segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Mercosulino 13/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Valor Econômico”


Caderno: Internacional


Governo argentino deve reforçar controle sobre o banco central
Daniel Rittner | De Buenos Aires

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tem a possibilidade de reforçar sua aposta no relaxamento da política monetária para esquentar ainda mais a economia local. Ela poderá renovar, no próximo até o dia 23, seis das dez cadeiras da diretoria do Banco Central argentino (BCRA). Tudo indica que Mercedes Marcó del Pont será reconduzida ao comando da entidade. A economista tem demonstrado interesse em continuar no cargo. Para isso, deixou até de ensaiar seus primeiros passos - embora tímidos - de autonomia em relação à Casa Rosada.

Cristina deverá alinhar mais o BCRA ao "kirchnerismo", substituindo pelo menos um diretor ligado a Martín Redrado, o ex-presidente da instituição que se opôs ao uso das reservas internacionais para o pagamento da dívida externa e acabou renunciando ao cargo em janeiro, sob forte pressão do governo.

Marcó del Pont foi indicada em fevereiro para completar o mandato de seis anos de Redrado. De perfil desenvolvimentista, ela atendeu prontamente aos apelos do governo e afrouxou a política monetária, aumentando em 20 bilhões de pesos (US$ 5 bilhões) a emissão de moeda que constava da programação do BCRA para 2010. Para a maioria dos analistas, a atitude não é compatível com a atual situação macroeconômica e joga ainda mais combustível na inflação da Argentina, que deve se aproximar de 25% neste ano - a segunda mais alta da América Latina, atrás apenas da Venezuela.

Mas para o projeto político de Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, Marcó del Pont tem se mostrado bastante útil. A intenção do governo é esquentar ao máximo a economia, buscando crescimento do PIB de até 9% em 2010 e de 6% em 2011, para aumentar suas chances de vitória nas eleições de outubro do ano que vem.

A possibilidade de usar novamente as reservas para pagar os vencimentos da dívida em 2011 encontra respaldo na atual presidente do BCRA. Marcó del Pont se atreveu nos últimos meses, porém, a comprar suas primeiras divergências, nos bastidores, com o casal Kirchner. Discorda, por exemplo, da ideia de Cristina - ainda não detalhada - de usar a autoridade monetária como fonte de financiamento para investimentos de pequenas e médias empresas argentinas.

A bancada governista na Câmara dos Deputados se prepara para defender um projeto de lei que muda a carta orgânica do BCRA, deixando de lado, como único objetivo prioritário, o resguardo do valor da moeda. Na semana passada, Marcó del Pont defendeu a reforma, que poderá abrir o caminho para a concessão de crédito corporativo pela instituição. "Além da estabilidade monetária, há que se conciliar as funções do Banco Central com o crescimento e a criação de emprego", disse. Os diretores indicados agora terão mandato de seis anos. Ou seja, poderão conviver com as gestões de mais dois presidentes da Argentina.


Jornal “O Estado de S. Paulo”


Caderno: Economia & Negócios


País omite à OMC créditos do BNDES
Jamil Chade CORRESPONDENTE GENEBRA

Em relatório entregue à organização, Brasil não cita a maior parte dos empréstimos feitos ao setor industrial, considerados subsídios

O Brasil não incluiu a grande maioria dos créditos e empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em sua notificação sobre subsídios industriais à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, o País entregou seu relatório fora do prazo e ainda pode ter o debate sobre os subsídios industriais adiado para 2011. Os números indicam que o volume de recursos públicos destinado a incentivar o setor produtivo no Brasil mais que dobrou entre os biênios 2005/2006 e 2007/2008.

Há uma semana, o Itamaraty depositou junto à entidade máxima do comércio um levantamento com seus programas que envolvem subsídios e incentivos industriais, uma obrigação que cada governo deve cumprir. A última vez que o Brasil havia apresentado uma conta completa de seus subsídios foi em 2007, com números referentes aos incentivos dados em 2005 e 2006. Agora, o relatório mostra os números para 2007 e 2008.

Os recursos cedidos pelo País para o setor industrial deveriam ser avaliados na OMC em 25 de outubro. Mas, por uma demora da Câmara de Comércio Exterior (Camex) em aprovar a notificação brasileira, o governo entregou seus documentos à OMC fora da data exigida pela entidade em Genebra e o debate corre o risco de ser adiado para 2011.

Na prática, isso significa que governos estrangeiros apenas poderão questionar o Brasil publicamente em relação a seus programas no próximo governo. O Estado havia revelado há um mês que a notificação estava sendo preparada e governos como o dos Estados Unidos e da União Europeia estavam aguardando o documento para levantar questões sobre o papel do BNDES no desempenho da economia brasileira e na maior competitividade das exportações nacionais. Não se trata ainda da abertura de uma disputa, mas sim de um questionamento para indicar ao Brasil que Washington e Bruxelas estão de olho no uso do BNDES.

No documento oficial entregue à OMC, porém, o Brasil praticamente não cita as atividades do banco, já que acredita que as linhas de crédito e outros empréstimos da instituição não são subsídios.

O BNDES emprestou cerca de R$ 210 bilhões entre 2009 e o primeiro semestre de 2010. Considerado até mesmo dentro do governo como a principal arma contra a recessão, o banco estatal representa 14% do total de investimentos no País e, em 2009, emprestou um volume de recursos três vezes maior que o Banco Mundial. Em 2008, o BNDES liberou R$ 92,2 bilhões, o dobro do valor de 2005. Mas apenas uma fração desses números aparece na notificação brasileira à OMC.

Subsídios. No total, o Brasil indica que, entre 2007 e 2008, concedeu subsídios para a área industrial de R$ 35 bilhões. O volume é mais que o dobro na comparação com os anos fiscais de 2005 e 2006. Para aquele exercício fiscal, o volume de subsídios atingiu R$ 17,6 bilhões.

Mas, no atual documento entregue à OMC, a única referência ao BNDES é o Profarma. No documento, o Itamaraty aponta R$ 17,6 milhões destinados ao financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento no setor farmacêutico. O governo ainda insiste no documento que o impacto do empréstimo para o setor de medicamentos não tem nenhum impacto comercial.

Pelas regras da OMC, incentivos ao setor industrial são, em geral, proibidos. Mas existe uma exceção. Para países em desenvolvimento, incentivos no setor de pesquisa e desenvolvimento são autorizados - e foram esses os programas que o governo brasileiro se concentrou em sua notificação.

Em outubro, a OMC realiza sua reunião dedicada a avaliar cada uma das submissões dos governos. O documento brasileiro, segundo o Estado apurou, já está sendo avaliado pelos técnicos em Washington e Bruxelas que deixaram claro que, para a reunião, levantarão questões sobre programas que não estão citados no documento. O BNDES será o principal alvo.

Crise. Desde a eclosão da crise financeira em 2008, governos do mundo despejaram bilhões de dólares em programas de incentivo às indústrias, o que foi considerado por muitos como violações explícitas às regras da OMC que limitam os subsídios. Diplomatas de alto escalão da América Latina, porém, admitiram que a escolha era deixar as grandes economias afundarem ou ignorar por algum tempo as regras do comércio e garantir a saúde das economias de países ricos.

Entre os programas citados pelo Brasil no documento está a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de tecnologia da informação, cujo incentivo entre 2007 e 2008 foi de R$ 5,7 bilhões.

O governo também aponta para o Programa de Desenvolvimento da Indústria e da Agropecuária, com o abatimento de impostos sobre investimentos feitos em tecnologia. Nesse programa, governo gastou R$ 12,5 milhões em 2007 e R$ 13,9 milhões em 2008. Nesse caso, o governo não vê impacto comercial.


UE volta a tentar acordo comercial com Mercosul
Comissário Karel de Gucht visita Brasil e Argentina e traz um alerta: [br]se a região não avançar nas negociações, perderá espaço para a Ásia
Jamil Chade / GENEBRA, Raquel Landim / SÃO PAULO

Sem perspectivas de acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC) no curto ou médio prazo, a União Europeia busca entendimentos bilaterais e tenta reviver acordos. Amanhã, o novo comissário de Comércio da UE, Karel de Gucht, desembarca para a primeira visita no Brasil e quer demonstrar que o mercado brasileiro e do Mercosul é uma das prioridades.

Mas Bruxelas chega com um aviso: se o Mercosul não optar por avançar nas negociações, perderá espaço para a Ásia.

Na sexta-feira, Bruxelas lançou negociações para um acordo de livre comércio com a Malásia e um tratado para proteger suas marcas e produtos na China. Alem de já ter fechado um acordo comercial neste ano com a Coreia do Sul, busca um tratado de livre comércio ainda em 2010 com Índia e Cingapura. Na prática, o estabelecimento de acordos comerciais com outros parceiros poderia dar vantagens a concorrentes brasileiros no mercado europeu, deslocando as vendas nacionais.

Depois de visitar os Estados Unidos e a Ásia, viajará à América do Sul para encontros com o chanceler Celso Amorim, se reunirá com empresários em São Paulo e viajará a Buenos Aires para tentar convencer o governo argentino a adotar uma posição de maior flexibilização na abertura de sua economia.

A Europa sabe que a negociação com o Mercosul é complicada e evita colocar prazos para um acordo. Mas, depois da interrupção das negociações por mais de cinco anos, a esperança de Bruxelas é de que haja interesse no avanço do processo, mesmo em período eleitoral, como no Brasil.

Os europeus sabem que precisarão apostar nas exportações dos seus bens industriais para os grandes mercados emergentes nos próximos anos, a fim de manter uma certa taxa de crescimento interno. O acesso ao mercado brasileiro, portanto, é tido como uma das prioridades da UE.

"É um sinal muito positivo que demonstra o interesse dos europeus no acordo com o Mercosul", disse o embaixador Evandro Didonet, chefe do departamento de negociações internacionais do Itamaraty. Ele explica que não estão previstas trocas de ofertas na visita, que serviria para preparar a próxima reunião entre os negociadores de Mercosul e UE, marcado para o início de outubro, em Bruxelas.

Perguntado pelo Estado se o acordo pode ser fechado ainda neste ano, Didonet afirmou que o interesse do Brasil "é avançar até onde for possível". Outras fontes do governo explicam, no entanto, que é quase impossível terminar a negociação até dezembro, apesar de o acordo com a UE ter se tornado prioridade para a diplomacia brasileira. Segundo essas fontes, ainda há temas polêmicos em aberto, como os subsídios europeus, regras de origem para os produtos e os regimes de salvaguardas.

Alguns setores da indústria estão preocupados com a negociação com a União Europeia. Em reunião da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB) com funcionários do governo há duas semanas, os empresários afirmaram que temem que o acordo seja negociado "às pressas" por causa do fim do mandato de Lula. O Itamaraty, no entanto, deixou claro que "não sacrificará conteúdo em função do prazo".

Na última reunião entre Mercosul e UE, em junho, os negociadores europeus disseram à imprensa argentina que esperavam concluir o acordo até meados de 2011. Esse prazo é visto como mais realista por autoridades do governo brasileiro.


Jornais dos Países Membros do Mercosul


Paraguay “ABC”


Sección: Economía


Cooperativistas del Mercosur piden mudar su sede oficial a Asunción

La Reunión Especializada de Cooperativas del Mercosur, que deliberó recientemente en Porto Alegre, Brasil, decidió pedir un cambio de sede administrativa a fin de instalarla en Asunción, pues hasta hoy funciona en Montevideo, informó ayer el Incoop.

La intención es aprovechar que en Asunción se encuentran las oficinas del Instituto Social del Mercosur, por lo que se solicitará que este organismo pueda acoger al estamento cooperativo a fin de que se tenga una gestión cada vez más regional, explicó a nuestro diario el titular del Instituto Nacional de Cooperativismo (Incoop), Antonio Ortiz Guanes. Agregó que los fondos aportados por los países socios a la Reunión Especializada son manejados por la Confederación Uruguaya de Cooperativas y se utiliza como sede el Edificio Mercosur de Montevideo, pero algunos gobiernos, como el de Brasil, que aporta el monto mayor, sugirieron establecer una nueva forma de administración.

“Ahora todo dependerá de que el Instituto Social del Mercosur acepte recibir y administrar esos fondos, para que la sede regional del estamento cooperativo se mude a Asunción”, acotó el titular del Incoop, quien representó a Paraguay en el encuentro de Porto Alegre junto al presidente de la Confederación Paraguaya de Cooperativas (Conpacoop), Cayo Silvero.

