la capacidad de retiro de la hidroeléctrica. Uruguay "El Pais" Sección: Economía Arroz: Uruguay estudia la propuesta de subir arancel. Productores del Mercosur preparan reunión en Rivera La Asociación Cultivadores de Arroz (ACA) continúa discutiendo la propuesta de Brasil de elevar el Arancel Externo Común del Mercosur para reducir las posibilidades de ingreso de arroces de terceros países, precisamente en esta zafra, cuando la cosecha brasileña será menor a la de otros años. Los arroceros de Paraguay, Brasil, Argentina y Uruguay están preparando un encuentro en la ciudad fronteriza de Rivera, con el cometido de discutir la propuesta. En este caso, según confirmó Hernán Zorrilla, vicepresidente de la ACA, Uruguay llevará alguna propuesta que involucra "un paquete de medidas" y ya no sólo se va a centrar en elevar el Arancel Externo Común. Aún no hay una fecha definida para el encuentro, pero se estima que será en los próximos días (se manejan fechas). La Federación de Arroceros de Rio Grande do Sul (Fedearroz) tomó contacto con los arroceros uruguayos y argentinos planteándoles la idea para proteger su mercado, pero que también beneficiará a los demás países del Mercosur, que habitualmente colocan arroces en el mercado brasileño. "Elevar el arancel para arroces procedentes de terceros países fue - años atrás- un viejo anhelo de la ACA, pero en la época que Uruguay propuso la medida, los brasileños le cortaban el ingreso de arroz y mientras tanto ingresaban arroces de Estados Unidos y otros países por el puerto de San Pablo", admitió Zorrilla. Para la ACA, hoy no se logra mucho con sólo elevar el Arancel Externo Común, sino que "hay que aplicar un paquete de medidas" y precisamente esas medidas son las que se están discutiendo internamente. Pero lograr poner en marcha la propuesta brasileña no depende sólo de la voluntad de los cultivadores, sino de la voluntad de los gobiernos. En tal sentido, cuando hace años Uruguay impulsó la misma iniciativa, "fue el gobierno brasileño el que la trabó", reconoce hoy el vicepresidente de la ACA. "La Republica" Sección: Mundo Brasil: Rival del presidente Lula aboga por reforma del Mercosur. José Serra. El candidato presidencial socialdemócrata critica al presidente Chávez El candidato socialdemócrata a suceder al presidente Luiz Inácio Lula da Silva en las elecciones de octubre en Brasil, José Serra, defendió la reforma del Mercosur y criticó al mandatario venezolano, Hugo Chávez, en su primera gran entrevista preelectoral. Brasilia | AFP "El Mercosur tiene que ser reformado", expresó Serra, al considerar que "no existe libre comercio" entre sus miembros, y que "las reuniones de presidentes del Mercosur pasaron a ser más un espectáculo" donde hay discursos y se habla de América Latina, pero "no hay avance concreto". Serra propuso fortalecer la función original de área de libre comercio del Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Venezuela en proceso de adhesión) y sugirió dejar de lado el resto de ambiciones, como la negociación en bloque con terceros países. "Creo importante salvar el Mercosur, y ahí hay que dar un paso atrás para poder dar dos adelante. O sea, fortalecer el libre comercio" y "flexibilizar el resto", dijo el candidato del opositor Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB). Consultado sobre las relaciones con Venezuela y con Chávez, Serra dijo defender "una relación amistosa con Venezuela". Pero fue tajante al afirmar que en esa relación no cabe "meterse en asuntos de otros países como Venezuela acostumbra a hacer, Chávez lo hace, interfiere en otros países y eso Brasil no lo puede apoyar de ninguna manera". También dijo que en los casos en que se entienda que hay una violación de derechos humanos en Venezuela, "Brasil tiene que asumir una posición". En una reciente visita a Brasil, Chávez declaró su preferencia por la candidata de Lula a sucederlo, la ex ministra jefa de gobierno Dilma Rousseff. "Chávez tiene sus preferencias electorales, yo también las tendría: no le habría votado", respondió Serra. En la larga entrevista radiofónica, Serra se definió de izquierda "desde el punto de vista de análisis convencional" y defendió "un Estado, un gobierno fuerte" capacitado para "activar el desarrollo" del país y comprometido "con los trabajadores y los desamparados". Economista, el candidato explicó que mantendrá las bases de la actual política económica: cambio fluctuante, responsabilidad fiscal y metas de