Pular para o conteúdo principal

Parlasul

Jornal da Câmara


Caderno: Geral


PARLASUL - Dr. Rosinha entrega parecer favorável a novo preço da energia de Itaipu
Rejane Xavier

O relator na Representação Brasileira no Parlasul da mensagem que aumenta os valores que o Brasil paga ao Paraguai pelo excedente da energia produzida em Itaipu, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), entregou na quarta-feira (24) parecer favorável ao texto. As alterações elevarão os pagamentos anuais feitos ao Paraguai de cerca de 120 milhões de dólares para 360 milhões de dólares.

A Mensagem do Executivo 951/09 submete ao Congresso Nacional o texto do acordo entre os governos brasileiro e paraguaio sobre as bases desse pagamento. Na avaliação do relator, o aumento da remuneração “não terá nenhum impacto nas contas públicas e na vida de nossos cidadãos”. Segundo ele, só a Eletrobrás, que gera 38% da energia consumida no Brasil, comercializou R$ 13,4 bilhões em 2008 e obteve lucro líquido de R$ 6,13 bilhões. Ele argumenta que os 240 milhões de dólares adicionais a serem pagos pouco representam no Orçamento de 2010, que prevê despesas de R$ 1,73 trilhão.

Dr. Rosinha destacou que, para o Paraguai, o aumento é bastante significativo. A remuneração gerada por Itaipu representa cerca de 20% do total das receitas obtidas pelo país.

Segundo Dr. Rosinha, a questão do preço a ser pago ao Paraguai pelo excedente da energia de Itaipu deve ser analisada dentro da perspectiva estratégica do interesse nacional do Brasil de ter um entorno regional próspero e estável que sedimente o seu desenvolvimento. “Comparativamente aos ganhos políticos, diplomáticos, econômicos e comerciais que o Brasil obtém ao apostar na integração regional e na prosperidade de seus vizinhos, os 240 milhões de dólares adicionais representam um custo muito baixo”, explica.

Ele entende que, para manter o protagonismo econômico, é de interesse brasileiro a intensificação da integração do Mercosul, a expansão desse bloco e a consolidação da Unasul. Outras duas alterações semelhantes já haviam sido feitas sem passar pelo Congresso. Como dessa vez o impacto da modificação é mais alto, o governo entendeu que deveria submetê-la ao Legislativo.

Contrapartidas - Segundo Dr. Rosinha, a concessão feita pelo Brasil teve contrapartidas paraguaias, especialmente no que diz respeito à situação dos “brasiguaios”, agricultores brasileiros que há muitos anos vivem e produzem no Paraguai. “Itaipu é a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia. Em 2008, gerou 95 mil gigawatts-hora de energia. Desse total, o Brasil consumiu 95%, e o Paraguai, 5%. Para o nosso país, Itaipu é responsável por 20% de toda energia consumida. Já para o Paraguai, esse percentual chega a 95%. Não fosse Itaipu, tanto Brasil quanto Paraguai enfrentariam sérios estrangulamentos em seu suprimento de energia”, afirma.

Tramitação - A Mensagem 951/09 será examinada na próxima reunião ordinária da Representação Brasileira no Parlasul, que deve ocorrer no início do mês de abril. Antes de ir a Plenário, passará simultaneamente por quatro comissões da Câmara: Relações Exteriores e Defesa Nacional; Minas e Energia; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e Cidadania.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Mercosulino 25/10/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal “Valor Econômico” Caderno: Agronegócios Uruguai busca limitar avanço de estrangeiros de grupos de China e Arábia Saudita preocupa o governo Daniel Rittner | De Buenos Aires O interesse da China e da Arábia Saudita pela compra de terras no Uruguai, para abastecimento direto de alimentos aos países asiáticos, fez o presidente José Mujica dizer basta. Ele encomendou, a três parlamentares da coalizão esquerdista Frente Ampla, um projeto de lei para limitar a venda de terras a estrangeiros. Nos últimos nove anos, segundo a Associação Rural do Uruguai (ARU), 60% das áreas comercializadas passaram às mãos de estrangeiros - um total de aproximadamente 3,5 milhões de hectares, território superior ao do Estado de Alagoas. A maioria dessas áreas foi adquirida por empresários brasileiros e, principalmente, argentinos que se dedicaram ao cultivo de cereais e oleaginosas no Uruguai. Também houve uma forte entrada de companhias dedicadas à fabricação de celulose e papel, que compraram terras p...

O Mercosulino 01/10/2010 -www.camara.gov.br/representacaomercosul

Jornal ‘Folha de S. Paulo” Editorial Política externa Objetivos do Itamaraty estão corretos, mas sua execução perdeu-se em maniqueísmos, contradições e exibicionismo que é necessário superar Toda política de um Estado em face dos demais países implica conciliar duas vertentes nem sempre acordes. De um lado, o interesse nacional, manifesto em necessidades de ordem econômica e apoiado, em última análise, na capacidade militar. De outro, o respeito a princípios que deveriam valer para todos os Estados. No âmbito da civilização ocidental, a que bem ou mal pertencemos, esses princípios são os direitos humanos, a autodeterminação dos povos e a resolução negociada, pacífica até o limite extremo, dos conflitos internacionais. Quanto mais harmônica for a relação entre os dois termos daquele dilema, mais eficaz será a política externa que a expressa e mais promissora a contribuição do Estado que a adota para a humanidade. É sob esse prisma que se deve avaliar a administração das relações exterio...

Clipping Mercosul-16/04/10 www.camara.gov.br/mercosul

Jornal “Folha de S. Paulo” Caderno: Brasil Brics podem ter rede de financiamento conjunto Focos serão infraestrutura, energia, sustentabilidade ambiental, agronegócio e inovação Segundo o presidente do BNDES, ideia de criar banco comum para os quatro países "é muito prematura e nem sequer foi discutida" ELIANE CANTANHÊDE COLUNISTA DA FOLHA SIMONE IGLESIAS DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Os bancos de desenvolvimento dos quatro países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) assinaram ontem um acordo de cooperação para possibilitar financiamentos conjuntos de projetos no próprio bloco e, de acordo com o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, gerar futuramente "uma rede" para atuar também junto a outros países em desenvolvimento. O acordo foi firmado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dmitri Medvedev (Rússia), pelo dirigente Hu Jintao (China) e pelo primeiro-ministro Manmohan Singh (Índia) e terá como foco as áre...