Apoyo de cooperativas de trabajo

Por otro lado, la Reunión Especializada de Cooperativas del Mercosur decidió apoyando la iniciativa paraguaya de impulsar la creación de una mayor cantidad de cooperativas de trabajo, a través de una cooperación para aumentar el debate sobre la necesidad de una mejor y más amplia legislación para ese tipo de entidades solidarias.

En ese sentido, vendrán especialistas de Argentina y Brasil para un nuevo seminario acerca del tema, que se va a preparar para finales de octubre o inicios de noviembre próximo, informó Ortiz Guanes.

En la ocasión se va a insistir, como en un mensaje a las autoridades del Estado, ejecutivas y legislativas, en lo dispuesto en la Resolución Nº 193 de la Organización Internacional del Trabajo (OIT), que justamente insta a los gobiernos a utilizar las cooperativas como una herramienta y un recurso válido para crear más empleos. Sobre el mismo asunto, en la primera semana de diciembre de este año, la cúpula del cooperativismo regional se reunirá en Brasilia con los ministros de Trabajo de Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay, para mostrarles los planes existentes y argumentar ante ellos sobre la necesidad de implementar la referida resolución de la OIT.


Sección: Internacionales


Argentina sería el segundo mayor importador del Brasil

BRASILIA (ANSA). El canciller brasileño Celso Amorim afirmó que el comercio bilateral con Argentina crecerá en 2010 y ese país se puede convertir en el segundo mayor importador de productos brasileños, desplazando a EE.UU.

El Gobierno de Brasil estima que el comercio bilateral con Argentina puede llegar 34.000 millones de dólares, y con ello Buenos Aires se tornará el segundo mayor importador de bienes y servicios brasileños, sólo superado por China, consignó Amorim.

El ministro disertó ante militares europeos y estadounidenses en el Octavo Encuentro Anual del Instituto de Estudios Estratégicos de Ginebra, Suiza, reportó ayer el diario Estado de São Paulo.

Durante su exposición sobre “Gestión de la seguridad mundial y nueva distribución del poder”, el canciller mencionó el avance de las relaciones con Argentina y del proceso de integración regional. Sostuvo, además, que el proyecto del Area de Libre Comercio de las Américas, que fue archivado en 2005, buscaba “consolidar” a América Latina como “patio trasero de Estados Unidos”.

Durante su gira por Europa, Amorim se reunirá con Pascal Lamy, el director general de la Organización Mundial del Comercio, y con Navanethem Pillay, titular del consejo de Derechos Humanos de la ONU.


Uruguay “La Republica”


Sección: Economia


Comenzó la modernización del actual Código Aduanero. Aduanas. Hacia la armonización entre los países del Mercosur
El Código Aduanero vigente data de 1984, y la actualización de la normativa que facilite la tarea de distribución regional es un interés manifiesto de los operadores públicos y privados.
Gonzalo Riet

La primera medida adoptada por el Director Nacional de Aduanas, Eduardo Canon, luego de la reunión del 23 de agosto pasado en la que participó todo el sistema portuario para escuchar al ministro de Economía Fernando Lorenzo y al propio Canon, estuvo dirigida a cómo comenzarían a instrumentarse las resoluciones adoptadas en la Cumbre del Mercosur que tuvo lugar en San Juan, Argentina, en relación a contar con un Código Aduanero del Mercosur, CAM.

El mensaje central fue la invitación formal a todos a participar activamente en el aporte de elementos e ideas para modernizar el Código Aduanero así como destacar el papel que juega para un país que está en proceso de convertirse en polo logístico de distribución regional, el contar con un Código moderno que necesariamente debe estar acompañado de un proceso similar de todos los actores, de manera de poder actuar en consonancia con la estrategia país.

El Código Aduanero vigente data de 1984 y la actualización de la normativa que facilite la tarea de distribución regional es un interés manifiesto de los operadores públicos y privados, puesto que a la postre redundará en mayor empleo, más salario y mejor calidad de vida para los uruguayos, enfatizó el titular de Aduanas en la reunión. Del mismo modo, Canon explicó que se optó por un método participativo que incluya a los operadores, debido a que son ellos los que en su trabajo diario conocen las reales necesidades, posibilidades y potencialidades del sector. Desde los operadores se demostró gran interés por esta iniciativa, lo cual se espera ver plasmado en propuestas concretas. Por su parte, y ya poniendo manos a la obra puesto que de acuerdo a lo dispuesto en San Juan se dispone de seis meses para trabajar en el Código, el MEF incorporó al Proyecto de Ley de Presupuesto varios artículos que adelantan la orientación que se le quiere dar al Código Aduanero y que permita desobstruir algunos "cuellos de botella" normativos. A su vez, desde Aduanas, se instrumentó un Centro de Consultas sobre el CAM, que complementará el proceso de participación de los operadores frente a un nuevo código uruguayo, que estará dirigida por la escribana Laura Dighiero. Con este aporte se busca aclarar dudas que surjan a los operadores de comercio exterior acerca de su contenido, disposiciones o la relación con la normativa vigente.

O Mercosulino 10/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Folha de S. Paulo”


Caderno: Mundo


Brasil banca obras energéticas em países vizinhos
Integração em infraestrutura é parte da estratégia do governo, que vê risco de isso ser visto como "intrusão"
Países como Venezuela, Argentina e Paraguai têm apresentado deficit quanto ao fornecimento pleno de eletricidade
SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

O Brasil vai bancar nos próximos anos projetos de segurança e integração energética de países vizinhos, seguindo a tônica do governo Lula de que não é bom se desenvolver estando rodeado de problemas estruturais.

Alguns, como a Venezuela, Argentina e Paraguai enfrentam problemas sérios de geração de eletricidade.

Estão em pauta questões gerais de integração, empreendimentos bilaterais e a intenção de fortalecer a prática de fornecimento momentâneo de energia, a energia interruptível -comum com Argentina e Uruguai.

Para o governo, a integração energética é mais que natural e o Brasil, como uma potência regional, não pode perder a chance de conduzir esse processo.

Do ponto de vista político, há o cuidado para que o Brasil não seja interpretado como um intruso nas questões internas de seus vizinhos.

Entre os projetos bilaterais em análise o mais estratégico é a construção das hidrelétricas de Garabi e Panambi, fronteira com a Argentina.

O inventário do rio Uruguai foi concluído em julho, e os dois países já têm o embrião da empresa que construirá o empreendimento.

O projeto é da década de 80, mas há orientação do governo Lula de tocar com rapidez. A energia gerada será dividida pela metade entre os dois países.

"O governo se deu conta de que ali há um potencial que não pode ser mais desprezado", afirmou o diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, André Corrêa do Lago.

Com o Peru, foi firmado um acordo que prevê a construção de hidrelétricas, com um total de até 6.000 MW de potência instalada.

MODELO CONFIÁVEL

O Brasil pretendia financiar essas obras para comprar 80% da produção, fatia que está sendo revista.

"Imagine se o Brasil fosse menor e estivesse construindo uma hidrelétrica para mandar energia a um vizinho, enquanto precisa dela", justifica o diplomata.

O governo estuda também exportar o modelo tido como "confiável" do setor, com leilões de energia e contratos de 30 anos, para seus vizinhos.

Peru, Bolívia e Uruguai mostraram interesse em incorporar o esquema energético brasileiro.

Um desses interessados, o Uruguai, receberá vários agrados do Brasil. Há o intuito de construir uma térmica a carvão em Candiota (RS) para fornecimento exclusivo ao país. O vizinho também deve receber um parque eólico.

O Brasil pensa em estender a influência para Bolívia, com construção de hidrelétricas, e Venezuela, que seria contemplada com linhas vindas de Boa Vista (RR).


Jornal do Brasil


Sociedade Aberta


Argentina repete os piores hábitos da Venezuela

O Ocidente se choca com as penas de apedrejamento no Irã e se irrita com as provocações de um inconsequente pastor americano ao islamismo. Mas isso só é possível nos países em que há uma imprensa livre para difundir essas tristes informações. A Venezuela de Hugo Chávez já foi tema deste Editorial pela truculência contra os meios de comunicação que não abaixam a cabeça às fanfarronices oficiais.

Também há algum tempo a Argentina de Cristina Kirchner revive o odor dos tempos da repressão militar a cada passo do governo no sentido de destruir ou domesticar os jornais Clarín e La nación. Agora, a presidente volta a atropelar a Justiça ao regulamentar dispositivos da Lei dos Meios de Comunicação, apesar de a mesma estar sub judice. São justamente os que mais diretamente se ligam à obrigatoriedade de o Clarín desfazer-se de canais de televisão, em nome da democratização do jornalismo.

A intenção de Cristina é tão clara que nem dá para acusá-la de querer enganar alguém e, nesse caso, surpreende como pode ela ainda ter apoio de qualquer setor que seja da valorosa sociedade argentina. Com a nova lei em vigor, estima-se que as empresas que hoje possuem canais de TV percam entre 50% e 60% de suas receitas com publicidade. Ou seja, inviabilizaria a manutenção da empresa, a menos que ela recorresse à torneira do governo e, com isso, parasse de tornar públicos os desmandos oficiais.

O que se espera é que a Justiça argentina seja firme como foi ao impedir a intervenção sombria do governo na empresa Papel Prensa, controlada pelos dois jornais argentinos. Assim como a população, que ainda lembra tristemente como é viver em silêncio.

Mas também não seria nada demais que outros governos, especialmente os vizinhos, manifestassem seu repúdio se é que ele existe à truculência da presidente, que se insurgissem contra quem pretende calar o jornalismo, ou torná-lo subserviente aos interesses dos que têm o poder nas mãos de ferro. Com a palavra, depois dos pitacos que deu na política de Cuba, Honduras e Irã, o presidente Lula.


Jornal “Valor Econômico”


Opinião


As rachaduras no G-20
Ante os desafios globais, a única resposta possível tem de ser mundial.
Javier Solana

A crise financeira mundial tem servido de catalisador rápido e eficiente para o G-20. As três primeiras cúpulas do G-20 reunindo chefes de Estado em Washington, Londres e Pittsburgh serão lembradas por terem feito avançar o multilateralismo e ações coordenadas em nível mundial. Mas o G-20 continua a ser muito mais uma obra em progresso - e uma iniciativa que precisa trabalhar muito para ter sucesso, conforme demonstrado em sua cúpula em Toronto.

O encontro em Washington, em 2008, foi o primeiro em que os chefes de Estado dos países membros reuniram-se desde a criação do grupo em 1997. O G-8 já não era um veículo adequado à governança econômica mundial, dada a necessidade de estabilizar os mercados financeiros em todo o mundo. As vozes de países como a China, Índia e Brasil tiveram que ser ouvidas, para que uma resposta coordenada à crise pudesse ser encontrada. Com o agravamento da crise financeira, a cúpula de Londres em 2009 concordou com um estímulo fiscal e monetário sem precedentes e apoiou um referencial regulamentar e de supervisão mais forte e mais coerente em nível mundial. Em vista do êxito do G-20, a cúpula de Pittsburgh considerou-o como principal fórum de cooperação econômica internacional.

Esse reconhecimento aumentou as expectativas em relação ao G-20 e atribuiu-lhe o prestígio que merecia: é o único fórum onde as potências mundiais e os países emergentes sentam-se em torno de uma mesma mesa como iguais. A premissa é clara: a crise tornou evidente que a interdependência entre os países é inevitável. Diante dos desafios no mundo de hoje, a única resposta possível tem de ser mundial. Não há alternativa possível. Mas a imprecisão dos acordos alcançados na Cúpula de Toronto em junho deixou os líderes políticos com um gosto amargo na boca.

Duas lacunas claramente definidas destacam-se como causas de discórdia. A primeira é a divergência transatlântica sobre o melhor modo de assegurar um retorno a sólido crescimento. Os EUA continuam favoráveis a estímulo econômico, enquanto a União Europeia prefere consolidação orçamentária. A outra fonte de dissensão é a falta de acordo sobre um imposto para o setor bancário. Os EUA, a UE e o Japão são a favor, ao passo que os países emergentes, assim como o Canadá e a Austrália, se opõem.

Embora tenha sido alcançado um acordo (2013 foi definido como o ano quando os déficits orçamentários terão sido reduzidos à metade; e 2016 para estabilização da dívida soberana), o consenso não está indo na direção certa. Não é uma questão de estímulo versus déficit. Ambos são necessários. Mesmo respeitando as particularidades de cada contexto, existe ainda terreno comum suficiente para maior precisão nos acordos. O mesmo pode ser dito sobre a questão da transparência, prestação de contas e regulamentação do imposto bancário. Sei muito bem que essa não é uma tarefa fácil, mas é essencial para os líderes mundiais - e não para os mercados - liderarem o esforço por reformas.