inflación, y descartó privatizar grandes empresas estatales, pero sugirió que será más activo en intentar una rebaja de la alta tasa de interés de referencia brasileña, entre las más altas del mundo. Confirmó también que, de llegar al poder, mantendrá el principal programa social aplicado por el gobierno de Lula, el Bolsa Familia, que a su vez tuvo su origen en el anterior gobierno socialdemócrata. Serra, de 68 años, lidera las intenciones de voto en Brasil, con 36% según una reciente encuesta de Ibope, contra 29% de la candidata de Lula. Las elecciones se desarrollan en dos turnos cuando ningún candidato alcanza 50% de los votos. Serra fue ministro de Salud al final del mandato del socialdemócrata Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), cuando impulsó un fuerte encontronazo con las multinacionales farmacéuticas en defensa de los medicamentos genéricos. En 2002 fue candidato presidencial en las elecciones vencidas por Lula, y en los últimos años ejerció como alcalde y luego gobernador de Sao Paulo, capital económica de Brasil. Serra fue líder estudiantil y durante el régimen militar brasileño (1964-85) se exilió en Bolivia, Chile, Francia y Estados Unidos. Está casado con una chilena y tiene dos hijos. "El Observador" Sección: Internacional Candidato brasileño critica al Mercosur. EL OPOSITOR JOSÉ SERRA BUSCA SUCEDER AL PRESIDENTE LULA DA SILVA El candidato presidencial brasileño José Serra, opositor y favorito para las elecciones de octubre próximo, reiteró ayer sus críticas al actual estado del Mercosur y aseguró que las cumbres del bloque "se han transformado en un espectáculo". Serra, del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), dijo que el Mercosur "tiene que ser reformado", pues "se han fijado metas muy ambiciosas y se han quemado etapas". En su opinión, el bloque que forman Argentina, Brasil, Uruguay y Paraguay debe primero tratar de convertirse en "la zona de libre comercio" que todavía "no es" y que se había fijado como objetivo en sus inicios. "Creo que es importante salvar al Mercosur", pero para eso "hay que dar dos pasos hacia atrás para dar luego otro hacia adelante", afirmó Serra, a quien las encuestas de intención de voto le atribuyen un respaldo en torno al 37%. Sobre la preferencia que el presidente venezolano, Hugo Chávez, ha manifestado por la candidata del Partido de los Trabajadores (PT, oficialista), Dilma Rousseff, Serra respondió con cierta ironía: "Él puede tener sus preferencias y yo tengo las mías. No lo habría votado", dijo. Serra también reiteró que presentará en la campaña "un proyecto de desarrollo nacional para Brasil, con activismo gubernamental", un "Estado fuerte, pero no obeso, sino musculoso", y con "capacidad para activar el desarrollo y la justicia social". (EFE) Venezuela "El Universal" Sección: Internacionales Serra critica al Mercosur y la injerencia de Chávez en Latinoamérica El candidato opositor de Brasil lidera la intención de voto con 38% Brasilia.- El candidato socialdemócrata a suceder al presidente brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva, en las presidenciales de octubre en Brasil, José Serra, criticó al Mercado Común del Sur (Mercosur) y al presidente de Venezuela, Hugo Chávez, en una gran entrevista preelectoral a la radio CBN. "El Mercosur tiene que ser reformado", expresó Serra, al considerar que "no existe libre comercio" entre sus miembros y que "las reuniones de presidentes del Mercosur pasaron a ser más un espectáculo", donde "no hay avance concreto", dijo AFP. Serra propuso fortalecer la función original de área de libre comercio del Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay, más Venezuela en proceso de adhesión) y sugirió dejar de lado las ambiciones de negociar con terceros países. Consultado sobre las relaciones con Venezuela y con el presidente Chávez, Serra defiende "una relación amistosa con Venezuela". Pero fue tajante al afirmar que en esa relación no cabe "meterse en asuntos de otros países, como Venezuela acostumbra hacer. Chávez lo hace, interfiere en otros países y eso Brasil no lo puede apoyar de ninguna manera". También dijo que cuando el asunto sea los derechos humanos, si hay una violación de derechos fundamentales, "Brasil tiene que asumir una posición". Serra, de 68 años, lidera las intenciones de voto en Brasil, con 38% según encuesta reciente de Ibope, contra 29% de la candidata de Lula.

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