Além disso, há um costume que tem se repetido e que precisa ser mudado. Obviamente, realizar uma cúpula do G-8 antes de uma cúpula do G-20, como aconteceu no Canadá em junho deste ano, serve apenas para prolongar a manutenção de clubes distintos, o que é insustentável. O papel do G-20 deveria crescer ainda mais em importância, devido à participação dos países emergentes no PIB mundial - cujas projeções apontam para 60% em 2030 - e para a natureza mundial dos desafios do século XXI. Se quisermos progredir no enfrentamento dos problemas de governança mundial, teremos de trabalhar juntos para superar essa crise econômica e outras questões essenciais, como a não proliferação nuclear.

O problema é que apesar da evidente necessidade de multilateralismo há um risco de recaída no bilateralismo, devido à falta de liderança mundial. A atenção do presidente americano Barack Obama está centrada em questões de grande importância, como o Oriente Médio, sua nova estratégia para o Afeganistão e a cambaleante economia americana. O mesmo vale para a UE, onde a atenção - e as ações - têm-se concentrado, nos últimos meses, na defesa do euro e na resolução das dificuldades econômicas na periferia da União Europeia.

Por seu turno, as potências emergentes continuam inclinadas para o bilateralismo e a alinhar-se com outros países. A inexistência de acordo em torno da resolução do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã também não contribui para coordenação e cooperação no âmbito do G-20.

As cúpulas devem ser bem preparados e constituir um fórum de debate para as grandes questões mundiais atuais. Propostas concretas coerentes e bem definidas produziriam resultados mais aceitáveis para todos. Mas tão importante como a tomada de decisões é explicá-las bem. A cúpula do G-20 não é algo que acontece todos os dias. É um evento mundial. Especialmente em um momento de crise que tem causado tanto sofrimento, as decisões do G-20 devem ser explicadas ao público de forma clara e sem cacofonia. A angústia das pessoas exige esse esforço, e ele esteve ausente em Toronto.

O mundo permanece em uma fase de transição muito delicada, e ainda não está claro para qual direção o G-20 se inclinará. O principal desafio agora é continuar utilizando "a geometria dos 20" para construir instrumentos de governança mundial. Embora a tempestade econômica tenha ficado menos intensa, ainda não amainou. Por isso, ainda há muito a fazer. Estando os países a caminho do crescimento em diferentes velocidades, a estratégia mundial precisa continuar sendo uma prioridade.

O grau de interdependência dos países está crescendo e a natureza mundial dos nossos problemas é intrínseca. No âmbito do multilateralismo, os países devem fazer um esforço para amenizar as suas diferenças e aprofundar seus relacionamentos: temos de vencer a inércia que nos faz tender para velhas maneiras de pensar - e para velhas alianças.

Javier Solana ex-alto representante para Política Externa e de Segurança da União Europeia, e ex-secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), é presidente do ESADE Center for Global Economy and Geopolitics.


Caderno: Brasil


Ministros do Brasil e da Argentina não chegam a um acordo sobre autopeças
Sergio Leo | De Brasília

Decididos a aumentar a integração de suas indústrias e estimular a instalação de fábricas de autopeças nos dois países, os governos do Brasil e da Argentina não chegaram, ainda, a um acordo sobre como atingir esses objetivos. Em visita a Brasília, para um seminário sobre integração produtiva entre Brasil e Argentina, a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, manteve, em reuniões fechadas, sua confiança em medidas fortes, como licenças não automáticas de importação, para levar as montadoras a optarem por peças fabricadas nos países do Mercosul. O governo brasileiro rejeita a ideia.

"Existem várias possibilidades: podemos incentivar a criação de joint ventures , trazer empresas para cá ou levarmos as nossas para lá", comentou o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ele defendeu ênfase nas medidas de incentivo como a recém-anunciada linha de financiamento de US$ 200 milhões a ser criada pelo BNDES, Banco do Brasil e Banco de la Nación argentino, para atrair investimentos na fabricação de autopeças nos dois países.

O ministro brasileiro informou que Brasil e Argentina discutem uma lista de exceções que manterá tarifas reduzidas na importação de peças de automóveis em que a escala de produção torna inviável sua fabricação no Mercosul. "Podemos fabricar um Rolls Royce no Brasil, mas a um custo absurdo que, na prática, faria impossível fabricar esse carro", exemplificou.

Os fabricantes de automóveis e autopeças ainda discutem com o governo como adaptar a medida que eliminou o redutor antes aplicado na tarifa de importação de autopeças. A tarifa, de 35%, era reduzida em 40% até este ano, quando entrou em vigor a decisão do governo brasileiro, que elevará gradualmente o tributo até eliminar o redutor, no ano que vem.

Peças como bobinas e limpadores de para-brisas terão tarifa integral, avisou o ministro. A criação de medidas para aumentar o conteúdo local na produção de automóveis no Mercosul foi um dos principais temas abordados por Débora nas conversas mantidas ontem com autoridades brasileiras, que, no entanto, rejeitaram medidas de imposição de barreiras não tarifárias ou imposição de novas regras sobre as montadoras.

O clima das conversas, que incluíram um jantar das duas equipes, na noite de quarta-feira, foi cordial, porém. Ontem, os dois ministros fizeram questão de comemorar, em entrevista à imprensa, o aumento recorde de comércio entre Brasil e Argentina, puxado principalmente pelo setor automotivo. A soma de importações e exportações entre os dois países deverá superar o nível alcançado em 2008 e chegar a US$ 33 bilhões ou US$ 34 bilhões neste ano, anunciaram. O total já ultrapassou US$ 20 bilhões até julho.

O esforço de integração das indústrias nos dois países não se limita ao setor de automóveis, segundo relatou ontem o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri. O governo já começou a identificar empresas no programa de incentivo a fornecedores para as cadeias de petróleo e gás, que receberá recursos de US$ 3,7 milhões, na maior parte de um fundo comum do Mercosul. O programa de incentivo à integração na indústria automotiva tem previstos US$ 3,9 milhões, para identificação de problemas e projetos de capacitação de empresas.


Caderno: Agronegócios


IFC faz acordo "verde" na Argentina
De São Paulo

A CompartilharImprimirEnviar por e-mail O International Finance Corporation (IFC), o braço para investimento no setor privado do Banco Mundial, anunciou ontem o primeiro acordo com o Banco de Galicia y Buenos Aires com a finalidade de diminuir o impacto ambiental do setor agrícola da Argentina. O "empréstimo verde", que totaliza US$ 40 milhões, será destinado a produtores e empresas de médio porte.

De acordo com o comunicado divulgado ontem, o investimento será dividido em uma linha de cinco anos do próprio IFC, no valor de US$ 20 milhões, para projetos sustentáveis que melhorem a eficiência no uso de recursos limitados como água e energia, e em outra linha de crédito de três anos, de US$ 20 milhões, que o IFC desembolsará como garantidor dos montantes previstos pelo Fundo de Desenvolvimento Internacional da Opep (Ofid, na sigla em inglês). Essa operação é a primeira da segunda fase do Programa de Liquidez para o Comércio Mundial do IFC, do qual o Ofid é importante contribuinte.

"Este novo investimento contribuirá para consolidar nossa posição de liderança no sistema financeiro argentino, sobretudo no setor agrícola - um motor essencial ao crescimento econômico e à criação de emprego na Argentina", disse Daniel Llambías, gerente-geral do Banco Galicia.

Segundo Salem Rohana, gerente do IFC na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, a instituição "tem interesse em aumentar o seu apoio ao Banco Galicia através deste novo veículo no momento em que o banco intensifica os seus esforços para prestar serviços a setores econômicos-chaves que têm acesso limitado ao financiamento". Ele, lembra que, além de gerar benefícios ambientais, "este investimento inovador aumentará a disponibilidade de financiamento a médio e longo prazo para os produtores locais e as empresas da agroindústria da Argentina".

O Programa de Liquidez para o Comércio Mundial do IFC teve início em 2009 como resposta à crise financeira mundial e se tem como principal alvo as associações público-privadas e o aumento do crédito destinado ao comércio. Segundo o IFC, o programa viabilizou o financiamento de um volume comercial de mais de US$ 6 bilhões através de quatro mil empresas de 40 países.

Mais no www.ifc.org


Jornal dos Países Membros do Mercosul


Uruguay “El Pais”


Sección: Política Nacional


Veterinaria recibe aval del Mercosur.
La carrera fue evaluada por Chile, Argentina y Brasil

La carrera de Doctor en Ciencias Veterinarias (Plan 1998) de la Facultad de Veterinaria de la Universidad de la República acaba de completar el proceso de Acreditación Regional de Carreras Universitarias del Mercosur. La carrera agronómica -la otra componente del área Ciencias Agrarias-, concluyó este procedimiento por segunda vez en noviembre de 2009.

En lo previo, la Facultad de Veterinaria participó en la autoevaluación institucional promovida por la Universidad de la República entre los años 2005 y 2006, recibiendo la visita y el juicio de evaluadores externos que valoraron el desarrollo de sus funciones prioritarias.

La visita del Comité de Pares Evaluadores tuvo lugar entre los días 26 y 28 de mayo de este año. Participaron técnicos de la Universidad Nacional de Rosario, Argentina; Universidad de Concepción, Chile); y Universidad Nacional de Vicosa, Brasil. El 13 de agosto la Comisión ad hoc de Acreditación resolvió avalar la carrera de Veterinaria.

La acreditación deja paso a la etapa de cumplimiento de planes de mejora de la calidad, tanto del proyecto académico, como de los factores relacionados con la gestión.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Mercosulino 09/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Valor Econômico”


Opinião


Cristina no país das maravilhas
Roberto Luis Troster

O título lembra obra da literatura "nonsense" misturando populismo, corrupção, inépcia e repressão. É uma história com repetições de uma trama com os mesmos elementos num lugar fantástico, revelando uma lógica do absurdo, característica dos sonhos e dos pesadelos.

A personagem principal é Cristina e a narrativa começa em 1973, na celebração do fim da ditadura militar. A volta da democracia expõe a incapacidade dos governantes eleitos em apresentar um projeto de país e fazer acontecer. Em pouco tempo, o quadro econômico se deteriora e os relatos de corrupção aumentaram. A inépcia em administrar o país recebia críticas cada vez mais fortes.

O governo identificou a origem dos problemas nos que reclamavam, e optou por fazer-los calar. Para tanto, foi criada a AAA - Aliança Anticomunista Argentina, apesar da inexpressividade do partido comunista lá. O início do movimento repressivo foi contundente, foram contabilizados 600 "desaparecidos" em menos de três anos, antes do apagar das luzes da presidência de Isabel Perón.

A partir de 1976, a volta do governo militar repetiu os mesmos elementos, numa dimensão que nem o mais criativo dos escritores argentinos conseguiria imaginar. Foram dezenas de milhares de "desaparecidos", a justificativa era uma guerra para defender os princípios "ocidentais" do país.

Os militares no governo mostraram-se incapazes de fazer a economia decolar e foram coniventes com uma corrupção sem paralelos na história. A falta de apoio popular já era notória por ocasião da Copa do Mundo de futebol em 1978. Mais medidas populistas foram adotadas, todas com fôlego curto, a última e a mais desesperada foi o ataque às ilhas Malvinas, um desastre militar e político.

É sempre a mesma trama. Em vez de um projeto de país, os governantes têm um projeto de poder. A falta de capacidade de fazer acontecer é compensada com medidas populistas. Em vez de entender que a origem dos problemas está dentro da Casa Rosada, colocam a culpa em quem aponta as distorções. É a lógica de quebrar o espelho quando a imagem está ruim.

Cristina agora é a protagonista. Foi eleita presidente, sucedendo o marido. Na gestão de seu patrimônio pessoal tem um desempenho comparável ao dos melhores empresários do mundo; junto com o esposo, tem um patrimônio pessoal de US$ 14 milhões, que cresce a taxas elevadas. Entretanto, na condução do país, ela insiste em repetir o padrão de governos anteriores.

Não há uma agenda para o futuro, apenas medidas imediatistas, como a estatização da previdência privada para fazer caixa para o tesouro, controlar o câmbio, tabelar preços e distorcer a realidade.

Um exemplo é o tratamento dado à inflação: quando começou a subir, em vez de atacar as causas, interveio no Indec, o órgão que calcula a evolução dos preços e do PIB (o equivalente ao IBGE daqui). Abundam denúncias de manipulação dos números. Este ano, a Argentina deve ter uma inflação da ordem de 30% ao ano, uma das maiores do mundo.

A insistência num populismo anacrônico piora o desempenho econômico com consequências cada vez mais evidentes: gargalos em infraestrutura, nível de investimento baixo, racionamento de energia, risco país alto, uma dinâmica fiscal com uma deterioração crescente e a confiança dos empresários no governo em queda. Na última semana, o presidente da Unión Industrial Argentina comparou o país com Cuba, apesar do exagero, o fato é que o clima é pouco propício para realizar negócios. Ela já amarga derrotas no Congresso e perdeu a maioria do legislativo. A perda de popularidade está colocando em risco seu projeto de poder.

A causa não é da realidade que insiste em conspirar contra a inépcia e sim da imprensa que noticia o que está acontecendo. Nesse caso, a solução é abafar a imprensa, quebrar o espelho. O alvo principal é o jornal "El Clarín", o de maior circulação lá. Uma das ações foi forçar a quebra de um contrato da AFA com o grupo Clarín, para a transmissão dos jogos de futebol, empregando como argumento "o sequestro de gols" fazendo uma analogia com a ditadura militar, mas usando o mesmo esporte para tentar ganhar popularidade.

Outras ações contra o grupo jornalístico incluem uma megablitz da receita federal na empresa, uma lei restringindo a atuação do grupo em outras mídias, o cancelamento da autorização para operar TV a cabo, a anulação da licença para oferecer serviços de internet, piquetes organizados por sindicatos pró-governo impedindo a saída dos caminhões que distribuem os jornais e, nas últimas semanas, uma manobra para expropriar a fábrica de papel de imprensa com argumentos fantasiosos.

É a mesma lógica das tramas anteriores, um espelho que não reflete uma imagem favorável tem que ser destruído. O ponto é que mesmo quebrando todos, o final da história é conhecido: uma crise, seguida de um recomeço, este, quiçá, com um final feliz.

Roberto Luis Troster é economista.


Caderno: Brasil


Mercosul quer dobrar cota para venda de banana à UE
Assis Moreira

O comissário de Comércio da União Europeia (UE), Karel de Gucht, terá na terça-feira, em visita ao Brasil, uma mostra da demanda que o Mercosul fará para fechar um acordo de livre comércio birregional, com o caso da banana. O bloco do Cone Sul planeja duplicar sua demanda de cota livre de tarifa para exportar a fruta, passando de 120 mil toneladas em 2004, quando a negociação foi paralisada, para 250 mil toneladas agora.

"Recebemos a garantia escrita do Itamaraty e do Ministério da Agricultura de que essa será agora a demanda do Mercosul", diz Newton Assunção, diretor da multinacional Del Monte e presidente do grupo setorial de frutas do Ceará.

Nas negociações, a União Europeia tinha proposto cota de apenas 60 mil toneladas para o Mercosul. Depois acenou verbalmente com cota de 90 mil toneladas para fechar o acordo, o que afinal não ocorreu. Agora, produtores dizem que estão pedindo apenas fatia de 5% do que a União Europeia importa, que são 5 milhões de toneladas de banana por ano.

Com a cota livre de tarifa, os produtores brasileiros teriam ganho de 3 por caixa, ou seja, de 39 milhões no total, para 13 milhões de caixas. "Se isso não vier, para compensar o que perdemos com a valorização cambial, teremos um desastre, porque a América Central fez acordo com a União Europeia e terá redução gradual de tarifa para entrar com a banana produzida na região", afirma Assunção.

Somente a Costa Rica, segundo ele, exporta 100 milhões de caixas de banana para a UE. "O que o Mercosul está pedindo é viável, se todos quiserem fechar um acordo", diz.

O comissário europeu estará semana que vem em Brasília mais preparado para evitar casca de banana em seu caminho, do que em acelerar uma negociação que é rejeitada pela França, país que tem "parceria estratégica" com o Brasil.


Jornal “O Estado de S. Paulo”


Notas & Informações


Melhor coordenação na Europa

A crise financeira poderá resultar, afinal, em fortalecimento político e maior coordenação econômica da União Europeia. Ministros de Finanças dos 27 países-membros concordaram em submeter as propostas orçamentárias de seus governos ao controle da Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco. O exame deverá ocorrer a partir de 2011 e servirá para reforçar a disciplina fiscal e conter a expansão dos déficits e do endividamento. Hoje o exame é feito depois da aprovação dos projetos pelos Parlamentos nacionais e, na prática, serve para nada ou quase nada. Com o novo sistema, a análise dos projetos de orçamento será realizada antes do envio ao Legislativo.


Os europeus deram um passo importante no caminho da coordenação quando 16 países da União Europeia adotaram a moeda única - o euro - e entregaram a formulação de sua política monetária a um banco central comum. O grupo inclui três das maiores economias do bloco, a Alemanha, a França e a Itália, mas não o Reino Unido.

A experiência foi produtiva em alguns aspectos, mas faltou avançar na coordenação fiscal. Embora houvesse acordos sobre metas fiscais e limites para o endividamento, o controle das finanças públicas foi insuficiente. Já era falho antes da crise e foi simplesmente esquecido quando estourou a bolha de crédito e cada governo tentou enfrentar como pôde a recessão e o risco de quebradeira dos bancos. A gravidade da situação fiscal tornou-se evidente quando a Grécia chegou à beira do calote e foi salva no último instante pela ação conjunta das instituições europeias e do FMI. Nesse episódio ficou também evidente a precária condição das contas públicas da Espanha, de Portugal, da Itália e também da maior economia europeia fora da zona do euro, o Reino Unido.

Durante alguns meses, houve dúvidas sobre a permanência da Grécia na união monetária, embora a hipótese de sua exclusão tenha sido sempre descartada, no discurso oficial, pelas autoridades mais importantes da zona do euro. Mas em alguns países, como na Alemanha e na Holanda, houve considerável pressão interna contra o socorro a países classificados como gastadores e incapazes de administrar suas contas. Por que os "povos do Norte", austeros e produtivos, deveriam sustentar os irresponsáveis "do Sul"? Essa atitude retardou a aprovação política do socorro à Grécia.

Mas o pior momento parece haver passado. Não houve nenhum calote, até agora, e alguns governos - como os da Grécia, da Espanha, de Portugal e do Reino Unido - anunciaram grandes pacotes de correção fiscal e programas de reformas nas áreas trabalhista e previdenciária. Um plano de austeridade foi prometido também na Alemanha, menos por necessidade real, segundo alguns analistas, do que como exemplo para os menos afeitos à disciplina financeira.

A ideia mais construtiva surgiu há poucos meses: os governos dos 27 países deveriam submeter seus projetos de orçamento a um controle prévio. Poderia ser um modo mais eficiente de promover a coordenação fiscal. A proposta, agora aprovada pelos ministros de Finanças, será submetida aos chefes de governo na reunião de cúpula do Conselho Europeu, no fim deste mês. Não parecer haver dúvidas quanto à aprovação. Mas falta acordo, por enquanto, sobre mecanismos de coerção para impor disciplina a governos menos austeros.

Sem um esquema de sanções, a coordenação poderá ser insuficiente. Mas provavelmente será bem mais eficaz do que foi nos últimos anos. A mera discussão das propostas orçamentárias na Comissão Europeia deverá permitir um elevado grau de articulação fiscal. Mesmo sem punições formais, pressões políticas e morais podem ser eficazes, se os controles forem exercidos com rigor.

No Mercosul, a história tem sido muito diferente. Antes de tentar a coordenação fiscal e monetária, os governos deveriam ter cuidado seriamente da integração produtiva e da articulação comercial. A união aduaneira é uma caricatura e cada dificuldade é motivo para recuo na política de integração, não uma oportunidade de avanço.


Jornal “O Globo”


Opinião


Vale tudo contra a imprensa argentina

Mais uma vez a Casa Rosada ignorou a Justiça, desta vez regulamentando dispositivos da Lei dos Meios de Comunicação, que se encontra sub judice. Passa a viger a parte feita sob encomenda para forçar o Grupo Clarín a se desfazer de canais de TV, em nome da democratização da mídia. Com isto, decidiu que começa a contar de hoje o prazo de um ano para o chamado desinvestimento.

Além de nova demonstração de desrespeito às instituições republicanas, o governo argentino insiste em quebrar a espinha dorsal do Grupo Clarín, para deixá-lo dependente de verbas públicas, o que será o fim da sua independência como seria de qualquer outra empresa do ramo, no mundo. Diluir grandes grupos de mídia, dependendo do mercado em que atuam, visa a desestabilizá-los economicamente, reduzir sua escala e torná-los dependentes de verbas oficiais. Tudo com a finalidade de controlá-los. Costuma-se citar regra semelhante que vigora nos Estados Unidos, onde o Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora do setor, limitou a propriedade cruzada (jornal, TV e rádio no mesmo mercado). Sucede que o tamanho do mercado publicitário americano é tal que conseguiu durante muito tempo sustentar a independência de grandes grupos de comunicação.

Mas, mesmo assim, no auge da crise recente dos jornais, o empresário Rupert Murdoch, dono da News Corp., proprietária do Wall Street Journal, entre outros veículos no mundo, chegou a propor, como alternativa, uma flexibilização da regra anticoncentração, que, por sinal, já tinha sido revista: desde 2007, grandes grupos de mídia foram autorizados a operar jornais e emissoras de rádio ou TV nos 20 maiores mercados americanos, sob condições. Ora, não se pode comparar sequer de longe o mercado publicitário argentino nem o brasileiro com o americano.

Não é por acaso que em quase toda grande cidade dos EUA existe apenas um grande e influente jornal. Enfim, todo o discurso contra a concentração da mídia em voga na América Latina visa a desestabilizar os grupos de comunicação que não dependem unicamente de qualquer grande anunciante, tampouco do Estado. Se a Lei dos Meios vier a ser aplicada na íntegra, a imprensa argentina terá de buscar mais da metade de seu faturamento em fontes oficiais. Decreta-se, assim, o fim da liberdade de imprensa no país. É o que o governo Kirchner persegue a todo custo, para não ter quem lhe aponte publicamente os desmandos, mas apenas elogios de veículos domesticados pelas verbas estatais. Dados oficiais divulgados em Buenos Aires mostram que, nos primeiros meses de 2010, empresas de grupos que mantêm uma boa relação com a presidente Cristina Kirchner chegaram a receber 780 vezes mais recursos destinados à publicidade oficial do que veículos críticos do governo. Entre 2008 e 2010, a publicidade oficial caiu 60% no caso do Clarín, e 50% no do La Nación, ambos diários independentes, críticos dos Kirchner. É de se esperar que a Justiça argentina, que recentemente suspendeu a intervenção federal na empresa Papel Prensa, controlada por Clarín e La Nación, atue com firmeza também neste caso. Disso depende, em grande parte, a preservação das instituições democráticas na Argentina

Kirchner atropela a Justiça para prejudicar grupos independentes


Caderno: O Mundo


Cristina aprova polêmicos artigos contra mídia
Janaína Figueiredo
Correspondente

BUENOS AIRES. Em mais um capítulo da disputa do governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, com os meios de comunicação privados do país, a Casa Rosada aprovou duas resoluções que estabelecem a entrada em vigor de polêmicos artigos da Lei de Serviços Audiovisuais, aprovada no ano passado pelo Congresso. Uma das resoluções prevê a implementação do artigo 161, que obriga empresas do setor a venderem licenças de rádio e TV num prazo máximo de um ano caso possuam mais de dez concessões (a lei anterior permitia 22), suspenso pela Justiça em processos abertos pelos grupo Clarín e Uno. Segundo explicaram analistas locais, se a divisão de poderes for respeitada, os grupos Clarín e Uno não deveriam ser afetados pela resolução de ontem até que a Justiça se pronuncie de forma definitiva sobre o artigo questionado.

A segunda resolução assinada por Cristina modifica os números concedidos aos canais de TV locais, prejudicando especialmente o Todo Noticias, canal do grupo Clarín, que por ordem do Executivo passa do 11 ao 3.

Já o C5N, um dos mais fiéis aliados do casal que governa a Argentina desde maio de 2003, permanece no canal 5.

— As resoluções representam um novo ataque do governo principalmente ao grupo Clarín — disse o jornalista Adrián Ventura, colunista do “La Nación” e do “Todo Noticias”. Para ele, “está claro que o objetivo do governo é vencer esta guerra antes das eleições presidenciais de outubro do ano que vem. — A Justiça deveria se pronunciar rapidamente sobre o artigo 161.

De acordo com versões extraoficiais, a maioria dos membros da Corte Suprema de Justiça, que será a encarregada de tomar uma decisão definitiva sobre o polêmico artigo da lei que o Congresso aprovou em 2009, é contra sua aplicação. No entanto, o clima de medo que se instalou no país desde que o casal Kirchner decidiu liderar uma guerra contra os meios de comunicação teria chegado aos tribunais e seria o principal motivo pelo qual os membros da Corte Suprema ainda não anunciaram sua posição.

O Mercosulino 08/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Valor Econômico”


Caderno: Brasil


Mercosul discute integração produtiva
Agência Brasil, de Brasília

A estratégia de integração econômica do Brasil, da Argentina, do Paraguai e Uruguai é assunto de uma reunião conjunta dos ministros da Indústria, Comércio e Turismo dos quatro países. Amanhã, em Brasília, eles debaterão o tema e finalizarão as propostas para por em prática uma série de ações. As informações são da agência oficial de notícias da Argentina, a Telam.

No seminário estarão presentes os ministros do Brasil, Miguel Jorge, da Argentina, Débora Adriana Giorgi, do Paraguai, Francisco Rivas Almada, e do Uruguai, Roberto Kreimerman. "Como nunca antes estamos trabalhando em uma agenda de integração produtiva no Mercosul genuína, que nos permitirá ficar juntos para competir em terceiros mercados", afirmou a ministra da Argentina.

Segundo ela, houve orientações de todos os presidentes do Mercosul para aprofundar os estudos e levar adiante a integração dos setores específicos. "No Brasil temos programado uma agenda específica em setores estratégicos para os países. Temos casos concretos de parceria entre empresas brasileiras e argentinas", disse ela.

Para Débora Giorgi, a integração é, sobretudo, um ato de complementaridade. "O progresso em um processo de integração vai além do comércio, para incluir infraestrutura, energia, social, complementaridade produtiva e ambiente de cuidado", disse. Desde o ano passado, Brasil e Argentina atuam na integração de setores industriais, como laticínios, madeira e móveis, vinho, óleo e gás, entre outros. Segundo Débora Giorgi, os países estão desenvolvendo ferramentas para cofinanciamento dos processos de integração e de associação por intermédio do Banco Nacional e do Banco de Investimento e Comércio Exterior da Argentina e do BNDES.

Para Argentina e Brasil, há áreas sensíveis que merecem atenção especial, como óleo, petróleo, autopeças, máquinas agrícolas, além de madeira e móveis, eletrodomésticos (geladeiras, fogões e máquinas de lavar), vinho e laticínios.


Caderno: Agronegócios


O país da carne encara a escassez de boi
Redução da oferta de matéria-prima eleva preços domésticos e derruba o consumo e os embarques
Daniel Rittner | De Buenos Aires

A CompartilharImprimirEnviar por e-mail O país do bife de chorizo, que já chegou a ter duas vacas por habitante e a ostentar o título de nação mais carnívora do mundo, assiste perplexo à crise em torno de sua pérola gastronômica. A Argentina perdeu 8,6 milhões de cabeças de gado em dois anos. Com a redução da oferta, os preços da carne bovina subiram 164% desde setembro, o maior aumento para um único produto no período, segundo a inflação medida pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Mesmo em um cenário otimista, conforme as projeções do Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (IPCVA), serão necessários pelo menos três ciclos completos de três anos cada - do nascimento ao abate - para recuperar o estoque de gado perdido. "Se tudo correr bem, é um processo que levará nove anos", disse ao Valor o diretor-geral do IPCVA, Carlos Vuegen.

Sem oferta suficiente, o ajuste tem se dado por duas vias. A primeira é a queda do consumo pelos argentinos. De 70,5 quilos por pessoa/ano de janeiro a maio de 2009, a média diminuiu para 55,6 quilos no mesmo período de 2010. É o nível mais baixo em uma década - ainda assim, são quase dez quilos a mais do que consomem os habitantes do Rio Grande do Sul, os maiores carnívoros do Brasil.

O segundo sintoma é a perda de importância da Argentina no mercado internacional. O país era o dono incontestável do título de principal exportador do mundo até 1970, quando a Política Agrícola Comum (PAC) europeia mexeu no ranking e cedeu o posto ao Velho Continente. Depois, Austrália e Brasil passaram a liderar a lista. Hoje, a Argentina disputa com países menores, como o Uruguai, o sétimo lugar entre os maiores fornecedores. De cerca de 700 mil toneladas exportadas em 2009, as vendas ao exterior devem ficar entre 310 mil e 330 mil toneladas neste ano, segundo projeções do IPCVA.

O marco zero da crise está na primeira metade da década de 1990, quando um número cada vez maior de pecuaristas trocou o gado pelo cultivo de soja, considerado mais rentável. A migração, que durou até 2005, provocou alterações no mapa da pecuária argentina e levou boa parte da produção para o norte do país, distanciando-se dos pampas.

Perderam-se 13 milhões de hectares para a agricultura. A produção não caiu, mas ficou mais cara. "O que ocorreu nesse período foi um processo gradual e lógico", diz o consultor Victor Tonelli. "O problema veio depois, com uma brutal intervenção do governo, que terminou por destruir o sistema produtivo e a possibilidade de exportação dos frigoríficos."

A partir de 2006, começou a cobrança de impostos sobre as exportações e os embarques chegaram até a ser proibidas, em uma tentativa desesperada do governo de aumentar a oferta no mercado interno. Houve acordos "informais" de preços e o governo ameaçou fechar os frigoríficos que pagassem um valor acima do teto definido para o gado vivo. A seca iniciada em 2008, a pior em 70 anos, completou o estrago.

Em um recente boletim de conjuntura, a Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina (Ciccra) avalia que "a política setorial pareceu ser efetiva inicialmente, porque a febre do paciente baixou e chegou inclusive a desaparecer por algum período, mas nunca se fez nada nada para tratar a doença que a causava".

Enquanto os pecuaristas abatiam seu gado, no processo de desinvestimento mais intenso das últimas décadas, os argentinos se fartavam de carne barata e as exportações não davam sinal de queda. Em 2009, foram produzidos 3,5 milhões de toneladas de carne com osso e as exportações chegaram a US$ 1,6 bilhão. O consumo doméstico atingiu seu recorde histórico.

Mas era uma questão de tempo até a febre voltar. Do total de abates, nada menos que 49,7% eram de fêmeas. Quando esse índice é superior a 40%, o estoque não se recompõe, em um processo conhecido no setor como "liquidação de ventres". De 2008 a 2010, a população bovina caiu de 57,5 milhões para 48,9 milhões de cabeças, segundo números oficiais estimados com base na quantidade de vacinas aplicadas contra a febre aftosa.

Os preços, que conseguiram ser controlados pelo governo e não haviam acompanhado a alta mundial da carne, finalmente subiram e se alinharam aos internacionais. Por isso, garantem os especialistas, é improvável que a Argentina passe a importar carne, como se especula, e o ajuste se dá com a queda de exportações e do consumo doméstico. Mas é certo que a crise, antes concentrada no campo, chegou aos frigoríficos, que andam sem bois para abater. Nos cinco primeiros meses do ano, a produção caiu 23% em volume.

A boa notícia é que há sinais de que uma recuperação - ainda lenta - está em curso, graças aos melhores preços obtidos pelos pecuaristas. As evidências já foram constatadas na proporção de fêmeas abatidas, que caiu para 43% do total em maio, e existem perspectivas de um maior índice de nascimentos. Para um rebanho de 20 milhões de vacas, houve 11,7 milhões de novos bezerros no ano passado. Em 2010, a tendência é que esse número possa atingir 12 milhões.

No próximo ciclo reprodutivo, espera-se aumentar mais. "O processo de desinvestimento ainda não terminou. É preciso alcançar uma taxa de nascimento de 80% do estoque de vacas", afirma Miguel Jairala, analista econômico do IPCVA. Para o consultor Tonelli, a produção voltará a cair em 2011, antes de recuperar-se a partir de 2012.

Tonelli também fala que a recuperação do estoque perdido virá apenas no fim da década. E insiste: "Se não houver problemas climáticos nem políticas que continuem prejudicando os negócios."


Jornal “O Globo”


Opinião


Outra Opinião - Diplomacia democrática
FÁTIMA MELLO

A política externa brasileira sempre foi vista pelo grande empresariado industrial e do agronegócio como propriedade desses setores.

Sob a alegação de ser uma política de Estado, confundia-se interesse nacional com seus próprios interesses.

Ao longo dos últimos anos novas agendas e novos atores passaram a disputar os rumos da política externa, visando a democratizá-la e torná-la uma política pública que reflita os interesses múltiplos e conflitantes que existem na sociedade brasileira. Trabalhadores urbanos e rurais, consumidores, ambientalistas, organizações que defendem direitos sociais e serviços públicos universais passaram a questionar as prioridades das grandes corporações que sempre orientaram a atuação externa do Brasil.

Passaram também a pressionar para que a agenda de direitos, da sustentabilidade ambiental e de garantia das políticas de saúde, educação, serviços públicos, segurança e soberania alimentar passe a orientar a formulação da política externa.

Tais organizações e movimentos sociais defendem uma agenda diferenciada de integração do Brasil com os países da América Latina e com outros países do Sul. Propõem o controle social da atuação de empresas dentro e fora do Brasil, demandando garantias e contrapartidas sociais e ambientais das empresas multinacionais, inclusive das empresas brasileiras que estão se internacionalizando, e exigindo o cumprimento das regulações existentes para elas no plano internacional e na legislação nacional. Defendem que a política externa incorpore como diretriz central a defesa da dimensão ambiental, priorizando a articulação da posição externa com políticas internas de transição para uma economia de baixo carbono, que inclua a diversificação da matriz energética, a defesa dos sistemas agroecológicos da agricultura familiar e camponesa, o respeito aos territórios das populações tradicionais. Defendem que os direitos sociais prevaleçam sobre os interesses meramente comerciais.

Para que os interesses múltiplos e conflitantes existentes na sociedade brasileira possam ser processados, mediados e por fim traduzidos em posição externa é necessária a criação de um espaço institucional que inclua esta diversidade de atores e agendas. Os espaços e dinâmicas existentes até agora sejam a Camex, as consultas ad hoc, as reuniões realizadas em gabinetes de ministérios com os grupos empresariais de pressão já não são mais aceitáveis porque deixam importantes setores sociais e agendas do lado de fora, sem interlocução. A proposta de criação de um Conselho de Política Externa reforçaria o papel do Ministério das Relações Exteriores como o lócus de mediação, formulação e condução da política externa, conferindo legitimidade às definições dessa política. O conflito e a democratização do processo decisório na política externa são sinais positivos, pois contribuem para a democratização do Estado. E isso deve ser visto como prioridade pelo próximo governo.

FÁTIMA MELLO é secretária executiva da ONG Rede Brasileira Pela Integração dos Povos.


Caderno: Mundo


Argentina: mais críticas, menos anúncios
Governo pune mídia independente com gasto muito menor em publicidade oficial do que na imprensa alinhada
Janaína Figueiredo Correspondente

BUENOS AIRES. Além de atacar publicamente e apresentar denúncias na Justiça contra meios de comunicação considerados inimigos pelo governo Kirchner, entre eles os jornais Clarín e La Nación, nos últimos meses a Casa Rosada reforçou o respaldo financeiro a diários, rádios e canais de TV alinhados com o Executivo. De acordo com informações divulgadas ontem no país, nos primeiros meses de 2010 empresas de grupos que mantêm uma boa relação com o governo da presidente Cristina Kirchner chegaram a receber 780 vezes mais recursos destinados à publicidade oficial do que meios de comunicação criticados pelo governo.

O cálculo tem por base uma avaliação relativa, calculandose quanto cada meio de comunicação recebe pelo número de pessoas que atinge.

Já entre 2008 e 2010, a publicidade oficial despencou 60% na receita do Clarín e 50% no La Nación.

Oposição elabora projeto de lei para conter abusos

Com este pano de fundo, os partidos opositores estão acelerando a elaboração de um projeto de lei para evitar que o governo utilize os recursos da publicidade oficial no favorecimento de meios de comunicação que evitam questionar políticas estatais e, sobretudo, mencionar denúncias e escândalos envolvendo funcionários kirchneristas.

Este projeto é muito importante porque o uso arbitrário da publicidade oficial acaba sendo uma forma de censura indireta opinou a deputada Silvana Giudici, presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da Câmara.

Segundo ela, se o governo negar-se a modificar a lei será porque quer continuar aproveitando uma situação injusta.

Este ano, de acordo com dados oficiais divulgados ontem pela Chefia de Gabinete da Presidência por pressão da ONG Poder Cidadão, que controla contas públicas os jornais e revistas do grupo Spolsky, alinhado com o governo, receberam cerca de US$ 35,6 milhões de pesos do Estado (em torno de US$ 9 milhões).

Já o grupo Clarín cujos jornal, emissoras de rádio e TV são as mais importantes do país obteve apenas 20,1 milhões de pesos (US$ 5 milhões).

O Clarín vende em média cerca de 300 mil exemplares por dia durante a semana.

Já o diário Página 12, outro da linha kirchnerista e que, segundo informações extraoficiais, vende pouco mais de 10 mil exemplares diários, foi beneficiado com 18,4 milhões de pesos (cerca de US$ 4,7 milhões).

Gasto em publicidade teria subido 23 vezes em 6 anos

No ano passado, o debate sobre a utilização arbitrária da publicidade oficial por parte do governo Kirchner chegou à Assembleia Anual da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada na capital argentina.

Durante o evento, a jornalista Maria ODonnel, que escreveu um livro sobre o assunto, informou que entre 2003 (ano em que o Casal K chegou ao poder) e 2009, o orçamento da Secretaria de Meios de Comunicação destinado à publicidade oficial passou de 43 milhões de pesos (US$ 11,3 milhões) para mais de 1 bilhão de pesos (US$ 265 milhões).

A secretaria encarregada de distribuir os recursos da publicidade oficial já foi alvo de gravíssimas denúncias. No ano passado, o publicitário Enrique Albistur, ex-secretário de Meios de Comunicação, foi acusado pelo então promotor de Investigações Administrativas do governo, Manuel Garrido, de ter repassado cerca de US$ 3,2 milhões a empresas próprias, de familiares e colaboradores próximos. Pouco depois, Garrido renunciou ao cargo alegando limitações para exercer sua função.


Jornais dos Países Membros do Mercosul


Paraguay “ABC”


Sección: Economía

MOPC empezó a pagar por obras del Focem

El Ministerio de Obras comenzó a pagar por los certificados atrasados de las obras viales que se están ejecutando con financiamiento del Fondo para la Convergencia Estructural del Mercosur (Focem). La cancelación de parte de las cuentas trajo respiro a las contratistas que, últimamente, ya habían amenazado con la paralización de tareas por problemas de la falta de recursos.

Según los datos proporcionados ayer por el MOPC y el Ministerio de Hacienda, al cierre del mes de agosto pasado, Obras Públicas y Comunicaciones comprometió recursos por un monto aproximado de G. 80.411 millones, en el marco de los proyectos financiados con recursos provenientes del Focem.

Este monto de inversión representa un incremento de 4 veces más de lo ejecutado en el mismo periodo del 2009, que fue de aproximadamente G. 18.000 millones, dijo el viceministro de Administración y Finanzas, Juan Félix Bogado Tatter.

“El incremento se explica por la ejecución de nuevos proyectos incorporados en el presente ejercicio fiscal, por el avance físico de las obras y la constante adecuación administrativo-financiera de la entidad ejecutora a los requerimientos de la unidad técnica Focem situada en Montevideo, Uruguay”, agregó.

Dijo que estarán recibiendo el desembolso por monto de US$ 4.000.000 durante la próxima semana, con el cual se hará frente a los compromisos asumidos con las empresas contratistas de las diferentes obras. Explicó que en las obras del Focem, la financiación de los proyectos es de 85/15, es decir, 85% del Focem y 15% del Tesoro.


“La Nación”


Sección: Negócios


Firmas paraguayas tendrán que competir con otras del Mercosur
La participación de las empresas paraguayas dependerá de su capacidad de responder a las exigencias de la obra.

Las empresas paraguayas, que reclaman participación preferencial en la construcción de la línea de transmisión de 500 kilovoltios (kV), tendrán que competir en igualdad de condiciones con firmas argentinas, brasileñas y uruguayas, según informó Gustavo González Lafuente, coordinador paraguayo de dicha obra.

El mismo informó que, por un lado, el pliego de bases y condiciones para la línea que unirá Itaipú con la ciudad de Villa Hayes deberá tener una “no objeción” del Fondo de Convergencia Estructural del Mercosur (Focem), y por otro lado, que lo que las autoridades paraguayas consiguieron es que la licitación no sea mundial, sino internacional entre los países miembros del Mercosur.

En la fecha, el equipo técnico se reunirá con el directorio del lado paraguayo de Itaipú “para hacer un seguimiento que viene del Focem”, donde discutirán el pliego de bases y condiciones, cuyo borrador ya está listo “en un 98%”. La inversión total de esta obra es de 555 millones de dólares. De dicho monto, el gobierno de Brasil otorga un total de 400 millones de dólares.

CAPACIDAD DE RESPONDER

Para González, la participación de las empresas paraguayas “dependerá de la capacidad de responder” a las exigencias que la envergadura de la obra requiere. “Lo que se pueda hacer acá, se va a hacer, van a tener que entrar a competir, porque el Focem no permite mercados dirigidos”, señaló. Lo que se permite es solo una preferencia de hasta 100 mil dólares, un monto mínimo en relación a la inversión que requerirá la obra.

Sin embargo, señaló que las autoridades están haciendo un esfuerzo por que la participación de las empresas paraguayas sea la mayor posible “dentro de una determinada racionalidad”.

“IRRACIONAL”

En su opinión, hay planteamientos que no son muy “racionales” y ejemplificó diciendo que “sería muy fácil presentarme yo y decir: soy ingeniero, no tengo la fábrica y me consorcio, me dan el dinero a mí y yo voy subcontratando a otra gente”, refiriéndose al pedido de la Cámara Paraguaya de Construcción (Capaco) de garantizar un 60% de las acciones para las empresas locales al consorciarse con firmas extranjeras, aún para la provisión de equipos que no se hace a nivel nacional.

Sin embargo, aseguró que los consorcios están permitidos sin limitaciones. El problema para las firmas locales es que no tendrán un marco legal que les garantice tener la mayoría de las acciones, algo que una firma del exterior con mayor capacidad difícilmente pueda acceder.

Pedido de Capaco

La Cámara Paraguaya de la Construcción (Capaco) viene reuniéndose con autoridades de Itaipú donde plantean que se garantice en el pliego de bases y condiciones participación plena en la construcción de la línea de 500 kV. “Nuestra premisa es defender la fuente de trabajo de empresas constructoras paraguayas, porque más que nunca nos sentimos avasallados”, señaló Ana Luci Porro, presidenta del gremio. “Hablamos de la defensa de la oportunidad y de la tecnología con que contamos. Este es un país que tiene que construir todas sus líneas, su infraestructura tanto vial como eléctrica”, remarcó Juan José Barrail, vicepresidente del gremio empresarial.

Luego de la palada inicial en el terraplenado de la subestación del Villa Hayes el pasado 30 de julio, el propio Gustavo Lafuente aseguró que las empresas paraguayas tendrán plena participación en la construcción de la línea de 500 kV (kilovoltios) pero solo en lo que respecta a las obras civiles, ya que “ninguna empresa paraguaya está en condiciones de proveer los equipos”, adelantando que Brasil y Argentina son los que podrían hacerlo. “Ellos tienen grandes empresas multinacionales”, dijo al respecto. En la ocasión también señaló que “la intención es que se le dé prioridad a las empresas paraguayas”.

REACCIONES

“Precedente para las empresas”
- Ing. Eduardo Filippo. Unión Industrial del Paraguay.

“Más que ventajas, la construcción de la línea de 500 kV permitirá sentar un precedente para las empresas nacionales. La participación nacional permitirá aumentar la competitividad del nivel nacional, logrando más adelante una competencia a nivel internacional en estas áreas”, manifestó el industrial Eduardo Felippo. “En términos de industria buscamos que se priorice a empresas nacionales para la construcción de las torres, el Centro de Industriales Metalúrgicos ya realizó una demostración de construcción de torres en la Expo, las industrias nacionales pueden, todo depende del tiempo y la forma”, añadió, señalando que la participación de empresas paraguayas es indispensable para adquirir know how.

Obra civil a cargo de firmas locales
- Ing. Francisco Griñó. Cámara de la Construcción.

“Si la construcción se realiza por empresas nacionales, tendríamos la gran ventaja de que todas las empresas del ramo de la construcción trabajarían en toda la obra. Nosotros pedimos que trabajen exclusivamente empresas paraguayas en la construcción de la obra civil. Estamos planteando incluso que la obra se pueda terminar en menor plazo del estipulado por Itaipú. En las obras civiles y en el montaje las empresas nacionales tienen experiencia, están arraigados, conocen al personal especializado, honesto y tienen la capacidad”, manifestó Francisco Griñó, de la Cámara Paraguaya de la Industria de la Construcción. “Lo más importante de esto sería que la inversión de las empresas que se hace aquí, se queda en nuestro país”, añadió.

“Tienen que liderar empresas nacionales”
- Ing. Hernán Basili, titular del CIME

“Nosotros reivindicamos que tienen que ser empresas nacionales las que lideren el proceso de construcción. Las empresas tienen que administrar el trabajo en sus diferentes etapas y las probables necesidades de contratación o cooperación de empresas extranjeras”, dijo el presidente del Centro de Industriales Metalúrgicos, Hernán Basili. “Si la obra se realiza con nuestras empresas quedarían alrededor de 30millones de dólares en el mercado nacional. Itaipú menciona que tiene un proyecto ya terminado pero no tenemos mayor información al respecto. Si las empresas nacionales no tienen la infraestructura y equipos necesarios tenemos la capacidad de incorporar de forma inmediata la tecnología requerida” añadió.


Uruguay “El Pais”


Sección: Internacional


Brasil crece como actor regional e internacional. Estudio. EE.UU. ha perdido influencia en América Latina
LONDRES | AFP

Los países latinoamericanos, y en especial Brasil, están cobrando un mayor peso a nivel global y redefinen sus alianzas. Según un nuevo estudio internacional, EE.UU. está perdiendo influencia en la región y necesita hacer algo para evitarlo.

En su balance estratégico anual, el Instituto Internacional de Estudios Estratégicos (IISS) destacó ayer que "en 2010 varios países latinoamericanos se percibían a sí mismos como potencias crecientes en el escenario mundial y esperaban ser tratadas como tales".

Entre estos países, apunta el centro de estudios londinense, se destaca la especial influencia de Brasil, México y Bolivia en un ámbito crucial como la lucha contra el cambio climático, además de que despuntan los bloques de poder que proliferan en la región, como la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) y la Alianza Bolivariana para las Américas (ALBA).

En este marco el gigante sudamericano presidido por el omnipresente Luiz Inácio Lula Da Silva -que ha recibido varios reconocimientos internacionales en su último año en ejercicio- es el que mejor ilustra la "enérgica agenda política con intereses y aspiraciones mundiales" que defienden los países latinoamericanos, señala el estudio del IISS.

Por el momento no ha logrado grandes avances, pero hace apenas unos años nadie podía siquiera imaginar que un presidente brasileño desempeñaría un papel en los intentos por resolver el conflicto de Medio Oriente o en la disputa que mantiene Irán con los países occidentales debido a su programa nuclear.

La región tiene nuevas ambiciones y se ha perdido la influencia de Estados Unidos, lo que permitió a los países latinoamericanos buscar nuevas alianzas con potencias extrarregionales con intereses tan diversos como China, Rusia e incluso Irán.

En el caso particular de Irán, estimó el IISS, el fortalecimiento de las relaciones con Venezuela y, sobre todo, con Brasil, "causó nuevas tensiones en las relaciones" entre América y Washington.

Luego de la crisis de Honduras y el acuerdo que permitía a EE.UU. operar siete bases militares en Colombia terminaron de complicar la relación con la administración del presidente Barack Obama, en la que la región había depositado inicialmente grandes expectativas.

Más tarde, a principios de este año, las diferencias en este vínculo quedaron en evidencia cuando los países latinoamericanos y caribeños acordaron crear una nueva organización regional sin Estados Unidos, hasta hace muy poco la potencia hegemónica en la región.

En este contexto es que el IISS considera que "el reto" para Washington será "entablar esfuerzos diplomáticos intensivos con los gobiernos más amigos y con los socios dispuestos en la región para progresar en una agenda común".

Esta agenda incluye temas de comercio y de energía y no menciona algunos que pueden resultar más problemáticos como lo serían Cuba o la lucha contra el narcotráfico.

Brasil celebrará el 3 de octubre elecciones para designar al sucesor de Lula y el país entero seguirá bajo los focos en los próximos años porque será sede del Mundial de fútbol en 2014 y de los Juegos Olímpicos en 2016. El IISS le recomienda evitar repetir los errores pasados de Estados Unidos para mantener su papel actual.

"En un mundo complicado y multipolar, un ascendente Brasil deberá tener cuidado para evitar los impulsos imperiales que, como puede atestiguar Estados Unidos, han tendido a crear problemas para un poder hemisférico", recomienda el centro de estudios.


“La Republica”


Sección: Mundo


América Latina aumenta su influencia internacional.
IISS. Brasil cobra peso y redefine sus alianzas, sostiene el informe anual de la institución inglesa
América Latina, encabezada por Brasil, está cobrando un mayor peso internacional y redefine sus alianzas, en algunos casos causando la inquietud de Estados Unidos, la hasta hace poco potencia hegemónica que ha perdido influencia en la región, estimó ayer martes el IISS.
LONDRES | AFP

"En 2010, varios países latinoamericanos se percibían a sí mismos como potencias crecientes en el escenario mundial y esperaban ser tratadas como tales", señaló el Instituto Internacional de Estudios Estratégicos (IISS, por sus siglas en inglés) en su balance estratégico anual.

El centro de estudios londinense destaca a la influencia creciente de Brasil, de México e incluso de la modesta Bolivia en un ámbito crucial como la lucha contra el cambio climático, así como de los bloques de poder que proliferan en la región como la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) o la Alianza Bolivariana para las Américas (ALBA).

Pero es el gigante sudamericano presidido por el omnipresente Luiz Inácio Lula Da Silva ­que ha recibido varios reconocimientos internacionales en su último año en el poder­ el que mejor ilustra la "enérgica agenda política con intereses y aspiraciones mundiales" que defienden los países latinoamericanos, señala el IISS.

Aunque por el momento no ha logrado grandes avances, nadie podía imaginar hace apenas unos años que un presidente brasileño pudiera desempeñar un papel en los intentos por resolver el conflicto de Oriente Medio o la disputa que mantiene Irán con los países occidentales con respecto a su programa nuclear.

Las nuevas ambiciones de la región, que han ido a la par con una "pérdida de influencia" de Estados Unidos, han permitido a los diferentes países buscar nuevas alianzas con potencias extrarregionales con intereses tan diversos como China, Rusia e incluso Irán.

En el caso particular de Irán, el fortalecimiento de las relaciones con Venezuela, pero en especialmente con Brasil, "causaron nuevas tensiones en las relaciones" con Estados Unidos, estimó el IISS.

La crisis de Honduras y el acuerdo que permitía a Estados Unidos operar siete bases militares en Colombia terminaron de complicar la relación con la administración del presidente Barack Obama, en la que la región había depositado inicialmente grandes expectativas.

La voluntad de distanciarse de la que fuera durante mucho tiempo la potencia hegemónica de la región quedó patente también con la exclusión de Estados Unidos de una nueva organización regional que los países latinoamericanos y del Caribe acordaron crear a principios de este mismo año.

En el contexto actual, la IISS considera que "el reto" para Washington será "entablar esfuerzos diplomáticos intensivos con los gobiernos más amigos y los socios dispuestos en la región para progresar en una agenda común", que incluye dependiendo de los países temas de comercio, de energía, evitando otros temas más problemáticos como Cuba o la lucha contra el narcotráfico.

Brasil, donde en octubre se celebrarán elecciones para designar al sucesor de Lula y que seguirá bajo los focos en los próximos años con el Mundial de fútbol y los Juegos Olímpicos de Río, deberá evitar por su parte repetir los errores pasados de Estados Unidos si quiere mantener su papel actual.

"En un mundo complicado y multipolar, un ascendente Brasil deberá tener cuidado para evitar los impulsos imperiales que, como puede atestiguar Estados Unidos, han tendido a crear problemas para un poder hemisférico", señala el IISS.


Venezuela “El Universal”


Sección: Economía


Se dispara importación de quesos y pollo de Argentina
También aumenta de forma considerable la compra de leche de origen argentino

El suministro de alimentos importados desde los países aliados del Gobierno bolivariano se fortalece e incrementa.

Las estadísticas del Gobierno argentino muestran que desde enero hasta julio de 2010 se ha incrementado en 128% el volumen de las exportaciones a Venezuela de rubros como leche, quesos, y pollo, pasando de una factura de 98 millones de dólares en los primeros siete meses de 2009 a 192,7 millones de dólares en igual período de 2010.

Las ventas de queso argentino a Venezuela durante los primeros siete meses de 2010 sumaron1.924 toneladas por un valor de 8,4 millones de dólares. Ese volumen es 235% superior a lo importado en el mismo plazo del año 2009, cuando se compraron a Argentina unas 575 toneladas de quesos por 1,7 millones de dólares.

Además, cabe destacar que el promedio del precio de la tonelada durante 2009 fue de 2.900 dólares, mientras que ahora en 2010 el precio promedio se ubica en 4.370 dólares. Esto significa que este año se ha importado más queso y más costoso.

La importación de quesos ha sido descrita por la Asociación Nacional de Industriales de Quesos (Aniquesos) como un factor que está afectando la colocación de los quesos nacionales en el mercado venezolano.

Gerardo Santeliz, presidente ejecutivo de Aniquesos, manifestó hace unas semanas que de mayo a julio, cuando aumenta la producción de leche en el país por el inicio de la temporada de lluvias, "se importaron 3.300 toneladas de queso, cuando deberían haber ingresado 1.200 toneladas".

El exceso de oferta de queso importado en el mercado nacional se traduce en problemas de colocación y distribución para los industriales nacionales, que aseguran que "los distribuidores y detallistas prefieren comprar el queso importado porque resulta más barato que el que se produce en el país".

En cuanto al suministro de pollo, resalta el astronómico salto en las compras de aves congeladas a Argentina.

Las estadísticas del socio del Mercosur señalan que de enero a julio de 2009 Venezuela compró a Argentina 1.817 toneladas de pollo por 2,6 millones de dólares; mientras que para el mismo período de 2010 se compraron 48.100 toneladas de pollo fresco por 81,9 millones de dólares, un espectacular salto de 2.500%. Este rubro constituye cerca de 60% de las importaciones de alimentos desde Argentina.

Las autoridades del país austral manifestaron la semana pasada que Venezuela, que se ha convertido en el principal destino de exportación del pollo argentino, cerraría el año 2010 con compras cercanas a 75.000 toneladas de pollo por 115 millones de dólares.

En cuanto a las compras de leche, hasta julio de este año Venezuela pagó 63,4 millones de dólares a Argentina por 18.700 toneladas, cuando el año pasado se cancelaron 34 millones de dólares por 15.200 toneladas.

Aunque el aumento en volumen fue de 24%, la factura de importación de leche argentina se encareció en 85%, ya que el precio promedio de la tonelada pasó de 2.280 dólares en 2009 a unos 3.400 dólares en 2010.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Mercosulino 03/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Folha de São Paulo”


Caderno Mercado


Brasil é motor do Mercosul, aponta Cepal

DE BRASÍLIA - Estudo da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) projeta um crescimento de 23,4% nas exportações e de 29,2% nas importações do Mercosul. "O Brasil arrasta as economias do Mercosul", afirmou a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena.


Jornal do Senado


Mercosul


Parlasul analisará criação de agência de desenvolvimento

Caberia à entidade assessorar os governos dos quatro países do Mercosul na elaboração de projetos a serem financiados com recursos do Focem, fundo mantido pelo bloco comercial

O Mercosul poderá vir a contar com uma agência de desenvolvimento destinada a assessorar os governos dos países do bloco na elaboração de projetos a serem financiados com recursos do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Proposta nesse sentido, apresentada pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), será analisada na próxima sessão do Parlamento do Mercosul (Parlasul), dia 13, em Montevidéu, Uruguai.

Na mesma sessão, os parlamentares dos quatro países do bloco — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — assistirão a uma exposição do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU) brasileiro, a respeito da atuação da corte.

No início de agosto, durante visita aos integrantes da bancada brasileira no Parlasul, antes da última sessão realizada em Montevidéu, Nardes defendeu a criação de um tribunal de contas para o Mercosul, nos moldes do existente na União Europeia. O tribunal, a seu ver, deveria fiscalizar a utilização de verbas de fundos como o próprio Focem.

Grandes projetos

O Focem tem acumulado recursos provenientes de aportes de cada um dos quatro países. E começam a ser aprovados grandes projetos no âmbito do fundo, especialmente na área de infraestrutura.

Durante a última reunião de cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Juan, no começo de agosto, foram aprovados projetos no valor total de US$ 793,9 milhões, dos quais US$ 587,6 milhões referiam-se a recursos do Focem. O principal projeto é o da construção de uma linha de transmissão de energia desde a hidrelétrica de Itaipu até Assunção, no Paraguai. O Brasil contribui com 70% dos recursos do fundo.

O Parlasul também votará propostas de recomendação ao Conselho do Mercado Comum para o estabelecimento de "requisitos mínimos de segurança" nos documentos de cidadãos do Mercosul e para a unificação dos trâmites de ingresso nos países do bloco.

Poderá ser analisada ainda proposta que institui o Dia da Dignidade do Mercosul, quando serão homenageados jornalistas e juízes que se tenham destacado na luta contra a corrupção.


Jornais dos Países Membros do Mercosul


Paraguai “Jornal ABC”


Caderno: Política


Brasil vuelve a congelar las promesas sobre Itaipú
En conversación telefónica con ABC, el diputado Cándido Vaccarezza, líder de bancada del partido de Lula, reconoció que se suspendió el tratamiento del ajuste de la compensación a Paraguay y los aportes extra para la línea de 500 kV. Las autoridades brasileñas habían asegurado que ambos temas se incluirían con “carácter de urgencia” apenas se reiniciasen las sesiones del Congreso el 15 de agosto. Vaccarezza dijo que “no fue posible” y que no lo será por lo menos hasta después de las elecciones del 3 de octubre.

Una vez más, el Gobierno brasileño mintió sobre acuerdo Lugo-Lula

Diputados brasileños no aprobaron el mes pasado el acuerdo firmado entre los presidentes Lula da Silva y Fernando Lugo, así como habían asegurado autoridades de ese país. Tampoco lo hará este mes porque los legisladores decidieron aplazar el estudio de todos los proyectos para después de las elecciones, según el diputado Cándido Vaccarezza, líder de bancada del PT.
“No fue posible votar la carta que el Gobierno brasileño quería por el ambiente electoral. No se votó nada. Las dos semanas que estuvo sesionando la Cámara en el mes de agosto no se votó nada. Ni un proyecto fue votado”, explicó ayer a ABC el diputado Cándido Vaccarezza, líder de la bancada oficialista, en relación al acuerdo Lugo-Lula.

La propuesta fue incluida en el orden del día, “mas no conseguimos que fuese votado ni un proyecto, todo quedó para después de las elecciones. No hubo quórum para la votación”, agregó.

“Nosotros vamos a aprobar el tratado después de las elecciones”, volvió a asegurar como la vez anterior.

La Nota Reversal (04/09) firmada entre Lugo y Lula el 1 de setiembre del 2009 se desprende del acuerdo que rubricaron el 25 de julio. Contempla entre otras cosas el aumento del pago de compensaciones de 120 millones de dólares a 360 millones de la misma moneda.

Recordemos el 22 de julio pasado, el diputado Vaccarezza había asegurado a ABC que entre agosto y setiembre iban a aprobar el famoso acuerdo, “Yo le estoy diciendo que vamos a aprobar de forma integral”, expresaba. El mismo canciller Héctor Lacognata había anunciado que sería aprobado el acuerdo.

A poco de cumplirse dos meses de estos acontecimientos, el mismo Vaccarezza tuvo que confesar que sus colegas decidieron no estudiar ninguna propuesta antes de las elecciones generales.

La vigencia del acuerdo no solo depende de la aprobación de los diputados, sino también de los senadores.

El punto principal de nota “cajoneada” en el Parlamento brasileño se relaciona con la triplicación de la compensación que paga el Brasil a nuestro país por su excedente en Itaipú, que hoy no alcanza ni US$ 3 por MWh. Incluye, además, la venta de la energía excedente en el mercado del vecino país por parte de la Administración Nacional de Electricidad (ANDE).

Empresarios brasileños del sector energético criticaron el acuerdo porque, según ellos, provocará el aumento de la tarifa eléctrica. Lo cual es absolutamente falso puesto que pagan a Eletrobrás el precio establecido.

La única verdad es que con el acuerdo la referida firma brasileña dejará de embolsar la diferencia puesto que desde hace décadas abona al Paraguay un precio 16 veces menor al ofertado en el mercado brasileño.

Dinero para línea de 500

Otro punto que contempla el acuerdo firmado entre los presidentes Luiz Inácio Lula da Silva y Fernando Lugo es la financiación de la famosa Línea de Transmisión de 500 kV, desde la central Itaipú hasta la zona de Villa Hayes.

Para el efecto, también el Parlamento brasileño deberá aprobar cada año el dinero que el Gobierno debe desembolsar al Focem para financiar la obra que tiene un costo de US$ 550 millones.


Otra promesa del Brasil ante trabas que asfixian al comercio fronterizo

Una vez más, hablando del “Mercosur solidario”, Brasil promete resolver las trabas fronterizas con Paraguay denunciadas frecuentemente por exportadores. Emisario de Itamaraty se reunió con autoridades de la Cancillería a fin de preparar la agenda del Mercosur para este semestre.
El subsecretario general de América del Sur, Central y el Caribe de Itamaraty, Antonio José Ferreira Simoes, quien ejerce el cargo de coordinador nacional brasileño del Mercosur, además de ser consejero en Itaipú, se reunió ayer con el viceministro de Relaciones Económicas e Integración de la cancillería, Manuel María Cáceres. Fue para presentar el plan de trabajo del Brasil, sus objetivos, sus metas al inicio de la presidencia “pro tempore” brasileña del bloque, conforme aclaró inicialmente Cáceres.

Luego el visitante informó que su visita a los países socios del Mercosur tiene como objetivo impulsar la profundización del organismo. Preguntado si Brasil maneja alguna prioridad para su presidencia en el organismo, repitió: “Vamos a priorizar la profundización. Tenemos varios aspectos y no quiero ser específico”.

Al insistírsele qué significa profundizar el Mercosur, atendiendo a que en la práctica poco se ha avanzado para una integración real, declaró nuevamente: “Queremos trabajar para profundizar en la parte económica, comercial, sea en la parte institucional, sea también lo que llamamos el Mercosur de los pueblos, o el Mercosur social”.

Enfatizó haber hablado con Cáceres respecto a la celebración del 20º aniversario del Mercosur, que se cumple el año que viene.

Al reiterársele cómo se compagina la profundización de la que habla con los hechos, expresó: “Vamos a hacer primero una reunión de coordinadores del Mercosur el 13 de setiembre (en Río de Janeiro) y después en Manaos, al final de este mes, una reunión del Grupo Mercado Común, para discutir las ideas”.

Al recordársele que periódicamente Brasil impone trabas al comercio desde Paraguay, acotó simplemente: “La idea es encontrar manera de superar esas trabas, establecer una hoja de ruta, respetando las asimetrías”.

Lugo separa a un cónsul

El Poder Ejecutivo dio por terminadas las funciones de José Marín Delgado como cónsul honorario de la República del Paraguay en Manila, Filipinas.

Fue en virtud del Decreto Nº 5001 firmado por el presidente Fernando Lugo y dado a conocer ayer.

La medida gubernamental está refrendada por el ministro de Relaciones Exteriores, Héctor Lacognata.

O Mercosulino 02/09/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Folha de São Paulo”


Caderno: Mundo


Crise reduz fluxo de imigrantes ilegais para EUA

Entrada de indocumentados caiu quase dois terços em 2007-2009 em comparação ao período entre 2000-2005 É a primeira inversão no crescimento da população ilegal nos EUA em duas décadas, aponta instituto Pew

A crise econômica que estourou nos EUA em 2008 teve como consequência uma redução na entrada de imigrantes ilegais no país. Segundo estudo do Pew Hispanic Center, braço do renomado Pew Research Center, o fluxo anual de indocumentados foi quase dois terços menor de março de 2007 a março de 2009, na comparação com a primeira metade da década.

O declínio contribuiu para a queda total da população de ilegais vivendo nos EUA -8% menos em 2009, em relação a 2007. "Essa diminuição representa a primeira inversão significativa no crescimento dessa população nas últimas duas décadas", afirma o estudo, baseado em dados do governo americano.

Além da crise, da qual o país ainda não se recuperou, o aumento da segurança nas fronteiras pode ajudar a explicar a redução, diz o demógrafo Jeffrey Passel, um dos autores do estudo.

"Os dados não nos informam as razões, mas sabemos que houve reforços na segurança nos últimos anos, especialmente na fronteira ao Sul, e que o desemprego está muito alto nos EUA", diz. "Vimos, no passado, que os fluxos variam de acordo com o estado da economia americana, e hoje está mais difícil e mais perigoso para indocumentados entrarem."

Apesar do declínio recente, a população de imigrantes não autorizados vivendo nos EUA em 2009 era 32% maior do que em 2000. Segundo a estimativa mais atual, de março do ano passado, 11,1 milhões de ilegais moram no país, contra 8,4 milhões em 2000. A população total dos EUA é de cerca de 310 milhões.

O pico da década foi em 2007, imediatamente antes da crise, quando o total chegou a 12 milhões. Desde 1990, a população indocumentada triplicou.

LATINOS

Os latino-americanos são maioria dentre a população total de ilegais: quatro de cada cinco. A queda no fluxo total se deve principalmente a uma mudança no comportamento desse grupo.

Entre 2007 e 2009, o número de indocumentados vindos de países do Caribe, da América Central e da América do Sul caiu 22%. Do México, responsável por 60% dos ilegais, estima-se que uma média anual de 150 mil ilegais tenha imigrado entre 2007 e 2009, 70% menos do que a média anual entre 2000 e 2005. Para Passel, é também a crise financeira que explica o paradoxo.


Jornal “Correio Braziliense”


Caderno: Mundo


Santos critica intromissão sobre Farc

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, prestigiou ontem o Brasil com sua primeira visita como chefe de Estado ao exterior, desde que assumiu o governo em 7 de agosto, mas mandou um alerta claro ao governo brasileiro e a todos os países da região. “Nosso problema com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é um problema interno colombiano e pedimos que se respeite isso”, afirmou, durante coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty, em Brasília. “O Brasil e o resto dos países da região rechaçam o terrorismo e os métodos violentos para conseguir objetivos e, nisso, eu agradeço muito ao presidente Lula e ao Brasil por essa posição clara e contundente. Mas a nossa relação com as Farc e um possível diálogo com as Farc são um problema nosso”, destacou Santos.

Em sua defesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o Brasil sempre teve um comportamento de não confundir os problemas internos da Colômbia com os problemas do Brasil”. “Todas as vezes que eu conversei com o presidente (Álvaro) Uribe, eu disse: eu só digo qualquer coisa sobre as Farc com a concordância do governo da Colômbia. (...) É o governo da Colômbia que vai dizer (quem pode ajudar) e que vai pedir ajuda”, disse Lula.

Santos demonstrou-se disposto a melhorar as relações com a Venezuela, país que rompeu relações com a Colômbia na última semana do governo de Álvaro Uribe, acusado de proteger e abrigar as Farc em seu território. “É interessante observar que as tensões que existiam no cenário regional estão cedendo, porque, quando os governantes estão brigando, são os povos que sofrem”, declarou Santos. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil servir de território para um suposto diálogo entre os grupos guerrilheiros e a Colômbia, Santos se esquivou. “Primeiro temos que ver uma vontade real das Farc, que não vimos até agora.”

Cooperação

O primeiro presidente estrangeiro a ser recebido no Palácio do Planalto, reaberto depois de um ano e meio em reforma, demonstrou interesse, porém, em outras formas de cooperação com o governo brasileiro, sobretudo nas áreas de defesa e bioenergia. O acordo de defesa prevê cooperação entre a Polícia Nacional da Colômbia e a Polícia Federal brasileira para combater o tráfico de drogas e de armas e a lavagem de dinheiro na fronteira, além do intercâmbio na indústria aeronáutica de ambos países.

Lula e Santos assinaram um acordo sobre residência, estudo e trabalho para os habitantes da fronteira. “Colombianos e brasileiros de Letícia e Tabatinga (AM) poderão transitar livremente nas duas cidades, trabalhar onde quiserem e seus filhos serão aceitos em qualquer escola dos dois lados da fronteira”, prometeu Lula.

A economia na zona limítrofe foi outra preocupação dos dois presidentes. “Um dos acordos que assinamos é para que a Corporação Andina de Fomento (CAF) financie um estudo muito completo para aproveitar e desenvolver essa grande fronteira que tem o Brasil e a Colômbia”, disse Santos. “Eu lembrei ao presidente Santos que de todo o comércio da Colômbia com o mundo, o Brasil representa apenas 1,7%”, completou Lula.

DE OLHO NO CARGUEIRO

Santos e Lula assinaram acordo que prevê a participação de companhias colombianas na fabricação do KC-390, o cargueiro da Embraer destinado a substituir os aviões Hércules. “Há um componente econômico que supõe a possibilidade de que a Colômbia participe do projeto de substituição dos Hércules. E que o Brasil participe no fortalecimento da (lancha) patrulheira amazônica que a (fabricante naval colombiana) Cotecmar vai produzir”, disse o ministro da Defesa da Colômbia, Rodrigo Rivera, ao Correio.


Jornal do Senado


Problemas de migrantes preocupam Parlasul

A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos do Parlamento do Mercosul (Parlasul) decidiu ontem, em Brasília, apresentar na próxima sessão plenária do colegiado um requerimento de preferência para a proposta de criação de uma comissão permanente destinada a acompanhar a situação de migrantes provenientes de países que integram o bloco. Apresentada pelo senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDBAC), a proposta encontra-se na Mesa Diretora do Parlasul. Entre as opções em análise no parlamento, mencionou, estão as de se estabelecer uma comissão

temporária para tratar do tema ou mesmo uma subcomissão, ligada à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos.

Na opinião do senador, o episódio do massacre de migrantes clandestinos na fronteira entre o México e os Estados Unidos – no qual morreram dois brasileiros – demonstra a necessidade de um acompanhamento constante da situação de cidadãos dos países do Mercosul que buscam a sorte em outras regiões do mundo. – Somente uma comissão permanente teria a autoridade necessária para tratar desse tema e estabelecer uma interlocução com o Parlamento Europeu e parlamentos de outros países importantes, como os Estados Unidos e o México – disse Mesquita Júnior, após lembrar que recentemente a Itália e o estado norte-americano do Arizona aprovaram leis muito duras contra os imigrantes clandestinos. A decisão de sugerir a votação da proposta na próxima plenária teve o apoio da senadora paraguaia Mirtha Palacios.

Frente parlamentar

A comissão aprovou ainda proposta de disposição, apresentada por Mirtha e pelo presidente da representação paraguaia no Parlasul, Alfonso González Núñez, de criação da Frente Parlamentar do Mercosul pela Infância e pela Adolescência. Os dois parlamentares lembraram que ainda prevalecem “condutas marginais de toda espécie, maus tratos e violência doméstica”. Presente à reunião da comissão, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) pediu para integrar a futura frente.


Jornais dos Países Membros do Mercosul


Uruguai “El Observador “


Opinião


Vuelo exportador.


La creciente pujanza exportadora en agosto, conocida ayer, sustenta las predicciones oficiales y privadas de que la economía uruguaya cerrará 2010 con un saludable crecimiento de no menos de un punto por encima de la meta gubernamental del 5,1%. Incluso las ventas al exterior en los primeros ocho meses del año superaron las importaciones, creando un superávit comercial favorable que no era usual en el pasado reciente.

El Instituto Uruguay XXI informó que las exportaciones del mes pasado alcanzaron a US$ 607 millones, casi el 20% por encima de igual mes de 2009. El total acumulado de enero a agosto fue de US$ 4,475 millones, 22% más que en igual período del año pasado. Esta cifra, que apunta a un nivel récord para todo 2010 por efecto de la competitividad de nuestros productos y las exitosas campañas oficiales y privadas de promoción, se compara con importaciones por US$ 4.208 millones en el mismo período de 2009.

Brasil se mantuvo como nuestro principal cliente, con compras por US$ 860 millones entre enero y agosto. China figura en tercer lugar con US$ 279 millones detrás de Argentina, con US$ 321 millones. Pero si se incorporan los negocios a través de las zonas francas, el mercado chino surge en realidad como el segundo mayor comprador de productos uruguayos.

El gigante asiático, con necesidades crecientes para una población de 1.500 millones de personas que están aumentando su consumo, va en camino de convertirse en pilar de nuestro desarrollo económico, tanto por demanda de bienes como por proyectos de inversión en Uruguay. Esta perspectiva se fortaleció con la reciente visita a China de una misión del gobierno y empresarios que encabezó el vicepresidente Astori. Rusia, el mayor comprador de carne uruguaya, y Alemania figuraron también entre nuestros clientes principales en un panorama que, por ahora y probablemente durante el año próximo, se mantiene firme y alentador.